Núcleo urbano da vila de Montemor-o-Velho
| IPA.00008497 |
| Portugal, Coimbra, Montemor-o-Velho, União das freguesias de Montemor-o-Velho e Gatões |
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| Núcleo urbano sede municipal. Vila medieval de fundação senhorial com castelo, cerca e arrabalde. Núcleo urbano de formação medieval organizado em função do castelo. Circuito muralhado composto por dois recintos distintos: o recinto principal, de traçado elíptico e equipado com barbacã, ao qual se justapõe a cerca quatrocentista de planta quadrangular. As encostas suportam uma malha urbana complexa, cuja consistência depende das ligações à zona perimetral baixa. O tecido urbano da encosta conjuga diversos tipos: malhas linear ramificada, orgânica, concêntrica e reticulada irregular, esta última relacionada com o traçado da Rua Direita ao Castelo, um dos dois atravessamentos estruturantes implantados na linha de festo. A malha urbana de contacto com a planície revela um desenvolvimento linear. Também devido à irregularidade da base topográfica, identifica-se uma consequente diversidade de tipos de ruas e de espaços urbanos não lineares. Os largos traduzem preferencialmente situações de confluência viária, mostrando formas muito irregulares e usos pouco precisos, exceptuando-se apenas a Praça, pólo central da hierarquia viária, com um traçado regular. O espaço construído é dominado pelas casas de dois pisos, surgindo mais pontualmente as construções de um e três pisos, com recurso quase generalizado à escada interior. Apresentam telhados de duas águas, as paredes rebocadas e mostram uma composição relativamente simplificada, com recurso a diversos tipos de vãos rectos, com guarnições em cantaria e mais raramente em madeira. |
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| Número IPA Antigo: PT020610070038 |
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| Registo visualizado 520 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Conjunto urbano Aglomerado urbano Vila Vila medieval Vila fortificada Régia
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Descrição
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| A organização da malha urbana caracteriza-se pela dependência da zona perimetral baixa relativamente à encosta e à cota alta do Castelo, observando-se dois atravessamentos estruturantes na linha de festo, a Rua Direita ao Castelo e a Rua de Coimbra. Estas duas vias permitem a ligação directa às duas entradas no recinto defensivo, a Porta do Sol ou do Rosário e a Porta da Peste, respectivamente. Esta última constitui o actual acesso mais frequentado, através do caminho aberto em época recente. A zona muralhada apresenta uma área considerável, sendo composta por dois núcleos, cronológica e morfologicamente diferenciados. O núcleo principal, de traçado elíptico e parcialmente dotado de barbacã, é hoje um espaço ajardinado que alberga na zona central a Igreja de Santa Maria da Alcáçova e as ruínas do Paço das Infantas (v. PT020610070002 ). Justapõe-se a NO. a cerca quatrocentista, de traçado quadrangular, onde se conservam vestígios da Capela do Abade João, dissimulados entre a vegetação. Na faixa extra-muros regista-se somente as ruínas da Igreja da Madalena e da Igreja Santo António, marginando o caminho circundante que medeia o percurso externo entre as duas portas. O tecido urbano da Vila congrega dois tipos genéricos: a malha urbana da encosta e a malha urbana de contacto com a planície. A encosta E. revela uma malha linear ramificada a partir de um único espaço polarizador, o terreiro que se desenvolveu em função do Convento dos Anjos, tendendo a eleger a Rua de Coimbra como eixo fundamental apoiado na linha de festo. A encosta S. mostra uma malha urbana orgânica, relacionada com a sinuosidade dos percursos. Já a encosta O. agrega dois tipos de malha, resultado das diferentes fases de crescimento urbano, que encontram na Rua Direita ao Castelo a sua referência comum. Ligando directamente o Castelo às terras baixas, a Rua Direita gera uma malha reticulada irregular, especialmente perceptível