Capela da Senhora da Pastoriza

IPA.00009380
Portugal, Viana do Castelo, Melgaço, União das freguesias de Vila e Roussas
 
Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Capela de planta longitudinal simples, interiormente com tecto de madeira e iluminada axial e unilateralmente. Fachada principal terminada em frontão triangular sem retorno, rasgada por portal de verga recta, ladeado por duas janelas quadrangulares, encimado por cornija. Fachadas laterais com cunhais apilastrados e terminadas em cornija, sendo a lateral direita rasgada por janela na zona do retábulo-mor. No interior, possui coro-alto e retábulo de talha policroma de estilo nacional.
Número IPA Antigo: PT011603180046
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta longitudinal, de corpo único rectangular. Massa simples com cobertura homogénea em telhado de duas águas. Fachadas rebocadas e caiadas, percorridas por embasamento avançado e terminadas em friso e cornija, com cunhais apilastrados coroados por pináculos tipo pêra ou piramidais sobre plintos e cruzes latinas de braços quadrangulares sobre acrotério no remate das empenas. Fachada principal virada a O., terminada em frontão triangular sem retorno, com cornija fortemente moldurada, apresentando no tímpano cartela de moldura recortada *1. É rasgada por portal de verga recta, encimado por friso e cornija recta e por duas janelas quadrangulares laterais, de moldura terminada em cornija, e gradeadas. Fachada lateral esquerda cega e a oposta, virada a S. rasgada por janela rectangular de capialço na zona do retábulo-mor. Fachada posterior cega e terminada em empena. INTERIOR rebocado e caiado, com pavimento cimentado e lajeado e tecto de madeira, de perfil curvo, sobre cornija em madeira, entalhada, pintado com cartela central, de moldura recortada, com imagem de Nossa Senhora da Pastoriza ladeada por anjos que seguram uma tarja com as inscrições: "ESTA CAPELLA FOI MANDADA FORRAR / E PINTAR NO ANNO DE 1884. POR LIBORIO JOSE DA CUNHA." e "EM VIRTUDE DE UM GRANDE MILARE QUE A VIRGEM / NOSSA S.A DA PASTORIS LHE FES". Coro-alto assente em trave de madeira, com balaustrada entalhada. O lado da Epístola possui pia de água benta ovóide, gomada e com toro superior boleado, encimada por cartela rectangular, moldurada, com a inscrição "IHS", relevada, e nicho de remate em arco pleno. Sobre supedâneo, com acesso por três degraus, surge o retábulo-mor de talha em branco e policroma, de planta recta e três eixos definidos por colunas torsas ornadas de pâmpanos e aves, assentes em mísulas com acantos e anjos e de capitéis coríntios; no eixo central abre-se nicho, em arco de volta perfeita, interiormente albergando imagem do orago, rodeada de anjos encarnados; no intercolúnio côncavo surgem mísulas com imaginária; nos eixos laterais existem nichos à face, em arco de volta perfeita sobre pilastras, decoradas de acantos, com mísulas sustentando imaginária; sobre o entablamento, decorado de acantos, anjos e querubins, desenvolve-se o ático, adaptado ao perfil da cobertura, de várias arquivoltas unidas no sentido do raio, e com cartel a central sustentada por dois anjos. Altar paralelepipédico, com frontal marcado por sebastos e sanefa, decorados por acantos enrolados, e tendo ao meio cartela polilobada, anjos e acantos enrolados.

Acessos

Lugar das Carvalhiças.

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, na periferia de Melgaço, integração harmónica em morro destacado sobranceiro ao vale do Rio Minho, próximo do Convento das Carvalhiças (v. PT011603180044), com adro murado, arrelvado e pontuado por ciprestes, tendo acesso por escadaria pétrea de 9 lanços.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Religiosa: capela

Propriedade

Privada: Igreja Católica

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

MESTRE: Domingos Marques (1733).

