Castelo de Penamacor / Castelo e cerca urbana de Penamacor

IPA.00000844
Portugal, Castelo Branco, Penamacor, Penamacor
 
Fortificação terrestre com castelo da época medieval, provavelmente construído na transição do séc. 12 para o 13, pela Ordem do Templo, em local estratégico, e cerca urbana de finais do 13 / inícios do 14, remodelados no séc. 15 e no 16, a que se acrescentou fortaleza abaluartada, em meados do séc. 17, articulando-se com outros castelos da Beira. Não existe documentação a comprovar a doação de Penamacor à Ordem, mas a povoação integrava-se no território de Idanha e Monsanto, dado por D. Afonso Henriques, em 1165, aos Templários, sendo possível que, apesar da grande instabilidade, a Ordem ali tivesse construído o castelo antes de D. Sancho I lhe conceder foral (1209), para fixação de habitantes, visto o documento já referir o pretor ou alcaide. A construção da cerca urbana da vila e da barbacã também não estão documentadas, mas normalmente são atribuídas, respetivamente, ao período de reformas nas fortificações fronteiriças por D. Dinis (1279-1325), e ao reinado de D. Fernando (1367-1383). Ao certo, sabe-se que, em 1471, D. Afonso V determina que o dinheiro da vila fosse aplicado à "mui necessária obra do castelo", ainda que se desconheça a natureza das obras. Em finais do séc. 15, D. Afonso V doa a fortificação e vila de Penamacor ao príncipe João, e, em 1498, D. Manuel integra-a na Coroa, iniciando-se, pouco depois, um período de obras. Assim, após vários séculos de adaptação às necessidades de defesa, Duarte de Armas representa o castelo com planta irregular, composto por torre de menagem, fora do circuito muralhado, que envolvia vários aposentos sobradados, dependências e pátios, com duas portas: a principal, a nascente, protegida por barbacã em L, com dois cubelos ultra-semicirculares a nascente e acesso por porta simples, a partir da vila, e a porta falsa, a sul, na zona mais escarpada, com pequena barbacã. As barbacãs, as troneiras rasgadas, algumas cruzetadas, e os balcões com matacães, um deles sobre a porta falsa, denotavam a sua adaptação, no séc. 14 / 15, à defesa ativa. A partir do castelo desenvolvia-se, para poente, a cerca urbana, que tinha grande torre retangular e barbacã extensa na frente norte, então já arruinada. Do castelo subsiste a torre de menagem, construída sobre os afloramentos rochosos no local mais elevado, com planta quadrangular, paramentos aprumados em cantaria siglada e com pequeno ressalto, interiormente de três pisos, sendo o acesso sobrelevado, por porta em arco, encimada por inscrição, delida. No início de quinhentos recebeu obras, conforme atestam as armas e uma das insígnias de D. Manuel (esfera armilar) na face norte, e os desenhos de Duarte de Armas, que, no Códice de Lisboa, refere a torre não estar acabada e, no de Madrid, representa um guindaste a transportar blocos de pedra para a torre. Portanto, das obras no castelo, nas primeiras décadas de quinhentos, consta, pelo menos, a reforma da torre, com a feitura de um balcão corrido ou machicoulis, para fazer tiro vertical, de que se conservam as mísulas de suporte *10. As escavações arqueológicas nas imediações da torre puseram a descoberto algumas estruturas da antiga alcáçova e da barbacã, como fragmentos de piso lajeado de dependências, arranques de muros, a base da muralha virada a nascente, com um pequeno compartimento lateral, e a sul um segmento da barbacã, com paredes duplas e enchimento de terras. Do castelo subsiste ainda o poço d'El-Rei, descrito nas Memórias Paroquiais de 1758 com 8 palmos de largura interior e 92 de fundo, sendo de alvenaria até meio e, daí para baixo, aberto na rocha, com uma nascente de água doce e outra salobra. O poço foi entulhado pelos espanhóis, durante a Guerra do Pacto de Família (1762), e já no séc. 20, pelo Município (1933). Da cerca da vila, conserva-se pano de muralha a norte, de paramentos aprumados e remate simples, moderno, interiormente percorrido por adarve, tendo para poente ampla torre retangular, avançada para o exterior, não parecendo corresponder à representada por Duarte de Armas. A torre e respetiva estrutura e modinatura da porta, com arco apontado e biselado ao nível térreo, aponta para a sua feitura ainda em quinhentos, sendo posteriormente encimada por torre sineira. No extremo norte da muralha, abria-se a porta da vila, flanqueada por duas torres quadrangulares, conforme indicia as arestas dos seus cunhais, as quais foram reformadas e unificadas para construir superiormente a casa da câmara, avançando-se a porta, em arco apontado, até ao alinhamento das torres. Esta obra será de 1567, data nas armas da fachada principal, ainda que essas sejam ladeadas por esferas armilares, tendo-se depois, na segunda metade do séc. 18, reformado as janelas da casa da câmara. No âmbito da Guerra da Restauração, a defesa de Penamacor foi reforçada com a construção de uma fortificação abaluartada, envolvendo grande parte do burgo extramuros, com paramentos em talude, composta por seis baluartes e três meios baluartes, desenvolvida a partir da frente norte e adossada às muralhas medievais, com acesso por duas portas magistrais e duas poternas. Formaram-se assim dois núcleos defensivos: o primeiro constituído pelas cortinas abaluartadas, e o segundo, no Cimo da Vila, pelas muralhas medievais, cuja frente norte, com a porta da vila e a torre do relógio, cortava o núcleo populacional. Da fortaleza subsistem apenas quatro baluartes, alguns com canhoneiras, um junto à porta da vila e os outros dispersos na vila, que absorveu os restantes e as cortinas, sobretudo a partir de finais do séc. 19. De facto, a explosão do paiol do castelo, devido à queda de um raio, em 1739, os conflitos militares no séc. 18 e 19, e a perda de importância estratégica da praça, determinaram o seu abandono e ruína, com a consequente demolição, reaproveitamento ou integração das estruturas na malha urbana. O castelo tinha contacto visual com os de Monsanto e Castelo-Branco, também da Ordem do Templo e a sua defesa era reforçada por atalaias, sendo uma representada por Duarte de Armas junto à vila.
Número IPA Antigo: PT020507100004
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo e cerca urbana    

