Museu de José Malhoa

IPA.00008884
Portugal, Leiria, Caldas da Rainha, União das freguesias de Caldas da Rainha - Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório
 
Museu modernista, com composição centrada e simétrica estruturada em torno de um claustro central ajardinado contrastando com a volumetria geométrica e austera que apresenta uma planta rectangular com duas absídes laterais semi-haxagonais, em elipse. É a primeira obra em Portugal construída com a especifíca função de Museu, com concepção museológica daquele periodo (construido em 1940 e ampliado em 1950 e 1957) na óptica da arquitectura modernista nacional.
Número IPA Antigo: PT031006030012
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Cultural e recreativo  Monumento e museu  Museu  

Descrição

Planta elíptica, desenvolvendo-se a partir de um pátio central quadrado em torno da qual se articulam as salas, conjugando-se com dois corpos dispostos transversalmente. Massa simples, volumes dispostos na horizontalidade. Cobertura em vidro montada em estrutura reticulada de ferro rematando com platibanda lisa. Fachada principal virada a O., enquadrado por dois corpos salientes ritmados por contrafortes, dispostos transversalmente, o pórtico em ressalto é constituido por seis colunas em que assenta uma longa platibanda recta com o nome do Museu inscrito, adossado a um amplo muro de altura superior com oito relevos verticais de Francisco Franco dispostos em ambos os lados flanqueando a entrada principal. Na fachada oposta, E., dois panos cegos com baixos relevos de Alberto Morais do Vale, figurando a Pintura e a Escultura ladeiam pano central em ressalto aberto por janelão. A N. e S. duas ábsides semi-circulares ritmadas por seis contrafortes e abertas por um janelão. A cabeceira S. tem adossado um lanço de escadas, que acompanha a sua curvatura de acesso à cave do volume perpendicular, onde funciona o Museu de Cerâmica. INTERIOR: espaço separado em três correntezas perpendiculares à porta através de painéis móveis. Sucessão de salas estruturadas em torno do claustro central ajardinado que envolvem as duas salas grandes centrais e que se interrompe nos volumes dispostos perpendicularmente à fachada principal. Pavimento em pinho, rodapé e guarnições dos vãos em madeiras do Brasil, paredes de reboco rústico e branco e tecto de vidro com estrutura reticulada de ferro, através do qual se filtra a luz das amplas clarabóias dos telhados.

Acessos

Parque D. Carlos I

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 5/2002, DR, 1.ª série-B, n.º 42 de 19 fevereiro 2002 / Incluído na Zona Especial de Proteção da Igreja Matriz das Caldas da Rainha (v. PT031006030001)

Enquadramento

Urbano, isolado, implantação harmoniosa no frondoso Parque das Termas das Caldas da Rainha (v. PT031006030046), junto ao lago. Dentro da área do parque erguem-se várias construções, onde se destacam os Pavilhões do Parque, projecto de Rodrigo Berquó e o Clube de Recreio, cuja fachada principal forma uma meia laranja. A N. situa-se o Hospital Termal Rainha D. Leonor (v. PT031006030039), e a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo. A O. frente aos campos de ténis encontram-se as antigas instalações do Grande Hotel Lisbonense (v.PT031006030016).

Descrição Complementar

No frontispício, flanqueando o pórtico, os relevos da esquerda representam em réplica as imagens do monumento a Gonçalves Zarco no Funchal e os relevos da direita, imagens do exterior da Igreja de Nossa Senhora de Fátima em Lisboa. Museológicamente, o espaço está diferenciado e destinado da seguinte forma: recepção com algum mobiliário que pertenceu a José Malhoa; sala1: o pintor José Malhoa; sala 2: Pintura Romântica. Paisagem. Costumes. Retrato. História. Pintura e escultura de observação realista; sala 3: Pintura do primeiro Naturalismo. O Grupo do Leão; sala 4: Pintura de José Malhoa. Paisagem. Costumes. História; sala 5: Pintura de José Malhoa: retrato; sala 6: Pintura do Primeiro Naturalismo; sala 7: o Naturalismo como metáfora; sala 8: Pintura e escultura do Segundo Naturalismo; sala 9: A família Roque Gameiro; sala 10: Actualizações Modernistas nas primeiras décadas do século XX; sala 11: o retrato na primeira metade do século XX. Henrique Medina e Eduardo Malta; sala 12: A Estatuária do Estado Novo; sala 13: Tardo-Naturalismo até à década de 1950; sala 14: Mudanças após 1945; cave: Rafael Bordalo Pinheiro. Cerâmica; Exterior, Parque: Escultura dos séculos XIX e XX.

Utilização Inicial

Cultural e recreativa: museu

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCCentro, Decreto-Lei n.º 114/2012, DR, 1.ª série, n.º 102 de 25 maio 2012

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETOS: Paulino Montês (1940); Eugénio Correia (1940). CONSTRUTOR: Manuel Marques (1940-1942).

