Edifício na Rua de Cândido dos Reis, n.º 133 a 145 / Casa da Cultura e Desporto dos Trabalhadores Santa Casa

IPA.00009606
Portugal, Porto, Porto, União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória
 
Edifício residencial multifamiliar oitocentista de planta trapezoidal, com saguão. Fachadas moduladas com vãos emoldurados alinhados, ora janelas ou portas sobre varandas engradadas.
Número IPA Antigo: PT011312150217
 
Registo visualizado 349 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial multifamiliar  Edifício  Edifício residencial  

Descrição

Edifício de três frentes, de planta trapezoidal, com uma esquina arredondada e saguão rectangular. Volume simples, com cobertura em telhado de três águas. Seis pisos, sendo um deles em cave. A rematar, cornija, saliente, com beiral onde apoia platibanda corrida. A fachada principal, orientada a E., e virada à R. de Candido dos Reis, com embasamento em cantaria de granito, apresenta, no 1º piso quatro vãos, sendo um, a porta da entrada principal, e os outros, amplas aberturas do espaço comercial, em arco abatido, entre pilastras em pedra, rematadas superiormente por larga padieira de contorno ondulado em que se salientam em relevo pequenas e delicadas volutas. Os quatro pisos superiores apresentam vãos alinhados, sendo os do 2º piso janelas de duas folhas emolduradas de granito com parapeito em grade de ferro, e os do 3º piso três portas de sacada unidas por varanda corrida com grade de ferro e friso de azulejos vegetalistas na parte superior. Separada por faixa vertical em pedra, janela de duas folhas sobre a porta principal de acesso ao prédio, repetindo-se até ao último piso. O 5º piso apresenta a mesma modulação e varanda corrida do 3º, e o 4º piso apresenta ao centro uma porta de sacada com varanda engradada ladeada por uma janela de duas folhas. A fachada virada à R. de Santa Teresa, apresenta tanto no 3º piso como no 5º uma varanda corrida saliente, com três portas de sacada, sendo o quarto piso sudividido da mesma forma com janelas de duas folhas. Entre as duas fachadas, pano arredondado, marcado por registos verticais onde se insere em cada piso, um único vão, ora janela de duas folhas ora porta de sacada com varanda saliente em granito com guarda de ferro, exceptuando-se o vão junto à rua, de caixilho fixo com vidro único. A fachada virada à R. da Galeria de Paris, é marcada no 1º piso por três amplos vãos de vitrines, com verga recta de cantos arredondados. Superiormente quatro vãos de sacada , com varanda contínua engradada são repetidos no último piso. A intercalar, no 3º piso, e com registo horizontal a separar os pisos, janelas de duas folhas com moldura de granito no mesmo alinhamento das portas de sacada. O INTERIOR é marcado por uma entrada corredor de acesso a uma escadaria de dois lanços com patamar, localizada no extremo S., adossada ao edifício vizinho. Funcionalmente o prédio apresenta o espaço comercial de acesso autónomo, com cave e dois pisos, onde se situa a Livraria Asa. Superiormente insere-se o piso da Casa da Cultura e Desporto dos Trabalhadores da Santa C. da Misericórdia e os dois últimos pisos são duas habitações *1. A escadaria principal e restantes espaços dos diversos pisos são caracterizados por pavimentos em madeira, paredes e tectos estucados, com molduras ou frisos muito simples. O saguão apresenta nas três frentes por piso uma janela de duas folhas com moldura recta em granito.

Acessos

Rua de Cândido dos Reis, n.º 133 a 145, Rua de Santa Teresa, n.º 1; Rua Galeria Paris

Protecção

Incluído na Zona Especial de Protecção da Igreja e Torre dos Clérigos (v. PT011312150003)

Enquadramento

Urbano, adossado, de três frentes e de gaveto entre as ruas de Cândido dos Reis, de Santa Teresa e Galeria de Paris. Edifício do topo do quarteirão, sem logradouro.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: edifício residencial

Utilização Actual

Residencial: edifício residencial e comercial / Cultural e recreativa: associação cultural e recreativa / Devoluto

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Roberto Leão (autor do projecto de remodelação dos pisos comerciais)

Cronologia

Séc. 19 - provável construção do prédio; 1925, 25 Junho- é doado á Santa Casa da Misericórdia por testamento de José Pinto de Sousa; 1965, Abril- Projecto de Remodelação do 1º e 2º piso da autoria do Arqº. Roberto Leão, para a Firma Amorim Lage, Ldª.;1994 - instalação da Casa da Cultura e Desporto dos Trabalhadores no 3º piso do prédio;

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Paredes de alvenaria de granito rebocadas no interior e exterior; superfícies exteriores revestidas a pastilha e/ou azulejo; cobertura em telha cerâmica apoiada em estrutura de madeira; caixilharias em madeira pintada e/ou ferro pintado; tectos em estuque e/ou madeira pintados; pavimentos em soalho de madeira; escadaria principal em madeira; grades em ferro pintado;

Bibliografia

CARVALHO, João, Misericórdia do Porto. Cinco séculos a fazer o bem, in O Tripeiro, 7ª série, Ano XVIII, nº12, Dezembro, Porto, 1999; FREITAS, Eugénio de Andrea da Cunha Freitas, A antiga sede da Misericórdia, in O Tripeiro, 7ª série, Ano XVIII, nº12, Dezembro, Porto, 1999

Documentação Gráfica

SCMP: AH; CMP: AHMP

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

SCMP: AH; CMP: AHMP

Intervenção Realizada

SCMP: 1999 - obras gerais de conservação

Observações

1499, 14 Março - Carta Régia, por D. Manuel I marca a fundação da Confraria de Santa Maria da Misericórdia do Porto; 1502- instalação provisória da Misericórdia na Capela de Santiago, á Sé;1544 / 1550 - a Casa do Despacho, sede da irmandade é construída na Rua de Santa Catarina das Flores. O principal objectivo da Santa Casa da Misericórdia consistia em fazer cumprir as 14 "Obras de Misericórdia" assim descritas: " ensinar os simples, dar bom conselho a quem o pede, castigar com caridade os que erram, consolar os tristes e desconsolados, perdoar a quem errou, sofrer as injúrias com paciência, rogar a Deus pelos vivos e os mortos" consideradas acções "espirituais"; " remir cativos e presos, visitar e curar os enfermos, cobrir os nus, dar de comer aos famintos e pobres, dar de beber aos que hão sede, dar pousada aos peregrinos e pobres, enterrar os finados", consideradas acções "corporais". Entre estas actividades destaca-se a assistência material e jurídica aos presos da Cadeia de Relação. A acção da Santa Casa é sustentada fundamentalmente pelos rendimentos dos prédios urbanos. 1*- uma delas alugada e a última devoluta;

Autor e Data

Isabel Sereno 2000

Actualização

 
 
 
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