Descrição

Fortificação composta por troços e estruturas de dois núcleos construtivos: o medieval e o moderno. Da FORTIFICAÇÃO MEDIEVAL subsiste, no limite nascente da povoação e na zona mais elevada da mesma, a torre de menagem e o poço d'El-Rei, e, no limite norte do cabeço, a torre do relógio e um pano de muralha, desenvolvido para nordeste, no término do qual se abre a porta da vila e se integram os antigos paços da câmara. As estruturas possuem paramentos aprumados, em cantaria de granito, a da torre de menagem siglada. TORRE DE MENAGEM de planta quadrada e fachadas com soco biselado bastante alto, terminadas em cachorrada, recortada, e cobertura plana de cantaria. A face virada a nascente é rasgada por portal sobrelevado, de arco deprimido, acedido por escada em ferro, de dois lanços, e encimado por inscrição, atualmente ilegível. Na face norte existe, ao nível do último piso, inseridas em moldura retilínea, as armas reais, ladeadas por esferas armilares; a face sul é cega e na poente abre-se seteira, ao nível do piso intermédio, e janela retilínea, sem moldura, no terceiro. INTERIOR de três pisos, o inferior fechado. O poço d'El-Rei dispõe-se a nordeste da torre e tem planta arredondada, de grande dimensão, sendo delimitado por muro em alvenaria de pedra. A CERCA URBANA de Penamacor foi demolida ou integrada na malha urbana, sendo percetível o seu perímetro de traçado ovalado irregular. Subsiste troço de MURALHA a noroeste, de remate simples, capeado a cantaria, com aparelho irregular no topo norte, sendo interiormente percorrido por adarve. A poente, adossada pelo exterior, surge a TORRE DO RELÓGIO, de planta quadrada, com soco biselado, e remate em parapeito ameado, de ameias pentagonais, exceto na face interna, onde existe, ao nível do adarve da muralha, alpendre telhado, ladeado por escadas de acesso ao adarve da torre. No ângulo nordeste da torre, integra torre sineira, quadrangular, rematada em cornija e cobertura piramidal, coroada por catavento, e com pináculos longilíneos nos cunhais; cada uma das faces é rasgada por ventanas de arco em asa de cesto, com relógio circular na face norte, alteando a cornija. A torre possui duas faces cegas e a virada a poente é rasgada, ao nível do piso térreo, portal em arco apontado, de aduelas largas biseladas sobre os pés direito, sendo encimado por baixo relevo moldurado, contendo a representação de um cavaleiro. No interior possui dois pisos. No cunhal interno sudoeste existe arranque de antigas estruturas. No extremo nordeste dispõe-se a CASA DA CÂMARA, de planta retangular, e cobertura em telhado de quatro águas, rematadas em beirada simples. As fachadas evoluem em dois pisos, rematadas em cornija integrando gárgulas de canhão na principal virada a norte e avançada da muralha, possuindo aparelho de grande irregularidade. Inferiormente abre-se a porta da vila, em arco apontado, e, no segundo piso, duas janelas de peitoril, de arco abatido, com moldura rematada em cornija decorada com concheado no fecho; ao centro, ostenta as armas de nacionais, com a data "1568" inscrita, entre duas esferas armilares. Na fachada posterior, a porta da vila apresenta trânsito em abóbada de berço, com duplo arco de volta perfeita, e rastrilho em madeira. Ao nível do segundo piso, rasga-se porta de verga reta com moldura terminada em cornija, encimada pelas armas do concelho, entre duas esferas armilares, precedida por lanço de escadas, com guarda em madeira, e janela idêntica à da fachada principal. INTERIOR: de dois pisos, com duas dependências, de pavimentos em cantaria, e as janelas com conversadeiras. Junto à câmara existe pequeno corpo quadrangular, com cobertura em telhado de quatro águas, cuja fachada virada a norte apresenta grande irregularidade, com ressalto a meio e sendo e rasgada por pequena janela quadrangular. A FORTIFICAÇÃO ABALUARTADA encontra-se bastante destruída, tendo as cortinas sido total ou parcialmente aglutinadas pelo casario que as envolveu, aproveitando os seus muros como alicerces ou para delimitar propriedades, e reaproveitando-se os seus materiais nas novas construções. Subsistem alguns baluartes, integrados no tecido urbano, com escarpa exterior em talude, em cantaria de granito, de aparelho mais ou menos regular. Um a norte, contíguo à casa da câmara, e interligado ao afloramento rochoso, rematado em parapeito com duas canhoneiras, e com terrapleno pavimentado a paralelos; o denominado baluarte Reduto da Cavalaria, implantado a sudoeste do Quartel da Guarda Fiscal, sem remate; um a sudeste do Convento de Santo António, com parapeito simples; e o baluarte conhecido como Reduto do Outeiro, a nordeste da Rua do Outeiro e contornado pela En Norte, com terrapleno de terra e parapeito simples.

Acessos

Penamacor, Largo do Castelo; Rua do Cimo da Vila; Rua da Misericórdia; Rua dos Pelames (baluarte da Cavaleira); Rua da Nova (baluarte junto ao Convento de Santo António); Rua do Outeiro e EN norte (baluarte do Outeiro). WGS84 (graus decimais) lat.: 40,167684, long.: -7,167625

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 14/2013, DR, 1.ª série, n.º 119 de 24 junho 2013

Enquadramento

Urbano, isolado ou adossado. A fortificação medieval implanta-se num cabeço alongado, no sentido nascente - poente, relativamente aplanado, com cerca de 600 m. de altitude, situado entre as Ribeiras de Ceife e de Taliscas, sub-afluentes do Tejo através do Rio Pônsul, situado no lado sul da Cova da Beira. As estruturas implantam-se adaptadas ao declive do terreno, no Cimo da Vila sobre os afloramentos rochosos. A torre de menagem ergue-se atualmente isolada, sobre o ponto mais elevado do cabeço, com grandes afloramentos, dispondo-se nas suas imediações, o depósito de água e o poço d'El-Rei. Em frente da porta da vila e da casa da câmara, ergue-se o Pelourinho de Penamacor, e nas imediações, numa cota inferior, mais para poente, a Igreja da Misericórdia (v. IPA.00007304). No interior da antiga cerca urbana, ergue-se a Igreja Paroquial de São Pedro / Igreja de São Pedro (v. IPA.00009336). Da plataforma do castelo, vislumbra-se vasto território, desde a fronteira leonesa até à Serra da Estrela, destacando-se o Castelo do Monsanto (v. IPA.00003930).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: castelo e cerca urbana

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 13 / 14 / 15 / 16 / 17

Arquitecto / Construtor / Autor

ANTROPÓLOGA: Cláudia Margarida Lopes dos Santos (2004-2005). ARQUEÓLOGOS: André Teixeira (2003), Silvana Maria Santos Ferreira Silvério (2003-2009). EMPREITEIROS: José de Sousa Borrego (1986), Saul de Oliveira Esteves (1950-1951). ENGENHEIRO MILITAR: João Ortega (séc. 16), Manuel Pinto Vilalobos (1719), Pedro Gilles de Saint-Paul (atribuído - 1641). FUNDIDOR: José António Linhares (séc. 19). RELOJOEIRO: Cesário Correia da Silva (séc. 19).

