Casa do Alvação

IPA.00008716
Portugal, Braga, Cabeceiras de Basto, União das freguesias de Alvite e Passos
 
Casa nobre barroca, rococó e vernácula, integrada em quinta. Tem a casa, com capela adossada, casa do caseiro e complexo agrícola, composto pelo sequeiro, eira e espigueiro. Solar barroco, de planta em L invertido. Fachada principal, com acesso no extremo por portal de verga recta, no segundo registo, precedido por alpendre e escadaria com arranques volutados. Pano da fachada, entre a casa e a capela, com decoração bastante ornamentada, composta por fonte, com bica em forma de golfinho, encimada por janela, com moldura de volutas que se interliga com pedra de armas com elmo e paquife, e óculos com moldura fitomórfica. Fachada lateral S. com decoração austera, virada a caminho que atravessa a quinta, ritmadas por portas e pequenas janelas, no primeiro registo, e janelas de sacada, com balcão suportado por modilhões, no segundo. Junto à cobertura abre-se grande água furtada, rasgada no séc. 19, para aproveitamento parcial do sótão. Fachada lateral N., virada a terreiro fechado por muro ameado rasgado por portal, com corpo adossado alpendrado, de cariz vernáculo. Interior, correspondendo o primeiro piso, às lojas, adega, lagares, tulhas e cavalariças. Segundo piso, correspondendo à habitação, com três grandes salões intercomunicantes, dois deles com tectos de masseira de madeira, que se interligam com corredor de distribuição para quartos, casa de banho e vestíbulo com escadaria novecentista, de acesso aos quartos do sótão. Capela com fachada principal longuilínea, em empena recortada truncada por sineira. Portal barroco, coroado por nicho com imagem do orago, ladeado por janelas. Vãos com molduras recortadas iguais à moldura do portal principal da Igreja Paroquial de Vila Nune (v. PT010304160072). Interior com cobertura em abóbada de madeira, com coro-alto com ligação interior à casa, e retábulo de talha em branco, barroco joanino, de transição para o rococó, apresentando já bastantes elementos concheados. Fonte junto à fachada posterior, contemporânea à remodelação barroca da casa, com recurso a rica decoração fitomórfica e de volutas. Casa do caseiro vernácula, com paredes em alvenaria de granito e taipa, balcão de madeira alpendrado, com guarda em gelosias. Possui jardim francês, em patamar sobranceiro à casa, com quadras geométricas de buxo e camélias. O solar e o complexo agrícola encontram-se murados e fechados a N., com acesso por portal nobre, junto à capela, de modo a manter uma maior privacidade, separando as pessoas do lugar que antigamente frequentariam a missa semanal da capela, da parte privada da quinta. A fachada lateral S., é tratada como uma fachada urbana, apesar de estar virada a um caminho particular da quinta, apresentando um jogo simétrico de portas encimadas por janelas de sacada. Também o jardim é fechado por sebe alta de buxo, com porta de madeira ao centro, ao qual apenas teriam acesso os residentes da quinta. A fonte existente na fachada principal, dispõe de água corrente, que é aproveitada interiormente para o lavabo da sacristia, que se encontra ao mesmo nível, possuindo este também água corrente. O solar ainda conserva a zona das adegas, tulhas e cavalariças como seriam originalmente, assim como o lagar com sistema de prensa através de vara em madeira de carvalho. Todo o interior da casa mantêm a ambiência original, assim como pavimentos, tectos de masseira, lavabos, etc. Um dos vestíbulos ainda conserva conversadeiras em madeira. As diversas salas apresentam rodapés de azulejos setecentistas esponjados e o vestíbulo da escadaria e um dos quartos, azulejos reaproveitados seiscentistas de padrão, misturados com réplicas. O interior da capela é dominado pela imponência do retábulo-mor que apresenta excelente trabalho de talha. A casa do caseiro mantém também os elementos estruturais e decorativos vernáculos, assim como os materiais usados originalmente, nomeadamente o balcão alpendrado de madeira, com guarda em gelosias, pouco habitual na região.
Número IPA Antigo: PT010304020038
 
