Igreja Paroquial de Oliveira do Hospital e Capela dos Ferreiros / Igreja da Exaltação da Santa Cruz

IPA.00000995
Portugal, Coimbra, Oliveira do Hospital, União das freguesias de Oliveira do Hospital e São Paio de Gramaços
 
Igreja paroquial de origem medieval, reconstruída no séc. 18, mantendo três capelas particulares laterais, construídas nos séculos 14, 16 e 17 por ricas famílias locais, a mais antiga, alvo de uma classificação, que lhe confere proteção legal. É de planta poligonal irregular, composta por nave, capela-mor, sacristia e capelas adossadas e uma torre sineira, com coberturas interiores diferenciadas, em falsas abóbadas de madeira, a da nave apresentando pintura perspetivada e figurativa, atribuível à mestria de Pasquale Parente, surgindo pintura decorativa em duas das capelas laterais, a de São Brás e a da Senhora da Expectação. Possui escassa e unilateral iluminação interior. Fachada principal com remate em frontão recortado por volutas, possuindo portal envolvido por forte decoração de rocalhas, encimado por janela de sacada balaustrada, ladeada por nichos com decoração de fragmentos de frontão invertidos, apontando para a linguagem barroca e rococó. A torre sineira, claramente ampliada em data mais recente, possui coruchéu seccionado por anéis côncavos, que lhe atribui algum dinamismo. No interior, destaca-se a Capela dos Ferreiros, com acesso por arco apontado, gótico, tendo altar revestido a azulejo hispano-mourisco, encimado por edícula com decoração do gótico final, onde figuram o orago do templo e os mecenas da capela. Possui duas arcas tumulares dos fundadores, atribuíveis a Mestre Pêro. Os retábulos colaterais e mor são tardo-barrocos, com decoração vazada no remate.
Número IPA Antigo: PT020611120011
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta poligonal irregular composta por nave, capelas adossadas, capela-mor, sacristia e torre sineira adossada ao lado esquerdo, de volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de uma e duas águas, sendo em coruchéu de côncavos e convexos sobre a sineira. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, exceto na Capela dos Ferreiros, em cantaria de granito aparente, percorridas por faixas pintadas, com cunhais apilastrados, firmados por pináculos piramidais, e rematadas em frisos e cornijas. Fachada principal virada a oeste rematada em frontão recortado com remate em pequena cornija e enrolamentos É rasgada por portal em arco abatido, flanqueado por pilastras e remate em espaldar recortado, sobrepujado por janela de sacada de perfil curvo, com guarda balaustrada e para onde abre porta-janela, de perfil abatido e moldura recortada; está ladeado por dois nichos de volta perfeita, assentes em mísulas e com remate em fragmentos de frontão invertidos, tendo as imagens da Virgem e de São João Evangelista. No lado esquerdo, e levemente recuada, a torre sineira, de três registos separados por frisos e cornijas, o inferior com óculos, o superior com o mostrador do relógio e o superior com quatro ventanas de volta perfeita e fecho saliente. Remata em frisos, cornijas e platibanda balaustrada com pináculos nos ângulos. Fachada lateral esquerda marcada pela Capela dos Ferreiros e pelo anexo, sendo rasgada, no anexo, por duas portas, uma de verga reta e uma de perfil abatido, e por duas janelas de extremos curvos. No lado direito, a Capela dos Ferreiros, marcada por contraforte exterior, formando dois panos, cada um deles rasgado por óculo circular, em capialço, sendo rematada em cornija, assente em cachorros com decoração geométrica. No extremo esquerdo, o corpo adossado à fachada posterior, com acesso por porta de verga reta. Fachada lateral direita parcialmente adossada ao edifício da Câmara, com porta travessa na nave, surgindo uma segunda porta no corpo da fachada posterior. Fachada posterior marcada pelo corpo adossado, rematado em empena, rasgado por duas janelas retilíneas e, sobre o qual, são visíveis as empenas da capela-mor e a meia-empena da sacristia. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, com cobertura em falsa abóbada de berço pintada em trompe l'eoil, tendo, ao centro, a representação da "Adoração do Cordeiro Místico"; pavimento da nave em soalho. Coro-alto de perfil contracurvo, assente em duas colunas, integrando as pias de água benta, e com guarda balaustrada e acesso por porta no lado do Evangelho, a partir da torre sineira. O portal axial está protegido por guarda-vento de madeira e vidro. No lado do Evangelho, na base da torre sineira, o batistério, com acesso por arco de volta perfeita, assente em impostas salientes e protegido por teia metálica, tendo a pia de batismal e um painel de azulejo a representar o "Batismo de Cristo". Ainda no sub-coro, um confessionário de madeira. Sucedem-se a Capela dos Ferreiros, com acesso por arco apontado, de arestas biseladas e protegido por grade em ferro forjado, e o púlpito quadrangular com bacia em cantaria de granito, assente em consola e guarda balaustrada de madeira, tendo acesso por porta de perfil abatido, encimado por sanefa, a partir da capela imediata. O presbitério está protegido por teia de madeira e, já no espaço deste e confrontantes, as Capelas de São Brás e a de Nossa Senhora da Expectação, ambas com acessos por arcos de volta perfeita, assentes em pilastras toscanas e protegidas por grades em ferro. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, flanqueado por capelas retabulares colaterais, dedicadas ao Sagrado Coração de Jesus (Evangelho) e a Nossa Senhora da Conceição (Epístola). No arco, a mesa de altar e o ambão. Capela-mor com cobertura em falsa abóbada de berço de madeira. Sobre supedâneo de um degrau, o retábulo-mor de talha pintada de marmoreados verdes e de dourado, de corpo reto e três eixos definidos por quatro colunas torsas, ornadas por acantos e anjos, assentes em consolas, e por quatro pilastras assentes em plintos paralelepipédicos; todos eles têm na base uma ordem de plintos paralelepipédicos, decorados, os exteriores com atlantes. Ao centro, tribuna de perfil recortado e moldura rendilhada, encimada por sanefa com lambrequins e anjos de vulto, fazendo parte do remate, tendo trono expositivo de vários degraus, com profusa decoração relevada. Possui uma tela para a revestir, a representar a "Exaltação da Santa Cruz". Os eixos laterais são estreitos, contendo mísulas com imaginária. A estrutura remata em fragmentos de frontão, anjos de vulto e grinaldas de flores, apresentando no fecho as armas da Ordem de Malta. Altar paralelepipédico com o frontal dividido em apainelados. No lado do Evangelho, porta de acesso à sacristia, com teto de madeira pintada, formando concheados que centram o escudo nacional e a cruz da Ordem de Malta.