na zona mais alta, formada por quarteirões mais ou menos rectangulares, de pequena e média dimensão, mas sem chegar a formar uma solução de continuidade com as vias transversais. Ainda nesta encosta, e na zona menos declivosa, observa-se uma malha de desenvolvimento concêntrico, polarizada numa sequência de espaços públicos agregados ao Lg. Alves de Sousa. A malha urbana de contacto com a planície é estruturada por dois eixos paralelos, com frentes urbanas contínuas, originando uma malha de desenvolvimento linear, a que não é alheio um carácter perimetral. Reconhece-se ainda uma zona de organização dispersa, relacionada com as entradas na Vila, assim como duas estruturas reflectindo uma malha de organização polar, associadas às ligações do Campo da Feira ao núcleo central. A um tecido urbano de semelhante complexidade equivale uma tipologia viária concordante, identificando-se vários tipos de ruas. As vias de limite ao tecido consolidado apresentam somente uma frente edificada e permitem a ligação às encostas, observando-se ruas estreitas que descrevem percursos sinuosos, ao mesmo tempo que ruas largas e abertas se tornam mais visíveis nos acessos ao castelo. No miolo urbano verifica-se que um significativo conjunto de vias largas marca a linha de encosto entre a colina e a planície, apresentando já duas frentes edificadas (R. António Correia de Andrade, R. Dr. José Galvão), enquanto as ruas estreitas se situam preferencialmente nas zonas declivosas. Regista-se ainda um grupo das vias abertas, isto é, desprovidas de frentes edificadas, grupo esse também sub-dividido em ruas largas, ruas estreitas e ruas muito estreitas, as últimas relacionadas com a envolvente do Castelo e com a irregularidade do suporte topográfico, observando-se que os desníveis são frequentemente vencidos através de escadas, como na zona que conduz ao Caminho de Santo António. A leitura dos espaços urbanos públicos não lineares, ou seja, largos e espaços de confluência viária, traduz uma expressiva diversidade, relacionada quase sempre com formas e usos pouco definidos, facto que a ausência de toponímia específica confirma. Localizada à cota baixa, a Praça da República, único espaço na Vila com o qualificativo de "praça" e com um traçado regular resultante da remodelação oitocentista, constitui o pólo central da rede de distribuição de fluxos. Aqui se situam os Paços do Concelho, a Casa da Misericórdia, o Mercado e as actividades com maior capacidade de atracção urbana. Agrega sequencialmente o Largo do Pelourinho, um espaço residual cujo objecto de referência já não existe, e o Largo de Tanegashima, que permite a ligação ao Campo da Feira e à Igreja da Misericórdia. Na vertente O., e quase como contraponto, ao assumir a centralidade hierárquica da parte alta da Vila, identifica-se a meia-encosta o Largo Dr. Alves de Sousa, amplo terreiro que resulta de uma sequência de espaços irregulares, justapondo a zona do Solar dos Alarcões - Hospital de Santa Marta ao antigo Largo do Outeiro e ao Largo de S. Martinho. No lado oposto, na subida para o Castelo, o Largo de S. Miguel consiste hoje, dado o desaparecimento da igreja homónima, num entroncamento de vias relacionadas com a Rua de Coimbra, compondo um espaço descaracterizado, mas que estabelece a ligação entre a Porta da Peste e a zona do Convento dos Anjos. Esta última área, balizada pelo Largo Diogo de Azambuja / Largo dos Anjos, é dominada pela rotunda que regula o atravessamento da "circular externa", observando-se o mesmo carácter indefinido de uma zona periférica no acesso à Quinta do Taipal e no Largo da Ponte da Alagoa, espaços que não ultrapassam o simples nódulo de caminhos relacionados com o trajecto da EN 111. A articulação das zonas de transição entre os diferentes tipos de malha engendrou ainda numerosos pequenos largos, de traçado muito irregular e incidência restrita, como por exemplo o antigo Terreiro Queimado (dominado pela Casa de D. Isabel de Azevedo), o Largo do Paço, o antigo Terreiro de Alrique ou ainda o local do chamado Curral do Concelho. Por outro lado, na análise do espaço