Colégio de São Francisco Xavier / Igreja Paroquial da Horta

IPA.00008182
Portugal, Ilha do Faial (Açores), Horta, Horta (Matriz)
 
Arquitectura religiosa educativa, maneirista e barroca. Colégio da Companhia de Jesus, de planta rectangular regular, composta por igreja central, com zona conventual e colegial adossadas. A igreja é de planta longitudinal, com quatro tramos e três capelas intercomunicantes, transepto inscrito, capela-mor pouco profunda, seguindo o esquema típico da Ordem, filiado na casa-mãe, a Igreja do Gesù, em Roma, com sacristia adossada ao lado esquerdo. O interior tem coberturas diferenciadas em falsas abóbadas de berço em caixotões, sendo amplamente iluminada pelas janelas rectilíneas da fachada principal e indirectamente através das tribunas laterais. Fachada principal harmónica, com o corpo tripartido pelos vãos que a rasgam, flanqueada por torres sineiras à mesma altura, seguindo uma tendência típica das Ilhas, numa solução que a Companhia divulgou nos imóveis construídos no séc. 17, estando presente nas fachadas dos Colégios de Elvas (v. 1207010024), Santarém (v. 1416210009), Angra (v. 1901160008), Ponta Delgada (v. 2103120002) e Funchal (v. 2203080006), bem como na Casa Professa de Vila Viçosa (v. 0714050008). Fachadas circunscritas por cunhais apilastrados e rematadas em friso e cornija. Possui coro-alto e três capelas intercomunicantes, decoradas com azulejo, pintura e retábulos de talha dourada, existindo exemplares do barroco nacional. Nos últimos pilares da nave, dois púlpitos confrontantes, rectangulares e com guardas vazadas, com acesso pelos corredores laterais. Arco triunfal de volta perfeita, ladeado por retábulos colaterais, encimados por tribunas, estruturas que se repetem na capela-mor. Nos topos do transepto, retábulos de talha, encimados por janelas termais, que permitem a iluminação do espaço. Capela-mor ornada por silhar de azulejos figurativos, possuindo dois arcosólios confrontantes, tendo, sobre supedâneo, retábulo-mor de talha dourada, de estilo barroco joanino, de planta côncava e três eixos, contendo trono expositivo e sacrário em forma de templete. A zona colegial tem acesso pela portaria, decorada por pilastras e encimada por frontão interrompido, sendo a portaria do convento menos exuberante, com moldura simples.
Número IPA Antigo: PT072002080003
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Educativo  Colégio religioso  Colégio religioso  Companhia de Jesus - Jesuítas