Registo visualizado 745 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre    

Descrição

Quinta com solar, com capela adossada a N., delimitado também a N. por terreiro com anexos agrícolas e galinheiros, que se interligam com o sequeiro, eira e espigueiro. A E. da fachada posterior do solar localiza-se a casa do caseiro e a S., da fachada lateral, o jardim, separado por caminho de terra batida. SOLAR de planta em L invertido, composta por corpo principal, a que se adossa lateralmente, a N., corpo rectangular alpendrado, com alpendre adossado junto ao ângulo, e no extremo O. dessa fachada, estreito corpo de ligação à capela. Volumetria de dominante horizontal, com coberturas diferenciadas a uma, duas, três e quatro águas, com águas furtadas e várias chaminés, com destaque para a grande chaminé da cozinha, de pano frontal inclinado, no extremo NE. da casa. Fachadas de dois registos, rebocadas e pintadas de branco, excepto a posterior que se apresenta em alvenaria de granito, com as juntas pintadas a branco. Embasamento avançado em granito, na fachada principal e lateral S.. Todas elas apresentam cunhais apilastrados, com remates em cornija sob beiral saliente e somente em duplo beiral no corpo alpendrado da fachada lateral N.. Fachada principal a O., de três panos, delimitados por pilastras toscanas colossais. Pano da extremidade direita, rasgado, no segundo registo, por portal principal de verga recta, protegido por alpendre suportado por dois colunelos, com cobertura interior em tecto de masseira de madeira pintada de branco, com acesso por escadaria de lanço recto, com arranques volutados e guarda em cantaria de granito. Pano central rasgado no primeiro registo por porta de verga recta ladeada por janelas quadrangulares, e no registo superior por janela de verga recta de guilhotina, rematada por cornija recta. Pano da extremidade esquerda, correspondendo ao corpo estreito de ligação à capela, com fonte adossada, de tanque em granito, de frontal côncavo, com bica em forma de golfinho, ladeada por volutas, que compõem a moldura da janela jacente que a encima, que se interligam com composição fitomórfica, com concha central coroada por grande pedra de armas, com elmo e paquife, ladeada e encimada por pequenos óculos, com molduras ricamente decoradas e encimada por óculo recortado, com moldura de temática idêntica. Fachada lateral S., de três panos simétricos, enquadrados por pilastras toscanas colossais, rasgados no primeiro registo por porta de verga recta, ladeada superiormente por janelas quadrangulares gradeadas, e no segundo, por par de janelas de sacada, em verga recta, rematadas por cornija recta, com guarda de ferro e balcão suportado por modilhões. Sobre a cobertura abre-se grande água furtada rasgada por três janelas de guilhotina quadrangulares. Fachada lateral N., com a extremidade direita, parcialmente oculta pelo corpo de ligação à capela, formando pequeno pátio. As faces viradas ao pátio são rasgadas no segundo registo por janelas rectangulares de guilhotina, sendo as do pano virado a N., gradeadas. O braço do L, virado a N., apresenta a extremidade direita, recuada no registo inferior, sendo suportado por pilares de pedra. É rasgado no segundo registo por par de janelas de guilhotina com moldura pintada de castanho e ao nível da cobertura, destaca-se mansarda, com varanda protegida por guarda em balaustrada de granito, revestida lateralmente por telha. O corpo alpendrado apresenta os panos virados a N. e a O. fechados por madeira, estando a este último adossado alpendre suportado por pilar de granito, fechado por cancelas de madeira pintada de vermelho. No interior do alpendre, no pano N., encontram-se adossados vários tanques rectangulares e rasga-se porta de verga recta, que comunica com a cozinha. Fachada posterior rasgada no primeiro registo por portas de verga recta, e no segundo por janelas de guilhotina. Ao nível da cobertura rasga-se água furtada, com par de janelas de guilhotina. INTERIOR correspondendo o primeiro piso às adegas, lagar, tulhas e às antigas cavalariças. Pavimento em terra batida e em laje de granito, com as paredes em alvenaria de granito e tecto em madeira, com o travejamento que suporta o soalho do piso superior à vista. Possui dois lagares geminados em granito, em plataforma sobrelevada, com grande lagareta, mais baixa, com sistema de prensa, constituído por grande vara em madeira de castanho de prensar o bagaço, com o couce encaixado na parede e a cabeça assente em fuso de