Igreja e Convento do Carmo / Lar de Santa Estefânia

IPA.00000095
Portugal, Braga, Guimarães, União das freguesias de Oliveira, São Paio e São Sebastião
 
Arquitectura religiosa, barroca, neoclássica. Convento feminino, integrando igreja de planta transversal, de nave única, com coro encimado por mirante. Dependências conventuais envolvendo o corpo da igreja com claustro desenvolvido a E.. Fachada principal com portais de decoração barroca. Interior da igreja com coberturas em abóbadas de berço e pavimentos de madeira. Decoração interior com retábulos de talha dourada barrocos joaninos tardios. Cadeiral com representação no espaldar dos santos da Ordem e órgão neoclássico. A encimar o corpo do coro mirante protegido por crivaria. Portal principal, armoriado, que resguarda uma imponente escadaria com guardas lavradas, de granito. Coro-alto com pinturas murais, protegido por guarda de crivaria. Órgão com remates de urnas típicamente rocócos, com consola acharoada.
Número IPA Antigo: PT010308340052
 
Registo visualizado 3423 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro feminino  Ordem das Irmãs de Nossa Senhora do Monte do Carmo - Carmelitas

Descrição

Planta composta, por igreja de nave única, de planta transversal com capela-mor e sacristias, rectangulares, e dependências conventuais desenvolvidas à sua volta, integrando claustro. Volumes articulados e escalonados de dominante horizontal, com coberturas diferenciadas em telhados de duas, três e quatro águas com beiral saliente. Igreja com fachadas rebocadas e pintadas de branco, com pilastras toscanas nos cunhais, encimadas por pináculos e rematadas por cornijas de cantaria. Fachada principal a O., marcada nos extremos por corpos mais elevados, tendo o a N., porta encimada por janelão de verga curva e moldura recortada, rematado por sineira de duas ventanas em arco pleno rematada por cornija com espaldar ao centro com catavento, ladeado por pináculos, e o a S., correspondento ao coro, com dois registos tendo no primeiro painel de azulejos encimado por duas janelas de verga recta e no segundo mirante em crivaria de ferro. No centro, corpo da nave, onde se abre, ladeado por par de janelas rectangulares, o portal principal de verga recta, moldurado por pilastras toscanas e rematado por cornija sob edícula em arco pleno, com a imagem de São José, ladeada por volutas e pináculos, sobrepujada pelo brasão da Congregação dos Carmelitas Calçados. Corpo da capela-mor rasgado por dois janelões de verga curva e moldura recortada. INTERIOR rebocado e pintado de branco. Coro-alto protegido por crivaria de madeira, com pintura mural de motivos fitomórficos integrando ao centro, nicho revestido de talha dourada com a imagem da Senhora do Carmo, ladeado por cadeiral de madeira pintada, com espaldar preenchido com imagens de santos ligados à Ordem, e grande órgão de tubos em talha policromada a branco, vermelho e dourado. Remate em cornija com decoração fitomórfica ao centro, com pequenas urnas nos extremos. Gelosias vazadas com motivos fitomórficos. Consola acharoada com seis registos do lado direito e sete do lado esquerdo. Sub-coro resguardado por parede, com 3 vãos rectangulares encimados por sanefas de talha dourada, sendo 2 portas de acesso e 1 capela cerrada por grade de ferro, com retábulo de talha integrando Cristo morto resguardado por vitrine e a imagem da padroeira. Nave coberta por abóbada de berço assente em cornija de pedra saliente, e pavimento de madeira. É marcada no centro por patamar mais elevado com acesso por três degraus, protegido por balaustrada em talha dourada, possui, do lado do evangelho, para-vento de madeira e, em posição confrontantedois púlpitos de base quadrangular de pedra, com guarda plena de talha dourada e porta de acesso