Ermida de São Pedro dos Sequeiras

IPA.00008894
Portugal, Évora, Viana do Alentejo, Alcáçovas
 
Capela quinhentista, de planta retangular, de uma só nave, capela-mor suportada por contrafortes de alvenaria; construção característica da arquitectura rural alentejana de quinhentos, alterada nos séculos 17 e 18, com a construção do nártex. Tem pinturas murais, narrando momentos da vida de São Pedro, de cariz barroco.
Número IPA Antigo: PT040713010011
 
Registo visualizado 94 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta poligonal composta por nártex, nave única ( 9,20 m x 5,00 m ), de planta rectangular e capela-mor ( 4,30 m x 4,50 m ) com acesso à sacristia. Volumes articulados na horizontal com cobertura diferenciada em telhado de duas águas na nave, capela-mor e nartex e de uma água na sacristia. Fachada principal orientada a O., com nártex de três arcadas molduradas com empena de enrolamento e campanário axial apilastrado, sem sino, ladeado por pináculos piramidais; frontão triangular sobre a cobertura do nartex encimado por cruz axial; tecto em abóbada de barrete de clérigo, embora sejam visíveis as mísulas das nervuras de cobertura anterior; portal na fachada da nave, arquitravado ladeado por duas janelas. Os alçados S., e E. encontram-se envolvidos por construções posteriores. Alçado N. com dois contrafortes pouco salientes. INTERIOR: espaço diferenciado, com nave de planta rectangular, marcada por pilastras nos prospectos e tecto em abóbada de berço decorada por apainelados com motivos geometrizantes, separados por arcos torais com vestígios de pintura mural. Antecedendo o arco mestre da capela-mor, no lado do Evangelho, o acesso ao púlpito, hoje inexistente. Pia de água benta, à entrada do lado da Epístola, de mármore com secção cilíndrica. Capela-mor, de planta quadrangular, antecedida de arco triunfal decorado na cimafronte por estuques polícromos figurando a tiara e as chaves de São Pedro. Tecto em abóbada de berço decorada por pinturas murais distribuídas por nove quadros rectangulares. Na capela-mor rasga-se ainda um pequeno vão de acesso à sacristia, de planta quadrangular e tecto em abóbada, decorada por tabelas de estuques coloridos representando os atributos de São Pedro: a tiara, as chaves, as cadeias, o galo e a barca de pescador. Tem lavatório em mármore esculpido com as chaves entrelaçadas.

Acessos

Beco de São Pedro

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, adossado, numa pequena elevação, no antigo Rossio das Hortas, envolto por casario de ambos os lados e um pequeno pátio frontal; a SO., a 30m de distância encontra-se um cruzeiro de mármore *1.

Descrição Complementar

PINTURAS MURAIS: os quadros do tecto da capela-mor, todos legendados em português arcaico, representam nove momentos da vida de São Pedro: São Pedro dá esmola a um pobre; São Pedro chorando na Lapa; Anjo livra São Pedro do encarceramento; Cristo salva São Pedro das ondas; São Pedro corta a orelha a Malco; São Pedro é preso dos tiranos; São Pedro é crucificado pelos tiranos; Cristo lava os pés a São Pedro; Transfiguração de Cristo perante São Pedro. Do púlpito desaparecido subsiste na cimalha da cobertura uma tabela com inscrição latina com o seguinte texto: VENI.DILIB/ANO VE/NLCOR/ONAB/ERIS. A capela-mor, com rodapé de composição axadrezada, esteve coberta por pinturas murais de que subsistem nos alçados laterais os painéis com as figuras de Santa Apolónia e de Santo Amaro.

Utilização Inicial

Religiosa: ermida

Utilização Actual

Religiosa: capela

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1536 - primeiras referências sobre a existência da ermida, nomeadamente o nome da sua fundadora, Luísa Rodrigues, que fundou igualmente a capela das Almas na matriz de Vila Nova da Baronia que ainda existia no ano de 1778. Para sustentar a ermida de São Pedro deixou rendimentos, foros das herdades de Miradouro, Fogo, Couto e Matutim, Monteza, Baizés, Almargia da Figueira, um olival em vale de Rosa e casas na rua de Sevilhães em Alcáçovas, no Rossio de São Brás em Évora; 1657 - os fidalgos Fragoso de Barros adquirem a capela-mor por 20.000 reis; Séc.17 - Séc.18 - acrescentado o nártex, a capela-mor é decorada a fresco com episódios da vida de São Pedro; 1850 - furto do sino do campanário; 1910, após - profanado com a implantação da República e posterior ocupação do vasto terreiro em volta, uma vez que o mesmo foi alienado pela Junta de Freguesia para construção de edifícios que ofuscaram completamente a ermida; 1950 - reconstrução do cruzeiro por Alexandre de Lencastre e João Branco Núncio, que se situava no vasto adro público, tendo então sido colocado perto do caminho que conduz à ermida, sobre quatro degraus de mármore com a inscrição I.N.R.I no remate; 1986, 22 março - Proposta de classificação pela Secretaria de Estado da Cultura; 1986, 21 julho - Despacho de abertura do processo de classificação pelo Vice-Presidente do IPPC; 1998, até - a sacristia esteve decorada por frescos que representavam os atributos de São Pedro: a tiara de papel, as chaves, as cadeias, o galo e a barca do pescador; 2008, 17 outubro - Proposta da DRCAlentejo para classificação como IIP - Imóvel de interesse Público e de ZEP; 2009, 15 julho - Parecer favorável à classificação e à ZEP pelo Conselho Consultivo do IGESPAR; 2009, 23 outubro - caduca o processo de classificação conforme o Artigo n.º 78 do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, n.º 206, alterado pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251 de 28 dezembro 2012, que faz caducar os procedimentos que não se encontrem em fase de consulta pública.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante, com arcos e contrafortes para suporte de abóbadas

Materiais

Alvenaria de pedra rebocada e caiada, pavimento em ladrilho, telha de canudo na cobertura exterior, altar de alvenaria de tijolo. Madeira nas caixilharias, mesa de altar, e bancos dos fiéis. Pia de água benta e lavabo em mármore. Estuques nas decorações do arco triunfal e da abóbada da sacristia.

Bibliografia

CARDOSO, P. Luís, Dicionário Geográfico, vol.1; ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Évora, vol. 9, Lisboa, 1979; FRAGOSO, Luís Feliciano, História da Casa de Fragoso de Alcáçovas, Ms. de Família, 1838.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; Arquivo " Mural da História "

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID; Divisão de Pintura Mural do Instituto José Figueiredo

Intervenção Realizada

1998 - 1999 - vasto programa de reparações que visaram a cobertura exterior, a caiação e as pinturas murais.

Observações

Autor e Data

Paula Amendoeira 1999

Actualização

 
 
 
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