Cronologia

1703 - ida do capitão Domingos Gomes de Abreu, Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo e familiar do Santo Ofício na vila de Melgaço, ao Reino de Galiza, sob ordem do Conde de Atalaia, para tratar de certo assunto real; disso resultou ser preso pelo governador de Vigo na sua casa, depois durante 5 dias nas minas do Castelo de Castro, depois na Corunha, no Castelo de Santo António e posteriormente no Cárcere Real; em aflição invocou Nossa Senhora da Pastoriza, prometendo-lhe fazer uma capelinha se regressa-se a Portugal; 1707 - data do requerimento do Capitão Domingos Gomes de Abreu a D. Rodrigo de Moura Teles, Arcebispo de Braga, então em visita pastoral à vila de Melgaço, pedindo licença para construir à sua custa uma capela à Senhora da Pastoriza no Coto da Pedreira, lugar onde apenas existia uma cruz, e nela colocar os ornatos necessários e nomear-lhe bens livres no valor de dois mil cruzados; informa já ter a pedra disposta para a obra; 6 Junho - data do despacho de D. Rodrigo autorizando a construção da capela, que foi adiada devido à Guerra da Sucessão; 1713, 21 Janeiro - deferimento do requerimento de Domingos Gomes de Abreu à Câmara Municipal para construir a capela no Coto da Pedreira, local que era baldio da Câmara; 1723, 23 Julho - o pároco de Rouças informou o Arcebispo de Braga sobre a situação da capela, dizendo que das paredes exteriores, lhe faltava apenas um "outão" e parte de um "costão" para rebocar e caiar, mas já tinha no interior a cal para o fazer; por dentro estava caiada, forrada de novo, com um bom retábulo, ao moderno, e no presbitério tinha algumas imagens, cujos nichos e peanhas estavam no retábulo, e essas sem pintar, nem estofar, acabadas há cinco meses, estando à espera que a madeira secasse; no nicho tinha a imagem do orago, muito bem estofada; o altar tinha um frontal entalhado, pedra de ara, Evangelho de São João, sacras e lavabo, tudo entalhado, missal novo, etc.; 1725, 19 Março - Domingos Gomes de Abreu, Cavaleiro professo da Ordem de Cristo, e sua esposa D. Isabel de Faria, lavraram a escritura da fábrica da Capela; para a fábrica e conservação da mesma, hipotecaram e doaram para sempre a sua Quinta do Louridal, situada nos arredores da vila, que constava de vinha, campos e lameiros e souto, vedado, sem toro nem pensão; hipotecavam a vinha da Pigarrinha, a sua horta chamada de Marrocos, a metade de suas casas de morada na vila de Melgaço, em frente da Misericórdia; na escritura do património da capela, os fundadores prometeram nomear oportunamente a sucessão; Frei Domingos fê-lo na escritura antenupcial do filho primogénito Lourenço José e da noiva, D. Catarina Peres Barbosa de Lima Távora, doando ao noivo o terço de todos os bens e a propriedade do ofício de Meirinho Geral da vila de Monção e dotando-o com os bens do vínculo do Louridal; em contrapartida, impôs o encargo de anualmente mandarem dizer na capela missa cantada no dia de Nossa Senhora dos Prazeres; após a morte de Frei Domingos, Lourenço José e sua irmã não se entenderam nas partilhas, sentindo-se a irmã prejudicada; na escritura apresentado na Mitra Bracarense, o Procurador-geral anotou, como velada censura, o esfriamento do seu zelo, devido à construção da capela estar muito atrasada; 8 Agosto - despacho de Bernardo da Rocha, escrivão da Câmara Eclesiástica e administração de Valença, autorizando a construção da capela; 1727 - requerimento de Frei Domingos de Abreu pedindo licença para se benzer a capela, visto estar acabada, de pedras e madeiras e forrada e rebocada, com retábulo de talha, feito ao moderno, com todos os paramentos necessários para se poder dizer missa e com imagem da Senhora no altar; no retábulo-mor, Frei Domingos Gomes de Abreu colocou no lugar de honra a imagem de Nossa Senhora da Pastoriza e nas mísulas laterais santos da sua devoção: no lado do Evangelho São Bernardo e Santa Rosa e no da Epístola São Lourenço e São