Descrição

Planta rectangular simples, composta por igreja central, de planta longitudinal, para onde abrem três capelas intercomunicantes, por transepto inscrito e capela-mor mais estreita, e por dois pátios, um de cada lado, correspondentes às antigas zonas conventual e colegial. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento de cantaria, em aparelho isódomo, flanqueadas por cunhais de cantaria e rematadas em friso e cornija. IGREJA com fachada principal de tratamento simétrico, integrando, lateralmente, duas torres sineiras, à mesma altura do corpo central, com tratamento tripartido, dividido por quatro ordens de colunas e pilastras toscanas, definindo os quatro registos, separado por friso e cornija, que, no superior, são de maiores dimensões e mais salientes, correspondendo ao ligeiro recuo do muro. No primeiro registo, rasgam-se três portais de verga recta e molduras recortadas, o central de maiores dimensões; nos três restantes, surgem, três janelas rectilíneas, as primeiras de varandim com guarda metálica, sendo, as do piso superior, rematadas em frontão, triangular no centro e semicircular sobre as laterais. O corpo remata em tabela rectangular vertical, enquadrando um resplendor envolvido por motivos vegetalistas, flanqueada por pilastras toscanas, encimadas por pináculos e aletas, sendo rematada por friso, cornija e espaldar contracurvado, sobre o qual surge cruz latina. As torres dividem-se em quatro registos, os inferiores com janelas em capialço, os intermédios com janelas rectilíneas, as primeiras de varandim, e, no registo superior, as sineiras em arco de volta perfeita, assentes em impostas salientes; rematam em friso e cornija, encimados por pináculos e têm cobertura em cúpula. INTERIOR de quatro tramos, divididos por pilastras toscanas, o primeiro correspondente ao coro-alto, e os demais às capelas, encimadas por tribunas com guardas balaustradas, tendo cobertura em abóbada de berço em caixotões, assente em cornija saliente. Coro-alto assente em duas colunas de pedra, com guarda balaustrada, onde surge um órgão positivo. As capelas têm acesso por arcos de volta perfeita, assentes em pilastras toscanas, com coberturas em falsas abóbadas de berço, revestidas a talha, com aplicação de azulejos e retábulos de talha dourada. Na última pilastra, surgem os púlpitos, quadrangulares, assentes em ampla mísula de cantaria e com guarda de madeira torneada, tendo atlantes nos ângulos, encimados por baldaquinos e acesso por porta de verga recta, a partir dos corredores laterais. O transepto possui, nos topos, janelas termais, retábulos de talha dourada. A ladear, portas de acesso aos confessionários, o do lado do Evangelho amplamente ornado, em frente dos quais surgem as portas de acesso à sacristia e convento e os retábulos colaterais, encimados por duas tribunas de cada lado, protegidas por guardas balaustradas. Arco triunfal encimado por nicho de cantaria, decorado por aletas e frontão, que enquadra pequeno óculo; no nicho, a imagem de Nossa Senhora dos Prazeres. Capela-mor com cobertura em falsa abóbada de berço, de alvenaria, em caixotões, tendo, nas ilhargas, arcosólios de volta perfeita e painéis de azulejo, representando cenas da vida de Santo Inácio e de São Francisco de Borja, parcialmente ocultos pelo cadeiral da Colegiada. Sobre supedâneo de degraus centrais, o retábulo-mor, de talha dourada, planta côncava e três eixos definidos por quatro colunas salomónicas, assentes em consolas suportadas por anjos atlantes, sobre sotobanco em cantaria; ao centro, tribuna em arco de volta perfeita, com a boca ornada por motivos vegetalistas, contendo trono expositivo de cinco degraus, com glória de anjos no topo, na base da qual se situa o sacrário em forma de templete; nos eixos laterais, mísulas suportadas por atlantes e protegidas por baldaquinos com drapeados a abrir em boca de cena; remate em frontão interrompido, encimado por anjos de vulto, contendo amplo espaldar com profusa decoração fitomórfica e de concheados, com cartela central, onde surge a sigla da Companhia, "IHS", sustentada por dois anjos. Sacristia com arcaz de jacarandá, de 7 corpos e 21 gavetões, tendo espaldar centrado por espelho, formado por painéis pintados com passos da vida de São Francisco Xavier. COLÉGIO com dois pátios, em torno do qual se desenvolviam as várias dependências, no lado esquerdo o Colégio e, no direito, o convento. No lado direito, desenvolve-se em dois pisos, rasgados regularmente por janelas rectilíneas, a central e as dos ângulos, de maiores dimensões, marcando os corredores, surgindo, no piso inferior, três portas de verga recta e molduras salientes, a do lado direito correspondente à antiga portaria, flanqueada por colunas e quarteirões, que sustentam frontão interrompido por janela em capialço e por escudo emoldurado. O corpo do lado direito, de dois e três pisos, aproveitando o desnível do terreno, é rasgado, no inferior, por porta, flanqueada por duas janelas rectilíneas, surgindo, no intermédio, porta de verga recta, junto à igreja, e uma sucessão de seis janelas de peitoril, rectilíneas e rematadas por cornija, surgindo, no superior, sete janelas de varandim, semelhantes às anteriores.

Acessos

Horta (Matriz), Largo Duque d'Ávila e Bolama

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Resolução do Presidente do Governo Regional n.º 41/1980, JORAA, 1.ª série, n.º 20 de 11 junho 1980

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado num amplo largo, no qual surge em posição elevada, com acesso por ampla escadaria junto ao portal da igreja.

