Núcleo urbano da vila do Bombarral

IPA.00026052
Portugal, Leiria, Bombarral, União das freguesias de Bombarral e Vale Covo
 
Núcleo urbano sede muicipal. Vila situada em vale. Vila medieval de jurisdição monástica (ordem de cister) e posterior jurisdição senhorial (Casa das rainhas).
Número IPA Antigo: PT031005010052
 
Registo visualizado 4207 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Conjunto urbano  Aglomerado urbano  Vila  Vila moderna    

Descrição

Acessos

Protecção

Inclui Palácio Gorjão - Museu Municipal do Bombarral (v. PT031005010007) / Teatro Eduardo Brazão (v. PT031005010008)

Enquadramento

Rural, situado em vale. A vila do Bombarral implanta-se entre a cota 300 e 325 m a nascente da Serra do Picoto. O núcleo urbano localiza-se numa fértil região agrícola, de terra barrenta, muito irrigada por pequenos cursos de água e sulcada pelos vales que separavam as terras situadas a alguma altitude, onde predomina a vinha e pomar. O relevo suave e os solos favoráveis às actividades agrícolas levaram à progressiva substituição do coberto natural por pastagens e terrenos agricultados. A situação geográfica assim como a sua acessibilidade proporcionou a implantação de industrias fabris de exploração vitícola. A zona agrícola encontra-se actualmente em acelerada regressão devido ao aumento das áreas urbanas e abandono das áreas de cultivo. Inserido na região da Estremadura Oeste na sub região de Lisboa, o concelho do Bombarral é composto por quatro freguesias: Bombarral, Carvalhal, Pó e Roliça, e limitado pelos concelhos de Óbidos e pelas Caldas da Rainha a N., Lourinhã e Peniche a O., Torres Vedras a S. e Cadaval a E..

