Palácio da Calçada / Casa-Museu Frederico de Freitas

IPA.00009601
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (São Pedro)
 
Casa abastada romÂntica, de planta irregular composta por vários corpos articulados e adaptados ao desnível do terreno, com alçados de dois e três pisos, e fachada principal em U invertido, com torres nos ângulos, cobertas por cúpula e portal principal arquitravado precedido por alpendre tripartido, de cúpulas bolbosas em folha pintada e lambrequins recortados pintados de branco, o que lhe confere certo cunho orientalizante, conciliado com elementos de cunho regional, como as fachadas percorridas por beiral duplo ou triplo, coberturas de telhados múltiplos e individualizados por sala, torre elevada, recuada em relação ao frontispício, janelas com persianas fasquiadas ou tapassóis pintados de verde escuro e lambrequins recortados e pintados de branco. No interior, espaço organizado irregular e sucessivamente com algumas salas conservando decoração neoclássica e outras com apontamentos Arte Nova.
Número IPA Antigo: PT062203080063
 
Registo visualizado 1665 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Casa abastada  

Descrição

Planta irregular, composta por vários corpos, de volumes tipicamente articulados com coberturas diferenciadas de 2, 3, 4, e 5 águas e uma clarabóia em vidro sobre o jardim de Inverno. Fachadas rebocadas e pintadas a rosa forte, com beirais duplos e triplos em telha de canudo, e vãos emoldurados a cantaria da região. Fachada a E. virada à rua, de grande volumetria, rasgada por vãos sobrepostos, sendo os do 1º piso, correspondendo à área de exposições temporárias ( antigas lojas ) uma porta e 3 janelas com gradeamento de ferro; do 2º piso, 4 janelas com tapassóis e do 3º piso, 4 janelas de sacada corrida, de vãos em arco pleno com cornija recta, persianas fasquiadas em madeira pintada de verde escuro, lambrequins recortados e pintados de branco. Fachada principal virada a N. em "U" invertido, assimétrico, com torres quadrangulares nos ângulos; panos de 1, 2 e 3 pisos, com embasamento, cunhais das alas laterais e entablamento saliente rematado por platibanda em balaustres de cimento pintado a branco. Unindo as torres simétricas, com cobertura bolbosa em zinco pintado de cinzento, alpendre tripartido, sendo a parte central mais alta e coberta por cúpula bolbosa em folha pintada de cinzento, com lambrequins recortados pintados de branco de gosto orientalizante; pavimento de placas de grés cerâmico preto e branco com decoração geométrica, gradeamento de ferro fundido. A S., à volta do jardim, desenvolvem-se 2 fachadas de panos de altura diferenciada; no 1º piso, o acesso ao jardim, o 2º piso com janelas de portada, sendo as 2 do lado esquerdo rectangulares e do lado direito com vão de verga curva, de sacada individual; no pano virado a E. tem, no 1º piso 2 portas, 1 de acesso à torre recuada em relação à fachada, e outra para a escada de acesso ao jardim de inverno; no 2º piso, janelas de guilhotina rectangulares com tapassóis; ambos os beirais dos 2 panos, têm beirais duplos de telha romana; a O., um pano com janelas quadrangulares com gradeamento de ferro, sobrepostas por janelas rectangulares com sacada individual molduradas em cantaria com entablamento e lambrequins recortados e pintados de branco, persianas fasquiadas em madeira pintada de verde escuro, beiral duplo. Segue-se um corpo novo envidraçado, correspondendo ao espaço museologico dos azulejos. No INTERIOR, pequeno hall acedendo a vários espaços sucessivos, de forma irregular, destacando-se as salas "amarela" e o "salão nobre", com saída para o exterior, decoradas a estuque com elementos fitomórficos, imitando tecido; fazendo o percurso inverso pela "sala amarela", um pequeno corredor dá acesso ao 1º piso e a outros espaços tais como o "quarto de dormir", dos "Santos", "sala de jogo", "jardim de inverno", dos "embutidos", "sala de chá", "sala de jantar", "quarto das canecas"; acede também ao rés-do-chão, onde se situam um espaço de reservas, a cozinha, com grande fogão de ferro e vários utensílios, e a biblioteca, com saída para o exterior.