urbano, e da própria tipologia do edificado, pesam também as características dos espaços privados exteriores. Na zona de planície alagável (Reserva Agrícola Nacional) identificam-se campos de milho e arroz, com escassas edificações de apoio ao cultivo, permitindo a visualização panorâmica dos perfis urbanos. Num plano intermédio surgem pequenas hortas organizadas em plataformas de aterro ou aproveitando os desníveis, embora no lado NO. junto à cerca externa se observe uma faixa de terrenos em talude, quase sem delimitação física das parcelas. Regista-se depois uma zona de transição onde se observa recurso a superfícies desniveladas, havendo já algumas edificações isoladas a assinalar. Na proximidade do Castelo os terrenos encontram-se em geral associados a logradouros, mas a vegetação espontânea e as oliveiras dominam ainda a teia de caminhos pedonais. Por fim, os logradouros ocupam plataformas planas e muradas, onde pontuam árvores de fruto e pequenos cultivos, já muito dependentes das construções confinantes. O espaço edificado é caracterizado principalmente por casas de dois pisos, rebocadas e cobertas por telhados de duas águas, com a cumeeira paralela à rua. Pontualmente, e na zona mais antiga, observam-se construções de um piso e ritmo simples de aberturas, por vezes com telhado de uma só água. À cota baixa surgem os edifícios de três pisos, ocupando lotes com frente mais larga. O sistema de comunicação vertical é feito geralmente por escadas internas em madeira, mas ainda se registam alguns casos pontuais de escadas exteriores em pedra. Os ritmos de composição apresentam-se muito variados, registando-se a conjugação de diversos tipos de vãos (janelas simples, de sacada, com avental, óculos, frestas), mostrando caixilharias de duas folhas, embora ocorra igualmente o sistema de guilhotina, enquanto as portadas surgem associadas aos celeiros. O remate do pano da fachada pode ser simples, cimalha, com beiral simples, duplo ou até triplo, ou mais pontualmente cornija. Da heterogeneidade do espaço construído, reveladora de várias épocas de construção, destaca-se, além das casas solarengas, com características muito particularizadas, onde se salienta a presença autónoma do celeiro, um tipo de casa característico do agricultor do Baixo Mondego, distinguindo o piso térreo, reservado à habitação, do piso superior destinado a celeiro, acusado na fachada por respiradouros ou óculos. |
Acessos
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| EN111, Largo Diogo da Azambuja, Largo Macedo Souto Maior, Rua Infante D. Pedro. |
Protecção
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| Inclui Castelo de Montemor-o-Velho e Igreja anexa de Santa Maria (v. PT020610070002 ) / Igreja de Nossa Senhora dos Anjos, claustro e túmlo de Diogo de Azambuja (v. PT020610070001) / Capela da Misericórdia de Montemor-o-Velho (v. PT020610070004 ) / Teatro Esther de Carvalho (v. PT020610070011) / Igreja de S. Martinho (v. PT020610070013) / Pórtico dos Pinas (v. PT020610070010 ) / Parcialmente incluído na Zona Especial de Protecção do Paúl do Taipal (Rede Natura 2000) |
Enquadramento
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| Urbano e peri-urbano. Detendo uma posição geográfica estratégica na sub-região do Baixo Mondego, ocupa um maciço calcário sobranceiro ao rio, formando uma espécie de ilha que se eleva numa vasta planície aluvial. A paisagem envolvente, dominada pelos campos de milho e arrozais, pontuados por alinhamentos de salgueiros e choupos, é organizada por uma estrutura minifudiária composta por parcelas muito estreitas e alongadas. De notar, a NO., a proximidade da Reserva Natural do Paúl de Arzila. O recinto fortificado cerca o cabeço mais alto, enquanto a mancha construída foi crescendo ao longo das encostas declivosas, em especial nas vertentes S. e SO., até atingir as terras baixas, onde se situa o Campo da Feira, já numa localização excêntrica à área inventariada. A vertente N. é muito íngreme, enquanto no lado E. a encosta, com uma inclinação média, favoreceu o crescimento urbano, o mesmo acontecendo na