Taverna Real

IPA.00008078
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (Sé)
 
Casa unifamiliar proto-barroca e barroca, de planta retnagular irregular e fachada principal de 3 pisos, dentro das características do pequeno palácio urbano madeirense dos sécs. 17 e 18, assente num piso térreo que guardou elementos das anteriores construções.
Número IPA Antigo: PT062203100090
 
Registo visualizado 41 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa    

Descrição

Planta irregular E. / O., não sequencial, resultante da ligação de 2 prédios, constituída por 4 quadriláteros, o 1º quase losango, os seguintes confinantes e um pátio a O.. Volumes articulados, com o prédio posterior de mais um piso, ao gosto das torres urbanas do Funchal e coberturas em telhados de 4 águas de telha portuguesa nos prédios e telheiro de "folha de Flandres" no pátio. Fachada principal virada a O., de 3 pisos, tendo no térreo 2 portas, uma de acesso aos andares, a N., com molduras de cantaria, impostas e lintel decorados com faixa boleada incisa, bases e filete intermédio relevado no lintel, a que se sobrepõe faixa esculpida com motivos vegetalistas; outra a S., mais larga e simples, ambas interligadas a varanda de sacada do 2º piso, abaixo da qual existem 2 gárgulas em cantaria, hoje sem função aparente. Os andares superiores apresentam pares de janelas com molduras de cantaria, lintel com filete intermédio relevado e balanço superior e varanda de sacada corrida com grade de hastes de ferro simples; portadas envidraçadas pintadas a branco e lambrequins de madeira com bambinela simples pintada a verde, com aplicações decorativas a formar losangos pintadas a branco, e já sem as antigas persianas; beiral triplo de telha de canudo com algeroz com tubos de descarga laterais em "folha de Flandres". Prédio posterior com par de janelas sobre o anterior, na fachada virada a O. e uma só janela na fachada virada a E., todas com portadas envidraçadas e molduras de cantaria. No interior, o piso térreo apresenta átrio de entrada no corpo com fachada à R. da Cadeia Velha, com escadas a N. de acesso aos andares e ligação por arco ao prédio posterior. O piso térreo deste, é dominado por largo arco em cantaria de Cabo Girão de suporte do andar superior, com arrancamento ao nível do solo e vários nichos e armários de parede com molduras de cantaria, num dos quais aparece a data de 1511, assim como 2 cisternas, uma no antigo logradouro e outra no lado oposto do pátio. Os andares foram remodelados para apoio ao restaurante / boite.

Acessos

Funchal (Sé), Rua da Cadeia Velha, n.º 4 a 6

Protecção

Categoria: VL - Valor Local, Resolução do Presidente do Governo Regional n.º 159/96, JORAM, 1.ª série, n.º 14 de 12 fevereiro 1996

Enquadramento

Urbano, flanqueado, integrado num quarteirão, com acesso pela R. da Cadeia Velha e frente ao antigo edifício da mesma cadeia.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Devoluto

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Época Construção

Séc. 15 / 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

Séc. 15 - 16 - construção das cisternas; 1511 - data inscrita no lintel de cantaria do piso térreo; séc. 17 - decoração da porta exterior de acesso aos andares; sécs. 17 / 18 - construção dos andares; séc. 20, anos 70 - adaptação a restaurante, bar e boite; 1999 - encontrava-se à venda.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes e estrutura mista.

Materiais

Cantaria mole e rígida regional aparente, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira ( carvalho, til e outras ), ferro, vidro e telha de meio canudo.

Bibliografia

GOMES, João dos Reis e TAVARES, arq. Edmundo, Casas Madeirenses, compilação de artgs. de 1929, ilustrados por Edmundo Tavares, Funchal, 1937; ARAGÃO, António, Para a História do Funchal, DRAC, 1993; CARITA, Rui, História da Madeira, 1º vol.., SRE, 1989 e 1998; CAMACHO, Décio, Museus particulares e a "Taverna Real", Diário de Notícias do Funchal, 18 Setembro 1990; Conselho de Governo deliberou, Jornal da Madeira, 9 Fevereiro 1996; Governo decide, Diário de Notícias, Funchal, 10 Fevereiro 1996.

Documentação Gráfica

Mapoteca do IGC ( planta do Funchal de Reinaldo Oudinot, 1804 ), Lisboa; GR / Equipamento Social; DRAC, Funchal

Documentação Fotográfica

Museu Vicentes Photographos; antiga Junta Geral; DRAC, Funchal

Documentação Administrativa

ARM; CMF; Notários, Funchal

Intervenção Realizada

Proprietário: 1970 - adaptação a restaurante, bar e boite; 1972 - ampliação do conjunto para o pátio posterior.

Observações

As descrições e entrevistas dadas pelo antigo proprietário encontram-se eivadas de inúmeras fantasias, desconhecendo-se, inclusivamente, a autenticidade da data de 1511, colocada a descoberto e recuperada pelo mesmo proprietário. A ideia de haver uma "prisão" numa das cisternas, divulgada na comunicação social e apoiada na existência da "cadeia velha" municipal nesta área é fantasiosa, pois a citada cadeia é o prédio que lhe fica à frente. Igualmente nenhuma documentação apoia a existência neste edifício de uma "taverna real dos descobrimentos".

Autor e Data

Rui Carita 1999

Actualização

 
 
 
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