protegida por sanefa. Retábulos laterais de talha dourada, sendo o do lado do Evangelho, de planta recta de um só eixo, rematado por fragmentos de cornija interrompida, encimada por cartela ladeada por anjos. Nicho central enquadrado por pilastras com decoração fitomórfica e pequenos nichos sobrepostos, com largas pilastras jónicas encimadas por fragmentos de frontão interrompido com anjos. Altar recto. Arco triunfal, pleno, sobre pilastras toscanas, com brasão Arcebispal na pedra de fecho. Capela-mor com cobertura em abóbada de berço e pavimento de madeira e pedra, com patamar mais elevado junto ao retábulo-mor de talha dourada, de planta côncava, de três eixos, rematado por cornija curva interrompida por cartela ladeada por motivos fitómorticos. Tribuna em arco de volta perfeita com trono, ladeada por par de colunas pseudosalomónicas coríntias entre peanhas com imaginária. Sobre a banqueta sacrário encimado pelo crucificado. Altar recto com frontal pintado. Paredes da capela-mor com janelões com sanefas de talha, do lado do Evangelho e no lado da Epístola portas de acesso às sacristias, onde se destaca lavabo de pedra, com espaldar remadado por cornija borromínica, enquadrado por pilastras toscanas estriadas na base. Pia trilobada assente em coluna estriada, também trilobada. Bicas rodeadas por motivos vegetalistas. EDIFÍCIO CONVENTUAL de três pisos, com fachadas rebocadas e pintadas de branco, marcadas por pilastras encimadas por pináculos, remates em cornijas salientes e vãos rectangulares, sendo as fachadas voltadas à rua pública ritmadas por módulos de janela e janela de sacada, com friso de pedra a separar o segundo do terceiro pisos. A fachada principal, voltada a O. apresenta na extremidade S. porta rectangular rematada por cornija recta e encimada por relevo com motivos alusivos à Ordem. Portal principal a N., inscrito em pano murário que cerra átrio rectangular com arcaria de volta perfeita enquadrando dupla escadaria de acesso ao andar superior, rematado porcornija contracurvada, encimado por pináculos e brasão da Congregação, ao centro, ladeado por 2 anjos e sobrepujado por coroa real e cruz sobre esfera. Portal de verga recta gradeado com inscrição, moldurado com aletas, encimado por frontão interrompido com a imagem de São Gabriel, ao centro, sobre cartela moldurada por motivos vegetalistas e anjo, ladeada por 2 janelas rectangulares encimada por cornija recta. INTERIOR, organizado por escadarias e corredores, com silhar de azulejos estampilhados azuis e brancos, voltados ao logradouro e ao claustro, rectangular, em arcaria de volta perfeita sobre pilares de granito, com tanque rectangular e repuxo no centro. Na ala N., distribuem-se, no primeiro piso, a cozinha, refeitório, lavandaria e salas do infantário, no segundo salas de estudo e no terceiro, dormitórios. Na ala S., situam-se, no primeiro piso, a secretaria, no segundo, o ginásio e no terceiro, capela e salas.

Acessos

Largo Martins Sarmento, Rua de Serpa Pinto.

Protecção

Em estudo / Incluído na Zona Especial de Proteção do Núcleo Urbano da Cidade de Guimarães (v. PT010308340101) / Incluído na Zona Especial de Proteção do Núcleo Urbano da Cidade de Guimarães (v. PT010308340101) e na Zona Especial de Proteção Conjunta do Castelo de Guimarães (v. PT01030834011), Igreja de São Miguel (v. PT01030834006) e Paço dos Duques de Bragança (v. PT01030834013)

Enquadramento

Urbano, isolado, em desnível, no gaveto do Largo Martins Sarmento e Rua de Serpa Pinto. Integra, junto do portal nobre, oratório dos Passos da Paixão, datado de 1727 (v. PT01030863048). Possui logradouro, confrontante com o talude do Paço dos Duques, cerrado por muro com acesso, a S.

Descrição Complementar

INSCRIÇÕES: (portal principal) LAR DE SANTA ESTEFANIA / 1863.