Descrição Complementar

A última capela do Evangelho, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, possui silhares de azulejo, representando a "Civitas Dei" e "Hortus Conclusus", simbologia mariana, encimados por telas pintadas, com molduras de talha, e retábulo de talha dourada, com corpo de planta côncava e de um eixo definido por quatro colunas torsas, ornadas por pâmpanos e assentes em consolas, e por seis pilastras, decoradas por acantos e assentes em plintos paralelepipédicos, que se prolongam em cinco arquivoltas unidas no sentido do raio; ao centro, nicho em arco de volta perfeita, contendo plinto que sustenta a Virgem, rodeada por anjos; altar em forma de urna. Antiga Capela de São Paulo com painéis de azulejo azul e branco, a representar "Colecta para a Igreja de Jerusalém" e "Naufrágio nas costas de Malta".

Utilização Inicial

Educativa: colégio religioso

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial / Política e administrativa: câmara municipal / Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Privada: Igreja Católica (igreja) (Diocese de Angra) / Pública: estatal (Colégio)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTOR de AZULEJO: Oficina de Bartolomeu Antunes (atr., 1735-40).

Cronologia

1648, 25 Novembro - falecimento do capitão Francisco Dutra de Quadros, que, em testamento, efectuado a 15 de Fevereiro de 1644 e aprovado a 8 de Junho de 1645, deixou bens para a fundação de um colégio da Companhia de Jesus; os bens consistiam em terrenos nas ilhas do Faial, Pico e Terceira, uma vinha na Madalena do Pico, com lagar, casa e tapada, casas grandes dos capitães com respectivos pomares, uma canada em Porto Pim, na Feteira, Castelo Branco, bem como a administração dos bens de Isabel Corte Real, sua esposa, entretanto falecida; fixava, ainda, uma renda anual de 20 móios de trigo e mil cruzados para a capela da igreja, para a qual, os ossos de ambos teriam de ser trasladados; 1652, 15 Outubro - fundação do Colégio de São Francisco Xavier, por ordem do vice-provincial Jerónimo Vogado, enviando um visitador e três padres, que chegaram no dia 21 do mesmo mês; lançamento da primeira pedra; entretanto, os padres instalaram-se no solar dos Dutra, onde improvisaram uma pequena capela para o serviço interno, decorrendo os actos públicos na Misericórdia; 1652, 2 Dezembro - início das aulas, de latim e de "Casos de Consciência", sendo a cadeira primeira gerida por António Cabral; 1653 - instituição da Irmandade de São Francisco Xavier; 1678 - ordem régia para a importação de material para a igreja; 1680 - início da construção da igreja; 1682 - O Colégio foi isento do pagamento de sisa; 1686 - o presbítero João Álvares de Medeiros dotou a Capela de São Paulo, tendo sido sepultado em túmulo, no lado do Evangelho; António Silveira de Lacerda doou 10 pipas de vinho para as obras da igreja; 1697 - António Machado de Lima e D. Maria de Betencourt dotaram a Capela de Nossa Senhora da Conceição, protectora dos estudantes; 1703 - instituição da Capela de Nossa Senhora da Boa Morte, pelo Padre Francisco Alves de Serpa, que nela se fez sepultar; 1719, 17 Abril - início das obras de ampliação do edifício; 1735 - 1740 - provável execução dos azulejos da capela-mor pela oficina de Bartolomeu Antunes; 1740 - 1745 - pintura dos azulejos da antiga Capela de São Paulo; 1759, 23 Junho - alvará extinguindo as classes e as escolas jesuíticas; 3 Setembro - ordem para a extinção da Companhia de Jesus; 1760 - expulsão da Companhia de Jesus, ficando por concluir o interior da igreja; os bens do Colégio passaram a ser geridos pelo corregedor, Henrique Henriques Quaresma de Almada, até 1763; o Colégio possuía terra lavradia e vinha na Ilha Terceira, nomeadamente a Quinta da Pateira, deixada por Francisco Dutra de Quadros; 1789, 18 Agosto - caderno com avaliação da prata que do Erário Régio se mandou avaliar ao Mestre Ourives João de Sousa Jorge, contraste da corte; 1825, 20 Outubro - transladação da Matriz velha, anexa à Torre do Relógio, para o local; 1851, 4 Novembro - Portaria concede o corpo N. do Colégio à Câmara Municipal da Horta, que se instalou no segundo piso e o Tribunal no primeiro; no lado oposto, encontravam-se várias instituições, como o Governo Civil, Repartição da Fazenda Pública da Horta; 1883, 4 Julho - Decreto que concede à Câmara a propriedade do corpo N.; 1901 - visita de D. Carlos e D. Amélia aos Açores, passando pela Horta, onde estiveram instalados no Colégio, ficando, a N., a sala do trono, sala de jantar, copa e cozinhas e, no oposto, os quartos dos monarcas, ministros e restante comitiva, ficando, no piso inferior, os empregados; 1926, 31 Agosto - um terramoto abala o edifício; 1926 - 1930 - reconstrução do imóvel, com reforço da abóbada da nave e reconstrução do interior dos corpos anexos, para instalação de serviços administrativos; séc. 20, década de 50 - remoção do órgão de tubos da última capela da Epístola; 1977, 18 de Julho - criação do Museu da Horta, instalado no local, pelo Decreto Regulamentar Regional n.º 21; 1989 - o Museu instala parte dos seus serviços na ala N.; na oposta, funcionava a Fazenda Pública; 2000 - criação do Núcleo Museológico dos Capelinhos para acolher a exposição permanente sobre a erupção vulcânica de 1957.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria e cantaria rebocada; pilastras, cornijas, colunas, modinaturas em cantaria; retábulos de madeira dourada; portas, teias, arcaz, guardas do púlpito, caixilharias de madeira; azulejos; telas pintadas; janelas com vidros simples; metal nas guardas das janelas de varandim; telha nas coberturas exteriores.

