Convento de Nossa Senhora da Conceição / Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Cantanhede

IPA.00005219
Portugal, Coimbra, Cantanhede, União das freguesias de Cantanhede e Pocariça
 
Arquitectura religiosa, maneirista, tardo-barroca e rococó. Igreja de convento masculino franciscano capucho, de planta longitudinal composta por nave e capela-mor, mais baixa e estreita, com cunhais de pilastras rusticadas. Fachada principal terminada em empena, rasgada por vão de arco abatido encimado por janela e nicho com imagem, possuindo galilé com portal axial de verga recta encimada por friso e cornija entre dois nichos. No interior, com coberturas em falsa abóbada de berço, de estuque, coro-alto sobre arco abatido, tendo no lado do Evangelho confessionários embutidos e púlpito com guarda plena de talha policroma, capela no topo da nave do lado do Evangelho, retábulos colaterais de planta côncava rococó e capela-mor, com painéis de azulejos rococós formando silhar e retábulo-mor tardo-barroco, de planta côncava e um eixo.
Número IPA Antigo: PT020602040021
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem de São Francisco - Franciscanos Capuchos (Província de Santo António)

Descrição

Planta longitudinal composta de nave e capela-mor, mais baixa e estreita, tendo adossado à fachada lateral esquerda torre sineira, sacristia e outras dependências. Volumes articulados com coberturas escanoladas em telhados de duas águas na igreja, de uma na sacristia e de duas nos anexos adossados, mas dispostas perpendicularmente aos da igreja. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, a igreja com cunhais apilastrados em cantaria rusticada, seccionados em dois. Fachada principal virada a O., terminada em empena de cornija, coroada por cruz sobre plinto no remate e pináculos piramidais terminados em bola e assentes em plintos paralelepipédicos nos cunhais; é rasgada por amplo vão de arco abatido, sobre pilastras toscanas e com chave em voluta saliente, encimado por janela, com moldura de cantaria e gradeada, e pequeno nicho, com arco de volta perfeita sobre pilastras, envidraçado e albergando imagem de São Francisco, sobre plinto datado de 1733. À fachada lateral esquerda, adossa-se, sensivelmente recuada, a torre sineira, com cunhais apilastrados e de dois registos, rasgada no primeiro por janela de arco de volta perfeita, óculo circular, relógio de cantaria e, no segundo registo e em cada uma das faces, por sineira de arco de volta perfeita; possui cobertura piramidal, coroada por pináculo piramidal terminado em bola, igual aos existentes sobre os cunhais. À torre adossa-se corpo rectangular de um piso, terminado em, beiral e rasgado por dois portais, um de arco de volta perfeita e outro abatido, ambos sobre pilastras. Fachadas laterais terminadas em cornija de betão sobreposta por beiral; a lateral direita é rasgada, na nave, por três janelas, uma delas num nível mais baixo, e outras três na capela-mor, estas com moldura de cantaria e uma delas mais pequena. A lateral esquerda do corpo adossado apresenta várias janelas de peitoril, todas sem moldura. Fachada posterior rasgada por portal de verga recta na igreja e uma porta e uma janela do mesmo perfil na sacristia. Nos anexos adossados, com embasamento de cimento encarapinhado, abrem-se duas janelas e uma porta, sem molduras. Galilé rasgada frontalmente por portal de verga recta, com moldura ornada de frisos, encimada por friso e cornija recta, enquadrado por dois nichos, de arco de volta perfeita sobre pilastras, vazios. Na parede do lado direito, integra-se na caixa muraria sarcófago em mármore, do arcebispo D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa, com inscrição no frontal e terminado em espaldar curvo, coroado por cruz, e com as armas do mesmo em escudo oval. INTERIOR rebocado e pintado de branco. Nave com coro-alto de arco abatido, assente em mísulas volutadas, com guarda em balaústres torneados, acedido por porta do lado do