Casa dos Perestrelos e Franças / Sede da Delegação da Cruz Vermelha na Madeira

IPA.00009740
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (São Pedro)
 
Palacete urbano construído no séc. 20, de planta quadrangular, com estrututura barroca muito remodelada exteriormente, seguindo a linguagem seiscentista e setecentista na modinatura dos vãos da fachada principal e manifestando nas demais fachadas algumas características da chamada arquitectura da casa portuguesa. Possui volumes geometricamente escalonados, sendo o da torre central o mais alto, com os típicos telhados múltiplos, de cobertura individual por sala. As fachadas são todas diferentes entre si e conciliam uma linguagem mais erudita, típica dos palácios madeirenses, na fachada principal, ainda que tenham resultado das obras do séc. 20 que descentraram o eixo de fenestração em relação à caixa murária, possivelmente devido a questões de funcionalidade interior, com uma linguagem assumidamente mais novecentista da "arquitectura da casa portuguesa". A sua unificação é feita com o emprego de elementos tipicamente madeirenses como os beirais duplos e triplos, os lambrequins e tapa-sóis. Duas fachadas e o interior é decorado com azulejos de oficinas continentais, com alguns conjuntos de grande valor patrimonial, tudo num arranjo revivalista típico dos anos 30 do séc. 20. No pátio, possui pequena capela revivalista independente do palácio.
Número IPA Antigo: PT062203080129
 
Registo visualizado 661 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Palacete  

Descrição

Planta quadrangular composta por 3 corpos longitudinais com orientação E. / O., formando uma massa de volumes articulados marcada por um corpo central sobrelevado de mais um piso, e ainda com torre central, também de mais um piso. Coberturas em telhados de 3 e 4 águas, de telha portuguesa de canudo, com remates de cerâmica de forma lanceolada e vazada, e pinhas cerâmicas vidradas sobre os cunhais, e em terraço para E.. Fachadas rebocadas e pintadas de bege com embasamento a cinza claro e percorridas por beirais simples, duplos e triplos. Fachada principal a O. com 3 eixos de fenestração, interligada pelas molduras de cantaria, pintadas a cinza, sendo o central descentrado; tem a S. porta de verga recta, a N. janelão rectangular gradeado e no central portal de verga recta ladeado por janelão quadrado; piso nobre com janelas de sacada, com grades de ferro com bolachas pintadas a azul, encimadas por friso e cornija e com "lambrequins"; no eixo central, possui ainda um piso, com uma janela de sacada idêntica, delimitada por gárgulas de secção quadrada e em cantaria esculpida com losangos nas faces laterais. Fachada a N. com alpendre central ao nível do andar nobre, ladeado por janelas com grade de barriga, molduras de azulejos azuis e brancos e lambrequins; para O. tem registo de azulejos com "Casa dos Perestrellos e dos Franças" e para E. com o brasão dos Perestrelo. A torre tem janela de sacada com grade de fasquiado de madeira. Fachada a E. com o primeiro piso percorrido por silhar de azulejos de albarradas e rasgado, alternadamente, por portais e janelas, estas com moldura de azulejos, o segundo com balcão gradeado a todo o comprimento, com acesso por escadas no extremo S., silhar de azulejos de padrão e banco no topo S., também revestido a azulejos; é rasgado por 3 portas de verga recta com portadas envidraçadas e tapa-sóis de madeira fasquiada pintados a verde escuro e encimadas por painéis de azulejos; no lado N. brasão dos França também em azulejos; pano central com mais um piso e janela com moldura de azulejos e tapa-sóis; remate por beirais duplos com algerozes de caleira em folha de "Flandres" pintada com tubos de descarga laterais. Fachada S. somente com janelas nos panos laterais, com molduras de cantaria pintada e tapa-sóis. No INTERIOR, piso térreo lajeado a cerâmica e com larga arcaria de cantaria regional a suportar o piso nobre, com soalhos de madeira de "casquinha". Quase todas as salas possuem silhares de azulejos, que se repetem igualmente nas escadas de acesso aos pisos. Pátio interior com pequena capela com fachada virada a E., em empena de recorte ondulado, embasamento com silhar de azulejos, portal ladeado por par de janelas, encimado por óculo redondo, tudo com moldura de alvenaria pintada a azul e torre sineira, independente e avançada, a SO.

