Igreja Paroquial de Santa Maria de Sendim / Igreja de Nossa Senhora do Pranto / Igreja de Nossa Senhora do Livramento / Igreja de Nossa Senhora do Bom Despacho
| IPA.00007900 |
| Portugal, Viseu, Tabuaço, Sendim |
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| Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Igreja de estrutura maneirista, de planta longitudinal composta por nave, capela-mor mais estreita, sacristia, anexos e campanário adossados ao lado esquerdo, com coberturas interiores diferenciadas, em falsas abóbadas de berço de madeira, a da capela-mor em caixotões, iluminada por janelas rasgadas na fachada lateral direita, em capialço. Fachada principal em empena, com três eixos de vãos, o central composto por portal de verga recta e por janelão, também rectilíneo, e os laterais por duas janelas, também rectas. Campanário de dois registos, o inferior cego e o superior com dupla sineira, tendo acesso pela face posterior. Fachadas circunscritas por cunhais apilastrados, encimados por pináculos piramidais, e rematadas por friso e cornija, tendo portas travessas nas laterais. Interior com coro-alto assente em colunas, baptistério e púlpito no lado do Evangelho, com arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras, flanqueados por retábulos colaterais de talha policroma, dispostos em ângulo, de linguagem rococó. Retábulo-mor de talha dourada tardo-barroca, de três eixos e planta recta. |
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| Número IPA Antigo: PT011819130035 |
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| Registo visualizado 2442 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Edifício e estrutura Edifício Religioso Templo Igreja paroquial
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Descrição
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| Planta longitudinal, composta por nave única, capela-mor mais estreita, sacristia, anexos e torre sineira, adossados à fachada lateral esquerda, de volumes articulados e disposição horizontalista das massas, exceptuando a torre sineira, que evolui verticalmente, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja, com a capela-mor mais baixa, e de uma na sacristia. Fachadas em cantaria de granito aparente, excepto a lateral esquerda, rebocada e pintada de branco, percorridas por embasamentos de cantaria, flanqueadas por cunhais apilastrados firmados por pináculos, e rematadas em friso e cornija saliente, com uma das molduras em papo de rola. Fachada principal virada a O., em empena com cruz lavrada, de hastes lanceoladas, de secção em forma de cruz, e faces profusamente esculpidas com motivos fitomórficos entrelaçados, assente em plinto decorado com volutas, enrolamentos e concheados; dois degraus em piso parcialmente lajeado e com sepulturas antropomórficas dá acesso ao portal de verga recta, com dupla moldura recortada, delimitado por duas pilastras toscanas de fustes almofadados, encimadas por pináculos com acantos e concheados, as quais sustentam entablamento, com friso convexo; a moldura e o entablamento são interrompidos por profusa decoração fitomórfica entrelaçada envolvendo figura antropomórfica, sendo rematado por dois fragmentos de cornija, centrando acantos *1; o portal é encimado por janelão rectilíneo, profusamente envolvido por motivos fitomórficos entrelaçados e volutados, rematado por entablamento e frontão triangular interrompido, ostentando no tímpano plinto, elemento volutado e concha que se desenvolve até ao vértice da empena; na janela, a imagem granítica de Nossa Senhora das Neves; superiormente, surgem duas janelas rectilíneas, assentes em cornija, com moldura recortada, friso ostentando concha e frontão triangular; o portal é ladeado por cruzes insculpidas, três cruzes no lado esquerdo e uma no direito. Junto ao cunhal esquerdo surge uma gárgula de canhão e, no mesmo lado, ligeiramente recuado, surge um campanário *2 de dois registos separados por friso e cornija, decorado, em plano inferior e central, por pequena mísula em forma de campânula invertida pouco relevada; o primeiro registo é cego e o superior é rasgado por duas ventanas de arco de volta perfeita, assentes em impostas salientes, ladeadas por dois plintos que sustentam pináculos cónicos, sendo o conjunto rematado por cornija e pequena empena contracurvada com enrolamentos laterais, e pequeno acrotério piramidal onde assenta uma cruz em ferro forjado, rematada por um cata-vento, tendo acesso pela face posterior. Fachada lateral esquerda, voltada a N., sendo o corpo da nave composto por cinco panos delimitados por pilastras com cruzes simples insculpidas na cantaria; o pano da direita é reentrante, correspondente ao campanário, rematado por gárgula, sendo visível o seu acesso com