Igreja Paroquial de São Vicente

IPA.00008286
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), São Vicente, São Vicente
 
Igreja paroquial eclética, de planta retnagular composta de três naves, cruzeiro e capela-mor com retábulo em talha dourada e estofada e pintada, separado por alto arco de triunfo pintado, retábulos colaterais e um, na nave lateral direita.
Número IPA Antigo: PT062211030016
 
Registo visualizado 533 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta retangular irregular, com torre quandragular à esquerda. 1º fachada composta de nave central e duas laterais, cruzeiro, torre de base quandragular, vários volumes escalonados e articulados; o volume que corresponde à nave central, é mais elevado, apresenta coberturas de duas águas na nave central, no cruzeiro, de uma água nas naves laterais e de quantro águas nos outros volumes, tudo coberto a telha marselha e beiral em telha de meia cana, coruchéu da torre coberto com azulejos enxaquetados azuis e brancos, colocados ortogonalmente. Fachada principal orientada a O. em empena e rematada por cruz em cantaria; parede rebocada e caiada a branco, portal maneirista de arco de volta perfeita, em cantaria cinzenta da região encimada por janela de caixilharia de guilhotina emoldurada de cantaria com avental, lintel curvo e entalhado; o alçado da torre de planta rectangular, apresenta cunhais demarcados a pintura cinzenta, três janelas sobrepostas rectangulares, que se repetem em todas as faces, sobrepostas pelos vãos do campanário de lintel curvo, com sino; cornija saliente, demarcada nos vértices por quatro acrotérios. Logradouro murado a E., N., O., com bancos corridos e balaustrada com excepção da fachada S.. Fachadas laterais rebocadas e caiadas de branco, janelas rectângulares, emolduradas a cantaria, lintel curvo, e avental. INTERIOR: Planta longitudinal de três naves sendo a central mais alta, separada das laterais por quatro arcos de volta perfeita, apoiados em colunas oitavadas, pintadas; à entrada de cada lado, estão duas pias de água benta, em forma de gomos, executadas em mármore rosa; do lado esquerdo, baptistério de planta esquerda, arco batido, executados em cantaria, pintados de cinzento; do lado direiro, escada de acesso ao coro, de planta curvilínea, suportado por colunas de base quadrangular, que ao mesmo tempo, suportam as portas do guarda-vento em madeira de til, com decorações relevadas. Capela-mor sobrelevada, separada na nave central por arco de triunfo de volta perfeita, em cantaria, apoiado em pilastras de base octogonal e antecedido por altares colaterais, oblíquos, com retábulos de talha estofada e dourada; do lado esquerdo, acesso à sacristia e à sala de reuniões; do lado direito à dependência chamada quarto das flores. Pavimento central com ladrilhos preto, branco e cinzento, estrado de tabuado; as paredes laterais são percorridas com silhar de azulejo de padrão policromo de estampilha, interrompido por cartelas com temas hagiográficos variados, a azul e branco; do lado do evangelho, encontra-se o púlpito com dossel, apoiado numa coluna de separação das naves, executado em madeira escura e polida, com decoração relevada, escada espiralada em cantaria, colocada na parte posterior. Do mesmo lado apresenta-se também o altar colateral com retábulo em talha dourada e estufada a folha de ouro, com estrutura recta, predela com abertura em nicho de arco de volta perfeita, assente em colunas de decoração relevada, envolto por quadrifólios, com a imagem do Sagrado Coração de Jesus e sobreposto por tela, representando a aparição de Sagrado Coração de Jesus a uma franciscana, enquadrado por duas colunas laterais espiraladas e decoradas com parras, assentes sobre mísulas em folhas de acanto; ático rematado por aletas tendo ao centro grande roseta rematada por concheado barroco; do lado da epístola, o altar colateral, com retábulo de estrutura idêntica ao descrito, Sagrado Coração de Maria, representando a tela, Nossa Senhora do Carmo. Na nave lateral esquerda foi projectado o altar do Santíssimo que acabou por não ser executado; na nave lateral direita encontra-se o retábulo em talha, com estrutura por um par de colunas estriadas, entablamento com cabeças de anjo e elementos fitomórficos, ático inacabado, tudo pintado a branco e dourado; na parede lateral, sobre uma mísulas encontra-se a imagem de Nossa Senhora do Rosário. O altar-mor está separado da nave central por bonita grade de comunhão, de balaustrada torneada em madeira de Jacarandá polida, de planta ondulada e com pilares de base quadrangular, de decoração embutida; a separação da nave lateral esquerda, faz-se por rara cancela alta, torneada em bolacha e bolina, rematada por anéis de latão e decorada por "targes" vazadas, também em latão, com remates em "piradimas", torneadas em madeira e latão; todo o espaço é iluminado por frestas de vidros coloridos, aos diferentes níveis das paredes, tecto apainelado na nave central, de uma só água, nas naves laterais, de abóbada no altar-mor, todos com pintura decorativa e sobre o altar de Nossa Senhora do Carmo, um tecto oitavado em madeira à vista. O altar-mor é sobrelevado, com quatro degraus e pavimento em cantaria. O retábulo do altar-mor ao gosto Neoclássico, apresenta talha simples, estrutura côncava, tripartido tendo ao centro, sobre o sotobanco de forma ondulada, o sacrário em talha dourada e no eixo central, nicho com baldaquino, trono com a imagem de S. Vicente, ladeada por dois pares de colunas simples, pintadas a branco e dourado, entre as quais se abrem mais dois nichos laterais com as imagens, colocadas sobre mísulas com dosséis dourados, S. Francisco e Santa Teresinha, terminando em ático recortado. As paredes laterais apresentam dois painéis de azulejos hagiográficos e outros alegóricos, o da esquerda representa Josué e Caleb, transportando "uvas da terra prometida", o da direita, "pastor e suas ovelhas", da fábrica Lusitânia e assinado J. S., Lisboa, os alegóricos com elementos da Eucaristia; na parte superior das paredes, estão colocadas grandes telas, emolduradas de talha ao gosto rócócó, sendo o fundo da parede, pintado em técnica de marmoreado; a iluminação faz-se através de pequenas janelas com vidros coloridos e o tecto é abobadado e pintado com elementos decorativos. Na nave principal, as paredes laterais, estão decoradas com quatro grandes telas de temas bíblicos, assinadas por vários pintores sacros da região, emoldurados por talhas douradas; nas paredes das naves laterais estão os diferentes Passos da Via Sacra, À entrada do portal, estão colocadas lateralmente, duas pias de água-benta em mármore rosa, entalhadas aos gomos; do lado esquerdo, encontra-se o baptistério, com pia baptismal executada em pedra e pintada em técnica de marmoreados, paredes com silhar de azulejos de padrão estampilhado a azul e branco, iluminada por janela de vidros coloridos, parede decorada com pintura, enquadra quadro representando o baptismo de Cristo no rio Jordão; a sacristia, à esquerda da capela-mor, é um amplo espaço, de pavimento sobrado e tecto plano, apresenta um enorme arcaz, com gavetas almofadadas e aldrabas em ferro forjado; o fontenário, na parede lateral esquerda, é em cantaria pintada, revela características maneiristas, tendo aplicado na parede um conjunto de azulejos de tapete, desenho massaroca do séc. XVII. Na parede do lado direito encontra-se um pano de frontal de altar, bordado a seda, emoldurado em quadro. Este espaço dá acesso à sala de reuniões.#

