Igreja Paroquial de São Sebastião / Igreja de São Sebastião

IPA.00008098
Portugal, Ilha Terceira (Açores), Angra do Heroísmo, Vila de São Sebastião
 
Igreja paroquial, construída no séc. 16, de influência mendicante, come planta retangular composta por três naves e cabeceira tripartida, com capela-mor poligonal e absidíolos quadrados, interiormente com tectos de madeira e abóbadas, respetivamente. A fachada principal é escalonda, revelando a divisão espacial interior, com a nave central terminada em empena e rasgada por portal de arco apontado, de várias arquivoltas sobre colunas e amplo óculo, e naves laterais terminadas em meia empena rasgadas por frestas. Nas fachadas laterais abrem-se porta travessa, igualmente de arco apontado e frestas na nave central. No interior, as naves, de seis tramos, separam-se por arcos apontados sobre colunas, conservando nas naves laterais pinturas murais quinhentistas com elementos decorativos, tendo a colocação das figuras e o tratamento espacial característicos da linguagem renascentista *2. As pinturas denotam diferente época de execução, com sobreposição de dois ciclos picturais e, necessariamente, diferentes técnicas de produção. As pinturas da parede sul têm o desenho realçado com traços negros, o que não se observa na parede oposta. Em dois painéis surgem representados doadores. No painel representando a entrada em Jerusalém e Última Ceia existe desenho subjacente que não corresponde às representações pintadas e a figuração do painel central do lado do Evangelho apresenta afinidades, em termos compositivos e iconográficos, com a pintura mural da mesma temática presente nos Paços da Audiência de Reguengos de Monsaraz. A capela-mor tem abóbada de berço e quarto de esfera, em caixotões, e os absidíolos têm abóbadas de nervuras.
Número IPA Antigo: PT071901150002
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta por três naves, de seis tramos, e cabeceira tripartida, a capela-mor poligonal, e as laterais quadradas, tendo adossado à fachada lateral esquerda torre sineira quadrada e de ambos os lados capelas laterais. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na nave central, de uma nas laterais e de quatro nos corpos anexos. Fachada principal escalonada, revelando a divisão espacial interior, com pano central terminado em empena, coroado por cruz latina de cantaria, e rasgado por portal de arco apontado, de cinco arquivoltas assentes em seis colunas de capitel decorado, encimado por amplo óculo circular, moldurado; nos panos laterais, rasgam-se frestas, igualmente molduradas. Torre sineira com cunhais apilastrados, coroados por pináculos, e de dois registos, abrindo-se no segundo, sineira em arco de volta perfeita; cobertura em coruchéu piramidal facetado; na face posterior, possui porta de verga recta. Fachadas laterais com cunhais em perpianho, rasgadas por porta travessa em arco apontado de três arquivoltas, assentes em colunas e janela rectangular, moldurada nos absidíolos; a nave central é rasgada por três frestas, com moldura de capialço e a capela-mor por duas janelas rectangulares com igual moldura; a capela lateral direita é rasgada por três janelas rectangulares com molduras de capialço. Esta Capela lateral, terminada em empena, é rasgada por portal de verga recta, enquadrado por duas pilastras, almofadadas, suportando vários frisos, um deles convexo, e cornija, encimado por pináculos laterais e elementos volutados ao centro. Cabeceira, com capela-mor em cantaria aparente de aparelho regular, apresentando quatro contrafortes escalonados e terminada em cornija; no terço inferior é percorrida por friso com discos. INTERIOR com naves separadas por arcos apontados, assentes em colunas sobre plintos. Na nave central, surge adossado a uma das colunas, no lado do Evangelho, púlpito de bacia rectangular sobre mísula. Capela-mor com abóbada de berço e no topo em quarto de esfera, formando caixotões almofadados, assente em cornija e absidíolos com abóboda de nervuras, de bocetes decorados, os centrais com escudo. Nas paredes das naves laterais surgem pinturas murais formando composição retabular de painéis dispostos na vertical definidos por molduras. Do lado da Epístola várias cenas relativas à vida de Cristo e da Virgem dispostas em 5 painéis; divisa-se o que parece uma flagelação de Cristo na cruz, uma Anunciação, uma Ascensão da Virgem e outras figuras não identificáveis dadas as obliterações sofridas; todas as cenas apresentam pavimentos de ladrilhos perspectivados a vermelho e branco com pontos de fuga colocados à direita do observador; a moldura inferior do painel central apresenta inscrição em caracteres góticos. Do lado do Evangelho surgem outros cinco painéis, figurando-se ao centro Cristo Pantocrator com moldura inferior apresentando legenda em caracteres góticos; à sua esquerda o que parece uma Pesagem da Almas. As molduras apresentam decoração de folhagens do género renascentista, a cor clara sob fundo vermelho.

Acessos

Vila de São Sebastião. WGS84 (graus decimais): lat.: 38,665621; long.: -27,090518

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 38 147, DG, 1.ª série, n.º 04 de 05 janeiro 1951

Enquadramento

Urbano, isolado, no interior da povoação, integrado em adro espaçoso.

Descrição Complementar

PINTURA MURAL: Capela-mor, painel do lado da Epístola.: A 2,52m X L8,02m; Painel do lado do evangelho: A 2,52m X L 9,16m.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1503, 23 Março - alvará de D. Manuel elevando a vila o Lugar de Frei João com a denominação de Vila de São Sebastião; 1568 - construção da abóbada da capela-mor; séc. 16, 1º quartel - data provável de execução das pinturas murais; 1855, 24 Outubro - reforma administrativa retira a categoria de vila a São Sebastião; 1870, 12 Novembro - portaria executando a decisão da reforma administrativa; 1983, 15 Novembro - a freguesia, que se designava apenas São Sebastião, passou a designar-se oficialmente Vila de São Sebastião; 2003, 24 Junho - decreto legislativo regional n.º 29/2003/A restabelecendo a categoria de vila à Vila de São Sebastião, 2007 - candidatura apresentada por Luís Urbano Afonso, destinada ao estudo iconográfico das pinturas murais; 2012, 16 outubro - publicação do Contrato-Programa n.º 216/2012, em JORAA, 2.ª Série,n.º 200, relativo à atribuição pelo Presidência do Governo Regional dos Açores, através da Direção Regional da Cultura, da quantia de 6.863,72 €, a título de subsídio à Igreja paroquial de São Sebastião, para a recuperação da mesma; as obras deverão ser concluídas até ao final do ano.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Alvenaria mista, cantaria, rebocos de cal, telha, vidro, madeira

Bibliografia

LIZARDO, João, Os frescos da Igreja de São Sebastião na Ilha Terceira. Um importante conjunto de pintura de cariz tardo-medieval que é urgente salvaguardar, Islenha, nº 35, Julho - Dezembro 2004, pp. 206-216.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DRML

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRML, IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH, DGEMN/DRML

Intervenção Realizada

DGEMN: 1953 / 1957 - Obras de restauro; DRC: 2010 - obras de reparação da cobertura; obras de restauro e conservação das pinturas murais: tratamento preventivo e conservação incluindo limpeza mecânica, remoção de argamassas e vestígios que existam sobre a superfície pictórica, desinfecção de fungos e algas, após ensaios e selecção de produtos biocidas.

Observações

EM ESTUDO. *1 - Durante as obras de restauro foram apeados os retábulos mor e laterais em talha dourada; *2 - Luís Urbano Afonso considera as pinturas dentro da tipologia manuelina, de feição tardo-gótica.

Autor e Data

Paula Noé e Rosário Gordalina 2000

Actualização

 
 
 
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