Acessos

Calçada de Santa Clara

Protecção

Enquadramento

Urbano, murado, integrado num quarteirão de declive acentuado, no centro histórico do Funchal, flanqueado a S. pelo Palácio de São Pedro (v. PT062203080030) e a N. pelo Convento de Santa Clara (v. PT062203080005). O acesso principal faz-se a E., por largo portão de ferro, tendo à direita anexo onde estão instalados os serviços educativos do museu e futuro gabinete de estampas; caminho empedrado com calhau rolado, ladeado por pequeno jardim, conduz ao pátio de entrada principal da "Casa Museu", à nova área museológica do azulejo, auditório e cafetaria; frente à porta principal, uma cascata de "fajoco" com fetos e avencas, típica dos jardins das casas de quinta madeirense. A S. da casa, jardim sobrelevado à estrada, com muro encimado por gradeamento de ferro, com estrutura decorativa pintada de verde escuro, latada de vinha também de ferro e "casa de prazer", no extremo do muro do jardim, com janelas de vidrinhos, entablamento e lambrequins recortados e pintados de branco, cobertura de zinco.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Cultural e recreativa: casa-museu

Propriedade

Pública: regional

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Obras de 1984 a 2000: Arquitectos: Maria João Cardoso e Gastão Salgado da Cunha; estruturas: António Costa e Duarte Jesus; instalações eléctricas e electrónicas: E. E. Engenheiros electrotécnicos; luminotécnia: Vitor Vajão; instalações de água e esgotos: José Avelino Nóbrega e Silva; ventilação e climatização: Termo Atlântica; construção da 1ª fase a cargo de Damásio e Nascimento Ldª e da 2ª fase Lourenço Simões e Reis Ldª.

Cronologia

Séc. 16, finais - Construção inicial da casa pelos Condes da Calçada; séc. 18, a partir / séc. 20, até 1º quartel - sofreu vários acrescentos e remodelações; séc. 20, anos quarenta - foi alugada pelo jurista Frederico da Cunha e Freitas, que recolheu e conservou toda a sua vida objectos artísticos que o levaram a tornar-se um "coleccionador de colecções"; 1978, 26 Novembro - após a sua morte, por disposições testamentárias foi legado à R.A.M. todo o património mobiliário que constituía o recheio da sua casa à Calçada de Santa Clara, a considerar de utilidade pública; posteriormente, a R.A.M. adquiriu o imóvel dos Condes de Calçada e procedeu à sua recuperação, dado o seu mau estado por falta de manutenção e deficiências construtivas; 1984 - início dos estudos de recuperação por artistas de diversas áreas; o conhecimento das diversas colecções contribuiu para que fosse feito à Direcção-Geral do Património do Estado uma proposta para a cedência à Casa Museu, de 2 parcelas de terreno do terreiro do Convento da Santa Clara, tendo sido aceite o acordo entre o I.P.P.C e autorização da D.G.P.E e das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria; 1988, Junho - aberta ao público.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes e estrutura mista.

Materiais

Cantaria mole e rigida da região, alvenaria de basalto, rebocada, empedrado de calhau rolado, madeira, vidro, ferro, zinco, azulejos, estuques, amarrações mistas com tirantes de ferro, telha de meia cana ou romana.

Bibliografia

Famílias dos Condes da Calçada, Notas Genealógicas e Bibliográficas, Das Artes e da História da Madeira, nº 37, Madeira, 1996; PAIS, Alexandre Manuel Nobre da Silva, Presépios Portugueses Monumentais do século XVIII em Terracota [ dissertação de Mestrado na Universidade Nova de Lisboa ], Lisboa, 1998; Catálogo da Casa Museu Frederico de Freitas, Funchal, 1999.

