Palacete Silveira e Paulo

IPA.00008168
Portugal, Ilha Terceira (Açores), Angra do Heroísmo, Angra (Nossa Senhora da Conceição)
 
Palacete construído na transição do séc. 19 para o 20, constituindo um dos melhores exemplares da arquitetura residencial açoriana desta transição, em revivalismo neoclássico, conciliado com outros revivalismos e elementos já com laivos de arte nova, como por exemplo a decoração das guardas de peito das janelas do andar nobre. Tem planta quadrangular e fachadas evoluindo em dois pisos, separados por cornija e friso, com cunhais apilastrados, coroados por urnas, remates em entablamento e platibanda, num jogo de cheios e vazados, rasgadas regularmente por vãos abatidos com moluras almofadadas e chaves relevadas, intercalados por molduras de estuque formando apainelados. A fachada principal apresenta três panos, o central revestido a cantaria e terminado em frontão semicircular com elementos vegetalistas no tímpano, e rasgado por vãos em arco de volta perfeita, correspondendo no andar nobre a janelas de sacada corrida, com guarda em cantaria vazada, sobre modilhões. A cobertura é coroada por mirante octogonal, com varandim. Quer no exterior, quer no interior, foram utilizados materiais de grande qualidade e importados do continente.
Número IPA Antigo: PT071901040039
 
Registo visualizado 461 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Palacete  

Descrição

Planta composta por corpo principal quadrangular e por um outro retangular adossado à fachada posterior. Volumes escalonados, com cobertura do corpo principal em telhado de quatro águas e em terraço no corpo adossado; o edifício é sobrepujado por mirante octogonal, revestida a placas imitando escamas, com lanternim rasgado por vãos abatidos, com portas de duas folhas e bandeira, com vidros policromos, circundado por varandim com guarda em ferro, e remate em aba corrida, assente em falsas mísulas e lambrequim de madeira. Integra ainda várias trapeiras, com remates recortados, e vãos em arco, lateralmente revestidas com placas tipo escamas. Fachadas adaptadas ao declive do terreno, com embasamento revestido a cantaria, e dois pisos rebocados e pintados de rosa, separados por cornija e friso de cantaria, remates em friso, cornija e platibanda decorada com painéis relevados ovalados e falsos balaústres, e cunhais apilastrados, coroados por urnas. Fachada principal virada a N., de três panos, o central sensivelemente saliente, definido por pilastras almofadadas com capitéis de inspiração coríntia, a da esquerda inscrita com a data de 1899 e a da direita com data de 1901, revestido a cantaria, com aduelas em cunha sobre os vãos, e terminado em frontão semicircular, alteado, com o tímpano decorado por elementos vegetalistas relevados e cartela com monograma; o friso sob o frontão é decorado com elementos vegetalistas em baixo relevo. No piso inferior rasgam-se três vãos longilíneos em arco de volta perfeita, com moldura almofadada e chave relevada, e no andar nobre três janelas de sacada corrida, assente em modilhões decorados e com guarda em cantaria vazada com motivos lanceolados e com acrotérios paralelepipédicos, e vãos em arco, com molduras almofadadas e chave relevada. Os panos laterais são semelhantes, rasgados por dois eixos de vãos, correspondendo a duas janelas jacentes, em arco abatido, gradeadas, abertas no embasamento, e duas janelas de peitoril, nos pisos superiores, de arco abatido com moldura almofadada e chave relevada, intercaladas por moldura de estuque, pintada de branco, de topos recortados, formando apainelado, encimado por cornija; as janelas do primeiro piso têm falsas mísulas sob o peitoril e as do segundo têm guarda de peito em ferro fundido. Fachadas laterais com esquema de fenestração semelhante, rasgadas por cinco eixos de vãos intercalados por apainelados, tendo ao centro da lateral esquerda portal, precedido por escada e, no andar nobre, janela de sacada, sobre modilhões, com guarda em ferro fundido; na lateral direita abrem-se janelas de peitoril no embasamento e no andar nobre janela de sacada igual à oposta. Fachada posterior com esquema semelhante, sendo o corpo adossado coberto em terraço, com guarda em ferro. INTERIOR: vestíbulo central no fim do qual se desenvolve escada de dois braços de acesso ao andar nobre, tendo no cimo vitral representando duas figuras mitológicas: a agricultura e o comércio, correspondentes às fontes de riqueza do construtor. As salas do andar nobre têm pavimentos marchetados em madeira de várias espécies e tons e sancas em gesso com folha de ouro, prata e pintura policroma; algumas têm ainda decoração em estuque, por vezes policromo.

