Igreja Paroquial de Vila Nova da Baronia / Igreja de Nossa Senhora da Assunção

IPA.00000923
Portugal, Beja, Alvito, Vila Nova da Baronia
 
Igreja paroquial maneirista, de planta poligonal, grandes dimensões e acentuada verticalidade, fachada principal ladeada por torres sineiras prismáticas, com coruchéus piramidais, contrafortes pouco salientes nas fachadas laterais, nave única abobadada, dividida em 5 tramos por arcos torais, capela-mor e capelas laterais com abóbadas de canhão simples. Severidade e despojamento decorativo da fachada e do interior, apenas contrariada pela exuberância do revestimento azulejar. Retábulo-mor de estilo nacional; frontais de altar de azulejos polícromos, seiscentistas, de influência oriental, figurando ramagens e aves, semelhante aos da Igreja Matriz de Cuba (v. PT040207010005) e da Capela de Santa Ágata de Vila Nova da Baronia (v. PT040203020012). Os merlões prismáticos com remates piramidais coroando as torres sineiras e os botaréus das fachadas laterais constituem um interessante exemplo da permanência de elementos de carácter mudéjar integrados num edifício de estrutura chã. Extrema severidade da fachada principal acentuada pelo curioso conjunto das 3 portas de vão rectangular moldurado unificadas por uma mesma cornija rectilínea.
Número IPA Antigo: PT040203020010
 
Registo visualizado 1041 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta poligonal composta pelo grande rectângulo da nave (23,50 x 9,80 m) flanqueado por 2 torres e 2 capelas laterais, a que se justapõe o rectângulo menor da capela-mor (5,90 x 4,70 m) ladeado pela sacristia e pela Sala das Irmandades. Massas de acentuada verticalidade, articuladas, com coberturas diferenciadas em telhado de 1 e 2 águas sobre a igreja, em coruchéu piramidal sobre as torres. Fachada principal orientada, rasgada por 3 portas alinhadas de vão rectangular adintelado unidas por uma mesma cornija de mármore branco e por óculo redondo sob a empena; empena triangular rematada por cornija, com cruz sobre acrotério no vértice, ladeada por 2 torres prismáticas, salientes em relação às empenas laterais, rasgadas por ventanas de verga redonda e encimadas por merlões piramidais; fachadas laterais rasgadas por 2 vãos rectangulares, com 5 panos divididos por botaréus prismáticos rematados por merlões piramidais, acima de uma cornija envolvente. INTERIOR: de uma só nave elevada, com coro-alto sobre arcos redondos assentes em colunas toscanas, coberta por abóbada de berço redondo, com pinturas de carácter geométrico, de 5 tramos marcados por arcos torais estribados em mísulas assentes em cimalha envolvente. Capelas laterais pouco profundas abrindo para a nave por arcos redondos sobre pilastras toscanas: a S. a Capela de Nossa Senhora do Rosário integralmente revestida a azulejo polícromo, incluíndo o arco e as pilastras, e apresentando retábulo em talha pintada e dourada, disposto em dois andares, com edícula, enquadrando políptico de seis painéis figurando cenas da Vida da Virgem; a N. a Capela das Almas com retábulo pictórico figurando São Miguel e as almas do purgatório, emoldurado por talha dourada. Silhar entre as capelas e a parede E.; encostados à parede S. dois frontais de altar polícromos, seiscentistas, figurando ao centro um santo enquadrado por ramagens e aves Galliformes, da família dos phasianidae. Nos alçados laterais restos de pinturas murais figurando Santo André e o Santo Papa. Púlpito em cantaria redondo com balaústres, adossado à parede lateral N.. 2 retábulos de talha dourada, com edícula e pintura sobre tela, nos altares colaterais; azulejo polícromo seiscentista, de diferentes padrões, revestindo a parede da nave em que se rasga o arco triunfal. Capela-mor, coberta por abóbada de berço redondo; retábulo-mor em talha dourada, com tribuna e trono que acolhe o Santíssimo. Na sacristia um lavabo em pedra de São Brissos datado de 1762. Duas pias de água benta de mármore, circulares e lisas, pia baptismal circular sobre pedestal na capela baptismal sob a torre do lado do Evangelho, vedada por cancelos torneados; guarda-vento em madeira coroado pelas armas do arcebispo D. Frei Miguel de Távora.

Acessos

Largo Francisco Manuel Fialho

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 28/82, DR n.º 47 de 26 fevereiro 1982 *1 / Incluído na Zona Especial de Proteção da Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Baronia / Igreja do Senhor dos Passos (v. IPA.00001015)

Enquadramento

Urbano, meia encosta; harmónico, integrado num largo, impondo-se pela sua volumetria sobre o casario envolvente de 1 e 2 pisos.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Beja)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17

Arquitecto / Construtor / Autor

MESTRE DE OBRAS: Neutel Dias; PINTOR: José de Escobar (retábulo da capela das Almas e pinturas murais)

Cronologia

Séc. 16, último terço - Desmoronamento da primitiva igreja; último decénio - o Arcebispo D. Teotónio de Bragança, com o beneplácito de D. Diogo Lopes de Sousa manda construir a nova igreja; as obras foram dirigidas pelo Mestre Neutel Dias; 1594, 17 Setembro - instituição da capela das Almas pela confraria do mesmo nome, com autorização arquiepiscopal;1602 - a obra é interrompida por acidente em que estiveram envolvidos o mestre e o seu filho, vindo a ser concluída ao longo do séc. 17, procedendo-se à campanha decorativa da igreja: revestimento azulejar, retábulos colaterais e das capelas laterais, púlpito, pia baptismal; 1603, 4 Abril - contrato com o pintor José de Escobar para realização do douramento do retábulo e pintura a fresco do arco da capela das Almas; séc. 18, 2º quartel - retábulo da capela-mor; 1762 - lavabo da sacristia; 1999 - Incluído no Plano de Acção para as Terras da Baronia de Alvito da CMAlvito.

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Alvenaria rebocada e caiada em estruturas; telha cerâmica; cantaria; tijoleira; azulejo; madeira; vidro.

Bibliografia

GONÇALVES, Catarina Valença, A Pintura Mural no concelho de Alvito - séculos XVI a XVII, Alvito, 1999; SIMÕES, J. M. Santos, Azulejaria em Portugal no séc. XVII, vol. 2, Lisboa, 1971; ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Beja, Lisboa, 1993.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1907 - restauro da igreja, segundo inscrição na parede S. da nave.

Observações

1 - *DOF... incluíndo os retábulos de talha e os azulejos do séc. XVII que revestem o seu interior.

Autor e Data

Isabel Mendonça 1993

Actualização

 
 
 
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