Evangelho e tendo no lado oposto uma outra, entaipada de modo a criar um vão, possuindo ambas verga recta e tendo a última a inscrição "ARMA MILITIAE NOSTRAE"; guarda-vento de madeira. No lado do Evangelho, dispõem-se dois confessionários embutidos na parede, com porta de madeira integrando numa almofada ralo, com espaço interior pavimentado a cimento; púlpito rectangular de base pétrea assente em duas mísulas volutadas, com guarda plena em talha policroma a bege, marmoreado verde e dourado, com painéis ornados de florões e o da face frontal com cruz em cartela, acedido por porta de verga recta encimada por sanefa recortada em talha igualmente policroma, terminada em motivo fitomórfico. No topo da nave, do lado da Epístola, abre-se capela do Senhor dos Passos, de arco de volta perfeita, assente em pilastras, ambas almofadadas e com losango central e chave relevada; sobre estrutura de madeira, com frontal ornado de almofada rectangular pintado a mormoreado verde encimada por acanto central, dispõe-se imagem do Senhor dos Passos. De ambos os lados surgem dois oratórios, de talha policroma rosa, verde e dourado, de perfil curvo, ladeados por pilastras almofadadas, com bases formadas por folhas de acantos e capitéis volutados, os quais suportam frontão de volutas interrompido por cartela e resplendor com querubins, sendo ainda coroado por dois fogaréus; albergam imaginária que assenta num friso ornado de motivos vegetalistas. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras toscanas, encimada por sanefa de talha, terminada em fragmentos de frontão, com policroma bege, verde, vermelho e dourado, com lambrequim e ornado com motivos fitomórficos e concheados, terminando em amplo resplendor sobreposto por cartela circular com coroa e querubins. Ao nível dos capitéis, corre a parede friso de cantaria a que se encostam os retábulos colaterais, de talha policroma a bege, rosa, verde e dourado, de planta côncava e um eixo, o do lado do Evangelho dedicado a Santo António e o da Epístola a Nossa Senhora da Soledade; as paredes laterais foram sensivelmente recuadas para a colocação dos retábulos. Nave com pavimento em lajes calcárias e cobertura em falsa abóbada de berço, de estuque. Capela-mor com azulejos de composição figurativa alusiva à vida da Virgem monocromos azuis sobre fundo branco e com cercadura de motivos arquitectónicos e cartelas com apontamentos policromos em verde, manganés e azul, formando silhar. Retábulo-mor de talha policroma a rosa, verde e dourado, de planta côncava e um eixo, definido por três colunas de capitel coríntio, assentes em plintos paralelepipédicos, decorados com almofada côncava sobreposta por cartela e elementos fitomórficos, possuindo no interculúnio painéis entalhados com os mesmos motivos e superiormente festão. Ao centro, abre-se tribuna de arco trilobado com fecho saliente e com moldura encimada por concheados, interior pintado de vermelho, com dois filetes dourados, e tecto branco, albergando trono de cinco degraus, decorados com concheados, cartelas e motivos vegetalistas. Ático composto por cornija contracurvada e fragmentos de frontão, sobrepostos por apainelados com volutas, festões, concheados, motivos fitomórficos e rematado por dois anjos esvoaçantes segurando resplendor e filactera. Banco formado por apainelados ornados igualmente por cartelas e motivos fitomórficos. Sotobanco composto por altos plintos suportando as duas colunas exteriores e zona central côncava devido à remoção do altar, percorrida superiormente por friso e tendo duas mísulas com lágrimas suportando as colunas interiores. Pavimento com padrão de losangos pretos e brancos e supedâneo em lajes calcárias e cobertura igual à da nave, assente em cornija de cantaria. No lado do Evangelho, porta de verga recta com ligeiro recorte acede à sacristia, que possui lavabo de duas bicas em flores, em espaldar rectangular terminado em cornija, e com bacia igualmente rectangular, arcaz e armário recentes.

