Palácio dos Cabedos / Palácio dos Quevedos

IPA.00009340
Portugal, Setúbal, Setúbal, União das freguesias de Setúbal (São Julião, Nossa Senhora da Anunciada e Santa Maria da Graça)
 
Casa maneirista e barroca, maneirista pelo formulário tendencialmente uniformizado, de prospecto arquitectónico singelo, com frontispício de monumentalidade austera e fria. Preocupação com o modelar exterior, demonstrado na série de varandas de sacada abertas na fachada principal do piso primitivo, acentuando a relação entre o edifício e a rua com grande sobriedade.
Número IPA Antigo: PT031512020059
 
Registo visualizado 3213 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa    

Descrição

Planta composta por corpos quadrangulares, irregulares e saguão. Volumes articulados com disposição das massas na horizontal. Cobertura diferenciada em telhados de duas e quatro águas. Fachada principal voltada a E., de 3 e 2 pisos, sendo que um corresponde à cave, com dois panos enquadrados lateralmente por molduras simples. O pano da esquerda apresenta no piso inferior, duas portas de acesso e três janelas de sacada com bandeiras e resguardo em ferraria, assentes no friso separador da cave, todas molduradas a cantaria sobrepostas por friso e cornija rectilínea; no piso superior, abrem-se três janela de peitoril e duas de sacada, com bandeiras e molduras simples; é delimitado superiormente por cornija saliente e platibanda com decoração relevada. O pano da direita, mais baixo, é rasgado por duas janelas de sacada semelhantes ás anteriores, destacando-se uma com frontão curvo; o remate superior é em cornija e beiral. A N. fachadas cegas, com remate em empena angular no corpo principal e em empena rectilínea no corpo mais baixo. Fachada a O. de um pano enquadrado lateralmente por cunhais, e três pisos marcados pela abertura de três séries de vãos moldurados, divididos por frisos: piso inferior com uma porta e uma janela; 2º piso com duas janelas; 3º piso com duas janelas de sacada com resguardo em ferraria, sobrepostos por friso e cornija rectilíneos; o remate é em cornija de coroamento e beiral. Saguão quadrangular, apresentando 4 frentes com fenestrações, sendo que uma das frentes é formada por um corpo assente num arco em asa de cesto que faz a ligação, ao nível do 2º piso, à edificação que lhe está fronteira. INTERIOR de espaço diferenciado dividido em duas partes fisicamente independentes e determinadas pelas duas entradas diferenciadas: uma das portas dá acesso a várias salas distribuídas pelo rés-do-chão e pela cave a que se acede por lance de escadas de madeira; a outra porta dá cesso às divisões do piso superior, com acesso por lances de escada em madeira, de poço-aberto com guarda-corpo em ferro e corrimão em madeira; de entre diversas divisões do antigo palácio, destaque para a cozinha com lar de poial e para uma pequena lareira em antigo salão. Iluminação dada pelos vãos de janelas já descritos, pés-direitos de paredes lisas, caiadas e com alguns marmoreados. Soalhos de sobrado em madeira, coberturas de tectos planos em ripado estucado e em madeira.

Acessos

Praça de Quebedo *1, n.º 2 a 3; Avenida 5 de Outubro; Largo do Paço do Concelho

Protecção

Incluído na Zona Especial de Protecção da Igreja de Santa Maria da Graça (v.PT031512020013)

Enquadramento

Urbano. Em planície, situa-se no centro histórico da cidade, adossado a edifício de traçado arquitectónico semelhante, contíguo à Casa do Corpo Santo (v.PT031512020049) (antiga casa dos Cabedos), e integrados na antiga muralha medieval, com passeio público separador da rodovia, fronteiro a largo com pequeno jardim público ao centro, à linha férrea e ao antigo apeadeiro ferroviário do Quebedo da linha do Vale do Sado.

Descrição Complementar

"salientamos o facto do conjunto resultar de uma justaposição de dois corpos: um sensivelmente quadrangular, com vários pisos e tipologicamente enquadrável numa casa-torre do sul do país, possivelmente de finais de Quinhentos ou início de Seiscentos, e um outro, retangular, virado a nascente e encostado à muralha, inicialmente de um só piso, onde se procurou, dentro dos programas estéticos de Seiscentos, regularizar a fachada" (COUTINHO: 184).

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Política e administrativa: delegação regional

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 15 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

