Igreja Paroquial de Agrela / Igreja de São Pedro

IPA.00005139
Portugal, Porto, Santo Tirso, Agrela
 
Igreja paroquial oitocentista, de planta retangular composta por nave, capela-mor e sacristia adossada ao lado esquerdo, com cobertura em vigamento de betão e iluminada uniformemente por janelas retilíneas rasgadas nas fachadas laterais. Fachada principal do tipo fachada torre, tripartida, com torre de quatro ventanas no registo central, com os vãos rasgados em eixo composto por portal e óculo quadrilobulado. Fachadas com cunhais de cantaria, firmados por pináculos, e rematadas em cornija, a lateral esquerda com porta travessa de verga reta. Interior com amplo coro-alto em betão, tendo acesso por escadas no lado do Evangelho, e presbitério, onde se situa o batistério e o retábulo-mor, com mesa de altar central. Igreja paroquial de provável construção quinhentista, totalmente reformada no séc. 19, sendo visível esta estrutura, que teria um vestíbulo interno e batistério no lado do Evangelho, com eixo longitudinal até à capela-mor, com acesso por arco triunfal de volta perfeita. Atualmente, possui o acesso descentrado e o antigo batistério desativado, ampliado por corpo lateral, permitindo criar uma ampla nave e um coro-alto de grandes dimensões. No presbitério, surgem dois vãos de volta perfeita, correspondendo ao batistério e altar do Santíssimo, com sacrário em forma de templete, e à primitiva zona do retábulo-mor, atualmente truncado, pela remoção da arquivolta exterior, de estilo barroco nacional, de planta reta e três eixos. A fachada principal é tripartida, revestida a azulejo de padrão, formando elementos crucíferos nos panos laterais, cegos, sendo o central rematado em falsa empena truncada, relevada na torre sineira que marca o primitivo eixo central do templo. O portal é em arco abatido, encimado por frontão de lanços e óculo, de execução oitocentista, sobrepujado por nicho em abóbada de concha com a imagem do orago. As demais fachadas são sóbrias, com as molduras simples, prolongando-se inferiormente em falsos brincos. Possui uma capela lateral, em talha, de feitura novecentista, de planta reta e três eixos, possuindo drapeados dourados no remate. Os pináculos que encimam os cunhais são de perfis distintos, revelando épocas de construção distintas, piramidais e fusiformes. Possui uma lápide sepulcral quinhentista, do antigo padroeiro da igreja.
Número IPA Antigo: PT011314010018
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta retangular composta por nave, capela-mor e torre sineira na fachada principal, ladeada por um anexo, de volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, na nave interrompida por clarabóia em metal e vidro, de uma no anexo e em coruchéu piramidal sobre alta base quadrangular e contendo os mostradores do relógio, na torre sineira. Fachadas em alvenaria, rebocada e pintada de branco, exceto a principal, revestida a azulejo, flanqueadas por cunhais em cantaria, firmados por pináculos piramidais e fusiformes, estando rematadas em cornijas. Fachada principal virada a O., revestida a azulejo de padrão em monocromia, a azul e branco, pontuado por azulejos de padrão geométrico, alguns deles formando cruzes; é tripartida, com os panos definidos por pilastras toscanas colossais, o central com falsa empena sem retorno, truncada superiormente pela torre sineira, de dois registos, o superior com ventanas de volta perfeita, assentes em impostas salientes, rematando em friso, cornija e platibanda vazada metálica; é rasgada por portal em arco abatido e moldura simples, com fecho saliente, e remate em frontão de lanços, encimado por quadrifólio e nicho em abóbada de concha com a imagem do orago. Fachada lateral esquerda com o corpo anexo adossado à torre com vão retilíneo, protegido por vidro colorido, formando elementos geométricos, surgindo, sobre o mesmo e na face O. da nave, vão retilíneo com vidro colorido, formando entrelaçados. O corpo da nave tem dois pisos de vãos, com porta travessa retilínea e duas janelas de peitoril no primeiro, surgindo três no segundo, com molduras salientes, que se prolongam inferiormente em falsos brincos. No corpo da nave, três janelas dispostas irregularmente, também com molduras salientes. Fachada lateral direita com quatro janelas, três nos corpo da nave e um na capela-mor, todas com molduras salientes e falsos brincos. Fachada posterior em empena com porta de verga reta com acesso por escadas de cantaria e guarda vazada, em ferro. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por silhares de azulejo de padrão policromo e divididas em quatro tramos pelos pilares que sustentam a cobertura em vigamento de betão com poço de luz central, para onde convergem as vigas, sendo os pavimentos em tijoleira. As janelas possuem sanefas de talha pintada de dourado, formando frisos e pequeno espaldar central recortado, estando protegidas por vidro colorido formando cruzes. Coro-alto de betão assente em pilares, com guarda plena, rebocada e pintada de branco, encimada por grades, tendo, ao centro, relógio, e acesso por três lanços de escadas em mármore e guardas em pilares do mesmo material, no lado do Evangelho; possui vão central de volta perfeita, onde surge o mecanismo do relógio e os pesos dos sinos. Descentrado, o portal axial com guarda-vento de madeira e vidro colorido, branco e vermelho, ladeado por pias de água-benta em cantaria de granito. À porta travessa, sucede-se uma lápide sepulcral, com pedra de armas de Manuel Cirne da Silva, representando um cisne, e com inscrição delida, encimado por espaldar de talha dourada, composto por cartela ovalada, rodeado por acantos e rematado por frontão semicircular e remate recortado e vazado por acantos e enrolamentos. Ainda do lado do Evangelho, capela retabular lateral dedicada à Virgem. Presbitério elevado por três degraus, onde surge a mesa de altar, de talha dourada, assente em quatro colunas torsas. Parede testeira com o fundo pintado de azul, onde surge a imagem de Deus Pai e, nos ângulos, glórias de anjos que sustentam filacteras com as inscrições "AVÉ MARIA". A parede é rasgada por dois vãos em arcos de volta perfeita e assentes em pilastras toscanas, de fustes almofadados, o do lado esquerdo pouco profundo, com lambril de madeira e o fundo pintado e relevado, representando um Batismo de Cristo, visualizado pela Virgem, ao qual se adossa uma mesa de altar, em talha, e sobre uma mesa, o sacrário, também de talha dourada, em forma de templete e coberto em domo, sobrepujado por Agnus Dei. Fronteira, a pia batismal, em cantaria de granito composta por pilar e tala facetados. O vão do lado direito é mais profundo, onde se integra o retábulo-mor, de talha dourada, de planta reta e três eixos definidos por seis colunas de fuste torso e ornado por pâmpanos, assentes em duas ordens de plintos paralelepipédicos decorados por acantos, as quais se prolongam em duas arquivoltas torsas, ornadas por pâmpanos, ladeadas por apainelados de acantos, formando o ático. Ao centro, tribuna de volta perfeita contendo trono expositivo de três degraus, com o fundo pintado de azul e glória de anjos, com cobertura em caixotões de acantos. Os eixos laterais formam apainelados pintados de dourado, contendo mísulas com imaginária, tendo, na base, as portas de acesso à tribuna. Altar paralelepipédico, ornado por acantos, formando sanefa e sebastos, encimado por sacrário facetado, ladeado por colunas torsas e formando apainelados de acantos laterais; a porta do sacrário é em metal e ornada por cruz. Sobre o arco do batistério, a representação relevada de um cálice e uma cruz, com um veado a dessedentar-se, surgindo, sobre o retábulo-mor, a pomba do Espírito Santo. Entre ambos os vãos, surge a representação do Monte Golgotá, com a imagem do Crucificado, tendo inscrição na base. Sacristia com paredes e teto plano pintados de branco, com pavimento em ladrilho cerâmico, possuindo arcaz de madeira.

