Igreja Paroquial de Santo António / Igreja de Santo António

IPA.00008404
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Santo António
 
Arquitectura religiosa, rococó. Igreja de planta longitudinal composta de nave única e capela-mor, mais baixa e estreita, com fachada principal terminada em empena de cornija, portal de arco pleno entre pilastras suportando frontão interrompido por inscrição e brasão, justaposto por janela e nicho e ladeado por duas outras janelas. Interior com tectos de madeira de perfil curvo, coro-alto, púlpito no lado do Evangelho e retábulos rococós, em talha policroma e dourada, os colaterais de estrutura longilínea.
Número IPA Antigo: PT062203050087
 
Registo visualizado 261 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta de nave única e capela-mor rectangular, mais baixa e estreita, flanqueada por 2 torres sineiras quadradas, 2 capelas laterais confrontantes profundas e tendo adossado à capela-mor anexos das antigas confrarias e a sacristia e os serviços paroquiais, respectivamente a S. e N.. Volumes articulados com coberturas diferenciadas de 4, 3 e 2 águas, com beirais simples e duplos de telha de canudo, e torres terminadas em coruchéus azulejados. Fachada principal virada a E., com pilastras nos cunhais da nave e torres, assentes em altos estilóbatos, percorrida por embasamento pintado a cinza e terminada em empena de cornija, interrompida nos ângulos, encimada por cruz de Cristo. Portal de cantaria do Porto Santo com arco de volta perfeita delimitado por pilastras com capitéis e bases ressalvados e frontão curvo interrompido por inscrição e armas reais, justaposto por janelão rectangular com cornija, e, sobre ela, nicho com imagem do santo padroeiro; ladeia o janelão dois outros, com molduras recortadas. Torres muito altas, de 3 registos separados por cornijas, com vãos de molduras recortadas. Fachada lateral N. com torre rasgada nos 3 registos superiores por janelas, e Capela de Nossa Senhora de Guadalupe com fachada cega e terminada em empena encimada por cruz, e antiga residência paroquial, hoje com o cartório notarial adossado à capela-mor. Fachada S. com idêntica disposição, mas mais simples, com vãos de igual moldura apenas nos dois últimos registos da torre, capela do Santíssimo e antigo anexo das Confrarias., de 2 pisos. No INTERIOR, nave com espaço delimitado por teia de madeira com porta central, pavimento em soalho de madeira e tecto de perfil curvo, pintado com motivos fitomórficos, sobre alta cornija de madeira, pintada com motivos vegetalistas. Coro-alto sobre três arcos em asa de cesto, assentes em pilares quadrados de madeira pintada, com balaustrada de madeira e guarda-vento de madeira de nogueira. No lado do Evangelho, sob a torre, baptistério com arco de volta perfeita, e mais para o topo da nave, púlpito de madeira entalhada, pintado de branco e dourado, com baldaquino encimado por florões; segue-se-lhe a capela do Santíssimo, com acesso por arco pleno sobre pilastras, pintado com ramadas de acantos, paredes apaineladas, divididas por pilastras assentes em altos plintos contracurvados, decorados por elementos fitomórficos dourados, alguns inscrevendo telas figrando alegorias às Virtudes; retábulo em talha policroma e tecto em abóbada de berço, decorada com trabalhos de estuque e formando painéis pintados. No lado da Epístola, pequena capela do Senhor dos Passos e capela de Nossa Senhora de Guadalupe, com acesso por arco pleno pintado com os mesmos motivos da capela confrontante, retábulo em talha policroma, de planta recta e três eixos marcados por colunas coríntias de fuste liso, enquadrando mísulas com imagens e baldaquino, o central com a imagem do orago enquadrado por moldura quadrada, terminado em frontão interrompido com espaldar com o mesmo tipo de remate, decorado por aletas; tecto em abóbada de berço decorado com trabalhos de estuque e cartela central pintada. Arco triunfal de volta perfeita, igualmente pintado com ramadas de acanto, ladeado por 2 retábulos de talha policroma dedicados a Nossa Senhora da Conceição e ao Senhor Crucificado; são de planta recta, estrutura longilínea de um eixo, limitado por colunas coríntias de fuste liso enquadrando tela, o do lado do Evangelho figurando a Santíssima Tridade e o da Epístola querubins enquadrando Cristo na cruz, suportando friso decorado, cornija e espaldar encurvado, com cartela recortada rematada por cornija. Sobre a cornija de madeira que corta toda a parede sobre o arco triunfal, pintura em trompe l'oeil representando o Sagrado Coração de Jesus, irradiando raios de lus, com inscrições, ladeado pelas virtudes da Caridade e da Fé. Capela-mor de paredes apaineladas, divididas por pilastras assentes em altos plintos contracurvados, decorados por elementos fitomórficos dourados, alguns inscrevendo telas figrando cenas da vida de Santo António; retábulo em talha policroma com imagem do santo na tribuna central; tecto em abóboda de berço, com trabalhos de estuque e cartela central pintada com Santo António rodeado de uma glória de anjos.