Cronologia

1165 - D. Afonso Henriques doa as terras de Idanha e Monsanto à Ordem do Templo, para que fossem povoadas e fortificadas *1; séc. 12 - séc. 13 - época provável da construção do castelo pela Ordem do Templo; 1209, março - D. Sancho I concede foral a Penamacor, que no final da carta refere o pretor (alcaide), o quidiácono e o porteiro que "começou a povoar"; 1217, novembro - D. Afonso II confirma o foral dado por seu pai a Penamacor; 1262 - D. Afonso III instituiu uma feira anual em Penamacor; 1279 - 1325 - D. Dinis ordena importante conjunto de reformas nas fortificações fronteiriças, sendo atribuído a este período, a cerca urbana da vila; 1290 - Penamacor tem 700 moradores; 1307, 12 agosto - o papa Clemente V, pela bula "Regnans in ecclesis triumphans", dirigida a D. Dinis, convida o rei a acompanhar os prelados de Portugal ao Concílio de Viena, onde se procuraria determinar o que fazer da Ordem do Templo e dos seus bens, por causa dos erros e excessos que os seus cavaleiros e comendadores haviam cometido; pouco depois, pelas letras "Deus ultiorum dominus", dirigidas ao arcebispo de Braga e bispo do Porto, nomeia-os como administradores dos bens templários em Portugal; D. Dinis empreende uma série de medidas, internas e externas, para evitar que os bens dos Templários em Portugal integrassem o património da Ordem do Hospital; assim, ordena que seja tirada inquirição sobre o património da Ordem; Castelo Branco volta a integrar o património da Coroa; 1312, 22 março - extinção da Ordem do Tempo, pela bula "Vox clamantis"; 02 maio - bula "Ad Provirem" concede aos soberanos a posse interina dos bens da Ordem do Templo, até o conselho decidir o que fazer com eles; 1319, 14 março - bula "Ad ea ex quibus" de João XXII institui a Ordem de Cavalaria de Jesus Cristo, ou a Ordem de Cristo, para quem passam todos os bens e pertenças da Ordem do Templo: "outorgamos e doamos e ajuntamos e encorporamos e anexamos para todo o sempre, à dita Ordem de Jesus Cristo (...), Castelo Branco, Longroiva, Tomar, Almourol e todos os outros castelos, fortalezas e todos os outros bens, móveis e de raiz"; 20 novembro - documento do primeiro mestre da Ordem de Cristo, Frei Gil Martins regista as doações feitas por D. Dinis; 1321, 11 junho - divisão em 38 comendas da Ordem de Cristo dos antigos bens pertencentes aos Templários, uma das quais é Idanha-a-Velha, onde se integrava Penamacor; 1367 - 1383 - talvez durante o reinado de D. Fernando, dá-se início à construção da barbacã no Cimo da Vila; o rei concede ainda privilégios a Penamacor, retirados ao concelho da Covilhã; 1379 - rei funda couto de homiziados em Penamacor, justificando-se o concelho quando escreve ao rei D. Fernando que "a villa estaa em logar de fromteyra e que agora havya hy pouca gente", pelo que precisam do couto para que fosse "melhor pobrada"; o rei autoriza a que ali vivessem cem homiziados; 1383 / 1385 - durante a crise da sucessão, a vila e seu castelo tomam o partido pelo Mestre de Avis; 1385, 03 abril - D. João I reitera os seus privilégios, foros, liberdades e bons costumes e a soberania régia; 1386, 02 julho - D. João I vai a Penamacor e renova os privilégios antigos da vila e concede-lhes novos; 1441 - Penamacor tem alcaide-mor e alcaide das sacas; 1471, 30 novembro - carta de mercê de D. Afonso V para que o dinheiro da vila seja aplicado à "mui necessária obra do castelo" *2; 1476 - D, Afonso V eleva Lopo de Albuquerque a 1.º conde de Penamacor, pelos bons serviços prestados em África e em Castela; 1478 - D. Afonso V doa a vila de Penamacor com a sua fortificação ao filho, o príncipe D. João; 1496 - na Inquirição, é referida a existência de 386 vizinhos; 1497, 16 maio - D. Manuel renova os privilégios anteriores de Penamacor; 1498, 22 fevereiro - na sequência de agravos concelhios levados às Cortes de Lisboa nesse ano, o rei dá o privilégio de a vila voltar a ser "realenga", isto é, da Coroa, "para todo o sempre"; 1499, 02 agosto - mercê da alcaidaria do castelo a João Roiz de Vasconcelos, fidalgo da casa d'el-Rei, a qual vagar por falecimento de Rui Mendes, seu pai, com todas as rendas e direitos; 1501, 05 maio - mercê a Sebastião Martins do ofício de escrivão das obras da vila, com o mantimento apropriado desde que nessas obras andassem de quatro pedreiros para cima com os seus servidores de forma a reparar o castelo e as muralhas da vila; 1505, 14 outubro - elaboração do Tombo dos bens da comenda de Idanha-a-Velha, da Ordem de Cristo, onde se integra Penamacor *3; 1509, cerca - representação da vila e do castelo de Penamacor por Duarte de Armas *4; segundo o Códice de Madrid de Duarte de Armas, decorriam obras no castelo, nomeadamente na torre de menagem; 1510, 01 junho - D. Manuel concede foral novo a Penamacor; 1515, cerca - D. Manuel ordena a realização de obras no castelo, destacando-se a colocação das armas reais numa das faces da torre de menagem e nos paços do concelho; nas obras trabalha o mestre local João de Ortega; 1515 - visto o vedor das obras Lopo Vaz ter ido viver para mais de 20 léguas da vila, é nomeado em seu lugar Luís Esteves, que era escrivão e tabelião da Câmara; 1518 - este é substituído por Francisco Alfaia, cavaleiro e alcaide do castelo, com um mantimento de $020 por dia enquanto durassem as obras, devendo ser acompanhado de 4 oficiais e 10 servidores; 1527 - no Numeramento, é referida a existência de 844 moradores; 1568 - data inscrita no brasão da antiga casa da câmara, edificada sobre as portas da Vila, com duas salas, uma para as sessões e outra para o escrivão; 1580 - a vereação de Penamacor aclama D. Filipe I como rei de Portugal, entrando as suas muralhas em declínio, como medida da política de anexação da Península Ibérica; 1600 - incêndio faz arder parte do cartório da Câmara; 1640 - após a aclamação de D. João IV como rei de Portugal, o governador das Armas da Beira toma medidas para guarnecer a fronteira e prover a sua defesa; as povoações da raia são reforçadas, guarnecendo-se os muros, portas, fossos e trincheiras, e são dotadas com meios humanos capazes de fazer frente ao invasor castelhano; dão-se os primeiros passos para fortificar a vila de Penamacor à moderna; 1641, cerca - 1642 - D. Álvaro de Abranches da Câmara, governador Militar das Armas da Beira, visita todas as povoações da fronteira, entre os rios Douro e o Tejo, para as fortificar; 1641 - o engenheiro francês Pedro Gilles de Saint-Paul é enviado para assistir às fortificações de Almeida e de toda a Província da Beira, podendo atribuir-se-lhe, com alguma reserva, a fortificação abaluartada de Penamacor *5; nas obras da fortificação, que não tinha revelins nem fosso, utiliza-se pedra granítica extraída de uma pedreira localizada a 5 km a norte de Penamacor; 1645 - o governador das armas da Província da Beira o conde de Serém, D. Fernando de Mascarenhas, pela extensão da Província da Beira, divide o território em Beira Alta, com sede no Governo Militar em Almeida, e Beira Baixa, com sede do Governo Militar em Penamacor; 1670, 14 novembro - provisão régia para se construir um Real Hospital Militar na Praça de Penamacor, em conformidade com o exemplo do Hospital Militar da Praça de Almeida; 1670 - 1671 - construção do Real Hospital Militar de São João de Deus; 1686 - o sargento-mor engenheiro militar Jerónimo Velho de Azevedo é autorizado a lecionar fortificação nas praças de Almeida e Penamacor, tendo como ajudante seu filho António Velho de Azevedo; séc. 18 - reforma da casa da câmara, com alteração dos vãos; 1712 - o Padre Carvalho da Costa refere que o senado tinha voto em Cortes, com assento no banco 11; 1719 - reparações no castelo, efetuadas sob a direção de Manuel Pinto Vilalobos; 1739, 06 junho - uma violenta explosão, provocada pela queda de um raio no