madeira sobre peso de granito. Cavalariças com boxes com manjedouras de madeira e compartimentação em madeira e ferro. Piso superior, correspondendo à zona de habitação, com zona nobre correspondendo a uma sequência de três salões intercomunicantes. Paredes rebocadas e pintadas de branco, com pavimentos em soalho. Salão de entrada, com tecto de masseira de madeira, aberto em eixo por porta central intercomunicante com o salão intermédio e na parede lateral, do lado esquerdo por par de portas, uma comunicante com vestíbulo e outra com o corredor principal de distribuição. O vestíbulo é coberto por tecto octogonal de masseira de madeira, com decoração de acantos. As paredes são decoradas por silhar de azulejos de padrão pombalino e a janela apresenta conversadeiras em madeira. Comunica com pequena sala, correspondendo ao corpo estreito de ligação à capela, que dá acesso ao coro-alto e através de escadaria de madeira, com a sacristia, localizada no piso inferior. Esta apresenta lavabo de granito, com bica carranca e taça semicircular. Salão intermédio correspondendo à sala de estar, com cobertura em tecto de masseira de madeira. Este salão comunica, em eixo, com um outro, correspondendo à sala de jantar, com tecto plano de madeira. O corredor principal coberto por tecto em madeira de saia e camisa, com armários embutidos na parede, comunica com os salões, casa de banho, quarto e vestíbulo. Este último apresenta escadaria de madeira, com guarda vazada, pintada a branco e vermelho, de acesso ao sótão. É iluminado por clarabóia, apresentando no pavimento, alçapão que dá acesso por escadaria de madeira às adegas. As paredes são decoradas por silhar de azulejos de padrão. No nível intermédio da escadaria abre-se porta de acesso a quarto, que apresenta lareira em tijolo de burro e granito, painel de azulejos, com a representação da Virgem e nicho emoldurado por friso igual ao do silhar do vestíbulo da escadaria. Sótão com corredor de distribuição para os quartos, com cobertura em madeira, com o travejamento à vista. Todos os quartos apresentam casa de banho, estando alguns em patamares inferiores, com acesso por escadas de madeira. Cozinha com acesso pelo vestíbulo da escadaria, com pavimento em tijoleira e tecto de madeira com o travejamento à vista. Possui grande chaminé suportada por viga de madeira, com forno em tijolo de burro e lavabo em granito, com espaldar quadrangular com bica carranca e pia semicircular. Pela cozinha tem-se acesso por escadaria pedra, na cave, à lavandaria, e no piso superior, por escadaria helicoidal, também em pedra, aos quartos das criadas. CAPELA de planta longitudinal, de nave única rectangular. Massa simples com cobertura em telhado de duas águas. Fachadas principal e lateral N. rebocadas e pintadas de branco e posterior e lateral S. em alvenaria de granito. São percorridas por embasamento avançado em granito, e enquadradas por cunhais apilastrados, coroados por pináculos piramidais com bola. Fachada principal orientada rematada por empena recortada, com friso e cornija de granito, truncada por sineira, com ventana em arco de volta perfeita, assente em pilastras emolduradas e rematada em entablamento coroado por espaldar de aletas encimado por pinha. Portal principal de verga recta, com moldura recortada, ladeado por janelas jacentes, em capialço, gradeadas, com os ângulos da moldura, cortados em côncavo. É rematado por entablamento com cartela com o monograma AM encimado por coroa real fechada, ladeada por ornatos emoldurados, encimado por nicho, em arco de volta perfeita, concheado, com imagem pétrea de Nossa Senhora do Bom Despacho. O nicho é enquadrado por pilastras emolduradas sobrepostas, de ordem jónica, rematado por entablamento coroado por frontão curvo, interrompido por esfera coroada por motivo fitomórfico. É ladeado por janelas de verga recta, com moldura recortada, idêntica à do portal, rematadas por cornija recta. Fachada lateral N. rematada por entablamento, sob beiral, rasgada por porta de verga recta, ladeada superiormente do lado esquerdo por janelão em capialço, com a moldura cortada em côncavo nos ângulos. Fachada lateral S., parcialmente oculta pelo corpo de ligação à capela, rematada por cornija sob beiral, rasgada por janelão de verga recta em capialço. Fachada posterior a E., rematada por empena com cruz latina sobre acrotério, aberta por vão de verga recta, de acesso à tribuna do retábulo-mor. INTERIOR, com paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por silhar de