Colégio de Todos os Santos / Colégio de São Miguel / Museu Carlos Machado - Núcleo de Arte Sacra

IPA.00008145
Portugal, Ilha de São Miguel (Açores), Ponta Delgada, Ponta Delgada (São Sebastião)
 
Arquitectura religiosa educativa, maneirista e barroca. Colégio da Companhia de Jesus, de planta rectangular regular, composta por igreja no lado direito com zona conventual e colegial adossadas. A igreja é de planta longitudinal, com quatro capelas à face, um dos esquemas seguidos pela Ordem, e capela-mor profunda. O interior tem coberturas diferenciadas em falsas abóbadas de berço em caixotões, os da capela-mor em talha, sendo amplamente iluminada pelas janelas rectilíneas da fachada principal. Fachada principal harmónica, com o corpo tripartido pelos vãos que a rasgam, flanqueada por torres sineiras à mesma altura, seguindo uma tendência típica das Ilhas, numa solução que a Companhia divulgou nos imóveis construídos no séc. 17, estando presente nas fachadas dos Colégios de Elvas (v. 1207010024), Santarém (v. 1416210009), Angra (v. 1901160008), Horta (v. 2002080003) e Funchal (v. 2203080006), bem como na Casa Professa de Vila Viçosa (v. 0714050008). Fachadas circunscritas por cunhais apilastrados e rematadas em friso e cornija. Possui coro-alto e capelas à face, tendo um púlpito no lado da Epístola. Arco triunfal de volta perfeita, ladeado por retábulos relicários colaterais, dispostos em ângulo. Capela-mor ornada por silhar de azulejos figurativos e retábulo-mor de talha dourada, de estilo barroco joanino, de planta côncava e três eixos, contendo trono expositivo e sacrário. A zona colegial tem acesso pela portaria, alpendrada, rasgada regularmente por vãos rectilíneos.
Número IPA Antigo: PT072103120002
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Educativo  Colégio religioso  Colégio religioso  Companhia de Jesus - Jesuítas

Descrição

Planta rectangular composta por igreja longitudinal com nave, para onde abrem três capelas à face, transepto inscrito e capela-mor mais estreita, de volumes articulados, com coberturas diferenciadas em duas, três e quatro águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento saliente em cantaria e rematadas em friso e cornija. IGREJA com fachada principal virada a S., simétrica, integrando o corpo e duas torres sineiras inacabadas à mesma altura, ritmada por largas pilastras toscanas da ordem colossal, almofadadas. O corpo é tripartido, com três panos e igual número de andares de vãos, surgindo, no inferior, três portais, o central mais alto e em arco abatido, sendo os laterais de verga recta, todos decorados por elementos concheados, cartelas e festões, o central flanqueado por seis colunas destacadas, de fuste liso e capitéis de interpretação jónica, assentes em amplas consolas, as quais sustentam cornija e quatro fragmentos de frontão; os vãos intermédios constituem três janelas de sacada, rectilíneas e ornadas por grinaldas de flores, assentes em sacada de cantaria e falsa mísula de acantos, tendo guardas em ferro; rematam em cornija, com fecho saliente e volutado, e pináculos, que flanqueiam os vãos superiores, constituídos por três óculos elípticos, envolvidos por profusa decoração vegetalista e moldura de enrolamentos. Sobre o friso e cornija do remate, evoluem três janelas termais, a central rectilíneo e as laterais em semi-luneta, divididas por duas pilastras ornadas por elementos entrelaçados e percorridas por moldura fitomórfica; o conjunto é flanqueado por duas aletas recortadas, de onde se dependuram elementos vegetalistas. As torres compõem dois registos, os inferiores com duas ordens de vãos sobrepostos, rasgados por óculos elípticos e janelas de sacada, de decoração e estrutura semelhante às do corpo principal da fachada, ambos envolvidos por molduras de enrolamentos, de ângulos truncados por concheado, em forma de quadrado na zona inferior e rectângulo na superior. No segundo registo, as sineiras, a do lado esquerdo entaipadas e formando janelas, a do lado direito, mantendo as ventanas em arco de volta perfeita, assentes em impostas salientes; a estrutura remata em cornija e platibanda, tendo coberturas em cúpula. INTERIOR com nave coberta por abóbada em cantaria, assente em cornija de madeira e com tirantes metálicos. Coro-alto assente em duas colunas revestidas a talha, com guarda plena encimada por balaústres, sendo o sub-coro revestido a azulejo, de figura avulsa, com índios, barcos e animais. O coro comunica com corredor e torre sineira. A nave possui capelas à face, 4 do Evangelho, duas delas de menores dimensões, talvez correspondentes aos antigos confessionários, e duas do lado da Epístola, ambas formando nichos em arco de volta perfeita assentes em pilastras toscanas, as últimas revestidas a talha dourada e contendo retábulos, encimadas por três tribunas rectilíneas e guarda de madeira balaustrada No lado da Epístola, púlpito quadrangular com guarda de madeira torneada, tendo acesso por porta de verga recta e protegido por baldaquino. Os topos da nave são truncados, possuindo dois retábulos colaterais, em arco de volta perfeita, encimados por dois quadros em baixo relevo, que escondem os espaços dos relicários, e duas tribunas protegidas por gelosias rendilhadas, tudo revestido a talha com profusa decoração de acantos. Sobre o arco triunfal, de volta perfeita , um medalhão com a representação da Virgem. Capela-mor profunda e bastante elevada, com cobertura em falsa abóbada de berço com seis caixotões em talha, formando rosetões; nas paredes laterais, talha e painéis de azulejo representando o "Transporte do cacho de uvas da Terra Prometida" (Evangelho) e "Queda do Maná e colheita por Moisés" (Epístola); são rasgadas por duas portas de verga recta. Retábulo-mor de planta côncava e três eixos definidos por quatro colunas torsas ornadas por acantos, tendo, ao centro, tribuna de volta perfeita com a boca ornada de acantos e fundo entalhado, criando amplo resplendor que envolve a imagem do orago; o conjunto é encimado por baldaquino bolboso, de onde se dependuram drapeados a abrir em boca de cena, sustentados por anjos e querubins; na base, sacrário embutido; nos eixos laterais, surgem mísulas com baldaquinos e drapeados a abrir em boca de cena; remate em frontão semicircular, ornado por acantos e plumas. Lateralmente à igreja, correm corredores sobrepostos, unidos na zona posterior da capela-mor *1. A sacristia possui azulejos formando silhar, ostentando albarradas. O CONVENTO desenvolve-se no lado esquerdo, de dois pisos, bastante adulterado por intervenção incaracterística, sendo rasgado, no lado direito, por duas janelas rectangulares com molduras simples, as inferiores de peitoril e as superiores de varandim, que ladeiam a portaria de verga recta, encimada por frontão de lanços e protegida por alpendre assente em duas colunas toscanas, sobre plintos paralelepipédicos, ostentando almofadas em forma de losango, e em mísulas.