Domingos; 31 Julho - provisão de D. Rodrigo de Moura Telles, autorizando a bênção da capela para que posteriormente nela se celebrassem ofícios divinos; 17 Agosto - celebração da primeira missa na capela pelo abade de Rouças; 1731, 4 Março - data da carta do Dr. Agostinho Marques do Couto, cónego prebendado da Santa Sé, informando que o Papa Bento XIII concedera indulgências a todos os fiéis que, confessados e sacramentados, visitassem a capela e seus altares; 1733 - a caixa de esmolas que existia na capela foi mandada fazer pelo padre Manuel da Ribeira, abade da vila, tendo sido feita por Domingos Marques, de Galvão, por meia moeda de ouro; 1758, 24 Maio - referida nas Memórias Paroquiais pelo padre Bento Lourenço de Nogueira como sendo particular; 1778, 12 Fevereiro - alvará de D. Maria I nomeando como 3º administrador da Capela Francisco Xavier Gomes de Abreu, filho e herdeiro de Lourenço, tendo sido nomeado proprietário da vara de Meirinho-mor de Monção; foi 4º administrador da capela seu filho António Xavier Marinho Gomes de Abreu, Fidalgo cavaleiro da Casa Real; 1815 - data do casamento de António com D. Joaquina Barbosa da Silveira e Brito e Melo Pacheco; 1816, 22 Março - nascimento do 5º administrador da capela, Francisco Xavier Marinho Gomes de Abreu, filho e herdeiro do 4º administrador; 1832, 31 Março - na sequência da petição de Francisco Xavier e sua mãe, D. Miguel declara abolida a capela e sua pensão, e livres e elodiais os bens a ela sujeitos; dá-se assim a abolição do vínculo formado pelo fundador da capela da Pastoriza; 1853 - casamento de Francisco Xavier M. G. de Abreu com D. Catarina Bernardina de Sena Cardoso Pinto de Morais Sarmento; anos depois - puseram as terras do Louridal em leilão e combinaram com António Máximo Gomes de Abreu venderem-lhe todos os prédios, recebendo de imediato 300$000 como princípio do pagamento; o comprador morreu, contudo, sem ultimar o negócio e os seus herdeiros desinteressaram-se da compra; 30 Dezembro - nascimento do filho e herdeiro do último administrador, que foi senhor da Casa de Reguengo, em Jolda, Arcos de Valdevez, e possuidor da Capela de Pastoriza; 1860, 20 Abril - venda de todos os prédios a Carlos João Ribeiro Lima, por 420$000, mas como fizeram depositar a importância recebida de António Máximo Gomes de Abreu para reverter para os seus herdeiros, receberam apenas 120$000; no poder de Francisco Xavier Marinho Gomes de Abreu, só ficou a capela de Pastoriza; 1884 - em virtude de um grande milagre que a Virgem da Pastoriza lhe fizera, Libório José da Cunha mandou forrar e pintar a capela e reedificar o adro; 1893, 2 Julho - arrematação da capela em hasta pública pelo Dr. António Joaquim Durães, por 205$000; 1896, 18 Janeiro - ofício da Administração do concelho informando que a capela foi vendida em hasta pública pelo bacharel António Joaquim Durães, na vila; todos os sábados, o padre Caetano Fernandes, pároco da freguesia, ali celebrava missa.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em cantaria, com paramentos rebocados e pintados com vãos e cunhais em cantaria, cobertura em madeira telhada, cobertura interior em madeira, coro-alto em madeira, retábulo em madeira, porta de madeira, pavimentos em lajes graníticas e cimentado, janelas gradeadas e envidraçadas.

Bibliografia

ESTEVES, Augusto César, Obras completas nas páginas do Notícias de Melgaço, vol. 1, tomo 2, Melgaço, 2003, p.p. 438-453.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

IAN/TT: Dicionário Geográfico de Portugal, vol. 23, nº 121, pp. 765-770

Intervenção Realizada

Comissão Fabriqueira: 1990, início da década - reparação da cobertura exterior; 1999 - reparação dos paramentos e do pavimento.

Observações

*1 - A cartela apresenta uma inscrição, em duas regras, muito erosionada.

Autor e Data

Paulo Amaral 2000 / Paula Noé 2008

Actualização

Paula Figueiredo 2001
 
 
 
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