Acessos

Funchal (São Pedro), Largo Severiano Ferraz, n.º 4 a 12; Rua das Mercês, n.º 38 a 40

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público / ZEP, Portaria n.º 98/2005, JORAM, 1.ª série, n.º 107, de 24 agosto 2005

Enquadramento

Urbano, destacado, de gaveto entre o Lg. Severiano Ferraz e a R. das Mercês, com o antigo palácio sobre a rua, articulando-se com parque interior com algumas árvores de bom porte, pequena capela para O. e muro a N., sobre o largo, com várias portas e portais rematados por cimalhas telhadas com beiral simples.

Descrição Complementar

O conjunto apresenta uma quantidade apreciável de azulejos de várias épocas, essencialmente de fábricas de Lisboa dos Sécs. 17, 18, 19 e 20, dispersos não só pelo exterior do edifício como pelo seu interior. A pequena capela apresenta ainda predela e frontal em talha chinesa dourada.

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Assistencial: organização de beneficência

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Delegação da Cruz Vermelha do Funchal

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Azulejos de oficinas de Lisboa, Sécs. 17 a 19 e da Fábrica Constância ( anos 30 do Séc. 20 ).

Cronologia

Séc. 17 - séc. 18 - construção da casa solarenga, depois residência dos Perestrelos e Franças; 1870, 10 abril - nascimento na R. dos Moinhos, de Mário Perestrelo de França do Nascimento, filho de João Augusto Teixeira do Nascimento e de Maria da Graça Perestrelo de França, que viria a herdar a casa dos avós maternos; 1935 - passagem à disponibilidade do Dr. Mário do Nascimento, então chefe de repartição do MNE, que se passa a dedicar em exclusivo ao restauro da casa dos seus avós; 1941, 07 janeiro - falecimento em Lisboa do Dr. Mário de Nascimento, deixando em testamento o palácio dos seus avós à C.M.F. para Museu ou sede da Delegação da Cruz Vermelha; 1950 - entrega do imóvel para sede da Delegação por interferência do tesoureiro da Cruz Vermelha, Salomão da Veiga França (1 setembro 1893; 26 agosto 1961).

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de cantaria mole e rígida regional pintadas, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira (carvalho, til, pinho de Riga e outras), amarrações mistas de tirantes de madeira e de ferro, vidro, grades e ferro pintado, azulejos, telha de meio canudo e remates cerâmicos vidrados.

Bibliografia

CLODE, Luiz Peter - Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses, Sécs. XIX / XX. Funchal: 1983; FREITAS, Paulo de - «Azulejaria na Madeira». In Islenha.1989, n.º 4, pp. 25-34; SIMÕES, J. M. dos Santos - Azulejaria nos Açores e na Madeira. Lisboa: 1963, p. 152; TRUEVA, José Manuel de Sainz, - «Brevíssima memória sobre as armas dos Monizes e Perestrelos». In Islenha. Funchal: 1989, n.º 5, p. 90.

Documentação Gráfica

Aguarelas de Max Romer, 1940, col. Cruz Vermelha

Documentação Fotográfica

Museu Vicentes Photographos, Funchal

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Proprietário: 1930 / 1931 / 1932 / 1933 / 1934 / 1935 / 1936 / 1937 / 1938 / 1939 / 1940 - Restauro do palácio, privilegiando a cor azul, de forma a integrar toda a colecção de azulejos então colocada, cor que se estendeu às madeiras, ferros e beirais; Cruz Vermelha: 1950, posteriormente - conservações várias, eliminando progressivamente o pormenor da cor azul, indubitavelmente uma marca de época a preservar.

Observações

Autor e Data

Rui Carita 2000

Actualização

 
 
 
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