Documentação Gráfica

Instituto Cadastral do Funchal: planta do Funchal; DRAC, Funchal

Documentação Fotográfica

DRAC

Documentação Administrativa

DRAC

Intervenção Realizada

Governo Regional: 1984 - 1ª fase de construção, iniciando-se pela consolidação das paredes, muros, coberturas reforço da estrutura; construção de um muro de suporte de terras, confrontante com o Convento de Santa Clara sem destruir o primitivo; criação de zonas de exposição permanente para determinadas colecções, 2 áreas para exposições temporárias, instalações para serviços técnicos e administrativos; recuperação dos jardins e "casa de prazer"; 1996 / 1997 / 1998 / 1999 / 2000 - início da 2ª e última fase da obra: construção de raiz do edifício adossado ao muro de suporte de terras do Convento de Santa Clara destinado à exposição permanente da colecção de azulejos, auditório, com a capacidade de 50 lugares, e um elevador que dá acesso aos vários pisos; recuperação da casa de entrada, ampliando-a para instalação do novo Gabinete de Estampas e Desenhos, Serviços Educativos e de animação da Casa-Museu, a loja e portaria; conclusão das obras da construção antiga onde estão instaladas a exposição da colecção de "canecas", a cozinha, a biblioteca e outras acomodações; instalações de água e esgotos; recuperação dos jardins, pelo Jardim Botânico da Madeira.

Observações

O 1º Visconde e o 1º Conde da Calçada, Diogo de Ornelas de França Carvalhal Frazão e Figueiroa, fidalgo, cavaleiro da Casa Real, Governador Civil do Funchal ( doc. 4-10-1882 ), Senhor da Casa da Calçada e dos Morgados de Gaula e da Conceição e de outros dos Açores, nasceu a 29 de Agosto de 1812 e faleceu a 18 de Setembro de 1906. O 2º Conde da Calçada, 6º filho dos 1ºs condes, Eduardo de Ornelas Frazão de Carvalho Figueiroa, nascido a 23 de Dezembro de 1841, faleceu nesta cidade a 17 de Novembro de 1914, solteiro, deixando uma filha natural, casada, com geração, título concedido por decreto de 30 de Novembro de 1904, por D. Carlos I, representavam os títulos de Visconde da Calçada, D. Sara Portugal da Silveira casada com António Justino de Freitas Júnior, c. g., trineta do 1º Conde da Calçada. Os Condes da Calçada traziam por armas um escudo esquartelado: no 1º quartel as armas dos Ornelas: em campo azul, uma banda de ouro entre duas sereias de sua cor, tendo cada uma na mão direita um espelho guarnecido de ouro e na mão esquerda um pente de ouro e sobre a banda, 3 flores-de-lis de vermelho; no 2º quartel, as de Carvalhal: em campo vermelho um castelo de prata com as frestas, a porta e as fundas de negro; no 3º quartel, as armas de Frazão: em campo de prata um chaveirão entre três flores-de-lis de ouro; e no 4º quartel as dos Franquins: um campo vermelho três coroas de ouro abertas, postas em roquete e um chefe de prata carregado de uma cruz de vermelho, coroa de conde ( o seu uso é muito antigo nesta família mas desconhece-se a quem foi concedida ). O Dr. Frederico Augusto da Cunha e Freitas, nasceu a 15 de Dezembro de 1894. Cursou o Liceu do Funchal e formou-se em direito pela Universidade de Coimbra. Advogado e notário teve intensa e brilhante actividade profissional. Dedicou grande parte das suas invulgares capacidades a iniciativas culturais e artísticas para a cidade do Funchal. Promoveu a 1ª exposição de estampas da Madeira no Funchal em 1948 e colaborou nas que se seguiram em Dezembro de 1949 e Abril de 1972. Foi um dos fundadores da Sociedade de Concertos da Madeira, em 1943. Fez parte da Comissão Instaladora do Museu da Quinta das Cruzes em 1946. Faleceu no Funchal a 26 de Novembro de 1978, tendo feito testamento dias antes do seu falecimento de todo o seu acervo de várias colecções à Região Autónoma da Madeira. No 1º piso da casa antes do início das obras foram encontrados tanques de água que até então abasteciam a zona baixa da cidade, mas posteriormente foram desactivados para dar lugar ao espaço das "Exposições Temporárias". Recuperada nos finais do séc. 20 para adaptação a "casa museu", foi construído de raiz um edifício adossado à casa para exposição permanente, da colecção de azulejos e outros elementos cerâmicos de origem estrangeira. A antiga casa da entrada, já existente à entrada, foi adaptada com vários espaços, a gabinete de estampas antigos serviços educativos, portaria e loja do museu.

Autor e Data

Teresa Brazão 2000

Actualização

 
 
 
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