Igreja Paroquial de Chaviães / Igreja de Santa Maria Madalena

IPA.00008026
Portugal, Viana do Castelo, Melgaço, União das freguesias de Chaviães e Paços
 
Igreja paroquial construída na Épcoca Medieval, conservando pinturas murais quinhentistas e com retábulo-mor barroco. Existem evidências de, pelo menos, três camadas de pintura mural sobreposta. As pinturas murais desenvolvem-se em altura, por vezes existindo dois níveis ou registos de pintura, mas é impossível avaliar a sua extensão original. Os vários temas ou painéis representados são enquadados por barras decorativas definidoras, realizadas à mão livre e de desenho e concepção bastante simples. Ao contrário das representações normalmente seguidas para os reis magos no séc. 15 e 16, em que Gaspar surgia geralmente como jovem e imberbe, Baltasar como um homem maduro e, geralmente, negro, representando África, e Melchior como um velho, calvo e de longa barba branca, em Chaviães, as representações não seguiram inteiramente estas convenções. Assim, Melchior e Gaspar parecem da mesma idade madura, ambos com barba e é Melchior que surge como negro. Surgem ainda outras irregularidades: o prolongamento da cena para a parede do arco triunfal, separando-se a representação de Baltasar da legenda identificativa e que fora colocada na parede da nave, a colocação da sua coroa que parece flutuar sobre uma mancha laranja. Santo Antão é representado com as vestes negras da ordem dos hospitalários de Santo Antão e com os seus atributos, o báculo e o porco. São Bartolomeu surge com o atributo, a faca de esfolar, mas aos seus pés, vê-se um diabo negro, atributo que ocorre apenas na pintura ibérica. A cena do Homem Silvestre simboliza a fertilidade. A pintura denota várias mãos, devido às diferentes características de composição, desenho e modelação, sendo até as molduras diferentes.
Número IPA Antigo: PT011603030043
 
Registo visualizado 816 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta por nave e capela-mor, tendo adossado à fachada lateral direita torre sineira quadrada. Fachadas em cantaria aparente. Fachada principal terminada em empena, com cornija, coroada por cruz latina de cantaria sobre acrotério; é rasgada por portal de arco em volta perfeita, com arquivoltas de diferente decoração, sobre impostas igualmente decoradas, e com tímpano; encima o portal óculo circular, moldurado. No alinhamento da frontaria, surge a torre sineira, rasgada superiormente com vão em arco de volta perfeita, albergando sino, terminada em cornija, com pináculos nos cunhais e cobertura em coruchéu. INTERIOR: nterior com vestígios de pintura mural na parede do arco triunfal e parede da nave adjacente, a cerca de um metro do nível do pavimento actual, e na parede testeira da capela-mor, atrás do retábulo-mor apenas alguns padrões decorativos. Na parede da nave, do lado do Evangelho, e de O. para E., surge representado um santo franciscano, talvez Santo António, sobre peanha, descalço e com livro sobre o braço esquerdo dobrado e crucifixo (?) na mão direita; 2 registos acima figura uma cena da vida de São Roque (São Roque no bosque) e, em baixo, os reis magos Melchior e Gaspar representação que se prolonga pela parede do arco triunfal (registo baixo) onde surge o terceiro Mago, Baltasar, não tendo, no entanto, sobrevivido o resto da cena que incluiria Nossa Senhora com o Menino, embora subsista a parte lateral do trono da Virgem e fragmento do seu manto. Sobre Baltasar, no registo alto, subsiste a parte inferior da representação de um santo, de pés descalços. No arco triunfal, do lado da Epístola surge, no registo alto, o tema do "Homem Silvestre", sentado, e em baixo, um fragmento do Martírio de São Sebastião. Na parede da nave adjacente à do arco triunfal, do lado da Epístola, existe a representação de Santo Antão e de São Bartolomeu.

Acessos

Chaviães

Protecção

Em vias de classificação

Enquadramento

Inserida em adro, vedado por muro de alvenaria de pedra, capeado a cantaria. O portal principal é precedido por vários degraus.

Descrição Complementar

Molduras: linhas simples, na parede do arco triunfal, do lado da Epístola, às vezes combinadas com barras decoradas por pinceladas ou losangos (entre Santo António e São Roque e a Epifania), mas enquadrando São Roque no bosque uma versão simplificada de uma moldura que ocorre na Capela São Pedro de Varais, por exemplo, ou uma mais elaborada de laçarias à volta do santo no lado Evangelho.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Viana do Castelo)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Época Medieval / séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1177 - referência documental à Igreja de Santa Seginha ou Seculina, de Chaviães; 1183 - metade da igreja de Chaviães pertencia a D. Afonso Henriques, que, nesta data doa à vila de Melgaço; 1247 - acordo entre a igreja e o Mosteiro de Fiães para resolução de litígios entre ambos; 1320 - integrava-se no bispado de Tui; pela taxa imposta a pagar ao rei D. Dinis, percebe-se que era a mais rica paroquial do termo de Melgaço; séc. 16, 1º quartel - feitura das pinturas murais; 1532 - a igreja rendia para o Arcebispo $114 e 4 pretos; 1545 / 1549, entre - a igreja de Chaviães rendia apenas 40$000; 1547 - pertencia ao padroado do Duque de Bragança; 1551 / 1581, entre - o Censual de D. Frei Baltasar Limpo refere a anexação perpétua da igreja de Santa Maria Madalena de Chaviães a Santa Seculina de Chaviães, por doação que lhe fizeram padroeiros leigos; esta anexação das duas igrejas talvez explique que, da junção de ambas e dos dois oragos, o de Santa Seculina fosse caindo no esquecimento passando a igreja a ser conhecida apenas como Santa Maria Madalena; 1592 - cópia do Tombo da igreja de 1547; séc. 18 - provável reforma do arco triunfal, destruindo as pinturas murais envolventes; refez-se também a capela-mor, levando ao desaparecimento dos cachorros sob a cornija; 2018, 03 maio - publicação da abertura de procedimento de classificação da Igreja de Santa Maria Madalena, Paroquial de Chaviães, em Anúncio n.º 63/2018, DR, 2.ª série, n.º 85/2018.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Bibliografia

BESSA, Paula - «Pintura mural na Igreja de Santa Maria Madalena de Chaviães». In Boletim Cultural de Melgaço. sl.l.: 2003, nº. 2, pp. 9 - 30.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DREMN, SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

EM ESTUDO. *1 - Santa Seculina é um orago pouco comum nas igrejas medievais Portuguesas, mas Pierre David encontrou-o noutras igrejas da diocese de Braga. Segundo o mesmo autor, refere-se à Santa Segolène de Albi, uma Santa Francesa do séc. 07, adaptada como padroeira de igrejas portuguesas a partir do séc. 11. A escolha desta invocação em Chaviães talvez se relacione com o facto do Mosteiro de Fiães ter monges franceses, e ter várias propriedades e direitos em Chaviães.

Autor e Data

Paula Noé 2003

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login