azulejos de padrão industriais. Cobertura em abóbada de berço em madeira, com florão ao centro e pavimento em taburnos de madeira, com respiradores em ferro no corredor central. Coro-alto de madeira, assente em modilhões, precedidos de entablamento com ornatos de dentículos nos extremos. Guarda em gelosias de madeira, com rodapé em azulejos de padrão. Ao centro existe um pequeno órgão em madeira. Parede da nave, do lado da Epístola, com púlpito de base em granito, rectangular, com ornatos de óvalos, assente em modilhão. Guarda plena em madeira. Porta de acesso com sanefa igual à dos outros vãos da capela. Ainda deste lado porta de acesso à sacristia. Presbitério elevado sobre plataforma de granito, com acesso ao centro por degraus. Parede testeira integralmente preenchida pelo retábulo-mor, em talha em branco, de planta recta, de três eixos, rematado por espaldar curvo, com decoração fitomórfica e de concheados, com a representação das três Virtudes Cardeais, ao centro, a Esperança, ladeada, do lado do Evangelho pela Caridade encimada por fragmento de frontão, e do lado oposto, pela Fé, também encimada por fragmento de frontão. Tribuna em arco de volta perfeita, forrada a tecido adamascado vermelho, com trono com imagem do orago. É enquadrada por pilastras com decoração fitomórfica e anjos tocheiros, rematada por fragmentos de frontão curvo, cuja cornija se prolonga, unindo-os. Eixos laterais com peanhas com imaginária, possuindo nichos também forrados a tecido vermelho adamascado, com baldaquino. Nos extremos é enquadrado por pilastras com decoração de anjos, concheados e motivos fitomórficos. Sobre a banqueta, sacrário ricamente decorado com acantos e concheados, encimado pelo Crucificado. Sotobanco, em granito emoldurado, possuindo ao centro altar recto em madeira, com frontal dividido em três painéis, com decoração fitomórfica e de conchados. PORTAL de acesso ao terreiro, rasgado em muro ameado, ritmado por pilastras coroadas por plintos, entre volutas, encimados por pináculos, adossado à fachada lateral da capela. O portal de verga recta, é ladeado por cartelas com argolas de ferro para prender os cavalos e rematado por espaldar recortado coroado por elemento fitomórfico. O espaldar interiormente possui imagem pétrea de Santo António, protegido por pequeno telheiro, ladeado pela esquerda por sineta. Entre a fachada posterior do solar e a casa do caseiro, existe pequeno muro rebocado e pintado de branco, ameado, com FONTE com espaldar em granito, embebido na caixa murária, enquadrado por pilastras toscanas, emolduradas, sobrepostas, com volutas nos extremos, rematado por espaldar com decoração de flores e folhas, ladeado por pináculos. Bica carranca rasgada no centro do espaldar, enquadrada por molduras e encimada por ornato. Taça rectangular, assente em pilarete emoldurado, ladeado por volutas. CASA DO CASEIRO de planta rectangular, composta por corpo principal, a que se adossa à fachada lateral S. um outro estreito, mais baixo, correspondendo a anexo de arrumos. Volumetria escalonada, de dominante horizontal com coberturas diferenciadas em telhado de três águas. Fachadas de um e dois registos, devido ao declive do terreno, com paredes rebocadas e pintadas de branco, sendo a fachada principal e parte da lateral N., revestidas a plantas trepadeiras, rematadas por beiral. São rasgadas irregularmente por janelas de verga recta, com acesso ao interior por portas de verga recta, na fachada principal, a E. e na lateral N.. A fachada lateral S., em empena, apresenta ao nível do segundo registo, ao centro, balcão de madeira, alpendrado, com guarda em gelosias, encimado por duas pequenas janelas de iluminação do sótão. SEQUEIRO de planta rectangular alongada e simples, com volumetria de dominante horizontal e cobertura em telhado de quatro águas. Fachadas em alvenaria de granito, rematadas por beiral. Fachada S., virada à eira, rasgada por grandes vãos fechados por ripas de madeira pintadas de vermelho. Eira rectangular, lajeada em granito. No seu extremo S. encontra-se ESPIGUEIRO, com pés e mesas de granito e corpo em madeira pintada de vermelho. Cobertura em telhado de duas águas. JARDIM em quota mais baixa, em patamar rectangular alongado, S. do solar, separado por caminho de terra batida, fechado por sebe de buxo topiada, com porta de acesso, ao centro. É formado por diversas quadras geométricas de buxo, com exemplares notáveis de camélias. Possui tanque de granito, rectangular, com lavadouro, ladeado por pequeno alpendre.