Acessos

Oliveira do Hospital, Largo Conselheiro Cabral Metelo; Avenida dos Combatentes da Grande Guerra

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 26500, DG n.º 79, de 04 abril 1936 (Capela dos Ferreiros) / ZEP, Portaria n.º 636/2015, DR, 2.ª série, n.º 61 de 19 agosto 2015

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado num amplo largo parcialmente ajardinado, circundado por casas de habitação e pela Câmara Municipal de Oliveira do Hospital (v. IPA.). Está elevado relativamente à via pública, pavimentada a calçada, criando um adro fechado por murete, no exterior do qual surgem canteiros em declive, servindo, simultaneamente, para sustentação de terras, e um passeio para peões. Tem acesso por escadas.

Descrição Complementar

Na FACHADA PRINCIPAL, a inscrição: "DNJC / MDCCLI / ANNO". A CAPELA DOS FERREIROS tem as paredes em cantaria de granito aparente, com cobertura em abóbada de berço quebrado e pavimento em lajeado de granito. Na parede fundeira da capela, os túmulos dos fundadores, em cantaria de calcário de Portunhos, representando os fundadores da capela, Domingos Joanes e a esposa, Domingas Sabachais. São arcas simples, assentes em leões, tendo as jacentes nas tampas, ambas com os pés sobre cães, ele com a espada e tendo junto à cabeça um anjo e as armas, compostas pela cruz de Santo André e flores-de-lis. Numa mísula, um cavaleiro, réplica do original, guardado no Museu Machado de Castro, em Coimbra *1. Na parede testeira, um retábulo de pedra calcária, em forma de edícula, circunscrito por pilares ornados por motivos vegetalistas e rematado em arco canopial com decoração de acantos, onde se integra um relevo, a representar os fundadores, protegidos por anjos, a adorar a imagem de Nossa Senhora da Graça. Latar paralelepipédico com o frontal revestido a azulejo de padrão hispano-mourisco. Sobre este, uma fresta que foi transformada em nicho com a imagem do orago. A CAPELA DE SÃO BRÁS tem a cobertura em caixotões pintados, representando o Espírito Santo e personagens do Antigo Testamento. Numa das paredes, a inscrição: "O L(icencia)DO MELCHIOR F(e)R(nande)Z CO(m) SVA MOLHER / FEZ ESTA CA(pela) NO ANO D(e) 1571 A QVAL / DOTARAM COM OBRIGAÇÃ DE HVA / MISA DAS CHAGAS CO(m) COMEMORAÇÃ / A VIRGE MARIA E A SÃO BRAS E DOVS / RESPONSOS POR SVAS ALMAS DE TODOS / A QVE SÃO EM ALGVA OBRIGACÃO CA / DA SESTA FEIRA PERA SEMPRE COMO SE / CONTEN NA ISTITVIÇÃO QVE EM O / ADMINISTRADOR Q(ue) SE ACHARA NO / CARTORIO DA SE DE COIMBRA". Tem retábulo de talha pintada de marmoreados e brocados fingidos e de dourado, de corpo reto e três eixos definidos por colunas torsas ornadas por pâmpanos, que se prolongam superiormente em duas arquivoltas, formando o remate, unido por aduelas e apainelados de querubins, tendo cartela com a cruz de Malta no fecho. A CAPELA DE NOSSA SENHORA DA EXPECTAÇÃO tem as paredes revestidas com painéis de azulejo figurativo, a azul e branco, a representar Nossa Senhora da Piedade e a Natividade. A cobertura é em falsa abóbada de berço de madeira pintada, a representar a imagem da Senhora da Assunção, rodeada por painéis com santos, tendo o espaço entre estes com quadraturas; representam São Tomás e Santa Eufémia e São Diogo e São Bernardo. Na parede, o túmulo do fundador, Jorge de Faria Garcês. Os RETÁBULOS COLATERAIS são semelhantes, de talha pintada de marmoreados fingidos e de dourado, com corpo côncavo e um eixo definido por duas colunas de fustes lisos, com o terço inferior marcado e estriado, assentes em plintos, em paraestática, com pilastras. Ao centro, nicho de perfil contracurvo com moldura recortada, contendo as imagens do orago. A estrutura remata em fragmentos de frontão, encimados por anjos de vulto e espaldar de perfil recortado, encimado por fragmentos de frontão e urnas. Altar em forma de urna.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Coimbra)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 14 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ESCULTOR: Mestre Pêro (atr., séc. 14). PINTOR: Pasquale Parente (atr., séc. 18).

