Igreja Paroquial de Safara / Igreja de Nossa Senhora da Assunção

IPA.00000908
Portugal, Beja, Moura, União das freguesias de Safara e Santo Aleixo da Restauração
 
Igreja paroquial manuelina e maneirista. A sacristia, com a sua abóbada de cruzaria de ogivas, constitui exemplo paradigmático da arquitectura manuelina aplicada a edificios religiosos de pequena escala, conservando as mísulas e a chave em cantaria lavrada. A fábrica tardo-quinhentista constitui-se como um excelente repositório da arquitectura erudita maneirista do Alentejo, cujo léxico transparece com clareza quer no traçado arquitectónico, ainda fiel ao modelo da igreja-salão, quer na excelente carga ornamental realizada com excepcional mestria plástica na argamassa de reboco, em esgrafitos renascentistas; portal principal inspirado na tratadística serliana. No interior pinturas murais, azulejos figurativos setecentsitas, azuis e brancos e retábulo-mor de talha dourada. Notável testemunho da arquitetura maneirista erudita do Alentejo. Nas soleiras da porta principal e da porta travessa três tabuleiros de jogo de Alquerque dos Doze.
Número IPA Antigo: PT040210030018
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta poligonal composta pelo corpo da igreja, capela-mor mais estreita, sacristia e quintal murado adossados a SE.. e torre campanário de planta rectangular adossada ao ângulo NO. da fachada. Cobertura diferenciada em telhado de duas águas na capela-mor, mais baixa, e trono, em terraço (?) na sacristia. Fachada principal a O., de dois registos e três panos definidos por contrafortes rematados por pináculos piramidais; no pano central portal de cantaria, com verga recta e pilastras almofadadas com capitéis jónicos; à direita do portal cronograma com a data "1600"; frontão curvo apoiado em entablamento, com friso decorado de motivos geométricos; colunas jónicas, com o primeiro terço do fuste ornado de pontas de diamante em espiral, apoiadas em plintos decorados de losangos; urnas nos acrotérios e cruz no acrotério central, sobrepujado por óculo; panos laterais rematados por volutas com óculos vazados, enquadrando o registo superior do pano central, contendo medalhão rectangular com cruz, concluindo em frontão coroado por acrotério com cruz de ferro. Torre sineira de 3 registos, definidos por frisos, decorados com composições de relevos geométricos em argamassa, sendo os de topo, mais estreitos; fresta de iluminação da escada de acesso no registo inferior; no corpo intermédio relógio; corpo superior rasgado por janelões de verga curva, único nas fachadas O. e E. geminados nas restantes, enquadrados por pilastras; remate em frontão curvo, enquadrados por pináculos piramidais; na face N. o frontão é substituídp por volutas enquadrando pináculo piramidal central; catavento de ferro com cruz no topo. Alçado S. de cinco panos, definidos por contrafortes rematados por urnas sobre pedestais; em cada pano rasga-se uma grande fresta de iluminação; no tramo central abre-se portal lateral de cantaria, de verga recta, adintelada; volume adossado da sacristia, cego, de um só pano, coroado por platibanda. Alçado N. igual ao alçado S.. Alçado E. segundo o mesmo esquema da frontaria; destaca-se o volume da capela-mor, mais baixo, apoiado lateralmente em três contrafortes coroados por urnas sobre pedestais e rematado por empena triangular enquadrando uma grande concha e composição ornamental de volutas, com cruz no acrotério central; ligeiramente mais baixo, projecta-se o volume do trono, com empena triangular, cega. Todos os alçados são abundantemente decorados com trabalhos em esgrafitados e relevos de argamassa que figuram composições geométricas, máscaras e grinaldas. INTERIOR: três naves de cinco tramos sendo o primeiro ocupado pelo coro-alto, com grade de ferro fundido, apoiado em arco de asa de cesto na nave central e de volta perfeita nas laterais; guarda-vento em madeira. Cobertura das naves e coro em abóbada de aresta, com arcos torais e formeiros descarregando em colunas toscanas de cantaria. Na parede do lado do Evangelho abre-se o baptistério, em arco de volta perfeita, porta de acesso ao coro e torre sineira, púlpito na terceira coluna, porta lateral no terceiro tramo, capela lateral e capela no topo da nave lateral, com altar e retábulo de alvenaria, vestígios de pinturas murais. Parede do lado da Epístola com esquema simétrico, exceptuando o baptistério, a porta de acesso ao coro e o púlpito. Acesso à capela-mor por arco triunfal de volta perfeita assente em pilastras de cantaria, coroado por composição em argamassa representando uma custódia envolvida por uma grinalda. Capela-mor com cobertura em abóbada de berço arrancando de cornija; altar-mor em talha dourada com trono, com silhares de painéis figurativos de azulejaria azul e branca nas paredes laterais, envolvidos por barras; do lado da Epístola abre-se a porta de acesso à sacristia; do lado do Evangelho porta truncada. Sacristia coberta por abóbada de cruzaria de ogivas com mísulas e chave de cantaria; do lado E. abre-se a porta de acesso ao quintal murado.