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro feminino

Utilização Actual

Religiosa: igreja / Assistencial: centro de juventude / Educativa: jardim de infância

Propriedade

Privada: Igreja Católica / Pessoa colectiva

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

CANTEIROS: João e António Pinto (atr. portal principal); ENTALHADOR: José Álvares de Araújo (1746, 1 Junho); ORGANEIRO: Teodósio Hemberg.

Cronologia

1685, 26 Março - É lançada a primeira pedra para a edificação da igreja e convento, na rua de Santa Maria; 1687, 8 Abril - concluídas as obras de construção realizou-se, na igreja, a primeira missa; 1725, 21 Novembro - contrato para a execução do órgão com Teodósio Hemberg, por 224$800 réis; 1732 - construção do portal principal; séc. 18, meados - construção da capela-mor da igreja e do mirante do convento, por ordem do Arcebispo de Braga, D. José de Bragança; 1746, 1 Junho - escritura com o mestre entalhador José Álvares de Araújo, de Braga, para obra do retábulo-mor e dois retábulos laterais; 1854 - falecimento da última freira do convento, D. Catarina Angélica do Amor Divino; 1860 - por decreto real foi cedido o convento para casa do Asilo de infância desvalida de Santa Estefânia, Amor de Deus e do Próximo; 1862, 27 Agosto - a comissão instaladora do Asilo de Santa Estefânia toma posse do Convento do Carmo, que lhe havia sido concedido; 1863, 16 Julho - inauguração solene do asilo; 1877 - reforma dos estatutos da instituição.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes e estrutura mista.

Materiais

Estrutura, decoração exterior, arco triunfal, lavabo da sacristia e pavimento do átrio nobre, de granito; silhar de azulejos industrial nos corredores, escadaria do portal nobre e refeitório; portas, guarda-vento, pavimentos da nave e coro-alto, balaustrada do coro-alto, órgão, retábulos, sanefas, guardas dos púlpitos, guarda nave, em madeira; pavimentos do edifício conventual, em mosaico, cimento e taco de madeira; portões, sacadas, guardas das janelas e crivaria do mirante, em ferro; cobertura exterior, de telha de canudo.

Bibliografia

Guia de Portugal, Entre Douro e Minho, II Minho, vol. 4, Lisboa, s/d, pp. 1173-1174; Ministério das Obras públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1953, Lisboa, 1954; Vv.Aa., Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976, p. 296; ALVES, José Maria Gomes, Património Artístico e Cultural de Guimarães, Guimarães, 1981, pp. 145-148; NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da, Pedras de Armas e Armas Tumulares do Distrito de Braga. Cidade de Guimarães, vol. 7, tomo 1, Braga, 1981, pp. 126-130; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. I, Braga, 1990; CALDAS, Pe. António José Ferreira, Guimarães, apontamentos para o seu estudo, Guimarães, 1996, pp. 346-347; OLIVEIRA, António José de, OLIVEIRA, Lígia Márcia Cardoso Correia de Sousa, Artistas Bracarenses que trabalharam em Guimarães e termo no séc. XVIII, in Mínia, nº 5, III Série, Braga, 1997, pp. 159-198; ROCHA, Helder, Efemérides Vimaranenses, vol. 2, Guimarães, 1998, pp. 21, 59.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Arquivo da Instituição

Intervenção Realizada

DGEMN: 1953 - Obras de ampliação; Lar de Santa Estefânia: 1960 - reconstrução da ala S., do convento, com adaptação a dormitórios; 1984 - obras de reparação geral; 1995 - recuperação de interiores; Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo: 1997 - obras de conservação geral na igreja; substituição parcial do soalho da nave; pintura exterior e interior; restauro da talha dos retábulos do altar-mor e dos retábulos laterais; Lar de Santa Estefânia: 1998 - substituição de soalhos.

Observações

*1 - A igreja foi recentemente entregue pelo Arcebispado à administração do Lar para uso da instituição. A médio prazo, as portas de ligação com o antigo convento, agora entaipadas, poderão ser de novo abertas e utilizadas para a comunicação.

Autor e Data

António Dinis / Ana Pereira 1999

Actualização

 
 
 
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