Acessos

Ponta Delgada (São Sebastião); Largo do Colégio. VWGS84 (graus decimais) lat.: 37,743803; long.: -25,669953

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 39 175, DG, 1.ª série, n.º 77 de 17 abril 1953

Enquadramento

Urbano, isolado, abrindo para uma praça, sendo o corpo do convento seccionado por muro transversal. Acesso ao portal principal através de escadaria de perfil poligonal, com seis degraus.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Educativa: colégio religioso

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: Regional

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

CARPINTEIRO: José Martins (1765-68). PEDREIRO: João Ferreira (1765-68). PINTOR de AZULEJO: Bartolomeu Antunes (atr., 1737).

Cronologia

1568, 26 Novembro - João Lopes fez escritura de doação à Companhia de Jesus, deixando 30 móios de trigo, administrados por três decisões de São Miguel até que fosse fundado o Colégio, sendo a doação pelo prazo de 20 anos, pelo que passaria para o Colégio de São Lourenço do Porto; 1570, 1 Julho - os jesuítas chegam a Angra; Agosto - Setembro - dois padres da Companhia vêm a São Miguel; 1572, 23 Março - testamento de Gregório Afonso, deixando um móio de trigo; 1572 - 1573 - três padres dirigiam-se a Angra, quando uma tempestade os obrigou a recolher a São Miguel, sendo acolhidos por João Lopes, que lhes ofereceu abrigo e instou para que fundassem colégio na Ilha; 1588 - provável fundação da casa; João Lopes *2 adquiriu várias casas junto ao local onde se implanta o Colégio, pela quantia de 700$000 a 800$000; Manuel da Costa oferece casas para a fundação do mesmo; 1591, Janeiro - fundação da Residência de Todos os Santos, anexa ao Colégio de Angra do Heroísmo, cuja posse foi dada pela Câmara local; Francisco Rodovalho doa 8 alqueires de terra junto ao sítio do Colégio, João Moreira algumas casas junto à futura portaria, logo derrubadas; compra da Quinta da Fajã, que permitia ao Colégio auferir de lucros para o seu sustento, pelo procurador da Companhia, João Lopes, a Gaspar do Rego de Sousa e Francisco do Rego de Sá; 1592 - foi nomeado primeiro superior da residência o Padre Fernão Guerreiro; 1 Novembro - abertura dos alicerces do Colégio; 1593, 28 Fevereiro - inauguração da igreja; 1597 - foi colocada a hipótese do encerramento do Colégio, sendo decidida a sua manutenção; 1600 - a Câmara pede ensino de latim na Iha; séc. 17 - inauguração de uma escola de Latinidade e Teologia Moral em Ribeira Grande; 1618 - 1620 - António de Frias doou 96$000, Isabel Luís 30 alqueires de renda fixa, Capitão D. Manuel da Câmara, uma lâmpada de prata dourada, vaso para o lavatório, em prata, dinheiro, trigo, vinho e, em testamento, 8 mil cruzados; 1623 - 1627 - construção do segundo piso do Colégio; aquisição da Quinta da Grimanesa, em Fajã de Cima, onde foi edificada uma casa e cisterna; 1625 - instituição da Confraria de Nossa Senhora da Vida, dos oficiais da cidade; esta manda dourar o retábulo e encomenda imagem em Lisboa; 1625, 5 Julho - instituição da Confraria dos Estudantes, de Nossa Senhora da Vitória; 1629, 2 Janeiro - o capitão-general, D. Rodrigo Lobo da Silveira, pede ao Geral da Companhia, autorização para criar a Confraria de Santo Inácio, mandando fazer duas pinturas do Santo para a igreja; 1630 - com a transferência do capitão-general para Lisboa, o Reitor, Padre Luís Lopes, dissolveu a Confraria; 1632 - fundação da Confraria de São Francisco Xavier, unida à de Nossa Senhora da Anunciada do Colégio de Roma; passa a ser o padroeiro da Câmara, que doava 5$000 anuais para a festa, o que foi confirmado em 1658; 1636 - passa a Colégio, com reitor próprio; 1637, 10 Janeiro - início da construção de uma nova igreja, pois a anterior encontrava-se muito arruinada, sendo as colunas de madeira; 1639 - construção do Eremitério das Furnas, de que nada resta; 1643 - a Companhia construiu uma ermida dedicada a Nossa Senhora de Belém nas imediações do Colégio, recebendo casas no local, onde construíram uma Quinta para repouso e descanso; 1665 - início da ampliação da igreja; 1666 - conclusão das obras da igreja; 10 Janeiro - testamento de