Acessos

EN 205 (Arco de Baúlhe - Cabeceiras de Basto); Lugar de Lamas, estradão em terra batida até Alvação

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público, Portaria n.º 190/2013, DR, 2.ª série, n.º 69, de 09 abril 2013 *1

Enquadramento

Rural, isolado, implantado em encosta de pendor suave, com acesso particular por estradão em terra batida, aberto nos terrenos da quinta, ladeado por carvalhos e hortênsias. À entrada da quinta, à face do estradão encontra-se uma antiga casa de caseiro, de planta em U, com os braços virados a S., com acesso a E., por portal junto à fachada lateral. Apresenta paredes rebocadas e pintadas de branco, com embasamento, cunhais e cornija de remate em granito. A fachada N., voltada ao estradão, é rasgada por duas janelas de verga recta gradeadas. A quinta é fechada por muros de alvenaria de granito, com solar e edifícios agrícolas implantados no extremo N.. São delimitados a O., fronteiro à fachada principal do solar, por terreiro, anteriormente murado e usado como picadeiro, que comunica com o exterior por portão, a S. pelo jardim e campos, e a N. pela tapada da quinta, onde predominam pinheiros, eucaliptos e mimosas. Na proximidade, à face da EN encontra-se a Casa de Lamas (v. PT010304020039).

Descrição Complementar

HERÁLDICA: Pedra de armas com paquife, esquartelada, possuindo no primeiro as armas modernas dos Ribeiro, no segundo dos Silva, no terceiro dos Coelho e no quarto as modernas dos Abreu, encimada por elmo a três quatros, com o timbre do lírio dos Ribeiro. Armas dos Ribeiro, esquarteladas, primeiro e o quarto de ouro, com quatro palas de vermelho, e o segundo e terceiro, de negro, com três faixas veiradas de prata e vermelho. Armas dos Silva, de prata, com leão de púrpura, armado e lampassado de vermelho. Armas dos Coelho, de ouro, leão de púrpura, armado e lampassado de vermelho, com bordadura de azul, carregada de sete coelhos de prata. Armas dos Abreu de vermelho, com cinco asas de ouro em sautor.

