Igreja Paroquial de São Vicente / Igreja de São Vicente

IPA.00009376
Portugal, Guarda, Guarda, Guarda
 
Igreja paroquial bastante elaborada, com uma pujança decorativa que se perde na estreita via pública em que se implanta, possuindo uma uniformidade de estilo, o rococó, revelando a sua concepção unitária e de raiz, alvo do mecenato de um bispo local, que colocou as suas pedras de armas na fachada principal e sobre o arco triunfal. É de planta retangular, composta por nave, capela-mor mais estreita, tendo sineiras e uma sacristia e capela mortuária adossadas à fachada lateral direita, com coberturas interiores diferenciadas em falsas abóbadas de berço abatido de madeira pintada, assentes em cornija, iluminada uniformemente por janelas em arco abatido rasgadas nas fachadas laterais. Fachadas percorridas por embasamento, com cunhais apilastrados, sobrepujados por fogaréus, rematadas por friso e cornija, as laterais rasgadas por portas travessas em arco abatido. Fachada principal do tipo harmónico, flanqueada por duas torres sineiras levemente recuadas, de três registos, o superior rasgado por ventanas em arco de volta perfeita, tendo coberturas em coruchéu galbado; o corpo central remata em empena contracurva, com friso e fragmentos de frontão, com os vãos rasgados em eixo, composto por portal do tipo convexo, flanqueado por pilastras em diagonal, profusamente ornado por elementos fitomórficos e onde se destaca uma cornija contracurva, de inspiração borromínica; o remate é elaborado, recortado e pontuado por fragmentos de frontão. e com pequeno espaldar que se liga à moldura do janelão do coro-alto, com o mesmo perfil. Interior com coro-alto sustentado por arco em asa de cesto e por pilastras toscanas, com acesso a partir das torres, surgindo na base da do lado da Epístola, o baptistério, com acesso por arco abatido, com abóbada de berço e contendo pia em cantaria, do tipo hemisférico. Destaca-se a decoração azulejar, com as figuras centrais a azul e branco, rodeado por amplas molduras recortadas e com pilastras galbadas, policromas; o tratamento das figuras é desigual, revelando a intervenção de uma oficina, com vários graus de aptidões. No lado do Evangelho, o púlpito quadrangular, de talha, com guarda galbada e baldaquino com o mesmo tipo de perfil, de produção rococó, ladeado por confessionários embutidos no muro. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, ladeado por retábulos colaterais dispostos em ângulo e de talha dourada e pintada do estilo rococó, o mesmo que surge no mor, este de planta convexa. Foram executadas por uma mesma oficina, onde se destacam as colunas marmoreadas com os fustes lisos, amplamente decorados por motivos fitomórficos, os fragmentos de frontão com anjos de vulto, reminiscências joaninas, e os espaldares ornados por elementos vegetalistas e por resplendores com glórias de querubins. Possui, ao nível de planta, estrutural e decorativo, influências da Igreja da Misericórdia da Guarda (v. PT020907420017).
Número IPA Antigo: PT020907410021
 
