Igreja Paroquial de Caria / Igreja de Nossa Senhora da Conceição

IPA.00009320
Portugal, Castelo Branco, Belmonte, Caria
 
Igreja paroquial maneirista e barroca, construída no séc. 16, reconstruída no séc. 18, mas mantendo a estrutura primitiva. É de planta retangular, de três nave de quatro tramos, divididos por pilares toscanos, diferentes das usuais colunas, e capela-mor mais estreita, apenas visível no interior, seguindo a tipologia típica da região, com cobertura exterior homogénea e interiormente diferenciada, em falsas abóbadas de berço, abatido na capela-mor e em caixotões; sacristias adossadas à capela-mor e torre sineira no alçado lateral direito, de estrutura quinhentista. Fachada principal muito larga, em empena, com vãos rasgados em eixo composto por portal em arco pleno, ladeado por pilastras molduradas, e óculo quadrilobado. Fachadas circunscritas por cunhais apilastrados e remates em friso e cornija, os laterais rasgados por janelas em capialço, provavelmente seiscentistas, e, no direito, porta travessa. Interior com os espaços divididos por pilares toscanos e decoração essencialmente barroca, com coberturas em falsas abóbadas de berço de madeira. Está revestido por silhares de azulejo em ponta de diamante, mas executados no séc. 19 / 20, destacando-se a decoração da capela-mor, com caixotões pintados com símbolos marianos, motivo que também surge no vitral oitocentista do janelão do coro. Baptistério na base da torre. O retábulo-mor é amplo, denotando a transição do barroco nacional para o joanino, com as típicas colunas torsas e o ático formado por arquivoltas, mas com ampla tribuna, em cuja base surge sacrário convexo, ganhando grande expressão no conjunto da estrutura. De destacar, no baptistério, nicho com dupla ordem de pilastras, solução que também surge no lavabo e oratório da sacristia, os três talvez seiscentistas. As duas sacristias, uma da paróquia e outra da Irmandade do Santíssimo, possuem coberturas em caixotões pintados no séc. 19, a primeira com um Apostolado e a segunda com simbologia do martírio de Cristo. As pias de águia benta, quer a do portal axial, quer a da porta travessa, surgem vazadas nos fustes dos pilares mais próximos, a primeira semicircular e com bordo boleado e a segunda tronco-cónica e gomeada. Possui duas sepulturas com pedras de armas, em bom estado de conservação, uma setecentista e outra do séc. 19.
Número IPA Antigo: PT020501020013
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta retangular composta, com três naves de quatro tramos, capela-mor, torre sineira e duas sacristias de planta quadrangular adossadas à cabeceira. Massas dispostas horizontalmente e volumes articulados, com cobertura homogénea a duas águas, que se prolongam em aba corrida sobre as sacristias. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, excepto a principal e o volume da capela-mor em granito aparente, de aparelho isódomo, com embasamentos de cantaria, cunhais apilastrados, ostentando pináculos, e remates em friso, cornija e beiral. Fachada principal voltada a O., rasgada por portal em arco de volta perfeita, flanqueado por pilastras toscanas almofadadas, rematado por entablamento, encimados por pináculos embebidos no muro; sobre o portal, óculo quadrilobado encimado por cornija contracurvada. Remate em empena com cruz latina no vértice, assente em plinto galbado. No lado direito, torre sineira adossada e ligeiramente mais recuada, com dois registos definidos por friso e cornija, o primeiro rasgado por dois óculos quadrilobados em cada face e, superiormente, sineiras de volta perfeita, sendo o remate em friso e cornija e com gárgulas de canhão nos ângulos; cobertura em coruchéu piramidal, rebocado e pintado de branco. Fachada lateral da torre com registos de azulejos com o "Baptismo de Cristo" e, em cada uma das faces, ergue-se, sobre o remate, um relógio. Fachada lateral esquerda virada a N., rasgada, no corpo da nave, por duas janelas em capialço com molduras simples em cantaria, surgindo, no volume da sacristia, porta de verga recta e janela. No volume da capela-mor, a data "1701". Fachada lateral direita, voltada a S., com porta de verga recta e duas janelas em