paiol junto à torre de menagem do castelo, provoca grandes danos materiais no aglomerado urbano e na fortificação; 1740 - existência de um regimento de infantaria no local; séc. 18, meados - construção de cemitério perto da torre do relógio no Cimo da Vila; 1755, 01 novembro - a freguesia não sofre qualquer ruína com o terramoto; 1758 - segundo as Memórias Paroquiais, a povoação de Penamacor pertence ao rei, tendo o castelo uma torre a sul, o poço d'El-Rei a nascente, a câmara e a cadeia, ambas com acesso pelo muro exterior da torre do relógio, tendo por toda a circunferência os muros em várias partes demolidos; a muralha abaluartada era singela e de pedra comum, com seis baluartes e duas portas, a dos Carros para nascente e a de Santo António, a poente *6; 1762 - o governo militar, os vereadores municipais e a população rende-se ao exército castelhano, que invade Portugal, na sequência da Guerra do Pacto de Família; nesta data, as portas da fortaleza já estão arruinados, sem peças de artilharia capazes de fazer fogo, durante muito tempo, e a guarnição não estava preparada para sofrer um ataque; data da planta da praça abaluartada de Penamacor, realizada pelo exército espanhol; 1763 - devolução da praça de Penamacor a Portugal, depois da assinatura do Tratado de Paris; quando inquirido pelo marquês de Pombal sobre o motivo da capitulação da praça, o governador de Penamacor diz que "As muralhas estavam em avançado estado de ruína, os portões apodrecidos, que faltavam soldados ao Regimento e os mesmos não tinham armas e munições para fazer frente aos invasores"; 1764, cerca - adaptação do Hospital a Quartel de Infantaria; 1764 - conde de Lippe visita as várias fortificações do país, nomeadamente Penamacor, que diz ser "terra triste, pobre e incapaz de defesa, tendo as suas fortificações comandadas por todas as partes"; 1773 - o Real Hospital Militar, com todos os seus bens, e o Regimento de Infantaria transitam para a praça de Almeida, ficando em Penamacor um destacamento de 15 homens; 1790, março - quando o marquês de Alorna, D. Pedro de Almeida Portugal, visita as praças do norte do reino, passa por Penamacor e, em relatório, informa o estado da praça *7; na sequência deste relatório, é projetado um forte para proteger o Convento de Santo António, fazendo do local um reduto para metralhar Penamacor; são assim construídos pequenos muros em forma de escarpa, não concluindo o profeto inicial, pois não se fecha o perímetro delineado; 1797, 07 abril - relação do estado em que se acha a praça de Penamacor, pelo coronel governador Francisco de Sá Gomes, refere que a fortificação das muralhas está totalmente arruinada, com quatro brechas por onde entram e saem carros, cinco brechas por onde entram a pé ou de cavalo, 2 baluartes do castelo completamente arruinados e cinco baluartes do arrabalde arruinados; as portas só têm os portais e arruinados; quanto a artilharia, tem 10 peças de ferro sem munições e encravadas; quanto a munições, nada resta na praça; 1806, 19 maio - criação do Regimento de Infantaria n.º 11, para ficar com sede em Penamacor; 1810, 31 julho - nas terceiras Invasões Francesas, as tropas napoleónicas conquistam Penamacor e estabelecem o seu quartel-general no convento de Santo António; 1811 - o major inglês Thomas S. St. desenha uma vista da vila e do castelo; 1826, 25 dezembro - extinção do Regimento de Infantaria n.º 11; 1828 - criação em Penamacor de um Batalhão de Voluntários Realistas, sendo seu comandante José de Pina Machado de Morais Borges Ferraz; 1834 - saída do regimento de Infantaria n.º 11; Penamacor tem então 7000 moradores; inicia-se a progressiva ruína e destruição das muralhas, sobretudo com a perda da sua importância estratégica, sendo integradas nas habitações que se vão construindo e os materiais reaproveitados em diversas construções civis; 1850, maio - colocação na vila do Batalhão de Caçadores n.º 8; 1851, 17 abril - saída do Batalhão de Caçadores n.º 8; 1853 - levantamento da planta das antigas fortificações da vila de Penamacor e seus principais edifícios (castelo, Igreja de Santa Maria da Penha, Igreja de São Pedro, Portas da Vila, Paços do concelho e prisão civil, Porta de Santo António, Porta dos Carros, Igreja da Misericórdia, Igreja Paroquial, Quartel e latrinas no convento de Santo António), pelo capitão engenheiro Joaquim António Dias *8; 1855 - elaboração de planta da praça de Penamacor, localizando os equipamentos militares, o estado das muralhas e as curvas de nível do terreno acidentado envolvendo a fortaleza; 1857 - data do último enterramento no Cimo da Vila; 1858 - o major engenheiro José Boteiro de Vasconcelos está em Penamacor para fazer a demarcação da fronteira; 1867 - demolição das portas de Santo António para construção dos Paços do Concelho e aquisição da pedra pelo município, pela quantia de 60$000; feitura do novo relógio municipal por Cesário Correia da Silva, por 100$000; o sino é feito por 115$325, por José António Linhares, de Ourondo, sendo-lhe dado o sino velho; 1874, 30 setembro - Baltazar Pereira da Silva obtém autorização para tirar pedra do baluarte junto à mata, com o objetivo de fazer uma divisória de propriedade, concedendo-lhe a Câmara 30 carros; 1884, dezembro - Câmara de Penamacor agradece a Vaz Preto a colocação do Regimento de Infantaria 24; 1886, 17 julho - arrematação da pedra da porta Monturo dos Negros, situada junto ao Jardim da República, para usufruto do município; a sua pedra é utilizada na construção da Avenida e dos passeios da vila e, posteriormente, em obras de particular; 1894, depois - demolição das portas de Santo António, por constituírem um obstáculo para quem quisesse entrar na fortaleza; 1897 - o major engenheiro Silvério Abranches Coelho de Lemos e Meneses projeta obras para a torre de menagem; séc. 20, inícios - descrição dos baluartes do castelo pelo tenente-coronel Júlio Rodrigues da Silva *9; 1933 - entulhamento da cisterna ou poço d'El Rei pelo município; 1943 - instalação do Museu Municipal na antiga Casa da Câmara, por iniciativa de Mário Pires Bento, secretário da Câmara; 1973, 19 fevereiro - proposta da DGAC para a classificação da Fortaleza de Penamacor; 18 maio - parecer da Junta Nacional de Educação a propor a classificação como Monumento Nacional; 08 agosto - Despacho da homologação da classificação do imóvel como Monumento Nacional, do Secretário de Estado da Instrução e Cultura; 2003, setembro - realização de escavações no perímetro do castelo, pela ARQUEONOVA, dirigida pelos arqueólogos Silvina Silvério e André Teixeira; 2006, julho - setembro - continuação de escavações no castelo pela mesma equipa, com descoberta de várias ossadas, esqueletos, pertencentes a soldados, e uma taça do séc. 15; descoberta de uma porta falsa; 2010, 30 dezembro - procedimento de classificação prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252; 2011, 05 dezembro - procedimento de classificação prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232; 2012, 31 outubro - publicação do projeto de decisão relativo à classificação do Castelo como Monumento Nacional, em Anúncio n.º 13641/2012, DR, 2.ª série, n.º 211; 28 dezembro - procedimento de classificação prorrogado até 30 de junho de 2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251; 2017, janeiro - abertura de concurso para obras de requalificação no edifício: 2018, 27 julho - publicação do Anúncio de Procedimento para a reabilitação do edifício, em Anúncio de procedimento n.º 6095/2018, em DR, 2.ª série, n.º 144.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em cantaria e alvenarias mistas de granito; escadas da torre de menagem em ferro; caixilharia e portas de madeira; vidros simples; pavimento em cantaria; cobertura de telha ou em lajes de pedra de granito.