Cronologia

1924 - António Montês pede a José Malhoa um quadro para a sua terra natal; 1926 - o Retrato da Rainha D. Leonor peça número um do inventário, dá inicio à colecção do Museu; 1927 - criação da Liga dos Amigos José Malhoa, entidade através da qual muitas abras são adquiridas bem como ajudas financeiras para o desenvolvimento do projeto arquitetónico; 1932 - doações feitas por José Malhoa; 1933 - novas doações de pintura feitas por José Malhoa; 6 outubro - falecimento de José Malhoa; 1934 - é cedido pelo Hospital Termal, proprietário do Parque D. Carlos I, a Casa dos Barcos que tomando o nome de Pavilhão Rainha D. Leonor é o primeiro local onde terá lugar a exposição permanente da coleção; 1934, 28 abril - inauguração da Exposição; 1940, 11 agosto - inauguração do novo edifício de projecto inicial do arquitecto Paulino Montez (1897-1962) e desenvolvimento do arquitecto Eugénio Correia (1897-1985), sendo construtor Manuel Marques; 1942 - Francisco Franco oferece ao Museu obras originais suas, pelo que António Montês solicita à Junta da Província da Estremadura a ampliação do edifício; 1950, 13 agosto - inauguração da Exposição Nacional José Malhoa em que são abertas ao público novas salas de exposição, que vão alterar o sentido inicial de espaço circular tornando-o mais linear e fazendo a fachada ganhar mais horizontalidade; 1955, 15 maio - comemorações do centenário de José Malhoa. Descerramento de uma lápide na casa onde nasceu o pintor e exposição no Museu Malhoa de obras do pintor e seus contemporâneos; 1956 - inauguram-se mais duas salas de exposição exteriormente marcadas por volumes colocados em U perpendicularmente à fachada; 1957 - António Montês faz a "Exposição temporária de Escultura ao ar livre"; 1957 - duas salas deixam de funcionar como circuito expositivo, passando uma a ser ocupada pela Biblioteca de Arte oferecida pela Fundação Calouste Gulbenkian, e a outra para serviços técnicos; a exposição ao ar livre passa a permanente; 1960, julho - 1ª edição do Catálogo do Museu José Malhoa. Está definido quer o edifício quer a teoria museográfica; 1966 - António Montês inaugura na cave do edifício um "Museu de Cerâmica"; 1970, 27 outubro - a imprensa nacional e local chama a atenção para a "situação intrigrante" do Museu José Malhoa, "sem direcção, sem qualquer pessoa à frente da sua rotina. Não há director, não há conservador, não há sequer um escritório" (Jornal de Notícias); 1977, outubro - o Museu José Malhoa organiza a Expo-Caldas 77, exposição retrospectiva de Cerâmica Caldense, com cerca de 500 peças de colecções públicas e privadas; 1983 - sendo director o Dr. João Saavedra Machado, preparam-se projectos de ampliação do Museu, mas como tal sacrificaria grandes zonas verdes do parque, a administração do Centro Hospitalar, seu proprietário, não consentiu; 1982 - 1983 - benificiações diversas - substituição dos envidraçados da cobertura; 1991, 09 agosto - o museu é afeto ao Instituto Português de Museus, Decreto-Lei n.º 278/91, DR, 1.ª série-A; 1996, 31 maio - Despacho de classificação como Imóvel de Interesse Público; 2007, 29 março - o imóvel é afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. pelo Decreto-Lei n.º 97/2007, DR, 1.ª série, n.º 63.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes ortantes.

Materiais

Betão, alvenaria de tijolo, ferro e vidro.

Bibliografia

HENRIQUES, Paulo, O Museu José Malhoa, in Monumentos 6, DGEMN,Lisboa, 1997; MACHADO, Saavedra, Evocando António Montês - o Homen e a Obra, in Caldas da Rainha - 55º aniversário de elevação a cidade, Caldas da Rainha, Maio, 1985; Museu José Malhoa, Guia-desdobrável, IPM; Museu de José Malhoa, Página Internet IPM; SERRA, João B., Introdução à História das Caldas da Rainha, col. Cadernos de História Local, Caldas da Rainha, 1991; Terra de Águas - Caldas da Rainha História e Cultura, Câmara Municipal das Caldas da Rainha, 1993; Tesouros Artísticos de Portugal, Selecções do Reader´s Digest, Lisboa, 1976.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMCentro; DGEMN/DRMLisboa, DGEMN/DREL/DRC; IPM; IPPAR; CMCaldas da Rainha

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; DGEMN/DREMCentro / DGEMN/DRMLisboa

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID; CMCaldas da Rainha

Intervenção Realizada

1982 / 1983 - beneficiações diversas: substituição dos envidraçados da cobertura; DGEMN/DREMC: 2007 - trabalhos de remodelação e ampliação (em curso).

Observações

Os arquitectos José Daniel e João Santa-Rita foram convidados para intervir no edifício onde serão contempladas obras de climatização das salas excessivamente frias e húmidas no Inverno, reequipamento da zona de acolhimento ao público, ligação da sala semi-circular 3 com a cave (a que actualmente se acede pelo parque), abertura das portas axiais em janelões que permitam a vista, desde o interior do edifício, do parque envolvente e construção de outro edifício isolado e afastado do Museu, não interferindo com o seu enquadramento, para instalação de reservas e do quadro de pessoal técnico e administrativo.

Autor e Data

Lurdes Perdigão 2000

Actualização

 
 
 
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