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Residencial: casa

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1660 - Pedro Carneiro e sua mulher Leonor Francisca da Silva eram os Senhores da Casa do Alvação; 1657, 2 Janeiro - nasce na Casa do Alvação, o filho Jorge Carneiro da Silva, que após a morte dos pais, torna-se Senhor da Casa do Alvação; 1686, 4 Maio - morre Jorge Carneiro da Silva *1, Capitão de Infantaria e familiar do Santo Ofício, e casado com D. Margarida Rebelo de Meireles; o seu filho, Ventura Carneiro da Silva torna-se o 3º Senhor da Casa do Alvação; após a sua morte a casa é herdada pela sua irmã D. Jerónima da Silva Carneiro, casada com Domingos Ribeiro Falcão; 1719, 4 Dezembro - morre D. Jerónima da Silva Carneiro, herdando a casa, o seu filho Gervásio Ribeiro da Silva Falcão, Juiz de Fora em Esposende e Ouvidor em Valença; 1721 - Gervásio Ribeiro da Silva Falcão casa com sua prima D. Josefa Teresa Leite da Cunha; 1739, 15 Outubro - é concedida carta de armas a Gervásio Ribeiro da Silva Falcão, juntando as armas dos Ribeiro, Silva, Coelho e Abreu; 1750 - D. Teresa Josefa Coelho da Silva Leite de Andrade, filha do então proprietário, casa com o seu primo José de Távora de Abreu Leite Pereira, Senhor da Casa da Torre de Outeiro (v. PT010304020014); séc. 18, segunda metade - reconstrução da casa e capela; séc. 18, final - é Senhor da Casa do Alvação, Rosendo de Abreu Pereira Leite da Silva Coelho, filho de D. Teresa Josefa Leite de Andrade, e casado com D. Angélica Rosa de Abreu Caldas Bacelar; séc. 19, primeira metade - a casa é herdada pela filha dos anteriores proprietários, D. Ana Júlia Leite Pereira da Silva Coelho de Abreu Bacelar, Senhora da Casa do Alvação e da Torre do Outeiro, casada com António Leite Lobo de Sousa e Meireles, Senhor da Casa de Baloutas, em Painzela e da Quinta da Granja, em Faia; 1857, 11 Fevereiro - D. Isabel Maria de Meireles Leite Pereira de Abreu Bacelar, filha de D. Ana Júlia, casa com Joaquim Firmino da Cunha Reis da Mota Godinho, passando a casa estar na posse da família Cunha Reis; a casa sofre obras de remodelação, principalmente a nível da compartimentação interior, aproveitamento parte do sótão para quartos, e colocando grande água furtada na fachada lateral S.; 1901 - morre D. Isabel Maria de Abreu Bacelar, Senhora da Casa do Alvação; 1906 - morre Joaquim Firmino da Cunha Reis, Senhor da Casa do Alvação, herdando a casa, o seu filho Guilherme de Abreu Bacelar da Cunha Reis, casado com D. Maria da Assunção de Almeida e Noronha; 1938 - morre Guilherme da Cunha Reis, herdando a casa a sua filha Maria Ana da Cunha Reis; 1982 - a casa deixa de ser habitação permanente, vindo a sua então proprietária, D. Maria Ana da Cunha Reis, morar para Lisboa; 1997, 19 Junho - D. Maria Ana da Cunha Reis falece, vindo a herdar a casa a sua sobrinha e afilhada, e actual proprietária; 2002 - a casa sobre profundas obras de remodelação no sótão, com o objectivo de ser adaptado para quartos; 2005, 26 julho - proposta de classificação da proprietária; 2006, 26 setembro - proposta de abertura da DRPorto; 28 setembro - despacho de abertura da Vice-Presidente do IPPAR; 2012, 27 abril - proposta da DRCNorte para a classificação como MIP; 2012, 02 setembro - publicação do projeto de decisão relativo à classificação como Monumento de Interesse Público em Anúncio n.º 13506/2012, DR, 2.ª série, n.º 191.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Estrutura do solar, de parte da casa do caseiro, do sequeiro e dos muros, elementos decorativos, embasamento, cunhais, cornijas de remate, escadaria principal exterior, colunelos do alpendre do portal principal, fontes, pedra de armas, sineira, merlões dos muros, portal do muro N., lavabos, pavimentos do primeiro piso, mísula do púlpito, modilhões de suporte do coro-alto, pias de água benta, laterais do sotobanco do retábulo-mor, tanques e pés e mesas do espigueiro em granito; imagem do orago da capela, do nicho da fachada principal, em pedra de Ançã; parte da estrutura da casa do caseiro em taipa; estrutura dos telhados, portas, janelas, molduras, cunhais e balcão da casa do caseiro, tectos e pavimentos do solar e da capela, coro-alto, guarda do púlpito, escadarias interiores, coluna de suporte da chaminé da cozinha, paredes do corpo alpendrado da fachada lateral N., ripas dos vãos do sequeiro, e paredes do espigueiro em madeira; trave do lagar e retábulo-mor em madeira de castanho; azulejos tradicionais e industriais no interior do solar e capela; ferro nas guardas das varandas da fachada lateral S.; cobertura exterior do solar, casa do caseiro e sequeiro em telha de canudo; cobertura do espigueiro em telha marselha.

Bibliografia

SILVA, António Lambert Pereira da, Nobres casas de Portugal, Porto, 1958; Guia de Portugal, Entre Douro e Minho, vol. IV, tomo II, 3ª edição, 1996; STOOP, Anne de, Palácios e Casas Senhoriais do Minho, Porto, 2000; FAUVRELLE, Natália, Quintas do Douro. As arquitecturas do vinho do Porto, Santa Marta de Penaguião, 2001; Manuel Abranches Soveral, http://pwp.netcabo.pt/0437301501/default.htm, 25 Agosto 2004.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Proprietário: séc. 19 - Aproveitamento de parte do sótão para quartos; colocação de água furtada, virada à fachada lateral S.; construção da escadaria interior principal; restauro dos tectos de masseira; 2002 - diversas obras no solar, nomeadamente, colocação de um telhado novo, pintura dos paramentos exteriores, aproveitamento do sótão para quartos, abertura de águas furtadas, pintura da escadaria principal interior e colocação que casas de banho nos quartos; remodelação interior da casa do caseiro.

Observações

*1 - *1 - DOF: Casa e Quinta do Alvação. *2 - As adegas ainda conservam nove tonéis de cerca de 3000 litros cada, o que indiciaria uma produção de vinho verde de cerca de 27 000 litros por ano. A quinta actualmente apenas tem uma pequena produção de vinho, limitando-se a vinha ao terreiro a N. do solar, e à existente junto ao jardim, o que se traduz numa produção de cerca de 1000 litros de vinho. A avaliar pelas grandes dimensões do sequeiro e espigueiro, a quinta deveria ter igualmente uma grande produção de milho; *3 - Jorge Carneiro da Silva encontra-se sepultado na capela da casa.

Autor e Data

Joaquim Gonçalves 2004

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login