Acessos

Lg. de Santo António

Protecção

Em vias de classificação

Enquadramento

Urbano, isolado num amplo adro empedrado a "calçada à portuguesa", murado e gradeado par N. com escada de acesso para E., na base da qual se situa a residência paroquial, levantada sobre as fundações da anterior paroquial, e para N. o Lg do miradouro de Santo António, com o busto do antigo páraco padre Fernando Augusto da Silva ( 1863 - 1949 ).

Descrição Complementar

Na inscrição do portal lê-se: "ANTONIO Luzitanorum Protectori Templum Dedicat Aug. Reg. MARIA Prima Illius Liberalitateem Efundentibus Suis In Hac Insula Ab Aerario Ab Ministris. ANNO MDCCLXXXIII". O retábulo da Capela do Santíssimo possui planta recta, de três eixos demarcados por colunas, com o terço inferior do fuste decorado por falsa espira fitomórfica, e capitel coríntio, terminado em frontão interrompido encimado por espaldar com o mesmo tipo de remate e ornado por aletas vegetalistas. O retábulo da Capela da Senhora de Guadalupe tem planta recta e três eixos marcados por colunas coríntias de fuste liso, enquadrando mísulas com imagens e baldaquino, o central com a imagem do orago enquadrado por moldura quadrada, terminado em frontão interrompido com espaldar com o mesmo tipo de remate, decorado por aletas. O retábulo-mor é de planta recta, de três eixos demarcados por colunas coríntias, com o terço inferior do fuste decorado por falsa espira fitomórfica, enquadrando duas mísulas com imaginária e, ao centro, tribuna com imagem do orago, terminando em frontão interrompido encimado por espaldar com as armas reais e o mesmo tipo de remate e ornado por aletas vegetalistas. A sacristia possui um importante lavabo, em cantaria regional, dos inicíos ou meados do séc. 18, e um magnífico arcaz, da oficina do mestre Estêvão de Nóbrega, dos finais do séc. 19.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Engenheiro e mestre das obras reais João António Vila Vicêncio; pintores Martim Conrado, João Nicolau Ferreira Duarte e Luís António Bernes ( telas das paredes da capela-mor ), Boaventura Beze e António Gouveia; mestre entalhador Estêvão Teixeira de Nóbrega; marceneiro João Rodrigues Pimenta; empreiteiro Pedro Paulo Drumond; "arrematador dos muros da paroquial" Gostinho Gomes; mestre de obras José da Costa.