Séc. 14, início - instalação da família dos Cabedos em Setúbal, vinda de Oviedo (Espanha), na pessoa de D. Diogo Dias de Cabedo (de onde procedem os Cabedos que construíram o palácio), de origem francesa, filho de um morgado castelhano vindo para Portugal na comitiva do infante D. Pedro quando do regresso de uma das suas viagem ao estrangeiro; 1466, 12 de Dezembro - nomeação de D. Diogo para a corte daquele infante; séc. 15 - construção do Palácio dos Cabedos, de um só piso; casamento de D. Diogo Dias de Cabedo e nascimento de Jorge de Cabedo, fidalgo das casas de D. Pedro e D. Fernando, cujo filho mais velho Diogo de Cabedo foi também nomeado fidalgo das casas dos citados infantes; 1565 - a família Cabedo obtém licença de D. Sebastião para utilização exclusiva da capela-mor da Igreja de Santa Maria da Graça para sua sepultura do tipo "podridero" (SILVA, 1990); 1575, 13 fevereiro - Miguel de Cabedo é nomeado Vereador do Senado da Câmara de Lisboa por indicação do rei D. Sebastião; 1577, 21 agosto - o rei D. Sebastião ordena à Câmara de Lisboa que atribua uma pensão de cereais à família de Miguel de Cabedo, vereador no Senado da cidade; 1613 - escritura de transferência de foro de Tristão Vieira de Castro atribuído pela confraria de Nossa Senhora da Anunciada a Diogo de Cabedo, era um conjunto de casas, algumas confrontavam propriedades de Miguel de Cabedo, outro membro da família; 1695 - Luís de Cabedo manda construir uma capela dedicada a Santa Ana na Igreja de Santa Maria da Graça; 1700 - construção da cripta familiar na Igreja de Santa Maria da Graça por parte de Jorge de Cabedo de Vasconcelos e Cunha (1662-1730). No documento da encomenda faz-se referência a que seja realizado na "forma do risco de João Antunes"; 1850 - inventário post-morten de José Bruno de Quebedo dá conta da riqueza na casa; 1889, 15 junho - Jorge Cabedo de Vasconcelos e Teresa de Sande Castro arrendam o palácio a Gustavo Adolfi Ahrens Herlitz e Ana Carolina Ahrens Correia; 1895, 11 de julho - inventário port-morten de Jorge Cabedo de Vasconcelos, barão de Zambujal dá conta igualmente da riqueza da casa, tendo sido após esta data a degradação da casa. "nessa data era constituída pelo palácio "sito no largo do Poço do Concelho" com os números de polícia 1,2,3,4,10,1112,13 e 14 para o dito Largo, com o número 1 para a Rua da Conceição (atual avenida 5 de Outubro), com o número 88 para a Praça do Quebedo e o número 6 para a Travessa do Corpo Santo. Na mesma explicação, é-nos ainda dado conta que o edifício principal era composto por rés-do-chão, primeiro e segundo andares, jardim, pátio, cavalariça, armazéns e outras arrecadações" (COUTINHO: 182-183), - parte do palácio é aforado a Joaquina Rita Paradela e a Cristiano Gerardo; 1949 - realização de obras, o proprietário é José Francisco Coelho; 1952, 14 de Julho - celebração de contrato de arrendamento do rés-do-chão e cave do Palácio de Quebedo entre o industrial Setubalense Joaquim Pedro Madeira, como proprietário do imóvel, e o Estado, a favor deste, para instalação nele da delegação do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência no distrito de Setúbal, ou quaisquer outros serviços do Ministério da Corporações e Previdência Social; essa parte do imóvel é acrescentada de um piso, rasgando-se duas portas para Palhais, "uma delas regularizou a fachada no local onde fora rasgada para a Porta de S. Jorge (na muralha); 2000, 19 de Setembro - aquisição do Palácio, por compra, a favor da Direcção - Geral do Património; séc. 20, data indeterminada - a Câmara Municipal de Setúbal adquiriu azulejos que ornamentaram o interior do palácio (ENVIA, 2000).

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Pedra e cal, madeira, tijolo, ferro, vidro, telhas cerâmicas.

Bibliografia

PINHO LEAL, Augusto Soares de Azevedo Barbosa, Portugal Antigo e Moderno, vol. IX, Lisboa, 1880; PERES, Domingos Garcia, Catálogo razonado, biográfico e bibliográfico de los autores que escribieram em castellano, 1890; SOARES, Joaquina, SILVA, Carlos Tavares, As muralhas Medievais de Setúbal, Setúbal, 1982; SILVA; José Custódio Vieira da, Setúbal, Setúbal, 1990; ENVIA, João Francisco, in O Distrito de Setúbal, 15 de Outubro de 1991; IDEM, Ibidem, 7 de Janeiro de 1992; IDEM, Ibidem, 23 de Novembro de 1992; Roteiro Cultural da Cidade de Setúbal - Setúbal Cultural, Setúbal, 1994; ENVIA, João Francisco, in O Distrito de Setúbal, 14 de Novembro de 1995; DRUMOND, Paulo, Setúbal Medieval, Setúbal, 1998; ENVIA, João Francisco, in O Distrito de Setúbal, 31 de Novembro de 1999; LOPES, José M. Madureira, Setúbal à la Minute, Setúbal; COUTINHO, Maria João Pereira, Os palácios dos barões e viscondes do Zambujal em Setúbal e Lisboa, Caderno do Arquivo Municipal, CML, 2.ª Série, n. º5 janeiro junho 2016.

Documentação Gráfica

DGEMN: DSID; IDICT

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID; IDICT

Documentação Administrativa

DGEMN: DSID; IDICT; Conservatória do Registo Predial de Setúbal

Intervenção Realizada

Observações

*1 Quevedo, Quebedo e Cabedo ou Cabêdo reportam-se ao mesmo apelido nas diferentes grafias em que se apresentou no decorrer dos tempos. *2 Antigo Largo de Palhais e ainda mais antiga Praça de São Bento (mercado e feira de gado).

Autor e Data

Albertina Belo 2001

Actualização

Josina Almeida 2026
 
 
 
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