Acessos

Avenida Dr. Carneiro Pacheco; Rua de São Pedro. WGS84 (graus decimais) lat.: 41,257031; long.: -8,470814

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado a meia encosta, em zona com ligeiro declive, confinando a fachada lateral direita com a via pública, tendo, fronteiro e no lado esquerdo, um pequeno adro fechado por muro em alvenaria rebocada e pintada de branco, capeado a cantaria, entrecortado por acrotérios e grades. Tem acesso por portão frontal, com grades de ferro e pilares laterais, encimados por pináculos piramidais, com o interior pavimentado a calçada, na zona fronteira, à portuguesa, formando elementos geométricos. Na fachada posterior, um segundo portão de acesso ao adro, tendo, junto a este, cruzeiro em cantaria de granito, composto por dado e cruz latina. No lado esquerdo do adro, o Cemitério. No recinto, surgem algumas árvores de grande porte. Junto à fachada lateral direita, um monumento comemorativo, composto por plinto em granito polido e busto em pedra, surgindo a inscrição: "Homenagem e gratidão / Pelos 40 anos nesta paróquia / 1970-2010 / ao Reverendo Padre Damião O.N. Basto / 2010-07-11"; sobre o monumento, a inscrição: "BODAS DE PRATA PAROQUIAIS / NSTA FREGUESIA DE SÃO PEDRO / DE AGRELA SANTO TIRSO / DIOCESE DO PORTO / 1979. HOMENAGEM GRATIDÃO. 1995 / AO REVEREND PADRE / DAMIÃO OLINDO DAS NESVES BASTO / REALIZADA POR ESTE POVO CRISTÃO / JUBILOSAMENTE AGRADECIDO". Em cota inferior, várias casas unifamiliares, algumas com interesse patrimonial.