D. Maria Luís que deixa dinheiro para as obras da igreja nova, nomeadamente dois relógios, o grande das horas e o de quartos, os seus engenhos e sinos; segundo Jorge Gamboa de Vasconcelos a torre sineira O., ou não chegou a ser concluída ou foi demolida posteriormente; 1732, 13 Julho - confirmação da instituição do Santíssimo Coração de Jesus, por Clemente XII; 1737 - colocação dos painéis de azulejo nas paredes laterais da capela-mor, atribuídos a Bartolomeu Antunes; 13 Novembro - testamento de José de Araújo Cerqueira doa 400$000 para a feitura da nova fachada; 1739 / 1740 - ampliação da igreja e feitura de nova fachada principal; 1759, 23 Junho - alvará extinguindo as classes e as escolas jesuíticas; 1760, 4 Julho - expulsão da Companhia de Jesus; a igreja continua aberta ao culto, sendo o custo da sua manutenção assegurado pela Fazenda Real; 16 Agosto - no inventário dos bens móveis do Colégio, refere-se a existência dos seguintes altares: Santo Cristo, São Francisco Xavier, Nossa Senhora da Vida, Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora da Vitória, Santo António, São Francisco de Borja e São Estanislau; 1762, 10 Maio - nesta data, existiam as confrarias de São Francisco Xavier, do Santíssimo Coração de Jesus, Senhora da Vida, Nossa Senhora da Vitória, protectora dos estudantes; 1765 - 1768 - consertos no colégio pelos mestres pedreiro João Ferreira e carpinteiro José Martins; 1770 - as terras que circundavam o Colégio foram adquiridas por D. Felícia Tomásia Pim da Câmara e o Colégio pelo coronel de milícias Nicolau Maria Raposo do Amaral, por 1:920$000; séc. 18, final - o Marquês de Angeja possuía uma tribuna no lado Ocidental, onde assistia, com a família, aos actos litúrgicos; 1787 - Nicolau Maria Raposo do Amaral entulhou a antiga cisterna para fazer um tanque com bancada envolvente; 1800 - a igreja encontrava-se aberta ao culto, por consta do Erário Régio; apenas restavam cinco retábulos laterais dos dez arcos rasgados na nave; 1834, 14 Agosto - a igreja é vendida pelo estado, em hasta pública, a Nicolau Maria Raposo de Amaral, após período de abandono; séc. 20 - o edifício do Colégio serviu sucessivamente de arrecadação, oficina de canteiros e armazém de materiais de construção civil do Governo Regional; 1911, 1 Janeiro - o proprietário José Maria Raposo do Amaral, filho de Nicolau Maria Raposo do Amaral manda que se reze todos os domingos missa; a primeira missa após a implantação da República é celebrada pelo monsenhor José Gomes; 1960, cerca - o colégio ficou ao abandono; 1969 - os proprietários da igreja, nomeadamente D. Maria Clotilde Raposo de Amaral Viveiros e D. Maria das Mercês Fisher Berquó Poças Falcão doam a igreja à Câmara Municipal de Ponta Delgada, após a recusa da diocese; 1974 - a Câmara Municipal pede parecer à DGEMN para ser reconstruída a torre sineira O. e demolir um anexo feito no local, que teria sido usado como escritório de um armador, que o escolheu para ter vista sobre o mar e ver a chegada dos barcos para preparar as cargas e descargas no porto; o parecer é remetido à Direcção-Geral de Assuntos Culturais; 1977 - cedido pela Câmara Municipal ao Governo Regional; 1993, Janeiro - obras no edifício pela Secretaria Regional de Educação e Cultura, sendo descoberto um túnel com acesso por escadaria a partir do pátio principal, parcialmente entulhado *3; 1995, Outubro - projecto de consolidação da igreja, sacristia, ante-sacristia e pequena zona do antigo colégio pela A2P - Consult, no âmbito da consultadoria prestada ao Laboratório Regional de Engenharia; 2001, 21 Setembro - instalação da Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada numa parte do edifício *4; 2004 - aprovação do projecto museológico; conclusão das obras de restauro, no valor de 550 mil euros; 20 Agosto - inauguração oficial do edifício.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria rebocada; modinaturas, pilastras, colunas, cornijas, cobertura da nave em cantaria; portas, cobertura da capela-mor, púlpito e retábulos de madeira; grades e guardas das janelas em ferro; janelas com vidro simples; coberturas em telha; painéis de azulejo.