capialço no corpo da nave; escada de acesso à torre com voluta no arranque da guarda, que acede a porta protegida por alpendre. No volume da sacristia surge uma janela e outra na capela-mor, ambas em capialço. Fachada posterior em empena cega. INTERIOR com as naves quase à mesma altura, de quatro tramos, separadas por arcos plenos, sustentados por pilares toscanos, rebocado e pintado de branco, sendo percorrido por azulejos em ponte de diamante, formando silhares; Pavimento em tacos de madeira encerados e coberturas em falsas abóbadas de berço de madeira, com tirantes metálicos na central. À entrada, no espaço protegido pelo guarda-vento de madeira, sepulturas com inscrições e pedras de armas *1. Coro-alto de madeira assente nos pilares divisórios das naves, com guarda de madeira torneada e com acesso por porta de verga recta no lado da Epístola; é iluminado por janela em arco abatido com vitral a representar o orago; um dos pilares que sustentam o coro possui pia de água benta vazada no fuste, de forma semicircular e com bordo boleado; sob o coro e no lado da Epístola, um confessionário de madeira e, rasgado na base da torre, o baptistério com acesso por arco de volta perfeita em cantaria, assente em pilastras toscanas, protegido por portada de madeira de duas folhas e encimado por cruz; o espaço é rebocado e pintado de branco, igualmente percorrido por silhar de azulejos do tipo ponta de diamante e cobertura em falsa abóbada de berço, também rebocada e pintada de branco, surgindo, ao centro, pia baptismal com base em coluna com toros e escócias e pia poligonal decorada por elementos geométricos; no interior, nicho semicircular, envolvido por duas ordens de pilastras e com os registos divididos por friso saliente, o inferior com espaço protegido por grade metálica e o superior com cartela e a inscrição "ORA IES", tudo rematado por cornija; surge, ainda, painel a representar o "Baptismo de Cristo". No lado do Evangelho, adossado a um dos pilares da nave, púlpito quadrangular assente em coluna coríntia e bacia de cantaria, possuindo guarda de talha pintada de azul e dourada, decorada com elementos fitomórficos e querubins nos ângulos. No pilar junto à porta travessa, pia de água benta vazada no fuste, de forma tronco-cónica e gomeada. Retábulos colaterais em talha dourada e policromada de azul, dedicados ao Sagrado Coração de Jesus (Evangelho) e ao Crucificado (Epístola). Arco triunfal de volta perfeita acede, através de dois degraus, à capela-mor percorrida por silhar de azulejos semelhante ao da nave, tendo pavimento em lajeado de granito, forrado a alcatifa vermelha, e cobertura em falsa abóbada de berço de madeira com 36 caixotões pintados com atributos marianos envoltos por "ferronerie" e folhas estilizados. Sobre supedâneo de dois degraus, o retábulo-mor de talha dourada, de planta recta e três eixos divididos por colunas torsas, decoradas com pâmpanos, o central composto por ampla tribuna com cobertura em caixotões, contendo trono de quatro degraus e a imagem do orago; sob este, uma convexidade compõe o sacrário, com a porta ladeada por quatro colunas torsas; nos eixos laterais, com os fundos decorados por acantos, duas mísulas sustentam imaginária; sob estas, duas portas de vão em volta perfeita, de acesso à tribuna; as colunas centrais prolongam-se no ático, em arquivolta, decorada com grande profusão de acantos. Adossado, altar paralelepipédico em talha dourada, com duas colunas torsas laterais. No centro da capela-mor, ara de altar em cantaria, sobre pilar central. As ilhargas são rasgadas por portas simétricas de acesso às sacristias, ambas com tectos de madeira em caixotões, a do lado do Evangelho, representando um Apostolado e a oposta, da Irmandade do Santíssimo, com símbolos do martírio de Cristo. A primeira possui lavabo de cantaria, com espaldar composto por duas ordens de pilastras almofadadas, inferiormente com carranca, formando a bica, e, superiormente, concheado; remata em frontão interrompido por volutas e pinha. Surge, ainda, um oratório, em nicho de volta perfeita concheado, flanqueado por dupla ordem de pilastras almofadadas e remate em cornija, mais saliente sobre as pilastras.