Cronologia

1557 a 1559 - primeiras referências à actividade do 1º páraco de Santo António, Pe. Gonçalo Jorge Rodrigues; 1559 a 1569 - referência ao 2º páraco, Francisco Afonso, com o título de cura; 1574, 12 Março - alvará régio para a fábrica de Santo António ter 4$000 réis anuais; 16 Set. - alvará de D. Sebastião acrescentando o ordenado do vigário, Pe. António Lima, dado a freguesia ter mais de 100 fogos; 1585 a 1586 - vigência do páraco, Pe. Afonso Lopes, novamente com o título de cura; 1588, 17 Jun. - alvará de acrescentamento ao vigário de 30 alqueires de trigo e 1/4 de vinho sobre os 25$000 que tinha; 14 Dezembro - alvará de acrescentamento ao vigário de 3$000 pelos sábados e missas dos Infantes; 1602, 29 Outubro - alvará régio de criação de um cura coadjuvante do vigário com um ordenado de 20$000 réis e uma pipa de vinho, visto a freguesia ter 148 fogos e 499 "almas de confissão", sendo provido o Pe. Domingos Brás; 1609, 14 Ago. - alvará de acrescentamento ao cura de Santo António de mais um moio de trigo; 1615 - instituição da confraria do Santíssimo Sacramento; 1645, 26 Agosto - alvará de comutação do anterior ordenado para 10$000 réis em dinheiro, 2 e 1/2 moios de trigo e 2 e 1/2 pipas de vinho; 1648, 18 Dezembro - alvará de apresentação do padre Francisco de Gouveia como cura de Santo António; 1650 - data provável da execução da tela de Santo António, hoje na sacristia, por Martim Conrado; 1694, 4 Junho - autorização episcopal para colocar o Santíssimo em exposição; 1711, 9 Setembro - mandato do conselho da fazenda para se continuarem as obras da igreja, orçadas em 2:233$920 réis; 1748, 31 Mar. - terramoto arruina muito a velha igreja, disso se queixando o páraco António Pereira Borges; 1775, 1 Outubro - carta régia para o vigário Pedro António Xavier de confirmação do seu ordenado; 1779, 1 Janeiro - inspecção do mestre das obras reais Domingos Martins, determinando a reconstrução da igreja; 1783 - início da construção sob o risco do mestre das obras reais João António Vila Vicêncio e administração do alferes António Francisco da Cruz Camacho, desmanchando-se a anterior igreja para aproveitamento de alguns materiais; 1788, Julho a 1790, Janeiro - pagamentos na ordem dos 10:979$883 réis respeitantes às obras da nova igreja; 1789, Outubro a 1790, Fevereiro - pagamentos ao empreiteiro Pedro Paulo Drumond das obras do adro na ordem dos 483$700 réis; 1797 - levantamento do retábulo-mor pelo mestre entalhador Estêvão Teixeira de Nóbrega e douramento e pintura por Boaventura Benze; séc. 19 - execução do órgão em Inglaterra; 1808, 18 Dezembro - colocação da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe; 1808 a 1809 - pagamento de 1:300$000 réis a Agostinho Gomes, "arrematador dos muros da paroquial de Santo António"; 1813 - levantamento das torres em "mais sete palmos"; 1850 - reparações determinadas pelo governador José Silvestre Ribeiro, assoalhando-se a capela-mor e retalhando-se as coberturas; 1871 - reforma do compromisso da confraria de Santo António; 1880 - início das obras nas torres com colocação dos coruchéus azulejados a pedido do cónego Feliciano Teixeira, terminadas em 1883; 1894 - pintura e douramento da capela de Nossa Senhora de Guadalupe pela "pia associação" do Sagrado Coração de Jesus; 1899, 8 Março - temporal arruina a igreja, caindo a torre S.; 1924 - fundação da confraria do Senhor dos Passos; 1928, 27 Maio - comendador Harry Hinton encomenda em Londres um relógio para a igreja; 1929 - inauguração do novo relógio, colocado na torre N., segundo projecto de Fernando Augusto Câmara e empreitada de José da Costa; 1930, 11 Agosto - benção da imagem da fachada, na Igreja do Colégio, depois levada em procissão para Santo António, sendo páraco o Pe. Teodoro João Henriques; 1955, 6 Janeiro - inauguração do busto do páraco Pe. Fernando Augusto da Silva ( 1863 - 1949 ); anos 90 - roubo de pratas da Residência Paroquial; 2002 - na sequência de estudos desenvolvidos pelo Regional de Engenharia Civil, o Conselho de Governo decidiu adjudicar, por cerca de 530 mil euros, a obra de consolidação das torres da igreja.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Cantaria mole e rígida regional aparente, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira ( carvalho, nogueira e outras ), amarrações mistas de tirantes de madeira e de ferro, talha dourada e pintada, pintura sobre tela, madeira e estuque, vidro e telha de meio canudo.

Bibliografia

FRUTUOSO, Gaspar, Saudades da Terra, Livro II, anotado por Álvaro Rodrigues de Azevedo, Funchal, 1873; NORONHA, Henrique Henriques de, Genealogia...Ilha da Madeira, ano 1700, São Paulo, Brasil, 1948; SILVA, Padre Fernando Augusto da, Paróquia de Santo António da Ilha da Madeira, 1929; idem, Elucidário Madeirense, vol. 1, 2, 3, Funchal, 1945; CLODE, Eng. Luís Peter, Lampadários, 1949; GOUVEIA, David Ferreira de Gouveia, Santo António no folclore. Algumas lendas, costumes e devoções que o tempo levou, in Islenha, nº 6, Funchal, Jan. - Jun. 1990; CARITA, Rui, História da Madeira, vol. 1 e 5, Funchal, 1989 e 1999; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990; VERÍSSIMO, Nelson e TRUEVA, José Manuel de Sainz, Inventário das Esculturas da Região Autónoma da Madeira, Funchal, 1996, p. 27; NORONHA, Henrique Henriques, Memórias Seculares e Eclesiásticas...1722, Funchal, 1997; SRANGER, Ana Isabel Costa, Igreja de Santo António, Funchal, trabalho para o Seminário de História de Arte, mestrado em História, Universidade da Madeira, 1998; RIBEIRO, J., Anexa à Igreja de Santo António. Assaltaram a casa do páraco, Diário de Notícias, Funchal, 26 Agoosto 1999; idem, Brigada anti-crime da PSP apanhou o suspeito. Foi recuperada a prata furtada da casa do páraco, Diário de Notícias, Funchal, 27 Agoosto 1999; ORNELAS, Sílvia, Governo recupera torres da igreja, Diário de Notícias, 9 Agosto 2002.

Documentação Gráfica

GR: Equipamento Social; DRAC, Funchal

Documentação Fotográfica

Museu Vicentes Photographos; DRAC, Funchal

Documentação Administrativa

AN/TT: Junta da Antiga Provedoria da Alfândega do Funchal; ARM: CMF, RN e GC; Paróquia de Santo António, Funchal

Intervenção Realizada

Observações

Em 1998 foi feito levantamento sumário de inventário no âmbito do Mestrado de História da Universidade da Madeira pela Drª Ana Isabel Sopranger, tendo sido entregue cópia na Paróquia.

Autor e Data

Rui Carita 1999

Actualização

 
 
 
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