vertente S., apesar do acentuado declive, e ainda no lado O., com uma pendente mais suave. O centro histórico, correspondente quase integralmente à zona urbana da Vila, apresenta um perímetro marcado por um anel definido pela rede de vias distribuidoras de ligação ao exterior, com base no antigo traçado da EN 111, coincidindo com a faixa de transição entre a encosta e a planície. A área de expansão mais recente tende a concentrar-se no lado NE., único ponto onde claramente foram ultrapassados esses limites topográficos naturais, tendo como primeira referência a implantação à cota baixa do Convento dos Anjos (v. PT020610070001). A cerca de 2 km a O. localiza-se a Zona Especial de Protecção dos Montes de Santa Olaia e Ferrestelo (Rede natura 2000). |
Descrição Complementar
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| Centralidade geográfica na sub-região do Baixo Mondego e especificidade geo-morfológica, ocupando uma colina calcária que se destaca sobre os campos aluviais. O leito do rio, desde sempre irregular, foi conhecendo um crescente assoreamento que gradualmente alterou a configuração das margens, ao mesmo tempo que as cíclicas inundações propiciaram a fertilização dos sólos, aumentando a sua aptidão agrícola. Com uma posição estratégica que condicionou a preferência pela ocupação do sítio desde a época pré-histórica, Montemor desempenhou um papel importante no processo da Reconquista, enquanto ponto essencial na defesa da linha do Mondego. O crescimento demográfico, sensível a partir do séc. 12, contribuiu para o incremento agrícola e comercial. Pertencendo ao ducado de Coimbra, conheceu significativa projecção com o Infante D. Pedro, cujo desaparecimento na Batalha de Alfarrobeira pesou na progressiva perda da relevância social e política da Vila. Apesar disso, o desenvolvimento do cultivo do milho grosso e do arroz assegurou uma prosperidade económica até finais do séc. 18. Da topografia acidentada e da sobreposição das sucessivas fases de crescimento resultou uma malha urbana complexa, aparentemente muito irregular, na qual os espaços privados exteriores, em particular os logradouros murados, revelam uma especial incidência. A presença de edifícios marcantes não diminui o significado fundamental da adaptação do espaço edificado à singularidade das características morfológicas do terreno. No quadro do espaço edificado, sublinha-se o tipo de casa do agricultor do Baixo Mondego, cuja particularidade reside na reserva do último piso para celeiro. |
Utilização Inicial
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| Não aplicável |
Utilização Actual
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| Não aplicável |
Propriedade
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| Não aplicável |
Afectação
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| Não aplicável |
Época Construção
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| Séc. 12 / 15 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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Cronologia
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| Época Paleolítica e Neolítica - ocupação humana documentada nesta zona; Época do Bronze - a área hoje correspondente ao castelo conheceu uma ocupação provavelmente defensiva; séc. I d.c. - identificação de numerosos vestígios na área do castelo (destacam-se, em especial, alguns silhares romanos na torre de menagem e uma inscrição a Júpiter na Igreja da Madalena), adivinhando-se a existência de um reduto ou atalaia. No território envolvente (dependente da circunscrição de Aeminium) organizavam-se unidades agrícolas de razoável dimensão (villae), cujo desenvolvimento era favorecido pela fertilidade das planícies inundadas pelo rio e ainda pela proximidadade do mar (potenciando complementarmente a pesca e a exploração do sal), já que nessa época o estuário era mais aberto, formando um delta; séc. 4 / 5 - hipótese de continuidade na ocupação do reduto defensivo; séc. 8 - importante porto marítimo-fluvial, conheceu a instalação de um alcáçar na época muçulmana, que legou o topónimo