Parque Aquilino Ribeiro / Parque de Viseu

IPA.00023881
Portugal, Viseu, Viseu, União das freguesias de Viseu
 
Arquitectura recreativa. Parque de concepção modernista impressa no desenho e funcionalidade do espaço. Encontra-se envolto por uma orla cerrada conferindo-lhe clausura e isolamento do ruído. Na usufruição do espaço é privilegiado o estar.
Número IPA Antigo: PT021823090284
 
Registo visualizado 2487 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Espaço verde  Parque  Parque  Modernista    

Descrição

Jardim de planta trapezoidal, em que a linha de maior comprimento é quase sempre superior ao dobro das várias linhas da largura. Encontra-se vedado por gradeamento assente em murete com cerca de 60 cm, construído em blocos de pedra. Comunica com o exterior através de sete portões, também estes constituídos pelo mesmo gradeamento. Existe sempre uma matriz arbórea que envolve as restantes estruturas construídas. O parque é composto a SO. por uma MATA que envolve em posição central uma ZONA CIRCULAR DE DISTRIBUIÇÃO para vários caminhos do Parque, a poente um PARQUE INFANTIL a nascente um RINGUE DE PATINAGEM e a N. um edifício onde funciona uma BIBLIOTECA INFANTIL. A NE. da Mata, no terço médio do eixo longitudinal, situa-se um LAGO que apresenta junto á margem um ESPLANADA. O restante perímetro da margem do lago, entre N. e SE. confina com um GRANDE RELVADO. Nas restantes orientações existem faixas ajardinadas entre os caminhos e a sua margem. No seu interior perto do seu extremo S. encontra-se uma ilha circular que ocupa cerca de um quinto da área da sua superfície. Perto do limite N. do parque situa-se a CAPELA DA SENHORA DA VICTÓRIA e nas imediações do extremo NE. deste a IGREJA DE SÃO FRANCISCO OU IGREJA DA ORDEM TERCEIRA ou ainda também designada de IGREJA DOS TERCEIROS DE SÃO FRANCISCO. Existe uma hierarquia na rede de percursos: o caminho principal envolve o conjunto formado pelo grande relvado e o lago, sendo este caminho, a poente desta composição, mais largo e limitado bilateralmente por dois muretes em pedra com cerca de 50 cm em cujo coroamento se apoia assento de banco também em pedra, privilegiando-o como zona de estadia. Este caminho liga a outros secundários que conduzem aos acessos ao parque. Estes acessos, realizados através de portões gradeados situam-se: dois no topo SO, um outro orientado a NO., um outro no extremo NE., um de ligação à igreja e ainda dois orientados a SE.. O acesso principal do parque, situa-se ao centro da frente do parque orientada a SO., sinalizado por segmento de muro quadrangular, em pedra, com cerca de 1,80m de altura e 1,20m de comprimento, integrado no murete limítrofe do parque, onde ao lado das armas da cidade esculpidas num alto-relevo em bronze se lê, no mesmo material a designação de Parque da Cidade. Este acesso realiza-se através de escadaria em pedra com dezanove degraus com cerca de 4 m. de largura, que comunica com um patamar circular - aqui designado como zona circular de distribuição, com tanque, também circular com repuxo, ao centro, delimitada por murete em pedra com cerca de 1 m. de altura, interrompido por quatro vezes para dar acesso a caminhos. Os dois caminhos que se encontram mais perto da escadaria conduzem a dois portões laterais e a dois caminhos periféricos do parque, um orientado a NO. e outro a SE.. Os restantes dois caminhos, simétricos, de posição mais interior, dão acesso através da zona mais densa de MATA, á zona de estadia do caminho que envolve o lago e o relvado, esta zona estabelece a charneira da mata, que apresenta alguma variedade de espécies, sendo as árvores mais representadas no geral, os carvalhos (Quercus spp.), que pelo seu porte se adivinha serem pré-existências na construção do parque. Existem porém também outras espécies como o freixo (Fraxinus angustifolia). Na matriz da mata, rodeadas de árvores, inserem-se duas estruturas de recreio activo: na zona nascente da mata situa-se o RINGUE DE PATINAGEM, com piso em cimento, gradeado até a zona da cintura, onde estão colocadas várias pistas em U, destinadas à prática de desportos radicais, na zona poente está implantado um PARQUE INFANTIL, de planta circular, com equipamento cingido a um único bloco em posição central e piso amortecedor de quedas, ambos em cores garridas, envolvido por murete com rede e portão de acesso. O GRANDE RELVADO central do parque é arborizado em todo o redor com espécies como a magnólia (Magnolia grandiflora), a tília (Tilia cordata), o choupo branco (Populus alba) e o cedro deodara (Cedrus deodara), excepto a NE, onde se situa, quase no extremo do parque a IGREJA DOS TERCEIROS DE SÃO FRANCISCO, edifício de grandes dimensões, com a fachada posterior virada para o parque, separado deste por um roseiral de planta em U. No extremo N. do caminho que confina o relvado nas traseiras desta igreja situa-se a CAPELA DA SENHORA DA VICTÓRIA, de planta quadrada, um só piso e cobertura de quatro águas. Junto a esta capela encontra-se um busto em bronze sobre plinto em pedra, comemorativo do 4º centenário da vida do historiador João de Barros. No extremo SO. do relvado encontra-se o LAGO, curvilíneo, de planta aproximadamente oval, parcialmente rodeado por árvores, e perto do seu limite S está implantada uma ilha circular que, tal como o lago tem a margens artificializadas, revestidas a lajes rectangulares em pedra, e tem plantados no seu interior uma árvores de pequeno porte e vários arbustos, como as estrelícias (Strelitzia reginae), bem desenvolvidos. Sobre a margem poente do lago situa-se uma ESPLANADA com mesas, chapéus de sol e respectiva estrutura de apoio.