Bibliografia

ARMAS, Duarte de - Livro das Fortalezas. Fac-simile do MS. 159 da Casa Forte do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Lisboa: Patrocínio da Academia Portuguesa de História; edições Inapa, 1997; ALMEIDA, João de - Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses. Lisboa: 1948; AA.VV - Penamacor - 800 Anos de História. Penamacor: Câmara Municipal de Penamacor, 2009; BARATA, Lídia - «19 Milhões de euros para intervenções na comunidade intermunicipal». In Reconquista. 25 agosto 2016, p. 16; BARBOSA, Inácio de Vilhena - As Cidades e Vilas da Monarchia Portugueza. Lisboa: 1860; BARROCA, Mário Jorge - «Aspectos da Evolução da Arquitectura Militar da Beira Interior». In Beira Interior - História e Património. Guarda: 2000, pp. 215-238 (https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/55798/2/MJBarrocaarquitectmilitar000126965.pdf); BARROCA, Mário Jorge «De Miranda do Douro ao Sabugal - Arquitectura Militar e Testemunhos Arqueológicos Medievais num Espaço de Fronteira». In Portvgália. Nova Série. Porto, 2008 - 2009, vol. XXIX - XXX, pp. 193-252; BARROCA, Mário Jorge - «D. Dinis e Arquitectura Militar Portuguesa». In Revista da Faculdade de Letras História. Porto: Universidade do Porto, 1998, 2ª série, vol. XV, Tomo I, pp. 801-822; BARROS, Luís, SILVÉRIO, Silvina, TEIXEIRA, André - «Escavações arqueológicas no Castelo de Penamacor / Cimo da Vila: resultados da primeira campanha (2003)». In Revista Portuguesa de Arqueologia. Lisboa: 2004, vol. 7, n.º 2, pp. 473-540; BEÇA, Humberto - Castelos de Portugal, os Castelos da Beira Histórica. Porto: 1922; BENTO, Mário Pires - «Apontamentos sobre Monumentos Militares do Norte do Concelho de Penamacor». In Comunicações das 1ªs. Jornadas Regionais sobre Monumentos Militares. Castelo Branco: 1983; BORGES, Augusto Moutinho - Penamacor Militar. Da Restauração à República 1640- 1910. Vila da Feira: Câmara Municipal de Penamacor, 2014; «Castelo de Penamacor». In Fortalezas.org (http://fortalezas.org/?ct=fortaleza&id_fortaleza=1907&busca=1>), [consultado em 09 novembro 2016]; «Castelo de Penamacor / Cimo da Vila». In Portal do Arqueólogo (