Acessos

Angra (Nossa Senhora da Conceição), Rua da Conceição; Rua do Morrão

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Resolução do Presidente do Governo Regional n.º 64/1984, JORAA, 1.ª série, n.º 14 de 30 abril 1984 / Incluído na Zona Central da Cidade de Angra do Heroismo (v. IPA.00010623)

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado de gaveto no centro histórico de Angra, adaptado ao declive acentuado do terreno, formando frente de rua, com passeios separadores. Junto à fachada posterior e parte da lateral direita desenvolve-se logradouro, vedado por muro e gradeamento. Nas imediações, ergue-se a Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Conceição (v. PT071901040029), o Solar e capela de Nossa Senhora dos Remédios (v. PT071901040027) e outras casas com interesse arquitetónico.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Política e administrativa: delegação regional

Propriedade

Pública: regional

Afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

MESTRE-DE-OBRAS: João da Ponte (1900).

Cronologia

Séc. 19 - Domingos Machado da Silveira e Paulo, oriundo de uma família modesta de pedreiros e trabalhadores agrícolas de Santo Amaro do Pico, parte para São Tomé, onde trabalhará na roça Colónia Açoriana; 1881 - o seu irmão, João Jorge da Silveira Paulo, comendador, rico proprietário e capitalista vem estudar em Angra; 1882 - João Jorge parte para São Tomé onde, sob a sua direção e influência do prestígio e respeitado nome do seu irmão, alcança grande fortuna; séc. 19, finais - o comendador e fidalgo-cavaleiro da Casa Real, João Jorge da Silveira Paulo, regressa a Angra do Heroísmo e compra um dos solares da família Noronha, erguido perto da igreja da Conceição; posteriormente, manda demolir o solar de Manuel Homem de Noronha e inícia a construção do seu palacete, com direcção do mestre-de-obras micaelense João da Ponte; 1899 - data inscrita na pilastra esquerda do pano central da frontaria, possivelmente assinalando o início da sua construção; 1901 - data inscrita na pilastra direita do pano central, possivelmente assinalando a conclusão do palacete; 1937 - aquisição do palacete pelo Estado por 84 contos, para instalação da Escola Comercial e Industrial da Ilha Terceira; 1939 - início do funcionamento da escola; 1978 - extinção da Escola Industrial e Comercial e respetiva integração no Liceu Nacional de Angra do Heroísmo; o imóvel acolhe o ciclo preparatório, anexo à então formada Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade; 1980, 1 janeiro - sismo quase não provoca danos no imóvel; passa também a albergar o Conservatório Regional de Angra do Heroísmo; 1999 - o palacete estava em avançado estado de degradação, sendo encerrado e entregue à Direcção Regional da Cultura do Governo dos Açores; 2000, outubro - concurso público para adjudicação da empreitada do restauro e adaptação a novas funções do edifício; 2003 - instalação da sede da Direcção Regional da Cultura do Governo dos Açores e do Centro do Conhecimento dos Açores; 2004, 09 setembro - publicação da Resolução do Conselho do Governo n.º 126/2004, referindo consumir a classificação anterior do imóvel por inclusão na Zona Central da Cidade de Angra do Heroismo, em JORAA , 1.ª série, n.º 15; 2008 - encerramento das instalações escolares existentes no reduto do imóvel, estando em curso o processo de construção no local da nova biblioteca pública de Angra do Heroísmo; 2014, 06 maio - publicação do Anúncio de procedimento n.º 2395/2014, em DR n.º 86, 2.ª série, relativa à empreitada de conclusão da construção da nova biblioteca e arquivo Regional de Angra do Heroísmo, tendo como preço base 4600000.00 euros.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra, de dupla camada, com andares suportados por vigas de pinho resinoso contraventadas com quatro tirantes metálicos que atravessam as vigas; embasamento, frisos, cornijas, pilastras, urnas, platibanda, molduras dos vãos e outros elementos em cantaria; elementos no interior em mármore do Alentejo e pedra azul de Cascais; portas, caixilharia e portadas em madeira; vidros simples e policromos; guardas em ferro forjado; cobertura em telha e em terraço, revestido a cantaria.

Bibliografia

«Açores. Palacete em Angra do Heroísmo foi inaugurado». in O Emigrante. 20 agosto 2004, p. 19; O Angrense, n.º 2761, 8 Abril de 1898; http://bagosdeuva.blogspot.pt/2009/12/palacete-silveira-e-paulo.html [consultado em abril 2012]; http://terceira.blogs.sapo.pt/2260.html, [consultado em abril 2012].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1937 / 1938 - obras de reparação e adaptação do edifício a Escola Industrial e Comercial de Angra do Heroísmo; Direcção Regional da Cultura do Governo dos Açores: 2000 / 2001 / 2002 / 2003 / 2004 - restauro e adaptação a novas funções do edifício; os trabalhos constituem em demolições, construção de um núcleo de elevadores e instalações sanitárias em betão, restauro de tetos de estuque, restauro e conservação de caixilharias, portas e janelas, instalação de redes de águas e esgotos e redes de eléctricas, de telecomunicações e segurança, e instalação AVAC.

Observações

EM ESTUDO

Autor e Data

Paula Noé 2012

Actualização

 
 
 
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