Descrição Complementar

Não aplicável

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Não aplicável

Afectação

Não aplicável

Época Construção

Séc. 17 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

1153 - instalação nesta zona os monges beneditinos da Ordem de Cister, dando-lhes D. Afonso Henriques a concessão da exploração agrícola da área onde hoje se localiza concelho do Bombarral; os monges aí instalaram as Granjas, criteriosamente espalhadas; 1231- escritos do cartório do mosteiro de Alcobaça referindo o local como Monbarral, em derivado do latim "Mons barralis"; 1271- aforamento pelo abade D. Estevão e o mosteiro de Alcobaça de várias herdades na área do actual concelho do Bombarral; 1377- designação de Frei João, do mosteiro de Alcobaça, para celeireiro / mestre da Granja do Bombarral; 1383 - durante o reinado de D. Fernando, Pedro Esteves (alcaide de Óbidos e proprietário de todos os senhorios do limite do Bombarral, onde se integrava a casa da Coutada), era o detentor dos edifícios e granjas de produção agrícola aqui existentes; 1384 - chegada ao Bombarral, vindo de Óbidos, D. João I de Castela, casado com D. Beatriz filha de D Fernando, a quem o alcaide de Óbidos jurara vassalagem; depois de se ter instalado no castelo de Óbidos, deslocou-se à casa da Coutada, propriedade do Alcaide daquela vila o "qual por constituir casa tão grande permitiu que nela estivesse instalado o Monarca". 1385 - conquita do castelo de Óbidos, e postos em debanda Pedro Esteves e gentes leais a D. Beatriz, D. João I de Portugal determina a confiscação de todos os bens que o alcaide detinha no Bombarral; 1422- doação de todos os bens confiscados a Pedro Esteves ao fidalgo Lus Henriques, estando neles compreendida a casa da Coutada, que viria a ser conhecida como palácio dos Henriques (este fidalgo foi nomeado Manteeiro-Mor do reino, tendo sido sepultado junto à ermida de S. Brás, encontrando-se o seu tumulo dentro da capela do cemitério da vila); 1422 - registo da existência de diversas actividades profissionais com assento na localidade, permitindo deduzir que a aldeia do Bombarral não era somente de um centro rural ou florestal; 1441- D. Pedro datou do Bombarral "os capítulos do Porto em Cortes sobre os Empréstimos para a Armada de Ceuta"; 1485 - construção de um hospital albergaria, aquando a edificação do hospital das Caldas da Rainha, com uma capela devotada ao Divino Espirito Santo, e confrontante com o palácio Gorjão (o hospital existiu até 1858); 1480- instalação no Bombarral a família Cunha e Coimbra, conhecidos contratadores que se dedicavam ao mercado de negreiros, importante na economia local, negociando inclusivamente com os senhores da zona os escravos que traziam de Cabo Verde e São Tomé; 1503 - D. Leonor pronuncia uma sentença contra o provedor da gafaria de Óbidos, que queria herdar os bens que Lançarote Murzelo possuía no Bombarral e que tinha deixado ao hospital das Caldas; a rainha deixa em vida ao hospital "o Casal do Bombarral", passando este a pertencer à casa das Rainhas até 1833; 1527- realização do censo nacional por D. João III, o Bombarral apresenta-se como a segunda localidade mais populosa concelho de Óbidos (85 Vizinhos incluindo 15 cavaleiros e escudeiros, o que poderia corresponder a aproximadamente 300 pessoas); 1531, 25 janeiro - um tremor de terra destrói a igreja paroquial do Bombarral, a antiga capela de São Braz; 1535 - primeira tentativa falhada, junto de D. Catarina, de desanexação da jurisdição de Óbidos por Amrrique da Motta ; 1548- construção da igreja paroquial do Salvador do Mundo; séc 17 - a família Cunha e Coimbra edificou o Palácio Gorjão, no qual passou a residir; dos Cunha e Coimbra descendem os Gorjões, que alteraram o nome ao palácio Cunha e Coimbra para palácio Gorjão; 1712- construção da Capela da Madredeus; 1764- o cardeal patriarca D. Francisco aprovou a criação da irmandade S.S. do Bombarral; 1808 - travou-se a batalha da Roliça nos terrenos entre a Columbeira e a Azambujeira dos Carros; 1836, 6 novembro - o Bombarral deixou de pertencer a Óbidos passando a ser freguesia do Carvalhal; 1845 - instalação no colégio das