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DREMcentro/DM; Arquivo Histórico Militar: 3.ª divisão, 47 Secção, Est. AP1-n.º 17098); Direção de Infraestruturas do exército: Gabinete de Estudos Arqueológicos de Engenharia Militar DIE-GEAEM: 3170/I-2ª-27-39 (Planta de Penamacor e do Forte de Santo António, 1790)

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DREMcentro/DM

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DSID (DGEMN:DSID-001/005-0456/2, DGEMN:DSID-001/005-0456/3); DGLAB: Memórias Paroquiais, vol. 28, n.º 127, pp. 915-928, Memórias Paroquiais, vol. 28, n.º 127b, pp. 929-949; Arquivo Histórico Militar: 3ª Divisão, 9ª Secção, Cx. 32, Processo/H3 (90)

Intervenção Realizada

1947 - transformação do interior dos antigos paços do concelho, para instalação do Museu Municipal; DGEMN: 1948 - elaboração de projeto de obras de reparação na torre de menagem, contemplando a reconstrução e consolidação do cunhal e parte das paredes das faces sul e nascente; reconstrução da abóbada com colocação dos materiais apeados; consolidação de paredes com cintas de betão e refechamento das juntas dos paramentos; substituição e colocação de novos cachorros e silhares de cantaria; 1950 - reparação da torre de menagem, pelo empreiteiro Saul de Oliveira Esteves, compreendendo o apeamento e reconstrução de paramentos em cantaria, consolidação da escada de acesso do segundo piso à cobertura, incluindo a abóbada e consolidação de paramentos de cantaria dos alçados da torre; 1951 - continuação das obras de restauro e reparação da torre de menagem, pelo empreiteiro Saul de Oliveira Esteves, com consolidação da abóbada da escada de acesso ao terraço da torre, refechamento refundado nas juntas de lajedo sobre a abóbada e nos paramentos das fachadas, restauro de um vão da janela voltada a poente, construção de pavimento de madeira ao nível da porta de acesso, limpeza das fragas junto das paredes da torre e regularização dos acessos; 1986 - obras de beneficiação na torre de menagem, devido às infiltrações de águas pluviais, que constam da reconstrução da cobertura e dos pisos existentes em madeira, execução de acesso provisório ao interior (escada em madeira), reparação e limpeza do adarve com fechamento de juntas; assentamento de portas e de dois caixilhos de vidro em frestas; os trabalhos foram executados pelo empreiteiro José de Sousa Borrego; 1987 - obras de consolidação na torre de menagem pelo José de Sousa Borrego, com remate do coroamento da torre através da reconstrução dos paramentos em falta e fornecimento de oito cachorros de cantaria, vedação da abertura de acesso ao terraço, reconstrução de um recalçamento da base da torre junto ao cunhal; IPPAR: 2003 - escavação arqueológica no Largo do Castelo, terreno baldio onde se localizava a alcáçova, sob a responsabilidade de Silvana Maria Santos Ferreira Silvério; os trabalhos puseram à vista fragmentos de piso lajeado, provavelmente de habitações anexas à alcáçova e arranques de alguns muros mais bem conservados; recolheu-se ainda razoável espólio, dos sécs. 14 a 17, composto por cerâmica comum e vidrada, faianças portuguesas, peças de importação espanhola, alguns objetos metálicos de uso quotidiano e 25 numismas, sobretudo dos sécs. 15 e 16; 2004 - escavação arqueológica na zona este da alcáçova e no arrabalde, entre a torre do relógio e o Pelourinho, sob a responsabilidade de Silvana Maria Santos Ferreira Silvério; na zona este da alcáçova identificou-se a base da muralha virada a nascente, integrando um pequeno compartimento lateral, um segundo muro paralelo ao anterior, tendo ambos as entradas assinaladas por silhares com siglas de canteiro; entre a torre do relógio e o Pelourinho, detetou-se uma necrópole do séc. 19, relativamente bem preservada, com diversos enterramentos "in situ"; CMPenamacor: 2004 - intervenção arquitetónica na antiga casa da Câmara, sobre as portas da Vila, para instalação do Posto de Turismo de Penamacor; IPPAR: 2005 - escavação arqueológica entre a torre do relógio e o Pelourinho, anexo à muralha oeste, sob a responsabilidade de Silvana Maria Santos Ferreira Silvério, tendo-se recuperado vários esqueletos "in situ", identificado um troço de muro com atribuição cronológica ainda incerta e recuperado espólio com materiais desde a proto-história até à época moderna; 2008 - escavação arqueológica no Cimo da Vila, sob a responsabilidade de Silvana Maria Santos Ferreira Silvério, para estudar antropologicamente os restos humanos ali depositados, entre meados do séc. 18 e 1857 e por à vista o único troço remanescente da barbacã do Cimo da Vila; no setor sul - oeste foi posto a descoberto um maior segmento da barbacã, com paredes duplas e enchimento composto por terras e materiais, sobretudo tardo medieval, e recuperaram-se artefactos diversificados, incluindo bronzes e uma moeda republicana romana, consentâneos da contínua ocupação do local desde o Neolítico final; 2009 - escavação arqueológica no Cimo da Vila sob a responsabilidade de Silvana Maria Santos Ferreira Silvério, tendente a colocar à vista toda a estrutura da barbacã da muralha nascente e a base do assentamento dos muros que a compõem; a escavação que incidiu sobretudo na área sul - sudeste, não confirmou a datação medieval esperada para a construção deste segmento (reinado de D. Fernando), mas aponta para a segunda metade do séc. 16; CMPenamacor: 2011 - obras de intervenção na torre de menagem e posterior inauguração do Núcleo Arqueológico, com espólio variado proveniente da cerca da vila e outros locais do centro histórico; DRCC e CMP: 2016 - projeto de beneficiação do castelo e fortaleza, orçado em cerca de 500 mil euros, e com dotação garantida de 425 mil euros, para correção das patologias identificadas, nos paramentos e cobertura, e valorização e requalificação da envolvente, com arranjo de acessos.