Acessos

Avenida Infante D. Henrique.

Protecção

Inexistente

Enquadramento

O parque encontra-se implantado em encosta de declive suave orientada a NE., no centro da cidade. Envolvido por edifícios a SE, a NO e a SO, sendo que nesta última orientação confina com a fachada principal da Escola Secundária Alves Martins (PT021823090055). No extremo NE. situa-se a Igreja de São Francisco ou Igreja da Ordem Terceira (PT021823240033), cuja fachada principal dá para a Praça da República ou Rossio. Implantada em pleno parque, junto ao seu limite N. situa-se a Capela de Senhora da Victória(PT021823090027)

Descrição Complementar

Como intenção projectual assumida, o desenho da esplanada, faz com que a margem do lago avance um pouco sobre ele próprio, aumentando a área de um contacto próximo do público com a margem o lago, tornando o local definitivamente mais agradável. Encaixada na orla dessa reentrância, junto à zona de estadia do caminho principal, também este de forma curva, a estrutura construída de apoio à esplanada de planta circular completa harmoniosamente esta composição de linhas fluidas.

Utilização Inicial

Recreativa: parque

Utilização Actual

Recreativa: parque

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO PAISAGISTA: António Viana Barreto (1955).

Cronologia

1357 - Dona Fuilhe Anes de Sousa, viúva de Dom Fernão Sanches, Filho bastardo de El-Rei D. Dinis, doou a medieval "Quinta de Mançorim", onde se inseria a antiga cerca do Convento da Santo António dos Capuchos, ao cabido da Sé de Viseu; 1635- a "Quinta de Mançorim" foi comprada a uma filha do Chantre Gaspar de Campos D'Abreu, tomando posse dela os frades de S. Francisco; 1641 - Frei Gregório de Jesus , mandou plantar 600 pés de carvalhos e castanheiros e o seu sucessor, Frei Belchior dos Reis "pôs muito arvoredo dentro e fora dos muros e enxertos no pomar"; 1834 - o convento de Santo António dos Capuchos deixa de estar instalado no local, sendo a cerca e o convento requisitados para os mais diversos serviços e utilizações; 1835 - a Câmara pediu a cerca para passeio público e cemitério; 1836- O edifício foi requisitado para o Quartel de Caçadores nº 2 e pedido pela Câmara para Casa das suas sessões, estabelecimento da Rota dos Expostos, Casa de Livraria Pública e Hospedaria de Oficinas; 1838, 14 de Abril - por Carta de Lei, a cerca e a alameda foi concedida à Câmara para viveiro de árvores, horta botânica e cemitério; 1845 - O edifício e a cerca são entreges para Quatel da tropa - Quartel de infantaria 14; 1954 - anteprojecto de um parque público para a cidade no espaço da cerca; 1955 - O Quartel de infantaria 14 é demolido para permitir a abertura da Avenida Salazar, hoje Avenida 25 de Abril, que partindo do Rossio se estendia em direcção à saída de Coimbra, absorvendo parte da cerca; 1955 - projecto de execução do parque; 1974 - A designação passa de Parque da Cidade a Parque Aquilino Ribeiro; 2003 / 2005 - projecto de remodelação do parque a convite da Câmara Municipal de Viseu, na comemoração dos 50 anos do projecto (em 2005); 2008 - Restam ainda hoje testemunhos visíveis que a mancha verde se prolongava até à Rua Alexandre Herculano, a nascente do parque.

Dados Técnicos

Reunião de cotas de valor muito dispar. A nascente o limite é definido após talude de escavação já que a Avenida 25 de Abril está a um nível bastante inferior. A NE esta diferença de cotas é vencida pela escadaria frente à fachada principal da Igreja dos Terceiros de São Francisco que liga este jardim a uma das praças principais de Viseu - o Rossio.

Materiais

Vegetal - árvores: carvalhos (Quercus spp.), o freixo (Fraxinus angustifolia), a magnólia (Magnolia grandiflora), a tília (Tilia cordata), o choupo branco (Populus alba) e o cedro deodara (Cedrus deodara); arbustos: estrelícia (Strelitzia reginae), ruscus (Ruscus hypophyllum) - Inerte - muros e calçada em calcário; muros, lajetas e calçada em granito; edifício da biblioteca em alvenaria indossa; gradeamento em ferro fundido e estatuária em bronze; bancos em ripas de madeira; vidro simples nas janelas da biblioteca; equipamento do parque infantil em PVC.

Bibliografia

CAMARA MUNICIPAL DE VISEU, Parque Aquilino Ribeiro. IV Centenário do Nascimento do Infante D. Henrique-1ª Duque de Viseu, Viseu, 1993; ANDRESEN, Teresa "Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian - Francisco Caldeira Cabral e a Primeira Geração de Arquitectos Paisagistas (1940-1970)", Lisboa, 2003.

Documentação Gráfica

IHRU: Arquivo pessoal de António Viana Barreto

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

IHRU: Arquivo Pessoal de António Viana Barreto

Intervenção Realizada

Observações

*1 - O projectista do parque propôs também o desvio no planeamento de uma via para evitar eliminar um cedro (Cedrus atlântica) monumental situado na proximidade do parque.

Autor e Data

Teresa Camara 2008

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login