Missões, do primeiro colégio em Português para preparação de missionários para os territórios coloniais; 1852 - crescimento demográfico do Bombarral, em detrimento de Óbidos, devido à migração ocasionada pela a crise da viticultura do Douro do oídio e filoxera; 1855, 24 outubro - por decreto, as freguesias do Bombarral e do Carvalhal voltam a integrar o conselho de Óbidos, motivando uma petição dos habitantes para que ambas passassem novamente a fazer parte do concelho do Cadaval; extinção do Colégio das Missões; 1878 - construção do troço da estrada Torres - Caldas da Rainha, factor determinante no desenvolvimento da vila; 1887- edificação da estação ferroviária, inauguração do serviço de passageiros da linha Lisboa - Caldas da Rainha, assistindo-se a um progresso devido à exportação de vinho; 1892 - a Junta de Freguesia inicia a construção do edifício de instrução primária junto à antiga Igreja matriz do Salvador do Mundo; 1911- fundação da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo; Abel Pereira da Fonseca adquire a quinta das Cerejeiras, munindo-a de num complexo agrícola com vinhas, adegas, lagares e moradias para os trabalhadores; 1914 - criação do concelho do Bombarral ao qual ficaram a pertencer as paróquias do Carvalhal e da Roliça; 1916 - Abel Pereira da Fonseca mandou edificar o palacete da Quinta das Cerejeiras, cuja autoria do projecto se atribui ao Arq. Norte Junior; 1918 - destruição da igreja de São Salvador do Mundo por um incêndio aquando os festejos do fim da I grande guerra mundial; 1920 - cedência das ruínas do templo à câmara municipal no intuito do seu reaproveitamento e reconversão a edifício dos paços do concelho; 1921 - inauguração do Teatro Brazão; 1923 - iluminação da vila; 1928 - instalação no palácio dos Henriques da câmara municipal do Bombarral, e aquisição da mata circundante ao palácio; construção do edifício dos bombeiros voluntários do Bombarral; Abel Pereira da Fonseca mandou construir no Bombarral e em Torres Vedras, um conjunto de armazéns vinícolas, obedecendo a um protótipo de armazém provincial, da autoria do Arq. Norte Junior; 1929 - elevação a vila; 1932- demolição da capela do Espírito Santo, localizada em frente ao Palácio Gorjão, de forma a se permitir o alargamento da estrada; inauguração dos serviços dos correios, telégrafos e telefones; 1934- construção do edifício do Grémio da Lavoura; 1938 - criação da Casa do Povo; 1941 - instituição da capela da Madredeus enquanto igreja matriz do concelho; 1942 - inauguração do cine-teatro do Bombarral; 1945- o Bombarral conhece um novo fulgor na gestão autárquica com a eleição a presidente da câmara de Abel Pereira da Fonseca, o qual iniciou um ciclo de construções de âmbito administrativo, social e religioso;1946 - construção do centro de trabalho o qual inclui uma creche; 1951- construção do edifício do hospital do Bombarral; o Arq. Paisagista Caldeira Cabral torna-se consultor da câmara para os espaços verdes, projectando e acompanhando as obras de conservação e adaptação da mata dacCâmara a parque municipal, é autor do jardim anexo ao edifício da câmara; 1953 - construção da nova igreja matriz do Bombarral, devotada a São Salvador do Mundo e inaugurada pelo cardeal patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira, demolição da capela de S. João localizada na zona O. da mata e reordenamento da envolvente no qual se realizava o mercado; 1956 - inauguração do Externato Académico; 1958 - inauguração do mercado municipal do Bombarral e do bairro de moradias para classes pobres Inocência da Silva Cairel Simão; 1979- inauguração da escola secundária do Bombarral; 1981- demolição do antigo cine-teatro do Bombarral; 1984 - inauguração do complexo cultural da biblioteca e anfiteatro municipal do Bombarral; 1990 - inauguração do museu municipal no Palácio Gorjão, construção do Posto da GNR; 1996 - inauguração da central rodoviária; 1997- ligação do Bombarral ao troço da A8; 1999 - criação do tribunal da comarca do Bombarral; 2013, 28 janeiro - criação da União das Freguesias do Bombarral e Vale Covo por agregação das mesmas, pela Lei n.º 11-A/2013, DR, 1.ª série, n.º 19.