Acessos

Rua da Igreja e Largo de Santo António

Protecção

Em vias de classificação (Homologado como IIP - Imóvel de Interesse Público, Despacho agosto 1990) *1

Enquadramento

Isolado, situado no centro de pequeno adro murado, com bancos corridos internamente, onde se situam algumas das cruzes que compunham a antiga Via Sacra, com as faces frontais lisas e as laterais decoradas. O cruzeiro da esquerda tem um círculo com folhas estilizadas, vários símbolos do martírio de Cristo, como o cálice e a lança. O plinto do cruzeiro da direita tem as iniciais IHS na face voltada para as escadas. Próxima, a Capela de Santo António (v. PT020501020014) e o cemitério, situado no lado esquerdo do adro, com porta de cantaria e a inscrição: "CMB 1949". No ângulo formado pela capela-mor e a sacristia, surge uma zona murada e gradeada, com árvores. Na zona posterior, capela mortuária e depósito da água. Junto, vestígios das muralhas primitivas (v. PT020501020007). No adro, as datas "2000" e "1719". Junto à fachada posterior a capela mortuária, de construção recente.

Descrição Complementar

Lápide na fachada principal com a inscrição: "VISITA / DA / IMAGEM PEREGRINA / DE / NOSSA SENHORA DE FÁTIMA / CARIA de 04 a 18-12-1988". No sub-coro, a inscrição "TRICENTENÁRIO DA IGREJA MATRIZ DE CARIA / 18 - NOVEMBRO - 2001 / SENDO PAPA JOÃO PAULO II / BISPO DA GUARDA: D. ANTÓNIO DOS SANTOS / PÁROCO DE CARIA: PADRE SARAIVA ANDRÉ / DUC IN ALTUM - N. M. I." Sepulturas junto ao portal axial com as inscrições: "AQUI JAZ / JOÃO TABORDA / DE MAGALHÃES / COSTA LEITÃO / NEGREIROS / FALECEU, TEN / DO 37 ANNOS / DE EDADE NO / DIA 20 DE / JULHO 1855"; "ALEXANDER / CAIETANUS DE / ARAGÃO MESQ. / HIC SEPULTUS JA / CET XII MAII / ANNO DONI / 1784". Sacristia com a inscrição: "O R.DO PRIOR ANTONIO DOS / REIS MANDOU PINTAR ESTA SACRISTIA EM 1807". Retábulos colaterais são semelhantes, de planta recta e um eixo flanqueado por duas pilastras com os fustes decorados por acantos enrolados e duas colunas torsas com decoração fitomórfica, que se prolongam em duas arquivoltas unidas no sentido do raio, o fecho central com pequeno anjo; no centro, nicho de volta perfeita com o fundo pintado de azul, a imitar brocados e, na base da tribuna, sacrário embutido com a porta decorada por cálice dourado e protegida por pequena sanefa com lambrequins; altar paralelepipédico, decorado com enrolamentos de acantos. A cobertura da capela-mor possui caixotões, a representar símbolos marianos, identificados pela respectiva legenda, surgindo, do lado do Evangelho para a Epístola e do arco triunfal para a o retábulo: inscrição "TALAN SPONSI", jardim cerrado, templo, pomba de Noé, navio, candelabro, cedro do libano, fonte, arca da Aliança, espelho, favos, aurora, oliveira, cedro, açucena, livro, "ARCUS DEI", sol, cedro, plátano, uva, "LAPIS ADIVE", coroa, lua, urna, poço, plátano, escada, lírio, estrela, "CASA DEI", porta, torre de David, Cidade de Deus, "DOMUS PROPIT", urbe. Na sacristia do Evangelho, possui nos caixotões: São Tiago Menor, São Judas Tadeu, São Simão Apóstolo, São Bartolomeu, São Mateus, São Tomé, São Tiago Maior, São João, São Filipe, São Paulo, São Pedro, Santo André. Na sacristia da Epístola, a representação dos símbolos de Cristo: escadas, archote e símbolo "J.N.R.J", galo, martelo e turquês, coroa de espinhos, Crucificado, Sudário de Verónica, cálice, cravos, dados, vestes de Cristo, coluna, cordas.