Munt Malur; decrição de Edrisi, referindo-se à "embocadura do Mondik, rio ao pé do qual existe um castelo muito forte chamado Munt Malur construído à beira mar"; séc. 9 - a fortificação da colina encontra-se directamente documentada; provável edificação da Capela do Abade João; 848 - reconquista por Ramiro I de Leão, delegando a defesa do castelo no Abade João, talvez seu sobrinho; 878 - nova investida, na ocasião da tomada de Coimbra por Afonso III de Leão; 990 - conquista de Montemor por Almançor; 1034 - retomado por Gonçalo Trastamires; 1064 - avanço de Fernando o Magno, recuperando Coimbra e a faixa do Mondego; nomeação de D. Sesnando Davides, natural de Tentúgal e representante de significativa comunidade moçárabe, para o governo de Coimbra; 1090 - fundação da Igreja de Santa Maria da Alcáçova; 1095 - concessão da primeira carta de povoação a Montemor, por D. Raimundo, que então governava Coimbra; séc. 11, fins - primeira etapa efectiva no povoamento da zona, impulsionado pela fertilidade dos campos do Mondego e para o qual concorreu a partipação de instituições eclesiásticas (Sé e Santa Cruz de Coimbra); 1108 - concessão de foral a Tentúgal, por D. Henrique e D. Teresa, constituindo-se importante senhorio não eclesiástico; 1195 - primeira referência à Igreja de S. Martinho, situada no arrabalde; séc. 12 - com o progressivo crescimento demográfico, a área urbana ultrapassa o limite da cerca principal, até então a única existente, registando-se já a exitência de dois templos extra-muros; 1282 - concessão de foral a Pereira; 1203 - concessão de foral a Montemor-o-Novo, passando Montemor a associar o qualificativo de Velho; 1212 - outorga de foral a Montemor pelas Infantas D. Teresa (que realizou obras no castelo) e D. Branca, irmãs de D. Afonso II; 1214 - ataque de D. Afonso II, no contexto da denominada querela das Infantas; 1216 - tréguas confirmadas por bula; 1248 - confirmação do foral por D. Afonso III; séc. 13 - o movimento arroteador e povoador favoreceu o desenvolvimento das actividades comerciais e, por inerência, incentivou a rede de infraestruturas terrestres, em parte recuperando a rede viária romana, verificando-se também a construção de canais e a arborização das margens ribeirinhas, a fim de atenuar o efeito das cheias; Montemor assegurava um contingente de 21 besteiros, o que reflecte a crescente vitalidade da Vila, por comparação com os 31 de Coimbra; nesta fase, a expansão urbana começa a envolver a colina, em especial as vertentes SO. e NE., registando-se ainda a edificação das Igrejas da Madalena e do Salvador (esta última hoje inexistente); 1342 - Buarcos e Vila Nova de Anços deixam de pertecer ao termo de Montemor; 1355 - partida da comitiva régia para executar a sentença de D. Inês de Castro em Coimbra; séc. 14 - fundação da Igreja de S. Miguel (demolida); construção da barbacã, tendo D. Fernando ordenado o derrube de casas adossadas ao exterior da muralha; desenvolvimento da cultura da oliveira; 1407 - referência à "cerca velha", indício explícito da construção de nova muralha; 1426 - carta de feira franca, a pedido do Infante D. Pedro; 1449 - Batalha de Alfarrobeira e gradual perda de importância da Casa de Coimbra no panorama nacional; referência a um construtor de caravelas em Verride, actividade ainda mencionada nas margens do Mondego em 1536; 1494 - fundação do Convento de Agostinhos dedicado a Nossa Senhora dos Anjos, promovida por Diogo de Azambuja, navegador responsável pela construção do castelo da Mina e uma das numerosas figuras dos Descobrimentos ligadas às terras do Baixo Mondego; séc. 15 - introdução do milho grosso, propiciando um crescimento agrícola significativo; maior controlo (régio e concelhio) das obras hidráulicas, fiscalizando-se a abertura e conservação das valas, através de funcionários especializados, os valadores; protagonismo do Infante D. Pedro, Duque de Coimbra, cujo senhorio englobava ainda Tentúgal, Montemor, Pereira, Buarcos, promovendo a construção da nova cerca do Castelo; expansão da mancha construída, registando-se ainda a edificação da Capela de