Igreja Paroquial de Nossa Senhora dos Mártires

IPA.00008410
Portugal, Faro, Castro Marim, Castro Marim
 
Arquitectura religiosa, renascentista, barroca, revivalista, neo-manuelina. Igreja de planta em cruz latina, de nave única, com cobertura em cúpula e zimbório no cruzeiro, bastante alterada posteriormente, com decorações neomanuelinas nos capitéis e platibanda da galilé.
Número IPA Antigo: PT050804020004
 
Registo visualizado 714 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta longitudinal composta por nave única, coro-alto, capela baptismal, transepto saliente e capela-mor profunda, com múltiplas dependências a N. e a E.. Volumes articulados com coberturas diferenciadas a duas e quatro águas e cúpula sobre o zimbório. Fachada principal virada a O. a dois registos e três corpos denunciando também uma organização tripartida do interior; primeiro registo: corpo central composto por porta principal de acesso ao interior, de arco recto e moldura em cantaria sobrepujada por frontão de lanços com um tímpano triangular bem marcado; do lado N. desta porta, um registo em azulejos, com a imagem de Nossa Senhora dos Mártires e inscrição comemorativa; por baixo, uma outra placa comemorativa alusiva ao Bimilenário de Nossa Senhora; corpos laterais separados do central por uma pilastra sublinhada por um azul claro, compõe-se de duas portas de arco recto e moldura em cantaria, de menores dimensões que o portal principal; segundo registo: corpo central com um janelão rectangular gradeado com moldura em cantaria e frontão triangular com tímpano sem decoração sobrepujado por um relógio circular; corpo termina em empena angular acentuada, com uma cruz de ferro no topo; corpos laterais com janelões idênticos, um pouco maiores que o do corpo principal, ee ligeiramente descentrados em relação ao eixo do corpo; cobertura em telhado de tesouro de quatro águas. Fachada lateral S. separada em quatro corpos que correspondem a outros tantos espaços do interior: a O. uma simples janela quadrangular de moldura em cantaria e gradeada, ilumina a capela baptismal; corpo imediatamente a seguir para E. corresponde à galilé, com cinco vãos de volta perfeita assente em colunelos de capitéis vegetalistas; acesso ao interior desta galilé é feito por meio de um portão de ferro no quarto vão, estando os outros gradeados até á altura do muro que limita a galilé pelo S.; sobrepujando esta estrutura, uma cornija suporta uma platibanda moderna com uma série corrida de Cruzes da Ordem de Cristo inseridas em molduras polilobadas; terceiro corpo corresponde à face S. do transepto, uma massa arquitectónica uniforme emoldurada nas extremidades por uma banda cinzenta, com cornija definindo um frontão triangular com óculo interrompido na parte inferior ao centro do tímpano; corpo E. a dois registos com janelas quadrangulares de moldura em cantaria, gradeadas no primeiro registo, corresponde às dependências de apoio à Paróquia; no extermo O. deste corpo, junto ao transepto, desenvolve-se a torre sineira, estrutura quadrangular oculta pelas construções posteriores de apoio, com quatro vãos de arco de volta perfeita e impostas marcadas, terminandoem cúpula cónica com cata-vento no topo. Fachada lateral N. segue uma organização semelhante à da fachada S. com a excepção de não possuir galilé; divide-se então em três corpo distintos, correspondendo o O. a dependências de apoio à igreja, a dois registos com vãos simples de entrada no primeiro e janelas gradeadas no segundo; corpo central corresponde à face N. do transepto e é idêntica à sua congénere S.; corpo E. continua as dependências de apoio, elevando-se a dois registos com uma porta de arco recto no extremo E. e uma janela no O., sendo o segundo registo composto por três janelas, uma central de arco abatido e acentuado intradorso ladeada por duas outras quadrangulares e de molduras em cantaria. Fachada posterior, virada a E., compõe-se de um eixo central com aberturas ( uma pequena janela quadrada no registo inferior encimada por uma outra de maiores dimensões e protegida por uma varanda com grelha de ferro e no topo um óculo circular terminando em empena triangular com pequenos pináculos nas extremidades ) e um pequeno lanço de escadas no extremo S. que dá acesso a uma porta de arco recto de comunicação com o interior. INTERIOR: Espaços diferenciados com ampla iluminação proveniente de vários pontos. Nave: espaço único precedido por guarda-vento moderno de linhas rectas, com chão de tijoleira e cobertura em madeira com tirantes de ferro; ao centro, do lado S., uma porta comunica com a galilé, tendo defronte uma pintura alusiva a Nossa Senhora da Conceição; dois nichos colocados entre este vão e o arco do cruzeiro ostentam duas imagens; pelas paredes, registos com os passos da Paixão; Coro-alto com acesso a partir de N. por uma escadaria possui bancos corridos e é delimitado a E. por uma balaustrada de madeira; Cruzeiro: de planta quadrangular iluminado pelo zimbório, por meio de oito janelas em arco de volta perfeita; arcos que abrem para a nave, braços do transepto e arco triunfal também de volta perfeita sobre impostas salientes e pés direitos limitados por uma banda colorida; Retábulos laterais: colocados nas extremidades dos braços S. e N. do transepto, são idênticos entre si e compõem-se de um só registo sobre banco, dividido em três corpos: corpo central mais largo para conter o nicho com a imagem tutelar, em arco eem cortina; corpos laterais compostos por dupla colunata de capitéis coríntios que suportam o entablamento, de tripla secção rectangular; coroamento em tribuna enquadrando o óculo do transepto, acompanhando a estrutura a modelação circular da cobertura em abóbada de berço destes braços do transepto; Capela-mor de dois tramos com abóbada de lunetas assente numa cornija suportada por falsas pilastras, e óculos ovais com gradeamento cruzado diagonalmente no espaço deixado livre pelas lunetas; no topo E. do segundo tramos, uma pequena abertura de arco recto comunica com os espaços de apoio à Paroquial; Retábulo-mor: grande corpo central decorado com padrões dourados vegetalistas e um trono arquitectónico vidraçado contendo a imagem da padroeira; composição delimitada por coroamento em estrutura de volta perfeita assente em duas colunas de mármore com capitéis coríntios; Capela baptismal: A S., à entrada da nave, é um espaço quadrangular em obras ( o arco recto do vão que a liga à nave ainda não está uniformizado ) com chão em mosaico industrial, tecto em placa de cimento e janela quadrangular em alumínio; contém a pia baptismal no canto NE. e a imagem de São Gabriel ao centro.