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese da Guarda)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1320, 23 maio - bula do Papa João XXII concedendo a D. Dinis, por três anos, para subsídio de guerra contra os mouros, a décima de todas as rendas eclesiásticas do reino, sendo a parte do bispo taxada em 75 libras; integra o termo da Covilhã e o bispado da Guarda; 1359 - referência à igreja paroquial de Caria, tendo o orago de Nossa Senhora de Lavacolhos, com o rendimento de 75 libras e com apresentação do bispo da Guarda; séc. 16 - construção do imóvel; primitivo orago era Nossa Senhora de Lavacolhos; 1594 - primeiros registos de baptismo, casamento e óbito; séc. 17 - provável continuação das obras ou data em que se rasgaram novos vãos em capialço; séc. 18 - execução de um presépio; 1710 - reconstrução, segundo inscrição; 1719 - data no adro; 1758 - referidas nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo capelão Gervásio Pereira Campos, como tendo as irmandades do Santíssimo Sacramento, das Almas e Confraria de Nossa Senhora do Rosário; era curato da apresentação do bispo da Guarda, com 300$000 de rendimento, de que o prior recebia o terço e mais 8$000, doados no tempo do bispo D. Martim Afonso de Melo; possuía campanário, no lado S., de pedra antiga; tinha altar-mor com sacrário e, no trono, o orago de madeira estofada e coroa de prata, sendo a cobertura da capela-mor em caixotões com emblemas alusivos à Virgem; tinha dois retábulos colaterais, o da Epístola, da Irmandade das Almas, com a imagem do Crucificado e, pintados, a Virgem e São João Evangelista, surgindo, no lado do Evangelho, Nossa Senhora do Rosário com o Menino, ambos com coroas de prata; na nave, surgia o retábulo lateral do Menino Deus, assente em peanha e com resplendor de prata, ladeado pelas imagens de São José e São João de Deus; séc. 18, final - execução do púlpito; séc. 19 - relógios realizados em Braga; o pároco era da apresentação do bispo da Guarda e tinha 400$000 de côngrua; 1801 - decoração dos caixotões da sacristia da Irmandade do Santíssimo Sacramento; 1806 - execução do esquife para a capela funerária; 1807 - pintura da sacristia, por ordem do prior António José dos Reis, conforme inscrição na mesma; 1873 - pintura da Imaculada Conceição sobre o arco triunfal, revelando o novo orago do imóvel; execução de vitral, antigamente existia um varandim; 1882 - Caria passou a ser anexa a Santiago de Belmonte; 1949 - data na porta do cemitério; 1957 - colocação dos azulejos no interior e o vitral no local da antiga janela; 1958 - decoração dos caixotões da sacristia da Irmandade das Almas; 1988, Dezembro - visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima; 2000 - data no adro; colocação de mobiliário na igreja; 22 Outubro - inauguração da nova capela funerária; 1990, Agosto - Despacho de classificação do Conjunto arquitetónico formado por Casa da Torre, vestigios de fortificacoes e cisterna, existentes na cerca, Capela do Calvario, Igreja Paroquial e Solar Quevedo Pessanha.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Granito na estrutura, parcialmente rebocada, pilares, modinaturas, pináculos, gárgulas, sineira, pavimento da capela-mor, pia baptismal, pias de água benta, nichos, oratório, lavabo da sacristia; madeira nas coberturas, portas, portadas do baptistério, coro-alto, púlpito, retábulos, imaginária, pavimentos, confessionários, genuflexórios; telha nas coberturas; azulejo; vitral no janelão do cor; vidro simples nas janelas; ferro no nicho do baptistério.

Bibliografia

BIGOTTE, Padre José Quelhas, O Culto de Nossa Senhora na Diocese da Guarda, 1948; Inventário Colectivo dos Registos Paroquiais, vol. I, Lisboa, 1993; MARQUES, Manuel, Concelho de Belmonte - Memória e História, Belmonte, 2001; REIS, António dos, Vila de Caria, Covilhã, 1959.

Documentação Gráfica

IGESPAR: IPPAR

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; IGESPAR: IPPAR

Documentação Administrativa

IGESPAR: IPPAR

Intervenção Realizada

1958 - obras na sacristia da Irmandade das Almas; 1999 - isolamento da igreja e execução de novas coberturas exteriores; colocação da rosácea da igreja; 2000 - execução de uma capela mortuária.

Observações

*1 - DOF: Conjunto arquitetónico formado pela Casa da Torre, vestígios de fortificações e cisterna existentes na sua cerca, Capela do Calvário, Igreja Paroquial e Solar Quevedo Pessanha em Belmonte.

Autor e Data

Paula Figueiredo 2004

Actualização

 
 
 
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