Dados Técnicos

Não aplicável

Materiais

Não aplicável

Bibliografia

AAVV.- Município do Bombarral- Elementos Base, Comissão de Coordenamento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, Lisboa, 1999; AAVV, Actas do Congresso: A presença Romana na região Oeste, Museu Municipal do Bombarral, 2005; AAVV., Descobrir o Conselho do Bombarral, Roteiro Turístico, Guia das actividades Económicas. Câmara Municipal do Bombarral, 2007; BAPTISTA, Carlos, DUARTE, Luís Alberto, Da Serra do Picoto à Várzea de S. Mamede, Roteiro Patrimonial e Arqueológico, Câmara Municipal do Bombarral, 1999; CAVACO, Cláudio Filipe Almeida, O Bombarral e os seus baldios na segunda metade do Sec. XIX, Museu Municipal do Bombarral, 1999; CARDOSO,Lus Palma, Por terras do Bombarral, Câmara Municipal do Bombarral, 1940; CARVALHO,Raul , Cinquentenário da fundação do Conselho do Bombarral, Lisboa 1965; CONCEIÇAO, Vasco Pereira, BARREIRA,Maria, O Conselho do Bombarral das Brumas da pré-história aos finais do Sec. XX, Museu Municipal do Bombarral, 1999; CORTES, Vasco, A gruta do Suão Bombarral: Relatorio da Campanha de escavação, Lisboa 1970; FURTADO, Antero Rodrigues, VERGIKOSK, Francisco Carlos, O Salvador do Mundo Antiga Igreja matriz do Bombarral 1548-1924, Museu Municipal Vasco da Conceiçao, Câmara Municipal do Bombarral, 1997; MARTINS,Leonel, MIL-HOMENS, Emídio, VERGIKOSK, Francisco, Boletim da Associação defesa Património Cultural do Concelho do Bombarral Nº 1, Bombarral, 1995; MATOS, Luís, Cadernos Históricos do Concelho de Bombarral II - Datas que fizeram História, Bombarral, 1994; MARTINS,Leonel, MIL-HOMENS, Emídio, VERGIKOSK, Francisco, Boletim da Associação defesa Património Cultural do Concelho do Bombarral Nº 6, Bombarral, 1998; OLIVEIRA, Alexandra, Bacos- O culto do vinho, Museu Municipal do Bombarral, 2000; RAMOS, Augusto José, Bombarral e o seu concelho subsídios para a sua história, Bombarral, 1939; RIPADO, Mário Fernandes Bento, Os Solos do Bombarral- Contribuição para o seu estudo morfológico e cartográfico, Lisboa, Instituto Superior de Agronomia 1947; SANTOS, Dóris Joana, A casa de Abel Pereira da Fonseca no Bombarral, Cadernos de História do Bombarral Nº6, Câmara Municipal do Bombarral, 2000; SILVA, Manuela Santos, Terras do Bombarral no Conselho medieval de Óbidos, Cadernos de Historia do Bombarral Nº2, Câmara Municipal do Bombarral, 1997; VERGIKOSK, Francisco Carlos, Cadernos Históricos do Concelho do Bombarral IV - Roliça, A Influência do Rio Real no desenvolvimento da região Sec. XV, Bombarral, 1995

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

CMBombarral; IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1928 / 1953 - obras de restauro e instalação da câmara municipal do Bombarral no Palácio dos Henriques, executada com comparticipação do Fundo de Desemprego; Comissão de construções hospitalares: 1951- construção do Hospital do Bombarral; DGEMN (Delegação dos Edifícios para os Serviços dos CTT): 1957 - obras conservação e reparação do edifício dos correios e telégrafos; CMBombarral: 1958- construção do mercado municipal do Bombarral e do bairro de moradias para classes pobres Inocência da Silva Cairel Simão; 1982- construção da biblioteca municipal, auditório e anfiteatro de ar livre sob o páteo do Palácio Gorjão; 1994- adaptação do palácio Gorjão a museu municipal; 1996- construção da central rodoviária; 2005 - construção de um parque infantil, junto à fachada posterior do edifício da Junta de Freguesia; 2006 - requalificação da Praça da Republica; 2006 - construção do parque desportivo municipal; 2007- requalificação do Largo do Município (repavimentação, construção de espelho de água e do posto de turismo, colocação de mobiliário urbano).

Observações

Núcleo urbano em acelerado grau de descaracterização e perda de identidade, devido às sucessivas acções de regeneração urbana, que implicaram demolições integrais de quarteiros edificados de forma a se construírem edifícios de volumetrias dissonantes e carentes de qualificação arquitectónica. O Núcleo do Bombarral apresenta carências ao nível da definição de estratégias de salvaguarda do edificado, e de fixação de população, pois temos presentes quarteirões inteiramente devolutos. Contudo, apresenta edifícios pontuais de alguma singularidade, contendo ainda tipologias da arquitectura vernácula local, tais como os casas de habitação e as adegas, com um elevado valor patrimonial no contexto regional. Por se considerar existirem potencialidades de atractividade turística e económica, recomenda-se a elaboração de um Plano de Salvaguarda abrangendo a área delimitada enquanto centro histórico,que reja todas as operações urbanísticas a realizar, definindo estratégias ao nível dos usos e utilização dos edificado, de forma a se garantir a salvaguarda de todo este património.

Autor e Data

João Braga 2008

Actualização

Anouk Costa, Cláudia Morgado, Rita Vale 2009
 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login