Acessos

Praça Primeiro de Maio

Protecção

Incluído na Zona de Proteção do Castelo de Castro Marim ( v. PT050804020001 ) / Incluído na Reserva Natural Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António.

Enquadramento

Urbano, meia encosta, isolado. Igreja implantada numa zona de planalto a meia encosta do Castelo de Castro Marim ( v. PT050804020001 ), a S., beneficiando de uma localização sobranceira em relação ao restante casario da localidade que se desenvolve a O.. Para S. desenvolve-se a artéria principal da vila com o edifício da Câmara Municipal adossado a outras construções precedendo a encosta do Forte de São Sebastião ( v. PT050804020003 ) que se desenvolve a SO. do Castelo.

Descrição Complementar

IMAGINÁRIA: Nossa Senhora dos Mártires ( madeira, primeiro quartel do séc. 16, altar-mor ); Nossa Senhora com o Menino ( madeira, séc.18, retábulo lateral, da autoria provável de Manuel Martins ); Menino Jesus ( madeira, séc.18, retábulo lateral ); Cristo crucificado ( madeira, segunda metade do séc.18, retábulo lateral ); Cristo morto ( madeira, segunda metade do séc. 18, retábulo lateral ); Nossa Senhora do Carmo ( madeira, séc. 18, retábulo do transepto ); Nossa Senhora ( madeira, meados do séc. 16, nave - referida em 1554 sobre a sepultura de Lopo Mendes de Oliveira ); Santa Luzia ( madeira, séc. 18, nave ); São Gabriel ( pedra, séc. 15, capela baptismal ). PINTURA: Nossa Senhora da Conceição ( primeira metade do séc. 18, nave ); Assunção da Virgem (primeira metade do séc. 18, Sacristia ). INSCRIÇÕES: registo azulejos fachada principal "TRICENTENÁRIO DA PADROEIRA / HOMENAGEM DO CONCELHO DE CASTRO MARIM / 19 - XII - 1946".