Acessos

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Rural, isolado, dentro do aglomerado, o edifício é precedido de adro e murado a E. N. e O., com excepção da fachada S., com muro, bancos corridos e balaustrada, é delimitado à entrada a O. por duas colunas de base quandragular em cantaria rija da região, logradouro com coreto, canteiros ao redor ajardinados, palmeiras, pavimento empedrado com pedrinha de calhau rolado a preto e branco, decorado com desenhos geométricos, elementos fitomórficos, símbolos de S. Vicente, data do seu falecimento, do calcetamento e vaso com flores.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada:Igreja Católica

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

CARPINTEIRO: Manuel Lourenço (1726). ESCULTORES: José F. Tedim (1940); Vieira e A. Cândido Pinto (1924). MARCENEIRO: António Pereira (1719).

Cronologia

Séc.15 - último quartel, construção da primeira ermida; 1594 - igreja arruinada; 1600 - construção do retábulo e sacristia; 1624 - construção da nova sacristia; 1631 - acrescento do corpo da Igreja; 1643 - re-edificação da capela-mor; 1648 - azulejamento da capela -mor; 1650 - construção da capela do Santíssimo; 1669 - construção do coro alto e sacristia; 1692- términos da nova construção da igreja; 1699 - construção do alpendre; 1715 - construção da capela do Santíssimo e do quarto dos santos e das flores; 1719 - feitura do arcaz da sacristia pelo marceneiro António Pereira; 1726 - feitura das molduras da capela-mor e camarim pelo carpinteiro Manuel Lourenço; 1765 - acabamento da torre; 1900 - substituição da telha da igreja; 1924 - feitura da imagem de São Vicente pelo escultor de Braga Vieira e A. Cândido Pinto; 1938 - melhoramentos importantes, levantamento do tecto da igreja, renovação da armação e da telha, construção da nave a S., construção de uma sala de reuniões, arrecadação, quarto das flores e do púlpito; 1940 - feitura da imagem de Nossa Senhora das Dores pelo escultor de Santo Tirso, José F. Tedim; 1942 - configuração actual da igreja.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante

Materiais

Estutura de alvenaria de basalto rebocada e pintada; molduras, pavimentos e degraus em cantaria cinzenta da região; guardas de ferro, nos vãos; portas e grades, tectos em madeira, polida e pintada; janelas com vidros coloridos e simples; cobertura exterior em telha marselha e beirais em telha romana; pavimento do adro em calhau rolado; silhares, painéis, cartelas em azulejos monocromos ou policromos; pavimento interior, ladrilho policromo e tabuado.

Bibliografia

SILVA, Padre Fernando Augusto da, Elucidário Madeirense, vol. 3, Funchal, 1992; in, Livros de contas da Igreja; MATOS, Marinho António, São Vicente Evangelização, devoção e património cultural, Diocese do Funchal, 2003; MATOS, Padre Silvério Aníbal de, Achegas para a História de São Vicente, Câmara Municipal de São Vicente, 2001; MESTRE, Victor, Arquitectura Popular da Madeira, Lisboa, 2002; VIEIRA, Alberto, A vila de São Vicente, Evocação dos duzentos e cinquenta anos.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

DRAC; T. B.: Arquivo Fotográfico

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

Em 1748 e 1755, a Madeira sofreu dois terramotos que destruíram parte do edifício da Igreja.

Autor e Data

Paula Noé 2002; Teresa Brazão 2004

Actualização

 
 
 
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