Cronologia

1288 - a igreja existe, tem por orago São João Baptista e é padroado da Ordem do Hospital; 1341 - construção da Capela dos Ferreiros pelo cavaleiro Domingos Joanes *2 e sua mulher, Domingas Sabachais, dedicada a Nossa Senhora da Graça; feitura dos túmulos de Domingos Joanes e da esposa, atribuíveis a Mestre Pêro; 1571 - fundação da Capela de São Brás por Melchior Fernandes e a esposa; séc. 17 - fundação da Capela da Senhora da Expectação pelos senhores da Casa de Baixo; 1751 - obras de remodelação da igreja; pintura do teto da nave, atribuível a Pasquale Parente; 1758, 20 junho - nas Memórias Paroquiais é referida a Igreja com o orago da Exaltação de Santa Cruz, tendo três altares, o mor com Santo António e São Caetano, surgindo num dos colaterais a Senhora do Pranto, Santo António e Santa Inês e no outro a Senhora do Rosário, São Pedro e São Sebastião; possui as capelas particulares de São Brás, Senhora da Expectação e Senhora da Graça; tem a irmandade de Santa Ana; o pároco é vigário, apresentado pelo comendador da Ordem de Malta e tem de rendimento 70$000; 1775, 01 janeiro - o vigário José de Almeida Leitão Vasconcelos escreve nas Informações Paroquiais que a igreja foi acabada de reformar, tendo três altares e três capelas adossadas; 1869, 30 maio - arrematação das obras para a construção do cemitério a João Manuel Fernandes, de Coja; 1874, 04 junho - bênção do cemitério pelo padre Manuel Coelho da Fonseca.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria, rebocada e pintada; modinaturas, pináculos, pilastras, cunhais, cornijas, frisos, coro-alto, colunas do coro, mísula do púlpito, pias de água benta, pia batismal em cantaria de granito; túmulos e retábulo em cantaria de calcário; guarda do coro-alto, mobiliário e coberturas de madeira; teias e grades em ferro forjado; azulejos hispano-mouriscos; retábulos de talha pintada; coberturas em telha cerâmica.

Bibliografia

CORREIA, Vergílio; GONÇALVES, A. Nogueira - Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Coimbra. Lisboa: Academia Nacional de Belas-Artes, 1952; REIS, Vítor Manuel Guerra dos - O Rapto do Observador: invenção, representação e percepção do espaço celestial na pintura de tectos em Portugal no século XVIII. Lisboa: s.n., 2006. Texto policopiado. Dissertação de Doutoramento apresentada à Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, 2 vols; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/70671 [consultado em 23 agosto 2016].

Documentação Gráfica

DGEMN: DSID

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID

Documentação Administrativa

DGEMN: DSID; DGLAB/TT: Memórias Paroquiais, vol. 26, n.º 27, fls. 235-236

Intervenção Realizada

DGEMN: 1949 - intervenção na Capela dos Ferreiros com a limpeza de cantarias, reparação de vitrais, limpeza de túmulos, construção da grade de ferro.

Observações

*1 - a escultura do Cavaleiro de Oliveira, esteve em Lisboa na Exposição do Mundo Português (1940) e na Europália (1991). *2 - Domingos Joanes foi Senhor de Touriz, no concelho de Tábua e detinha os direitos reais de Esgueira.

Autor e Data

Paula Figueiredo 2015

Actualização

 
 
 
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