Utilização Inicial

Religiosa: ermida

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese do Algarve)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

AQUITECTO: João Lopes do Rosário (séc. 18)

Cronologia

1230 - 1242 - fundação por D. Paio Peres Correia; Séc. 16, inícios - construção da ermida de invocação à Senhora dos Mártires que teria aparecido no local onde se encontra a Fontinha da Senhora dos Mártires.; 1518 - segundo uma Visitação da Ordem de Santiago a igreja era de nave única com capela-mor abobadada; na nave, do lado N., altar com uma imagem pétrea de Nossa Senhora da Saudação; refere a existência de três pinturas murais ( São Bartolomeu, São Sebastião e Santa Catarina ); altar-mor de alvenaria com uma imagem de Nossa Senhora com o Menino ao centro e outra de São Gabriel, ambas de pedra; do lado N. o túmulo de Lopo Mendes de Oliveira e, a separar a capela-mor da nave, grade de ferro; a Sacrista era abobadada, com portas novas e azulejos sobre o portal; 1534 - notícia da construção de um alpendre adossado à fachada principal e ao alçado Sul; 1554 - a Visitação da Ordem de Santiago descreve-a com capela-mor abobadada, arco triunfal de volta perfeita, o túmulo de Lopo Mendes de Oliveira, com uma imagem de Nossa Senhora a encimá-lo, a N., arco de volta perfeita comunicando com a Sacristia, a S.; portal principal de volta perfeita, com alpendre; portal S. de volta perfeita; altar no Cruzeiro com uma imagem de alabastro de Nossa Senhora. A Visitação refere ainda um Hospital anexo, mandado construir por Lopo Mendes de Oliveira; 1565 - notícia de uma campanha de obras que refez o alpendre e o tecto da nave; 1755 - devido à destruição pelo terramoto da Igreja Paroquial de Santiago, situada no interior do Castelo, passa a servir como paroquial; séc.18 - 19 - reedificação pelo Arq. João Lopes do Rosário, encomendada por Lopo Mendes de Oliveira, Comendador da Ordem de Cristo e alcaide-mor de Castro Marim; datam desta época a capela-mor, o cruzeiro e a cúpula; 1961 - um incêndio destrói o órgão.

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Alvenaria de pedra caiada; telha; madeira; tirantes de ferro; mosaico industrial; alumínio; talha dourada; tijoleira.

Bibliografia

CAVACO, Hugo, "Visitações" da Ordem de Santiago no Sotavento Algarvio, Vila Real de Santo António, Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, 1987; LAMEIRA, Francisco, Inventário artístico do Algarve. A talha e a imaginária, vol. 6 (Concelho de Castro Marim), Faro, Secretaria de Estado da Cultura, Delegação Regional do Algarve, 1991; IDEM, A talha no Algarve durante o Antigo Regime, Faro, Câmara Municipal de Faro, 2000; MOREIRA, Maria da Conceição, Apontamentos históricos sobre Castro Marim, Lisboa, Secretaria de Estado do Ordenamento e Ambiente, 1978; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IC

Intervenção Realizada

1997 - obras de recuperação; CMCM: 1998 - beneficiações várias: reparação de portas e janelas, cantarias, terraço, gradeamentos e portão, infiltrações; picagem de paredes; rebocos e pinturas exteriores; substituição de tectos falsos e de parquet, de telhado em caniço; instalação eléctrica na nave central; execução dos nichos da nave; 2000 - 2001 - Remodelação da Capela baptismal.

Observações

Autor e Data

Paulo Fernandes 2001

Actualização

 
 
 
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