Bibliografia

SILVA, J. Pereira da, A Ilha de Malta e a Ilha do Faial, in Atlântida, vol. IV, n.º 6, Angra do Heroísmo, Novembro - Dezembro 1960, pp. 271-289; AFONSO, João, A Igreja do Colégio de Angra no conjunto dos templos insulares da Companhia de Jesus (esboço de um estudo comparativo), in Atlântida, vol. X, n.º 1, Janeiro - Fevereiro 1966, pp. 55-60; SIMÕES, J.M. dos Santos, Azulejaria Portuguesa nos Açores e na Madeira, Lisboa, 1963; Documentos para a História da Arte em Portugal, Arquivo do Tribunal de Contas, vol. 3, Lisboa, MCMLXIX ; SOUSA, Nestor de, A arquitectura religiosa de Ponta Delgada nos séculos XVI a XVIII, Ponta Delgada, 1986; Averiguação de todos os bens livres que pertenceram aos regulares da Companhia de Jesus na Ilha Terceira, in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Angra do Heroísmo, vol. LVI, 1998, pp. 23-88; CARITA, Rui, O Colégio Jesuíta de São Francisco Xavier no Faial, in O Faial e a periferia Açoriana nos séculos XV a XX, Horta, 1998, pp. 113-153; www.drac.rac.pt/faial.html, 18 Agosto 2005; SILVA, Dalila, Adjudicada cobertura Museu da Horta, Correio da Horta - Principal, 23 Março 2006, pg. 1-2.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

AHU (caixa 5, doc. n.º 23)

Intervenção Realizada

Proprietário: séc. 20, década de 20 - adaptação das áreas conventual e colegial a utilização administrativa, política e cultural; 1991 / 1992 - obras de rebocos e pinturas, limpeza das cantarias; restauro e substituição de coberturas; tratamento e pintura dos caixilhos de madeira; CMHorta: 2002, 22 Fevereiro - publicação do concurso público para as obras de reabilitação da cobertura, fachadas, caixilharias exteriores do edifício da Câmara Municipal e do edifício da área social; Governo Regional: 2006 - adjudicação das obras da nova cobertura, à empresa Nascimento Neves e Filhos, Ldª, a executar num prazo de 3 meses.

Observações

EM ESTUDO

Autor e Data

Paula Figueiredo 2005

Actualização

 
 
 
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