Bibliografia

D'ATAYDE, Luís Bernardo Leite, a igreja do Colégio de Ponta Delgada - suas construções e peças artísticas, in Insvlana, vol. V, n.º 3 e 4, Ponta Delgada, MCMXLIX, pp. 271-302; PEREIRA, José Augusto, As confrarias erectas na Igreja do Colégios dos Jesuítas em Ponta Delgada, in Insvlana, vol. VI, n.º 1 e 2, Ponta Delgada, MCMLI, pp. 37-43; SIMÕES, J.M. dos Santos, Azulejaria Portuguesa nos Açores e na Madeira, Lisboa, 1963; AFONSO, João, A Igreja do Colégio de Angra no conjunto dos templos insulares da Companhia de Jesus (esboço de um estudo comparativo), in Atlântida, vol. X, n.º 1, Janeiro - Fevereiro 1966, pp. 55-60; Documentos para a História da Arte em Portugal, vol. 13, Lisboa, 1975, pp. 61-73; SOUSA, Nestor de, A arquitectura religiosa de Ponta Delgada nos séculos XVI a XVIII, Ponta Delgada, 1986; DIAS, José Maria Teixeira, Todos os Santos - uma casa de assistência jesuíta em São Miguel [dissertação de mestrado na Universidade dos Açores], Açores, s.d.; CARVALHO, Helena Paula e BERNARDES, João Pedro, Intervenção arqueológica no Antigo Colégio dos Jesuítas de Ponta Delgada - breve notícia, Ponta Delgada, 1995; LAGARTO, Pedro Nunes, Seja bem-vindo ao "novo" Colégio, Açoriano Oriental, 13 Agosto 2004, p. 5; REBELO, Rita Vasconcelos, Património. Obras de Recuperação e restauro concluídas. Igreja do Colégio dos Jesuítas volta a encantar Ponta Delgado, Açoriano Oriental, 22 Agosto 2004, p. 6; TAVARES, António Jorge, Restauro da Igreja do Colégio fica concluído este ano, Açoriano Oriental, 15 Julho 2004.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREML, IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH; BNL: Cod. 3366; ATC: Cartório da Junta da Inconfidência - Companhia de Jesus (mç. 69, n.º 245, mç. 70, n.º 247 e mç. 72, n.º 254); BPÉvora: Cod. CVIII/2 - 2; BPAPonta Delgada: Jesuítas (mç. 82 a 84), Manuscritos do Fundo Ernesto do Canto (testamentos), Fundo José de Torres (Variedades Açorianas), Livro dos Acórdãos (livros I (1) e I (2)); BAjuda: Cod. 50-III-11, 51-III-71, 51-V-71, 51-II-15); AHU: mç. 5; IAN/TT: Cartório dos Jesuítas (mç. 34, 35, 47, 57, 58, 96); UCoimbra: Depósito IV, secção 1.ª, est. 25, tab.1, doc. 9; ARomano da Companhia de Jesus: Catálogos Trienais, Epístolas e Cartas Anuas; ATInconfidência: Cod. 245 e 247