Descrição Complementar

O retábulo lateral é de talha dourada, de planta reta e três eixos definidos por quatro colunas torsas e capitéis de inspiração coríntias, assentes em consolas, as exteriores sobre meias-colunas da ordem jónica. Ao centro, nicho de volta perfeita, com moldura superior e remate em cornija curva e decoração de acantos vazada, com o fundo pintado de dourado e contendo peanha côncava. Os eixos laterais formam nichos de volta perfeita e moldura fitomórfica, encimados por friso de acantos e cornija e tendo, na base, painéis de acantos. A estrutura remata em drapeados dourados e sanefa com falsos lambrequins e decoração de acantos vazada. Altar em forma de urna, com o frontão ornado por cartela com as iniciais "JHS" e acantos enrolados; sobre este, o sacrário embutido na estrutura, flanqueado por quarteirões e encimado por friso e cornija, tendo a porta ornada por cruz. Na parede testeira, lápide em cantaria de granito com a inscrição relevada a dourado: "Este Cristo, Aqui na Cruz, / É Meu, é Teu e é Vosso! / Fitando o Meigo Jesus / Reza, em Silêncio: Pai Nosso / Padre Damião".

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese do Porto)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 18 / 19 (conjectural) / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1539 - compra do concelho a Manuel Pereira, Conde da Feira, por Manuel Cirne da Silva, feitor na Flandres, com licença de D. João III, pelo facto da terra ser reguenga; 1561, 21 abril - data na lápide sepulcral de Manuel Cirne da Silva; 1588, 14 setembro - primeiro registo de batismo na paróquia; 12 novembro - primeiro registo de batismo na paróquia; 1611, 07 junho - primeiro registo de óbito; 1706 - segundo o Padre Carvalho da Costa, a povoação, com 70 vizinhos, é cabeça do concelho de Refojos de Riba de Ave, de que é senhor Roque Monteiro Paim, que a comprou a D. Pedro II, pela extinção da família Cirne; a igreja é um curato anexo à Igreja de São Julião de Água Longa; 1758, 17 abril - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco Manuel Moreira Belo, é referido que a paróquia é dedicada a São Pedro e a igreja tem o altar-mor, do Santíssimo, e, no corpo da nave, os de Nossa Senhora do Rosário, Santo Nome de Jesus e do Crucificado; tem as confrarias do Santíssimo, de Nossa Senhora do Rosário, do Menino Jesus e das Almas; o pároco é cura anual, apresentado pelo reitor de São Julião de Água Longa, tendo a paróquia de rendimento 100$000; tem anexa a Capela de Nossa Senhora da Guia, com acesso pela igreja, que pertence a D. Maria Antónia de São Boaventura Meneses e Monteiro Paião, como sucessora de D. Constança Monteira Paião, Condessa de Alva; dentro do lugar, existe a Capela de São Roque, pertencente aos fregueses e à donatária da povoação; séc. 19 - provável reconstrução do edifício, tendo desaparecido a capela lateral; séc. 20 - feitura do retábulo da capela lateral; 2.ª metade - ampliação da igreja, com a construção de uma nave ampla e o coro-alto.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes autónomas.

Materiais

Estrutura em alvenaria, rebocada e pintada; pináculos, frisos, cornijas, cruzes, modinaturas em cantaria de granito; portas de madeira; coro-alto em betão e guarda metálica, com acesso por escadas em mármore; cobertura em vigamento de betão, revestida exteriormente em telha cerâmica; pavimentos em tijoleira; pia batismal, pilastras, escadas do presbitério em cantaria de granito; armários de madeira; mesa de altar, retábulos em talha dourada; silhares de azulejo industrial; caixilhos metálicos e com vidro colorido; guarda-vento de madeira e vidro colorido.

Bibliografia

CAPELA, José Viriato, MATOS, Henrique e BORRALHEIRO, Rogério, As freguesias do Distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 - Memórias, História e Património, Braga, Universidade do Minho, 2000; COSTA, António Carvalho da (Padre), Corografia Portuguesa, Lisboa, Valentim da Costa Deslandes, 1706, vol. I, p. 368.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, SIPA; Diocese do Porto: Secretariado Diocesano de Liturgia

Documentação Administrativa

DGARQ/ADPorto: Paróquia de Agrela

Intervenção Realizada

Nada a assinalar.

Observações

Autor e Data

Patrícia Costa 2002 / Paula Figueiredo 2012 (no âmbito da parceria IHRU / Diocese do Porto)

Actualização

 
 
 
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