Palácio do Correio Velho / Palácio Marim Olhão

IPA.00009434
Portugal, Lisboa, Lisboa, Misericórdia
 
Arquitectura residencial, barroca. Palácio urbano. Constitui-se como exemplo singular de uma habitação aristocrática urbana, nomeadamente pela escala, pouco usual.
Número IPA Antigo: PT031106280515
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  

Descrição

De planta trapezoidal vazada por 1 pátio rectangular e 1 logradouro irregular, o edifício apresenta volumetria escalonada composta, sendo a cobertura efectuada por telhados a 1, 2, 3 e 4 águas, rasgados por saguões e trapeiras (alçado S.). De 6 pisos - nos alçados S. e O. (sendo um dos pisos ao nível da cobertura) -, o edifício apresenta panos de muro em cantaria de aparelho em isódomo no piso térreo e sobreloja, separados por friso em cantaria dos restantes pisos, estes, em reboco pintado com cunhais de cantaria. Regista-se abertura de vãos de verga recta com emolduramento simples de cantaria, a ritmo regular e extremos SO. e NO., destacados - em planta, relativamente ao restante alçado, e também pelo seu revestimento a cantaria e tratamento diferenciado dos vãos. O edifício apresenta alçado principal a S., composto por 2 corpos: no corpo a O., piso térreo ocupado por estabelecimentos comerciais encimado por sobreloja assinalada pela presença de janelas de peito com guarda em ferro fundido; sucedem-se 2 pisos ritmados por janelas de peito rectangulares de verga destacada (ao nível do andar nobre), cujo eixo longitudinal é acentuado pela respectiva articulação com aventais de cantaria. Destaca-se o tratamento da fenestração do extremo SO. do 4º piso, aqui transformada em janela de sacada com guarda em balaustrada de cantaria e remate superior articulado com frontão triangular cuja base surge interrompida por composição escultórica relevada (esta solução observa-se também nas janelas extremas do mesmo piso, no alçado O.). O conjunto é encimado por janelas de sacada servidas por varandins com guarda metálica de varas verticais, e sobrepujado por cornija continuada. O corpo a E., destacado, apresenta-se ritmado e tripartido verticalmente pela presença de pilastras de cantaria, podendo observar-se piso térreo rasgado a eixo por portal articulado superiormente com janela de verga curva. Ao nível do andar nobre (correspondente ao 4º piso do corpo a O.), reconhece-se varanda com base de cantaria guarnecida por guarda de ferro fundido, para a qual abrem 3 janelas de sacada de verga recta. Acede-se ao interior através de pátio, que serve vestíbulo rasgado por arco abatido suportado por estípides, a partir do qual se desenvolve escadaria de lanços rectos com guarda em balaustrada de cantaria. INTERIOR: a compartimentação, em salas quadradas e rectangulares, é organizada em 3 alas, distribuídas em torno do pátio e logradouro que o perfuram a E, e da escadaria central (de cantaria com 8 lanços rectos e patamares intermédios) por corredores de circulação que definem eixos paralelos e perpendiculares aos alçados.

Acessos

Calçada do Combro, nº 38 - 38J; Rua do Século; Travessa das Mercês

Protecção

MIP - Monumento de Interesse Público, Portaria n.º 649/2023, DR, 2.ª série, n. 214 de 06 novembro 2023 / Incluído na classificação do Bairro Alto (v. IPA.00005019)

Enquadramento

Urbano, destacado, adossado. Localiza-se no Bairro Alto e ocupa cerca de metade (O.) de um extenso quarteirão rectangular, participando da frente construída que define, no sentido E., o limite S. do Bairro. No quarteirão contíguo (a E.) impõe-se o Palácio do Calhariz.

Descrição Complementar

Entre os compartimentos destacam-se : sala helicoidal, animada por lambril azulejar monócromo com cenas campestres; capela, de planta rectangular, coberta por abóbada de berço rasgada por lunetas, ostentando, no muro de topo, retábulo lateralmente delimitado por colunas suportando frontão curvo interrompido e vazado por moldura destinado a receber composição pictórica (inexistente); antiga cozinha, abobadada.