Intervenção Realizada

Proprietário: séc. 20, década de 40 - substituição do tijolo típico por mosaico no corredor de cima; anos 70 - substituição de todas as colunas, ombreiras e ornatos que se encontravam corroídos, da fachada principal da igreja e sua colocação no Museu de Santo André; DGEMN / CMPD (fiscalização): 1974 / 1975 - obras de restauro diversas na igreja, nomeadamente, levantamento do telhado, com colocação de telha nova, impermeabilização com tela betuminosa, colocação de novo madeiramento na estrutura do telhado, demolição de um anexo construído no local da torre O., picagem de rebocos e sua reposição na fachada principal, construção de pilastras, cornija, e lintel de betão armado numa das janelas do coro-alto, restauro das portas da fachada principal, construção e assentamento de janelas envidraçadas e óculos, reparação de guardas das sacadas, reboco e esboço a estuque das paredes e tectos do corredor e escada de acesso ao coro-alto, pintura do tecto do coro-alto, caiação do tecto e paredes da igreja, limpeza de cantarias no interior e refechamento de juntas, levantamento do pavimento de madeira e limpeza do pavimento de pedra, com substituição de lajes partidas, demolição dos tectos da sacristia e anexos e sua reconstrução em estuque; 1996 / 1997 / 1998 / 1999 / 2001 / 2002 / 2003 / 2004 - consolidação das estruturas, das paredes e contrafortes; consolidação e reabilitação da cobertura; remoção do pavimento térreo e reabilitação da estrutura e pavimento de madeira do coro; infra-estruturas gerais de apoio e de abastecimento, saneamento (águas, esgotos, electricidade, telefone, acústica) e segurança; restauro da fachada da igreja; restauro das talhas por uma equipa chefiada por Gilberto Ferreira, e dos azulejos; ligação da nave à torre e coro, com execução de abertura na parede; recriação do espaço tardoz do altar do Senhor dos Passos para criação de uma área museológica; execução de blocos de escadas e galerias no tardoz do retábulo-mor; projecto museológico; 2011, 25 Agosto - abertura de concurso para remodelação do convento de Santo André, com obras de adaptação do edifício à função museológica.

Observações

*1 - Alguns elementos do interior da Igreja foram, há alguns anos, distribuídos por algumas igrejas da Ilha de São Miguel; assim, um púlpito e um retábulo encontram-se na igreja das Feteiras e um outro retábulo na Igreja de São Sebastião. *2 - este benemérito doou, ainda, vários ornatos para a Igreja; em testamento, deixou 11 propriedades, 16 cerrados, 1 cerradinho, 1 pico, 11 prédios e uma tapada; na sequência destas dádivas, outras se seguiram, como a de Álvaro da Costa, com um cálice de prata e uma tulha, a que acresceram 50$000, de Gaspar Dias, com 10 móios de cal, 3 arrobas de ferro e 2 pipas de vinho e 14 volumes de Teologia, Gaspar Frutuoso, 400 volumes à Livraria, D. Brites, uma esmola para a sacristia e 400$000 para o Colégio, Jerónimo Gonçalves de Araújo deu 130$000, Brás Afonso Raposo, 5 alqueires de vinha e 2,5 móios de trigo. *3 - encontrou-se uma sala rectangular com abóbada de arestas e um túnel de rocha basáltica formando falsa abóbada, com 2,5 m.; esta sala tornou-se o escoamento do tanque construído no pátio principal, mas teria sido uma cisterna alimentada por curso de água subterrânea. *4 - desde 1833 que se verificava a necessidade de criação de uma Biblioteca Pública em Ponta Delgada, o que viria a ser criado por portaria de 3 de Janeiro de 1834 e concretizado pelo decreto de 10 de Dezembro de 1841; a abertura final ocorreu em 1851, estando instalada no Convento da Graça.

Autor e Data

Paula Noé 2003 / Paula Figueiredo 2005

Actualização

 
 
 
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