Solar dos Teixeiras / Fundação os Nossos Livros

IPA.00008784
Portugal, Bragança, Bragança, União das freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo
 
Arquitectura residencial, seiscentista ou setecentista. Casa nobre urbana construída no séc. 17 ou 18, de planta rectangular, evoluindo em dois pisos, o térreo e o andar nobre, sobreposto por um mezzanino de construção posterior. Fachadas principal e a lateral esquerda virada à rua terminadas em friso e cornija, com cunhais apilastrados, e rasgadas por vãos rectilíneos de molduras simples, abrindo-se no térreo portas e janelas de peitoril e no andar nobre janelas de peitoril com pano de peito em cantaria formando ponta de diamante, possuindo inferiormente cornijas corridas e no mezzanino janelas jacentes também com cornija inferior. No interior, com organização espacial muito alterada, possui vestíbulo rectangular de eixo longitudinal desenvolvido junto à fachada posterior, a partir do qual se desenvolve escada de cantaria para o andar nobre.
Número IPA Antigo: PT010402420050
 
Registo visualizado 657 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  

Descrição

Planta rectangular composto por dois corpos, volumetricamente diferenciados na fachada posterior, com coberturas em telhado de uma, duas e três águas, terminadas em beirada simples, integrando pequena água-furtada corrida sobre o corpo principal. Fachadas de três pisos, correspondendo o último a um mezzanino, rebocadas e pintadas de branco com pilastras toscanas nos cunhais, a do cunhal NO. sobreposta no topo por brasão de família, e terminadas em friso e dupla cornija. Fachada principal virada a O., perpendicular ao arruamento, rasgada por cinco eixos de vãos rectilíneos sobrepostos, com molduras simples, correspondendo no piso térreo a quatro janelas de peitoril, colocadas num nível elevado e com caixilharia de guilhotina, possuindo o peitoril moldurado, e, no extremo direito, ao portal de acesso ao interior. No andar nobre abrem-se janelas de peitoril com pano de peito em cantaria, formando ponta de diamante, possuindo inferiormente cornija recta corrida sob cada duas janelas. No mezznino rasgam-se janelas jacentes, com caixilharia de guilhotina, possuindo igualmente sob elas cornijas rectas, mas todas individualizadas. Fachada lateral esquerda adaptada ao declive da rua, possuindo os dois primeiros pisos separados por friso e rasgando-se no térreo duas janelas de peitoril saliente, gradeadas, e pequeno vão jacente de capialço. Nos dois pisos superiores rasgam-se cinco eixos de vãos semelhantes aos da frontaria, excepto o do extremo direito do andar nobre, que é de sacada e tem guarda em ferro. Fachada lateral direita e virada à quinta de três panos, o esquerdo de dois pisos, separados por friso, rasgando-se no inferior, num ritmo irregular, três janelas de peitoril, com molduras simples e caixilharia de guilhotina, e no segundo cinco janelas de varandim, com guardas em ferro. O pano intermédio é mais avançado, termina em cornija de betão e é rasgado por duas janelas de peitoril com caixilharia de guilhotina e gradeamento em ferro apenas na zona superior. O terceiro pano, recuado e possuindo pequeno pátio lajeado frontal, é rasgado no piso inferior por porta e duas janelas de peitoril e no superior por duas outras janelas. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco. O portal principal acede a vestíbulo rectangular de eixo longitudinal, com pavimento lajeado a cantaria, paredes com azulejos monocromos azuis sobre fundo branco de padrão fitomórfico, formando silhar, e com guarda-vento de vidro. À esquerda possui no início e no fundo do vestíbulo portas de verga recta de comunicação com a uma ampla sala para exposições, com pavimento cerâmico e tecto de madeira; as janelas desta sala e uma do vestíbulo possuem conversadeiras e portadas de madeira. No topo do vestíbulo possui duplo arco de volta perfeita, sobre pilastra toscanas, a partir do qual se desenvolve a escada de cantaria de acesso ao andar nobre, com guarda em ferro, pintada de verde e corrimão de madeira. No topo, abrem-se em ângulo duas portas, que acedem às várias dependências: uma ampla sala de leitura e de conferências, conservando num dos topos da fachada virada à rua, a antiga lareira, uma outra sala menor, uma sala de reuniões, trabalhos de grupo para estudantes ou outros, bem como a área administrativa; apresentam pavimento cerâmico ou em corticite. No vestíbulo em frente das escadas, desenvolvem-se ainda as escadas para o terceiro piso, onde se localizam as colecções de acesso reservado.

Acessos

Rua Trindade Coelho, nº. 32, Costa Grande

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, adossado, formando frente de rua, num dos arruamentos do centro histórico, entre a Praça de São Vicente, actual Largo do Principal e as portas do castelo (v. PT010402420003), possuindo passeio separador com degraus. Ergue-se adaptado ao declive acentuado do arruamento, possuindo no seu alinhamento e em frente da fachada principal plataforma artificial formando miradouro para o rio Fervença e a Pousada de São Bartolomeu (v. PT010402450087), protegido por guarda em ferro, desenvolvendo-se na encosta a propriedade do solar. Este espaço junto à frontaria encontra-se arelvado e ajardinado, possuindo plinto em cantaria seccionado, sustentando busto em bronze de Artur Águedo de Oliveira; é protegido por muro de alvenaria rebocada, acedido por portão de ferro ladeado por plintos. Nas imediações ergue-se uma casa com portal inscrito (v. PT010402420320) e a Casa dos Figueiredos (v. PT010402420321).