Acessos

Rua António José da Silva Poiares

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado. Insere-se no interior de quinta, a antiga cerca do convento, vedado por alto muro, frontalmente mais baixo e encimado por gradeamento de ferro com o portão principal de acesso, frente ao qual termina uma das ruas da vila; o portão, de ferro, de três folhas, entre pilares rematados por pinhas, é encimado por espaldar gradeado integrando brasão. Para E. erguem-se na quinta o Antigo Hospital do Arcebispo D. João Crisóstomo (v. PT020602040027) e o antigo Asilo da Infância Desvalida Maria Cordeiro, actual Lar de Infância (v. PT020602040030), envolvidos por jardim e parque infantil, e o Hospital de Cantanhede (v. PT020602040029), e com espaços de estacionamento.

Descrição Complementar

A capela-mor apresenta nove painéis de azulejos de composição figurativa alusiva à vida da Virgem, formando silhar, com leitura cronológica circular iniciada sensivelmente a meio da parede do lado do Evangelho e terminando nesse mesmo lado. Nos painéis surgem representados: no lado do Evangelho, começando na parede do arco triunfal, "Fuga para o Egipto", "Assunção da Virgem", "Nascimento da Virgem", "Apresentação da Virgem no Templo" e "Casamento da Virgem"; no lado da Epístola, começando igualmente na parede do arco triunfal, "Adoração dos Reis Magos", "Adoração dos Pastores", "Apresentação de Jesus no Templo", "Visitação" e "Anunciação". INSCRIÇÕES: Na fachada principal surge placa de bronze afixada com a seguinte inscrição: "NO ÁTRIO DESTA / IGREJA DA MISERICÓRDIA / DO ANTIGO / CONVENTO DE SANTO ANTÓNIO, / MANDADO CONSTRUIR POR / D. ANTÓNIO LUÍS DE MENESES / NASCIDO NESTA VILA / A 13 - XII - 1603 / 3º CONDE DE CANTANHEDE / 1º MARQUÊS DE MARIALVA / EM ACÇÃO DE GRAÇAS / PELA VITÓRIA NA / BATALHA DE MONTES CLAROS / < 17 - VI - 1666 > / REPOUSA DESDE 12 - IV - 1713. / O FUNDADOR DO CONVENTO, / FALECIDO A 19 - V- 1675. / 16 - VI - 1965". Na galilé, frente ao portal axial, existe a lápide sepulcral do fundador do convento, que tem a seguinte inscrição: "AQVI ESTA SEPVL/TADO O CORPO DO MAR/QVEZ DE MARIALVA D / ANTONIO LUÍZ DE MENE/ZES QVE FALECEO EM 19 / DE MAIO DE 1675 PE/DE PIEDADE CHRISTAN / HVM PADRE NOSSO I / HVMA AVE MARIA PE/LA SVA ALMA". Ao lado, existe uma outra lápide com a inscrição "AQui JaZ / F.F.C.B. 1/8 / 1864", pertencente a uma criança, Felicidade Ferreira Castelo Branco, filha de José Maria Ferreira Castelo Branco e de António de Jesus Mendes. O sarcófago na parede do lado direito da galilé, tem a inscrição: "Á MEMORIA / DO / BEMFEITOR / O / EXmº ARCEBISPO RESIGNATARIO DE BRAGA / D. JOÃO CHRYSOSTOMO DE AMORIM PESSOA / A SANTA CASA DA MISERICORDIA DE CANTANHEDE / RECONHECIDA / NASCEU N'ESTA VILLA. PROFESSOU NO CONVENTO DE QUE ESTA EGREJA FASIA PARTE / MORREU NA SUA QUINTA DE CABANAS AROS DE BRAGA, / AOS 25 DE DESEMBRO DE 1888. VEIO O SEU CORPO PARA ESTE JAZIGO / EM 17 DE FEVEREIRO DE 1890". Retábulos colaterais de estrutura semelhante, de planta côncava e um eixo definido por pilastras tendo frontalmente colunas de capitel coríntio, assentes em mísulas com anjos atlantes; ao centro, abre-se nicho de perfil curvo e moldura ornada de frisos, com querubim no fecho, interiormente pintado de rosa e albergando imaginária, ladeado por orelhas de concheados, enrolamentos, volutas e motivos fitomórficos. Ático formado por cornija contracurvada encimada por frontão de volutas interrompido por espaldar recortado terminado em enrolamento; banco decorado por painel recortado assente em banqueta ornada de concheados e cartela central. Altares tipo urna, em pedra de Ançã, com frontal ornado de ampla cartela recortada e motivo fitomórfico cruciforme central entre palmas, flanqueado por volutas onde assenta o tampo do altar.

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Religiosa: Igreja de confraria / irmandade

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

CARPINTEIRO: José da Cruz Leão.