S. Pedro e dos Clérigos, assim como da Casa dos Pinas e da Casa de D. Isabel de Azevedo (filha de um fidalgo de D. João I), situada no Largo do Terreiro Queimado; 1500 - edificação da Igreja de Santo António; 1517 - foral novo; 1527 - a vila contava 496 fogos (cerca de 2232 habitantes) e o termo 2339 fogos; séc. 16 - descida do casario pela encosta, assinalando-se a construção do Hospital e Igreja da Misericórdia, Hospital de Santa Marta, dependências conventuais dos Anjos, Casa dos Chichorros e Cruzeiro da Feira; 1612 / 1617 - datas epigrafadas em duas casas abastadas (R. Direita, R. José Galvão); séc. 17 - estagnação demográfica e ruína de alguns imóveis; edificação da Casa de Despacho da Misericórdia; instituição do Oratório de S. Luís, depois transformado em casa conventual (actual Quinta do Taipal); introdução do cultivo de arroz na Quinta de Almiara (Verride, v. 0610120021), pelos frades de Santa Cruz de Coimbra; 1706 - cabeça de Comarca (Costa, 1706); séc. 18, fins - trabalhos de regularização do leito do Mondego, da responsabilidade de Estevão Dias Cabral; 1771 - criação do concelho da Figueira da Foz; 1797 - referência ao celeiro da Casa dos Mexias; séc. 18 - consolidação da malha, estabilizando-se o perímetro urbano; a R. Direita ao Castelo mantinha a fixação preferencial das famílias nobres e abastadas, embora a R. José Galvão constituísse um importante pólo de atracção; construção do Solar dos Alarcões, do Pórtico dos Pinas, da Capela do Hospital de Santa Marta e da Igreja Nova junto à Porta do Sol (demolida); remodelação da fachada da Igreja da Misericórdia; 1881 - reedificação da Igreja de Santo António; 1889 / 1892 - construção do edifício neo-gótico dos Paços do Concelho, alterando-se o traçado da Praça; séc. 19 - recessão demográfica (epidemias de paludismo e emigração); assoreamento do Mondego e crescente impacto das cheias; reconstrução da Igreja de S. Martinho, do Solar dos Mexias e dos Alarcões; 1921 - construção do mercado municipal, no local onde se localizava a Capela da Câmara; 1962 - regularização do leito do Mondego, pela Direcção Geral dos Serviços Hidráulicos; 1970 / 1971 - construção da Ponte da Alagoa; 1970 / 1980 - construção da variante à EN 111; 1973 - construção do PT nº 30 no largo junto à R. Direita; 1991 - a Vila possuía 2396 habitantes, enquanto o centro histórico contava apenas cerca de 500 indivíduos; 1997 - a população residente na zona de intervenção do Plano de Salvaguarda somava 506 habitantes e 525 imóveis (correspondendo a 658 fracções). |
Dados Técnicos
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| Não aplicável |
Materiais
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| Não aplicável |
Bibliografia
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| COSTA, Carvalho da, Corografia Portuguesa, Tomo II, p. 91, Lisboa, 1706; MARTINS, A. Fernandes, O Esforço do Homem na Bacia do Mondego, Coimbra, 1940; CONCEIÇÃO, A. Santos, Terras de Montemor-o-Velho, [1944], Montemor-o-Velho, 1992; GONÇALVES, A. Nogueira, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Coimbra, Lisboa, 1953; COELHO, Maria Helena da Cruz, O Baixo Mondego nos Finais da Idade Média, Lisboa, 2ª ed., 1988; SENNA MARTINEZ, Pré-História Recente da Bacia do Médio e Alto Mondego. Alguma contribuições para um modelo socio-cultural, Dissertação de Doutoramento, Faculdade de Letras de Lisboa, 1989; MARQUES, Alfredo Pinheiro, A Maldição da Memória do Infante Dom Pedro e as Origens dos Descobrimentos Portugueses, Figueira da Foz, 1994; COUTINHO, José Eduardo dos Reis, "Lápides Moçárabes de Montemor-o-Velho", Munda, Coimbra, 1995; DIAS, Pedro, Montemor-o-Velho, Pereira e Tentúgal - Levantamento do Património Histórico-Arquitectónico, trab. inédito, s.d.; MATOS, Teresa da Cunha, Nossa Senhora dos Anjos de Montemor-o-Velho. Um caso exemplar da evolução do Gótico Flamejante ao Maneirismo, Dissertação de Mestrado, Faculdade de Letras de Coimbra, 1996; FIGUEIRA, Miguel, coord., Plano de Urbanização de Salvaguarda do Centro Histórico de Montemor-o-Velho, 1997-2000. |
Documentação Gráfica