Observações

*1 - Não existe documentação a comprovar a doação de Penamacor à Ordem mas, dado ter uma posição de destaque na região, é possível que tivesse recebido alguma atenção da Ordem e tenha sido ocupada antes da concessão do foral, em 1209, já que todas as povoações circunvizinhas receberam forais em data anterior e a Ordem obtivera bens no termo da vila e na própria vila no séc. 13. Algumas terras próximas de Penamacor foram também comendas da Ordem. *2 - Segundo a carta de mercê de D. Afonso V, "per razão do dinheiro das terças dessa vila que vós ora por este ano mandastes dar para ajuda da obra do castelo, pedindo-nos que ho nam tirássemos das vossas obras (...), que o dito dinheiro das terças a vós pertencia e não ao dito castelo, com outras razõoes que nos acerca dello escrevestes (...), e porquanto a obra do castelo que he ora mui necessária para se dever de correger segundo sabeis, por ello avemos por bem que vós o dees e façaes dar por este ano para o dito castelo segundo se contém no alvará vosso que levou o alcaide, o qual vós fazee dar quando a obra do dito castelo se começar". *3 - Segundo o Tombo da comenda de Idanha-a-Velha, "na Villa de Penamacor junto da praça tem huuas casas sobradadas que partem ao leuante com casa do conçelho da dita Villa e com chãao que estaa dentro na dicta casa que he da hordem. e ao ponente com casa de caterina ferrandez mulher que foi d afomsso esteuenz robalo. e ao norte com casa da cadea e ao sul com Rua ppublica. ha primeira logea leua de longo seis varas e tres de largo. e ho sobrado de çima he deste tamanho. E uay dentro outra logea do tamanho da dianteira. som has paredes de pedra e barro bem repairadas. bem madeiradas e cubertas de telha uãa. E has traz emprazadas huu joham gomez em tres pessoas per prazo nouo fecto pellos Visitadores de que elle he ha primeira pessoa". *4 - Os desenhos de Duarte de Armas representam o castelo erguido no extremo nascente do cabeço, a partir do qual se desenvolvia a cerca urbana da vila, para poente, erguendo-se extramuros uma torre isolada. O castelo possuía planta irregular, composta por torre de menagem, disposta a sudoeste e avançada para exterior da muralha, barbacã envolvendo a frente norte, com duas torres ultra-semicirculares na frente nascente, e tendo os paramentos aprumados, em cantaria, rematados em parapeito ameado, de ameias paralelepipédicas, exceto na barbacã da porta falsa e na torre de menagem, e rasgada por troneiras, algumas cruzetadas. A torre de menagem, de planta quadrangular, com 8 x 8 varas, não tinha remate e, segundo a legenda do autor, "não era acabada ao tempo que eu a vy e estava já d'altura 14 varas e meia", possuindo porta virada a nascente. O castelo tinha duas portas de acesso, um a nordeste, protegida pela barbacã do castelo, e a porta falsa, a sul, em arco e sistema em L, protegida por pequena barbacã da porta, sendo encimada por balcão com troneira cruzetada; tinha um outro balcão a sul, no pano da muralha que ligava à torre de menagem, e um terceiro virado a norte. A barbacã do castelo tinha porta virada à vila, sensivelmente a norte. No interior do recinto do castelo existiam três aposentamentos sobradados, um deles acedido por escadas exteriores, e vários pátios, seccionados, localizando-se numa dependência, a cisterna, que tinha de vão 3 varas e meia. A partir da torre de menagem e de uma torre semicircular desenvolvia-se a cerca da vila, de traçado irregular, a acompanhar as curvas de nível do terreno, tendo a muralha 2 varas e meia de grossura, e remate ameado de ameias prismáticas, interiormente percorrida por adarve, integrando sensivelmente a poente ampla torre retangular. A frente norte da cerca era envolvida por barbacã extensa, arruinada, e com forte alambor. Do casario intramuros sobressaía o campanário de duas ventanas da Igreja Paroquial de São Pedro. A poente da povoação muralhada existia ainda uma atalaia isolada, quadrangular, em cantaria, rematada com ameias paralelepipédicas. Na vista do norte, Duarte de Armas representa ainda, ao longe, o castelo de Monsanto. *5 - A fortificação abaluartada de Penamacor, construída a aproveitar a defesa natural das elevações graníticas, era composta por seis baluartes (denominados da Montenheira, do Arcaz, Monturo dos Negros, da Moreirinha, do Polé e do Reduto), virados para o terreno aparentemente mais débil), e três meios baluartes, sendo rasgadas por duas portas magistrais. Adossava-se às muralhas medievais, deixando a porta da Vila e a porta da torre do relógio, como parte integrante da cortina defensiva, tendo-se ainda construído, anexado às portas da Vila, um baluarte fechado para colocar duas peças de artilharia, de modo a impedir alguma investida, em caso do invasor ultrapassar as primeiras muralhas. Foram assim criadas duas defesas, para quem vinha do exterior: a primeira, constituída pelas cortinas abaluartadas, que contornavam grande parte da povoação, e a segunda, cortando o centro urbano, limitado pelas muralhas medievais, reforçadas com o baluarte. Os acessos eram feitos por duas portas magistrais, uma virada para o convento de Santo António, a porta de Santo António (também chamada de portas novas), e outra virada a norte, no enfiamento para a estrada que ligava ao castelo do Sabugal, a porta dos carros, e duas poternas: a porta da Montenheira e a porta Monturo dos Negros, uma virada a sul e outra a poente. *6 - Segundo o vigário Ascênsio de Carvalho, nas Memórias Paroquiais da freguesia de São Tiago, são os "muros com que está cercada esta freguesia de pedra comua, e muralha singela, que só tem de banqueta septe palmos de largo, e o parapeito três, e de altura tem vinte e nove palmos; principião estes nos muros da villa aonde chamão o baluarte da Moreyrinha, estendendose do Nascente para o Norte, e do Norte para o Levante, e de Poente para o Sul, e Se fechão nos muros da vila iunto as portas da Montenhesa = e tem os muros desta freguesia duas portas huma para o Nascente, a que chamão dos Carros, e outra para o Poente