Registo visualizado 714 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta retangular, composta por nave, capela-mor, com duas torres sineiras junto à fachada principal e sacristia e casa mortuária adossados à fachada lateral direita, de volumes articulados e coberturas diferenciadas em telhados de duas águas e de uma, na sacristia. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento de cantaria, flanqueadas por cunhais apilastrados, sobrepujados por fogaréus, e rematadas em friso, cornija e beirada simples. Fachada principal voltada. a E., rematada em empena recortada, com vários fragmentos de cornija e com cruz latina no vértice; é rasgada por portal em arco abatido, com moldura de cantaria, flanqueado por duas pilastras de fuste liso e almofadado e capitéis de inspiração coríntia, dispostas em ângulo, dando origem a um portal côncavo; as pilastras suportam dois fragmentos de frontão que centram espaldar curvo, ornado por motivos fitomórficos, contendo uma consola e rematando em cornija contracurva, de inspiração borromínica; sobre esta, surgem duas pequenas mísulas, de onde arranca o janelão do coro-alto, em arco abatido e moldura simples, com brincos fitomórficos, rematada por alto friso e cornija, interrompidos por volutas que centram as armas do bispo que reconstruiu o imóvel no séc. 18, D. Jerónimo Rogado Carvalhal e Silva. Ligeiramente recuadas, duas torres sineiras gémeas, de três registos divididos por cornijas, o inferior rasgado pro pequena fresta, que ilumina a escada de acesso à mesma, sendo o segundo cego e o terceiro rasgado pelas ventanas em arcos de volta perfeita, com pedras de fecho e assentes em impostas salientes; o conjunto remata em friso e cornija, com cobertura em coruchéu bolboso, tendo, nos ângulos, urnas sobre plintos paralelepipédicos; na torre S., surge, no segundo registo, um relógio circular. Fachada lateral esquerda virada a S., rasgada por porta travessa em arco abatido, no corpo da nave, e por dois janelões com o mesmo perfil, um no corpo da nave e outro no da capela-mor; todos têm molduras de cantaria simples, com pequeno friso no remate. Fachada lateral direita virada a N., rasgada, na nave, por porta travessa e janela semelhantes às da fachada oposta. À capela-mor, adossa-se a sacristia, possuindo janela em arco abatido, surgindo, no corpo da capela mortuária, uma porta de verga recta e moldura recortada e uma janela em capialço, na face virada a O.. Fachada posterior parcialmente adossada, sendo visível a empena cega, com cruz latina no vértice. INTERIOR rebocado e pintado de branco, percorrido por azulejo historiado de temática Mariana e Cristológica, com pavimento em lajeado de cantaria e coberturas em falsas abóbadas de berço abatido, de madeira pintada de azul, assente em cornija do mesmo material pintada de castanho. Coro-alto em asa de cesto, assente em pilastras toscanas, com guarda de madeira, formando falsos balaústres, tendo acesso através das sineiras. O portal axial encontra-se protegido por guarda vento de madeira e vidro, ladeado por duas pias de água benta hemisféricas e executadas em cantaria. Na base da torre N., surge o baptistério, com acesso por arco de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, com as paredes forradas a azulejo figurativo, pavimento em lajeado de granito e cobertura em abóbada de berço. Ao centro, a pia baptismal em cantaria de granito, hemisférica e assente em pequena coluna. As portas travessas estão ladeadas por pias de água benta concheadas e, sob as janelas, surgem confessionários embutidos na parede, com molduras e portadas de madeira. No lado do Evangelho, o púlpito quadrangular, de talha dourada e policroma, assente em consola, com guarda galbada, com marmoreados fingidos e centro ornado por cartela assimétrica; tem acesso por porta em arco abatido, envolvida por moldura de talha dourada, que se liga ao baldaquino, de perfil galbado, decorado por acantos e encimado pela figura de São Miguel, já sem atributos. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, encimado pela pedra de armas do Fundador, flanqueado por duas estruturas retabulares dispostas em ângulo, dedicadas a São Vicente e à Virgem. Capela-mor elevada por um degrau, com paredes, cobertura e pavimento semelhantes aos da nave, surgindo sobre supedâneo de três degraus o retábulo-mor de talha dourada e policroma, formando marmoreados fingidos, de planta convexa e um eixo definido por quatro colunas de fuste liso, com o terço marcado e profusamente ornada por elementos fitomórficos, de capitéis coríntios e assentes em consolas, e por duas pilastras, flanqueadas por orelhas, assentes em duas ordens de plintos paralelepipédicos, ornados por falsos almofadados. Ao centro, tribuna lobulada, com moldura de talha dourada, tendo, no interior, trono expositivo de cinco degraus facetados, sobrepujado por baldaquino e, na base, sacrário embutido. Remata em fragmentos de frontão, encimados por anjos de vulto, que centram pequeno espaldar, com cornija contracurva, de inspiração borromínica, encimada por resplendor e por elementos fitomórficos vazados. Altar em forma de urna, ornado por cartela de talha.

Acessos

Largo de São Vicente

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 28/82, DR, 1ª série, nº 47 de 26 fevereiro 1982

Enquadramento

Urbano, com a fachada posterior adossada a construção incaracterística, implantado num pequeno largo homónimo, na confluência da Rua de São Vicente, que se liga à Porta d'El Rei, com a antiga Rua Direita. Nas imediações, situam-se vários edifícios contemporâneos ou mais antigos com interesse patrimonial, destacando-se o Prédio no Largo de São Vicente, n.º 1 a 2 (v. PT020907410013).