Cronologia

1675 - O 1º Marquês de Marialva e 3º Conde de Cantanhede, D. António Luís de Meneses, fez voto a Deus de construir um convento com orago de Santo António (sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição) em Cantanhede por ter vencido os espanhóis, na batalha de Montes Claros; assim, pede ao Provincial da Ordem de São Francisco, Frei Paulo de Santa Catarina Pregador, autorização para fundar um convento e que, se lhe fosse dado o padroado assistiria à sua obra; 18 Maio - escritura do contrato realizada em Lisboa, na Bica de Duarte Belo, estabelecendo as condições para a fundação do convento, em que o Conde de Cantanhede se comprometia a dar nos primeiros dois anos 300$000 rs, cada ano, para iniciar as obras, e nos onze anos seguintes 150$000 rs anuais e para sustentação dos religiosos, ornamentos da igreja e enfermaria daria anualmente 50$000 rs, uma pipa de vinho e um moio de trigo; 19 Maio - morte do Marquês de Marialva, que pediu em testamento para ser sepultado no convento de Cantanhede, do lado de fora da igreja, num carneiro com campa rasa, sem pompa, mas enquanto não se acabava a igreja, o seu corpo devia ser depositado na Matriz da vila, na capela do Santíssimo Sacramento; os religiosos viveram na vila durante dois anos, nos Paços do Marquês, enquanto não se obteve as licenças necessárias para iniciar o convento; 3 Agosto - demarcação do chão onde se construiria o convento e abertura dos alicerces, sendo Ministro Provincial Frei Gaspar de Santo António Pregador e presidente do mesmo Hospício Frei João da Esperança Confessor; 28 Agosto - lançamento da primeira pedra, com várias cerimónias pelo Fr. Manuel de Santo Atanázio, lente de Teologia, Calificador do Santo Ofício e guardião do Colégio de Santo António da Pedreira, em Coimbra; pregou o Pe. Frei João de S. Miguel; 1688, 16 Janeiro - sendo Bispo Conde da Sé de Coimbra D. João de Melo e Guardião deste convento de Nossa Senhora da Conceição Frei João da Natividade Confessor, os religiosos mudaram-se para o convento com procissão solene; concluída a igreja, D. Diogo de Noronha, Marquês de Marialva, e sua mãe, determinam que se transladasse os ossos de D. António Luís Meneses, da capela para o convento; no claustro existia uma capela, que juntamente com a sala do capítulo, foi mandada executar por António Marquês de Afonseca, a quem se deu o padroado do referido Capítulo e nele estava enterrado; por morte deste, sucedeu-lhe no padroado Manuel de Almeida Barreto, da vila de Cantanhede e Síndico do convento; 1706 - separação da Província da Conceição da Beira e Minho da de Santo António, iniciando-se um período conturbado durante 4 anos; 1710 - acórdão reconhecendo aos religiosos de Santo António o direito ao convento como seus primeiros possuidores; 1711, 17 Julho - os religiosos da Província da Conceição desistiram da posse do convento, voltando assim à sua antiga residência; 1713, 12 Abril - sendo Ministro Provincial Pe. Frei João de São Diogo, Lente de Teologia e Calificador do Santo Ofício, procede-se à transladação dos ossos, que se meteram num caixão dentro do carneiro; 1746, 24 Março - provisão de D. João V para os oficiais da Câmara de Cantanhede fazerem repartir por finta a quantia de 12$000 rs para dar-se de esmola aos religiosos do convento pelos sermões da Quaresma que façam na freguesia da Porcariça pelos paroquianos, os quais não admitiram pregar as Quaresmas a não ser as do convento; 1779, 29 Outubro - provisão de D. Maria I fazendo mercê ao guardião e demais religiosos do convento de uma escola de ler, escrever e contar, com o ordenado anual de 40$000 rs; 1815, 22 / 23 Agosto - tendo havido violação do sacrário, por António Tesouras que de passagem para Leiria pedira hospedagem no convento, e que roubou também um cálice pequeno que lá estava, encarrega-se o carpinteiro José da Cruz Leão de arrancar a fechadura da porta do sacrário; 1828, 12 Julho - alvará de D. Pedro IV mandando-se pagar ao guardião e religiosos do convento de 50$000 rs, um moio de trigo e uma pipa de vinho que recebiam "do mesmo modo que se praticava antes de ser incorporado na coroa o Reguengo de Cantanhede"; 1834, 16 Junho - Auto de Posse e Inventário do Convento e seus bens; o edifício do convento com todos os dormitóris, claustro, lavandaria, casas da cozinha e despensa, refeitório e adega, sem a igreja, foi avaliado em 1:000$000; as pratas não sagradas tinham o valor de 56$000, a mobília foi arrematada pela quantia de 158$900 e os prédios por 1:348$000; 1837 8 Janeiro - o Comandante do Batalhão da Guarda Nacional compareceu à sessão da Câmara para solicitar a cedência do edifício do convento para ali instalar a o quartel da guarnição; 1863 - a igreja já era da Junta de Freguesia, que nesse ano mandou proceder ao lajeamento do seu pavimento; 1866 demolição do convento por António Ferreira da Silva e António Mendes Pato, por ordem do Reverendo Arcipreste Francisco dos Reis Pessoa, seu proprietário; 1890, 14 Janeiro - a Mesa da Misericórdia oficiou à Junta da Paróquia a cedência por venda da igreja do convento e terrenos do então cemitério; 17 Fevereiro - transferência do corpo do arcebispo Dr. João Crisóstomo de Amorim para o sarcófago da galilé; Agosto - Governo consentiu na compra da igreja, sendo o valor arbitrado 1.500$000; 1891, 4 Abril - a Misericórdia adquiriu a igreja com o terreno anexo do cemitério, por 1:250$000 à Junta da Paróquia; 1891 / 1896, entre - a igreja serviu de Matriz, devido às obras de reparação na Igreja Matriz; 1911, 19 Novembro - representação da Santa Casa da Misericórdia de Cantanhede ao Ministro da Justiça solicitando a manutenção da autonomia da Santa Casa; 20 Dezembro - aprovação de novo Compromisso; 1912, 10 Junho - alvará do Governador Civil de Coimbra aprovando o novo Compromisso; 1921, 22 Maio - aprovação pela Assembleia-Geral de novo Compromisso; 1922, 1 Junho - alvará do Governador Civil de Coimbra aprovando-o; 1928, 19 Junho - aprovação de novo Compromisso que determina a eleição da Mesa como trienal; 1933, Outubro - abertura do túmulo do Marquês, tendo-se encontrado dois esqueletos (um deles possivelmente pertencendo à mulher) e vários objectos: um espadim, um fio de ouro, esporas etc.; 1972 - a igreja ainda possuia a teia de balaústre separando a capela-mor da nave.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada de branco; elementos estruturais, pilastras, frisos e cornijas, molduras dos vãos, base e bacia do púlpito, vãos das capelas, cornijas e outras em cantaria; retábulos, sanefas e guarda do púlpito em talha policroma; silhar de azulejos; guarda do coro-alto em madeira; pavimento de lajes calcárias, cerâmico na sacristia, cimento no corredor e escadas de acesso ao coro, madeira no coro-alto e nos estrados da capela-mor; portas e janelas com caixilharia de madeira; vidros simples; embasamento em cimento encarapinhado nos anexos; cobertura exterior de telha cerâmica.