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| IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC; CMMV; DGOTDU, Arquivo Histórico (Anteplano de Urbanização de Montemor-O-Velho, Arq. Fernando Távora, 1960) |
Documentação Fotográfica
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| IHRU: DGEMN/DSID |
Documentação Administrativa
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| CMMV; Misericórdia de Montemor-o-Velho |
Intervenção Realizada
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| DGEMN: 1936 / 1937 / 1939 / 1945 / 1961 - obras de restauro na Igreja de Santa Maria da Alcáçova; 1936 / 1937 / 1939 / 1941 / 1942 - obras de restauro nas muralhas; 1942 - início da remoção do cemitério situado intra-muros; 1962 - obras de reparação no castelo e na Igreja de Santa Maria; 1967 - arranjo dos terrenos intra-muros; 1969 - Plano Geral de requalificação do recinto muralhado; 1970 - remoção dos jazigos ainda existentes no antigo cemitério; anos 70 - construção da estrada de acesso ao castelo na encosta; 1974 / 1983 - obras de conservação e restauro na Igreja de Santa Maria; 1986 - construção de instalações sanitárias junto à Porta do Sol. Direcção-Geral dos Serviços Hidráulicos: 1962 - Plano geral de aproveitamento hidráulico da bacia do Mondego; 1980 - aterro da vala de rega. IPPAR: 1996 / 1999 - arranjo paisagístico do recinto muralhado principal, consolidação das ruínas do Paço das Infantas e construção da Casa de Chá. CMMV - 1961 - construção de reservatório de água no castelo; início da construção da rede pública de abastecimento de águas; 1981 / 1986 - construção da rede de drenagem de águas residuais domésticas; 1985 - calcetamento do Largo dos Anjos; 1989 - renovação da rede de distribuição de energia eléctrica; 1990 - renovação da rede de águas; 1992 / 1993 - demolição de edifícios para alargamento do Largo do Curral do Concelho; 1995 - rectificação da antiga curva da EN 111 e construção da rotunda; 2000 - início da renovação dos pavimentos viários e infraestruturas. |
Observações
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| Análise dos aspectos históricos e morfológicos feita com base no Plano de Urbanização de Salvaguarda do Centro Histórico de Montemor-o-Velho. Existe na DRMC um estudo para definição da ZEP de Montemor-o-Velho datado de 1987. A área inventariada, coincidente com a zona de intervenção do Plano de Pormenor, foi classificada pelo Plano Director Municipal como Espaço Cultural (artigo 53 do Regulamento do PDM, assinalado na respectiva Planta de Ordenamento). Na área do castelo foram recolhidos fragmentos escultóricos e arquitectónicos da época muçulmana, que se conservam no Museu Nacional Machado do Castro. A cultura moçárabe encontra-se também documentada por inscrições que se encontram depositadas no Convento dos Anjos. Montemor-o-Velho tem-se destacado no panorama nacional por um assinalável conjunto de eventos culturais, dos quais destacamos o CITEMOR, festival de teatro anual, promovido pelo Centro de Iniciação Teatral Esther de Carvalho. Registam-se numerosas feiras temáticas (artesanato, livro, cavalo) e a actividade regular das seguintes instituições: Filarmónica 25 de Setembro (com tradição centenária), Associação Fernão Mendes Pinto (com actividade na área da divulgação das artes e ofícios tradicionais) e Associação Torre de Menagem (para a defesa do património). A equipa do GTL de Montemor-o-Novo desenvolveu também um ambicioso programa de dinamização socio-cultural para a revitalização do Centro Histórico, prevendo a criação de diferentes núcleos museológicos (Território, Recursos e Arte) articulados com a organização de percursos urbanos e a adaptação de imóveis marcantes para usos colectivos. No âmbito dos programas PROCOM / PROSIURB avulta a intenção de consolidar a noção de "fachada da Vila". Encontra-se ainda prevista a construção de uma pista internacional de remo. |
Autor e Data
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| Anouk Costa, Lobo Carvalho, Margarida Tavares, Teresa Ferrreira 2000 |
Actualização
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