Descrição Complementar

Na nave e capela-mor, existem painéis de azulejo figurativo, com as cenas em monocromia, azul sobre fundo branco, rodeadas por molduras policromas, formando rodapé contracurvo e flanqueadas por pilastras galbadas, rematadas por profusa decoração fitomórfica recortada. Na parede fundeira, surgem dois painéis a ladear o portal axial, a representar, no lado do Evangelho, a "Apresentação da Virgem no templo", surgindo, no oposto, "Santa Ana e a Virgem". No lado do Evangelho, surgem os "Esponsais da Virgem", a "Anunciação" e a "Adoração dos Magos"; junto ao púlpito, um painel com simbologia Mariana, ostentando a "Torre de David" e a "Civitae Dei" e, junto ao retábulo colateral, uma "Visitação". No lado da Epístola, a "Adoração dos Magos". Na capela-mor, surge, no lado do Evangelho, uma porta fingida em azulejo, servindo de contraponto à que dá acesso à sacristia, e quatro painéis representando todos os atributos da Paixão de Cristo. O Baptistério possui na parede de fundo, o mesmo tipo de azulejo, a representar o "Baptismo de Cristo", surgindo, nas paredes laterais, Santos em oração. No lado do Evangelho, uma lápide com a inscrição: "IN HOC BAPTISTERIOR NOMEN ACCEPIT HIERONÂMVS EPISCOPUS EGITANIENSIS, CVIVS OPERA ECCLESIA ISTA AFVNDAMENTIS REEDIFICATA FVIT ANNOMDCCLXXXX"; no lado oposto, um armário embutido, destinado às alfaias. Os retábulos colaterais são semelhantes, de talha dourada e policroma, com marmoreados fingidos, de plantas rectas e um eixo definido por duas colunas de fuste liso, com o terço inferior marcado, ornado por elementos fitomórficos, de capitéis coríntios e assentes em consolas; ao centro, nichos lobulados, com molduras, possuindo plintos paralelepipédico, onde assentam as imagens dos oragos. Rematam em fragmentos de frontão, encimados por anjos de vulto, de onde partem duas pequenas pilastras que flanqueiam os espaldares recortados e decorados por dois resplendores, com glórias de querubins. Os altares são em forma de urna, ladeados por pilastras volutadas, ornados por cartelas de acantos.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese da Guarda)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: António Fernandes Rodrigues (1790, atr.) *2. PINTOR DE AZULEJO: Sousa Carvalho.

Cronologia

1260, 16 julho - no documento que divide as paróquias entre o bispado da Guarda e o Cabido da Egitânea, a igreja surge como pertencendo ao Bispado; 1320, 23 maio - bula do Papa João XXII concedendo a D. Dinis, por três anos, para subsídio de guerra contra os mouros, a décima de todas as rendas eclesiásticas do reino, sendo a igreja taxada em 30 libras; pertence ao termo e bispado da Guarda; 1758, 1 Junho - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo prior da cidade; é referido que a igreja tem três altares, o mor, dedicado a São Vicente, com Irmandade, o de São Francisco Xavier e o de São Sebastião; o prior é de colação ordinária; 1790 - reconstrução iniciada ou concluída pelo Bispo D. Jerónimo Rogado Carvalhal e Silva, Ministro do Santo Ofício, que a dotou de casa de residência, anexa ao alçado posterior, e hoje de propriedade particular, conforme risco da autoria de António Fernandes Rodrigues; execução dos azulejos pelo pintor de Coimbra, Sousa Carvalho; 1834 - na Estatística Paroquial surge referido que a paróquia da Sé, de Nossa Senhora da Assunção, era um priorado apresentado pelo bispo local; 1988 - colocação do relógio no pano murário da torre S; 1989 - pedido à Câmara Municipal para picagem dos rebocos e colocação de tijoleira na sacristia e casa mortuária, o qual foi indeferido; 2006, Maio - projecto de restauro dos azulejos da igreja e candidatura a fundos para financiar o mesmo, pelo programa POLIS da Guarda.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Estrutura em alvenaria e cantaria de granito, rebocada e pintada; cunhais, pináculos, modinaturas, portais, pavimentos, pias de água benta e baptismal em cantaria de granito; guarda do coro-alto, púlpito, retábulos, coberturas, portas e confessionários em madeira; silhares de azulejo tradicional; janelas com vidro simples; coberturas com telha de meia-cana.

Bibliografia

DIONÍSIO, Sant'Ana, Guia de Portugal, Lisboa, 1924; OLIVEIRA, Carlos, Apontamentos para uma Monografia da Guarda, Guarda, 1940; ALMEIDA, José António Ferreira de, dir., Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1980; RODRIGUES, Adriano Vasco, Monografia Artística da Guarda, 1980; GOMES, J. Pinharanda, História da Diocese da Guarda, Braga, Editora Pax, 1981; GOMES, Rita Costa, A Guarda Medieval, 1200 - 1500, Lisboa, 1987; Azulejos na Igreja de São Vicente da Guarda, Restauro suportado por fundação nacional, in Notícias da Manhã, 01 Setembro 2006; Fundação poderá salvar azulejos do século XVIII, in Jornal de Notícias - Centro, 01 Setembro 2006; Igreja de São Vicente da Guarda - Fundação nacional poderá apoair recuperação de azulejos do século XVIII, in Diário Regional de Viseu, 01 Setembro 2006.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA, DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

DGARQ/TT: Dicionário Geográfico (vol. 18, n.º 117, fls. 631 a 650)

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: l989 / l990 - limpeza e restauro dos retábulos em talha dourada *3.

Observações

*1 - DOF: Igreja de São Vicente, na Guarda. *2 - risco atribuído a António Fernandes Rodrigues, falecido em 1804, que estudou em Itália e que Pina Manique nomeou como professor da Aula de Desenho fundada em 1718 ( C. Oliveira ). *3 - executado por empresa particular, sendo os técnicos formados pelo Instituto José de Figueiredo.

Autor e Data

Margarida Conceição 1991 / Paula Figueiredo 2008

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login