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Residencial: casa / Comercial: loja / Extração, produção e transformação: oficina / Política e administrativa: sede de organização sindical

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1734-1735 - troca de correspondência do Conde de Tarouca, João Gomes da Silva (1671-1738) com seu filho Fernão Teles da Silva (1698-1763), monteiro-mor do reino, sobre a reformulação que está a empreender nas casas que eram de seu sogro, na Calçada do Combro, "Na modernização do palácio dos condes de Tarouca (1734), mais tarde conhecido por Marim-Olhão, foram também consultados, além de Mardel e de Missier, Canevari e Santos Pacheco" (BRANCO/SOROMENHO, p. 91); 1755 - o terramoto causou alguns danos no edifício; c. 1770 - obras de restauro no interior e exterior do palácio, por ordem de D. Pedrp de Melo da Cunha Mendonça e Meneses; 1778 - por falecimento de D. Pedro de Melo da Cunha Mendonça e Meneses, sucede no título e na casa o seu filho, D. Francisco de Melo, 1º conde de Castro Marim, que, vivendo no palácio da família de Xabregas, só pontualmente residia no palácio da Calçada do Combro; 1779 - grande campanha de obras de remodelação da fachada principal e alas nobres, orçada em 11 contos de reis; 1801 - 1881 - funcionam no imóvel serviços do Correio Geral do reino, do que deriva a designação de Palácio dos Correios Velhos, pela qual o edifício também é conhecido; 1840 - 1892 - na parte posterior do palácio instala-se a redacção e a tipografia do jornal A Revolução de Setembro; 1910 - durante a vigência do regime republicano funciona no edifício a Confederação Geral de Trabalhadores e o respectivo jornal, A Batalha, tornando-se assim o edifício palco de intensa actividade anarco sindicalista, posteriormente instalaram-se ainda no palácio associações de jovens monárquicos e um sindicato da Companhia Carris de Ferro (no andar nobre); 1922 - o edifício deixa de ser propriedade da família dos condes de Castro Marim e marqueses de Olhão à firma Mello Castello Branco Lda.; 1927 - invasão da redação do jornal A Batalha, pela polícia, causando danos no edifício, o qual é posteriormente votado ao abandono, passando mais tarde para a posse da Câmara Municipal de Lisboa; 1996 - 1998 - elaboração de projecto de reabilitação do imóvel pela EBHAL (Equipamento dos Bairros Históricos de Lisboa - Empresa Pública Municipal, sendo responsável o arquitecto Fernando Sequeira Mendes), em colaboração com a Câmara Municpal de Lisboa; 2005, 5 outubro - publicação do anúncio do processo de abertura de classificação do edifício em Anúncio n.º 230/2015, DR, 2.ª série, n.º 194.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, estuque, ferro forjado, madeira, azulejos (séc. 18)

Bibliografia

ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, Livro V, Lisboa, 1939; SEQUEIRA, Gustavo Matos, Memória Histórica do Bairro Alto, Lisboa, 1948; ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, Lisboa, 1952; CASTILHO, Júlio de, Lisboa Antiga. Bairro Alto, Vol. V, Lisboa, 1954 - 1966 (1ª ed. 1879); ALMEIDA, D. Fernando de, (dir. de), Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Vol. V, Tomo II, Lisboa, 1975; MACEDO, Luís Pastor de, Lisboa de Lés-a-Lés, 3ª ed., Vol. III, Lisboa, 1985; AAVV, Guia Urbanístico e Arquitectónico de Lisboa, Lisboa, 1987; GOMES, Paulo Varela, in ALBUQUERQUE, Martim de, (dir. de), Portugal e a Ordem de Malta, Lisboa, 1992; CARITA, Hélder, Bairro Alto. Tipologias e Modos Arquitectónicos, 2ª ed., Lisboa, 1994; VALDEMAR, António, Palácio Marim-Olhão, in SANTANA, Francisco, SUCENA, Eduardo, (dir. de), Dicionário da História de Lisboa, Lisboa, 1994; Plano Director Municipal : regulamento, Lisboa, 1995; GOMES, Paulo Varela, O Caso de Carlos Gimach (1651-1730) e a Historiografia da Arquitectura Portuguesa, in Museu, IV Série, Nº 5, Porto, 1996; FRANÇA, José Augusto, 28-Crónica de um Percurso, Lisboa, 1998; MOREIRA, Marta, Um Dia o Palácio Vem Abaixo, in A Capital, 13.01.2000; BRANCO, Ricardo Lucas e SOROMENHO, Miguel, “Um palácio no Campo Pequeno”, As três Vidas do Palácio Pimenta, Museu de Lisboa, 2024, p.66 e p. 91; CALDAS, João Vieira e COUTINHO, Maria João Pereira, "O nome a função: terminologia e uso nos compartimentos da casa nobre urbana da primeira metade do século XVIII", A Casa Senhorial em Lisboa e no Rio de Janeiro. Anatomia dos interiores, Lisboa, 2014, pp.135-189.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

C.M.L.: 1998 - obras de conservação da capela (processo de cimbragem do tecto, pela firma Arquiespaço - Arquitectura e Planeamento Lda. e executado por Junqueira 220, Sociedade de Conservação, Restauro e Arte, Lda.)

Observações

Autor e Data

Teresa Vale e Maria Ferreira 2000

Actualização

 
 
 
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