Bibliografia

BANDEIRA, Ana Maria (Coord.), Recenseamento dos Arquivos Locais - Câmaras Municipais e Misericórdias, Distrito de Coimbra, vol. 7, s.l., 1997; FRAGOSO, Viriato de Sá, Cantanhede. Subsídios para a sua história, Coimbra, 1959; FREITAS, Divalgo Gaspar de, Apontamentos para a História da Santa Casa da misericórdia de Cantanhede, Lisboa, 1959; GOODOLPHIM, Costa, As Misericórdias, Lisboa, 1898 (1ª edição); JORGE, Dr. Jorge da Cruz, O Hospital e a Misericórdia de Cantanhede in Elucidário Nobiliarchico, nº 2, vol. 2, Lisboa, 1929; TÁVORA, D. Fernando de Tavares e, A Nobre e Vetusta Cantanhede, Braga, 1987; TOJAL, Alexandre Arménio, PINTO, Paulo Campos, Bandeiras das Misericórdias, Lisboa, 2002.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID; Santa Casa da Misericórdia de Cantanhede; IAN/TT: Arquivo Histórico do Ministério das Finanças - Conventos Extintos: Convento de Nossa Senhora da Conceição, Cantanhede, Caixa 2203)

Intervenção Realizada

SCMC / DGEMN: 1998 / 1999 - obras de conservação geral e limpeza; reparação e conservação da igreja; restauro e douramento dos altares; substituição dos bancos da nave; construção de guarda-vento; SCMC: 2000 / 2001 / 2002 / 2003 / 2004 - restauro de várias peças móveis.

Observações

Pelo Inventário do Convento e respectivos bens, sabemos que a Livraria tinha 669 livros, encadernados a couro, obras quase todas "troncadas e velhas" em péssimo estado; e 800 encadernados em pergaminho também em mau estado. A cerca tinha um terreno chamado de pomar com suas árvores, que confrontava a N. com a estrada de cordinhão, a S. com o muro poente do rocio de Agueiro e a E. com muro que endireitava ao arco por onde se vai para a cerca, avaliado em 48$000. A cerca com vinha, mata e pinhal, pegada ao convento, partia de N. e E. com os herdeiros de José dos Santos Barbeiro, a S. com a estrada de Coimbra e a O. com os muros que dividem a cerca do termo do pomar e orla, avaliada em 250$000. Tinha ainda um terreno chamado horta, com sua nora, pegado ao convento, fechado sobre si, partindo de N. com a Igreja, de S. com estrada de Coimbra, de E. com muro que divide o terreno da cerca e de O. com o rocio do Agueiro, avaliado em 50$000. Na cerca havia também duas cearas de trigo, uma delas do mourisco.

Autor e Data

Francisco de Jesus 1999 / Paula Noé 2004

Actualização

 
 
 
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