Descrição Complementar

O brasão do cunhal apresenta escudo oval com as armas da família Teixeira: [de azul], com cruz [de ouro] patenteia e vazia. No timbre um unicórnio [de prata], armado [de ouro], sainte. Elmo de frente e paquife. O plinto da estátua do jardim tem a placa de bronze com a seguinte inscrição, em seis regras: HOMEAGEM DE BRAGANÇA À MEMÓRIA DO BENEMÉRITO DOUTOR ARTUR ÁGUEDO DE OLIVEIRA 30-05-1996.

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Cultural e recreativa: biblioteca

Propriedade

Privada: fundação

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 17 / 18 - época provável de construção da casa por membro da família Teixeira; séc. 19 - colocação do brasão com as armas da família Teixeira; séc. 19, finais / séc. 20, inícios - venda da casa ao Dr. Aníbal Gomes Pereira, médico, que ali viveu até morrer; herdou o solar o seu filho, capitão Ramiro, do Quartel de Infantaria 10; tendo o capitão Ramiro morrido em Cabo Verde, onde prestava serviço militar, ficou a casa a ser habitada pela sua viúva, uma filha e outros familiares; 1950, década - a viúva do capitão Ramiro decide vender o solar, pedindo ao amigo da família, Alferes Fernandes, que procedesse as diligências necessárias; o solar foi comprado pelo empresário Altino Pereira, que nunca o habitou, visto permanecer pouco tempo em Bragança; posteriormente foi adquirida pelo um sacerdote da diocese de Bragança para instalação de uma residência de idosos, o que nunca se realizou, passando ao abandono; 1971 - fotografia desta data documenta os vãos do mezzanino da fachada principal entaipados; 1974 / 1975 - o solar foi transformado em abrigo provisório de algumas famílias desalojadas regressadas de África; 1988 - após proceder ao alojamento das famílias ali residentes, a Câmara de Bragança adquire o Solar dos Teixeiras; 1996, 30 Maio - inauguração da Biblioteca da Fundação Os Nossos Livros no edifício, com todo o espólio de Artur Águedo de Oliveira, descerrando-se o busto de bronze do Doutor Artur Águedo de Oliveira; 2003 - comemoração do 25º aniversário do falecimento do Dr. Artur Águedo de Oliveira.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; placas de betão; ilastras, frisos, cornijas, brasão, panos de peito, escada, molduras dos vãos e pavimento do vestíbulo em cantaria de granito; portas e caixilharia de alumínio; portas e portadas interiores em madeira; vidros e guarda-vento em vidro simples; grades em ferro; pavimento de cantaria, cerâmico e em corticite; tectos de madeira e em estuque; cobertura de telha.

Bibliografia

Bragança Boletim Municipal Especial, nº 22, Bragança, Câmara Municipal de Bragança, Fevereiro 2009; FERNANDES, José Augusto de Pêra, O Sumo das Pedras de Bragança, Bragança, Freguesia de Santa Maria de Bragança, 2008; JÚNIOR, Francisco Felgueiras, Roteiro e Escorço Histórico da Cidade de Bragança, Bragança, Amigos de Bragança, 1964; LOPES, Roger Teixeira, Heráldica do Concelho de Bragança, João Azevedo Editor e Terra Transmontana, 1996; RODRIGUES, Luís Alexandre, Bragança no século XVIII Urbanismo. Arquitectura, vol. 1, Bragança, Junta de Freguesia da Sé, 1997; http://fnl.org.pt/index.php?show=less, Dezembro 2010.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

CMBragança: 1996 - conclusão das obras de adaptação para instalação da biblioteca e fundação.

Observações

*1 - Artur Águedo de Oliveira (1894-1978) doutorou-se em Direito na Universidade de Coimbra e abraçou a actividade política, tendo sido deputado da Assembleia Nacional pelo Círculo de Lisboa, entre 1935 e 1969, e Ministro das Finanças. Não possuindo descendência, Artur Águedo de Oliveira institui no testamento, datado de 20 de Agosto 1973, A Fundação Os Nossos Livros, a quem deixava a sua biblioteca. Os estatutos da fundação datam de 15 de Março de 1979. O seu espólio bibliográfico, proveniente das suas três casas (a de Lisboa, a de Macedo de Cavaleiros e a da Quinta das Eiras, em Horta da Vilariça) esteve inicialmente instalado no edifício devoluto da Escola do Magistério Primário, na Rua 1º de Dezembro nº 8, depois foi transferido para o antigo edifício da Câmara Municipal na Rua Abílio Beça nº 75 e finalmente instalado no Solar dos Teixeiras. A Biblioteca da Fundação possui um largo acervo bibliográfico de Economia, Finanças, História das Doutrinas Económicas, Agricultura, Ruralismo, Demografia, Estatísticas, Sociologia, Literatura Ultramarina, Relações Internacionais, Política Colonial, Direito, Estruturas Politicas características do Estado Novo e do Salazarismo. Integra ainda um espólio bibliográfico de raiz erudita (séc. 16, 17 e 18), de literatura clássica, assim como uma colecção camoneana. Regularmente a Fundação Os Nossos Livros desenvolve iniciativas de carácter cultural, como Exposições e Apresentações de Livros.

Autor e Data

Paula Noé 2011

Actualização

 
 
 
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