Acessos

Largo 25 de Abril

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público / ZEP, Portaria n.º 217/2013, DR, 2.ª série, n.º 72 de 12 abril 2013 / Incluído no Plano Sectorial da Rede Natura 2000: Zona de Proteção Especial Mourão/Moura/Barrancos (PTZPE0045)

Enquadramento

Urbano, destacado, isolado no meio de uma praça, no topo de um planalto a uma cota de c. de 207m de altura.

Descrição Complementar

Na porta principal encontram-se dois tabuleiros de jogo do Alquerque dos Doze e na soleira da porta travessa N. um tabuleiro do mesmo jogo; os tabuleiros apresentam um conjunto de cinco fiadas de concavidades, cada uma com cinco, num total de vinte e cinco *1.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: Igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Beja)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: João de Oliveira (conjectural).

Cronologia

Séc. 16, primeira metade - construção da sacristia (capela primitiva); 1600, c. de - construção da igreja; Séc. 18, inícios - retábulo-mor; Séc. 18, segunda metade - retábulos laterais; Séc. 19, finais - grade do coro; 1978, 23 março - Proposta de classificação pelo Instituto de José de Figueiredo; 1990, 21 setembro - Informação favorável à proposta de classificação pelo IPPC; 1994, 25 fevereiro - Despacho de abertura do procedimento de classificação pelo Presidente do IPPAR; 2010, 14 dezembro - Proposta da DRCAlentejo para a classificação como de IIP - Imóvel de Interesse Público e de ZEP; 2011, 9 fevereiro - Parecer favorável à proposta de classificação e de ZEP pela SPAA do Conselho Nacional de Cultura; 2011, 19 de Outubro - publicado no DR, nº 201, 2ª série, o Anúncio nº 14991/2011 de Projecto de Decisão relativo à classificação como MIP e à fixação da respectiva ZEP.

Dados Técnicos

Estrutura mista (igreja), autoportante (sacristia).

Materiais

Paredes de alvenaria de pedra e cal, elementos secundários em cantaria.

Bibliografia

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMS

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREMS

Intervenção Realizada

DGEMN: 2000 - conservação e recuperação de coberturas incluindo remoção e reposição de telhas, reparação cabeçotes sinos, pintura de ferragens, limpeza de cantarias e gárgulas e impermeabilização de caleira; 2001 - 2002 - Obras de conservação geral: rebocos e caiações exteriores.

Observações

*1 - o Alquerque dos Doze, era jogado com doze peças de cada lado, apenas com a casa central vazia, por dois jogadores, e já era praticado no Antigo Egipto, encontrando-se desenhado nas paredes de Kurna, na margem ocidental do rio Nilo. No séc. 7 foi introduzido na Península Ibérica pelos árabes.

Autor e Data

José Falcão e Ricardo Pereira 1996 / Rosário Gordalina 2007

Actualização

 
 
 
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