chamada de Santo António, = e no circuito de toda esta fortificação estão = seis baluartes, ficando o primeiro a que chamão do Reduto junto das dictas portas de Carros, e para o Nordeste, tendo este quatro peças = três de bronze e huma de ferro = e para o Norte está outra a que chamão o Arcaz que = tem cinco peças quatro de ferro e huma de bronze; e para o mesmo norte está outro, a que chamam a Polé, que tem cinco peças, huma de bronze, e quatro de ferro = e para o poente junto às portas de Santo António, está outro a que chamão o Monturo dos Negros, o qual tem duas peças de bronze, = e para o sul está outro, a que chamão, o Licouto, que tem huma peça de bronze = e no último, para o mesmo Sul está somente huma peça de ferro, e por toda a circunferência se acham os muros em várias partes demolidos =". Nas Memórias Paroquiais da freguesia de Santa Maria, assinadas pelo pároco Manuel da Gama Reixa, "Ha nesta vila, para a parte Oriental no limite da Freguesia de Santa Maria, hua torre de bem lavrada cantaria, que mandou fazer Gualdim Paes, Mestre dos Templários, natural da cidade de Braga, pela parte exterior tem de largura de quadra a quadra vinte palmos, que vem a ser oytenta de circunferência, e de altura sessenta. Acha-se esta com deplorável ruína, da parte do Oriente e parte (...) e no meyo de seu edeficio está a porta da serventia por causa do ímpeto do fogo, que o combateo, na occaziam que arrebentou o armazem da pólvora, que ficava encostado à dita torre, ateado pela violência de hum raio que cahiu no mesmo armazém, da (...) as três horas da madrugada, em seis de junho de mil, setecentos, trinta, e nove. E foi tal, e tam desmarcada a violência do fogo, que não só abriu grandes fendas na torre, mas a fez recuar para a parte contrária, fora do seu alicerce, quase dois palmos, ficando sempre em pé e direita. Tem esta para a parte do Norte, hum quadro de pedra, embutido na mesma parede, a onde se vem esculpidas as armas do Senhor Rei Dom Dinis, está coreada com huma cornija de cachorros de cantaria, sobre os quais assentam pedras da mesma, que, com suas idos, chegam à altura de oyto palmos, sahido quetro fora do seu âmbito. Não só foi esta torre a que naquela ocasião padeceo ruína, mas todas as mais cazas do castelo se arrasaram, e todos os fardos, armas e apetrechos de guerra a cinzas se reduriram. (...) Dentro dos muros (...) para Nascente, está hum poço, chamado de El-Rei, que tem de largo, pela parte exterior do seu bocal, que é de bem lavrada cantaria, sessenta, e oyto palmos de largura interior, e de fundo noventa e dois; he orbicular abaixo do bocal até o meyo he de alvenaria, e dahi até ao fundo rasgado em penha; tem dous nascentes, hum de água doce, e outro salobra. Sobre a porta da Villa, faceando com o muro pela interior parte, está a Casa da Câmara, de boa cantaria Lavrada, nela fazem o Juis, e Vereadores suas audiências, e determinações (...) e a cadeia está imediata. Hindo mais adiante quarenta passos naturais, para a parte do sudueste, está a torre do Relógio, faceando por dentro com o muro; tem de alta cinquenta, e oyto palmos, e de largura pela parte exterior, de esquina a esquina, cincoenta e quatro". Refere-se ainda que, no arco da porta, existia um nicho com uma pintura da Senhora do Pé da Cruz e "as portas de Stº António têm no frontispício uma pedra de armas que tem esculpido uma Lua, uma Espada e uma Chave". *7 - Segundo o relatório de D. Pedro de Almeida Portugal, em 1790, "Penamacor está situado numa eminência que do lado do nordeste é dominado por uma altura em forma de cortina, em favor da qual o inimigo pode, sem risco algum do fogo da Praça vir até meio alcance da artilharia, cuja razão vem terminar na altura onde está situado o Convento dos Capuchos, de maneira que para maior defesa aí Sua Magestade quisesse fazer nunca se ao ponto de que fosse uma Praça defensável. O seu castelo, que é contiguo à Vila, está na sua parte superior, inteiramente arruinado e só se lhe conhecem os vestígios. Não tem a referida Praça armazém de munições alguma, tem unicamente seis peças de artilharia de ferro, quatro de calibre oito e duas de calibre seis, encravadas e sem munições. O castelo tem um Poço, que no tempo da última Guerra (a de 1762) foi entulhado e me afirmaram que os castelhanos ali lançaram uma peça de artilharia de bronze, com mais de quinhentas balas também de artilharia. *8 - No séc. 19, a fortificação de Penamacor ainda conservava cinco baluartes e a porta principal, a denominada porta de Santo António, localizada no sítio onde se implanta a atual Câmara Municipal. As muralhas seguiam pela Avenida, onde existia a Porta do Monturo dos Negros, depois pelo local do quartel e iam ter à torre do relógio, de onde saía uma cortina de muralhas até aos antigos paços do concelho e ao poço de El-Rei, situado a poucos metros da torre de menagem. As muralhas seguiam, então, pela Igreja de São João, perto da qual se situava a Porta dos Carros, seguindo pelo Posto da Guarda Fiscal, passando pela Cavaleira, com vestígios de um reduto; subiam, então, pela Rua do Outeiro até à Porta de Santo António, constituindo a muralha do arrabalde. *9 - Segundo o tenente-coronel Júlio Rodrigues da Silva, o primeiro baluarte, chamado de Reduto, junto à porta dos carros, para nordeste, tinha quatro peças (três de bronze e uma de ferro); para norte o baluarte do Arez tinha cinco peças (quatro de ferro e uma de bronze), mais ainda para norte, havia o baluarte que chamam Lolé, com cinco peças (uma de bronze e quatro de ferro), para poente, junto à porta de Santo António o designado Monturo dos Negros, com duas peças (de bronze) e para sul o de Lisuto, com uma peça(de bronze). No último, só havia uma peça de ferro. *10 - Devido a este tipo de remate, Mário Barroca atribui a torre de menagem a "uma cronologia posterior a 1509-1510", ainda que constitua uma "estrutura tão presa ao passado" (BARROCA: 1998, pp. 816, nota 34).

Autor e Data

Paula Noé 2016

Actualização

 
 
 
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