guarda metálica entrecortada por acrotérios encimados por esferas; segue-se o corpo saliente do baptistério, rasgado por duas janelas jacentes em capialço, sobrepostas, a superior interrompida pelo friso do remate; seguem-se os dois panos da nave, ambos com janelas rectilíneas em capialço, cujas molduras de cantaria se fundem com o friso, o da esquerda com porta travessa de verga recta e o da direita com janela jacente, também em capialço; o corpo da sacristia é cego. Fachada lateral direita, voltada a S., ostentando, no muro, quatro cruzes insculpidas na cantaria, rasgada por porta travessa de verga recta com moldura, friso e frontão triangular, com acesso por quatro degraus de cantaria e possuindo, no lado direito por pequeno cachorro embebido no muro; possui duas janelas rectilíneas, em capialço, surgindo uma terceira no corpo da sacristia. Fachada posterior em empena cega com acrotério no vértice, tendo cruz simples insculpida na cantaria; no lado direito, ligeiramente recuado, o corpo da sacristia em meia empena, rasgado por janela em capialço, com moldura saliente. INTERIOR em cantaria de granito aparente, com pavimento em lajeado do mesmo material, tendo sepulturas numeradas, e cobertura em falsa abóbada de berço abatido de madeira, assente em cornija de cantaria e com tirantes metálicos, ostentando, parcialmente, pintura com motivos arquitectónicos ilusórios, em perspectiva, rodeados por concheados, balaustradas e anjos, e, em plano central, largo medalhão emoldurado por elementos vegetais e concheados, rodeando cartela em talha dourada, com moldura de concheados e motivos fitomórficos que envolvem o escudo português. Coro-alto de madeira com guarda balaustrada, suportado por duas colunas toscanas em mármore assentes em plintos, com acesso pelo lado do Evangelho, através do campanário, tendo forro policromo, com motivos fitomórficos, concheados, elementos arquitectónicos, festões e grinaldas, existindo, na zona do sub-coro, guarda-vento em madeira, com bandeiras em vidro, ladeado por confessionários em madeira de castanho rematados superiormente por frontões curvos, pontualmente pintados com concheados e motivos fitomórficos. Uma pia de água benta, em granito, em forma de meia esfera concheada, com moldura de três filetes, e concha com moldura simples rematada por cruz simples encontra-se embebida no muro. No lado do Evangelho, surgem duas largas pilastras suportadas por mísulas, e, ao centro, rasga-se arco abatido, com pedra de fecho volutada, assente em impostas salientes, através do qual se acede ao baptistério, elevado por três degraus, rebocado e pintado de branco, com cobertura em falsa abóbada de berço abatido, também pintada de branco, possuindo nichos de granito embutidos nos muros e pia baptismal constituída por grande monólito de granito, em forma de taça com caneluras insculpidas, suportado por fuste de base quadrada. Segue-se um nicho em arco de volta perfeita assente em pilastras toscanas, coroada por cartela contendo inscrição funcionando como oratório do Senhor dos Passos, com altar em forma de urna decorado com marmoreados e três losangos emoldurados a dourado contendo florões. Púlpito quadrado com bacia de granito, assente em consola de granito, profusamente decorada com concheados e volutas, e pintada com a data de "1774", com guarda plena do mesmo material, apresentando vestígios de pinturas murais figurando balaústres e pilastras, ao qual se acede através do corpo anexo, por porta de verga recta, com moldura policroma de marmoreados fingidos. Segue-se a porta travessa, ladeada por pia de água benta em granito, em forma de pirâmide hexagonal invertida, composta por sucessão de molduras; em frente, a porta travessa do lado da Epístola, encimado por arco de volta perfeita, entaipado, com as faces ostentando restos de policromia com arabescos, ladeado por pia de água benta semelhantes à anterior. Confrontantes, os retábulos laterais de talha policroma, dedicados a Nossa Senhora de Fátima (Evangelho) e a Santo António (Epístola), surgindo, junto ao primeiro, um nicho rectilíneo com moldura de cantaria. Presbitério elevado por um degrau, onde surgem os retábulos colaterais, dispostos em ângulo, de talha dourada e policroma, dedicados a São Sebastião e a São Brás, que ladeiam o arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, com as faces e intradorso pintados com marmoreados, sendo envolto por pano sem qualquer revestimento de talha, rebocado e pintado, prolongando as pinturas do tecto da nave, com anjos e uma esfera armilar em plano central, sobre a data de "1777". Capela-mor com cobertura em falsa abóbada de berço de madeira, composta por 45 caixotões, 36 deles pintados com representações hagiográficas, assente em friso, cornija e mísulas equidistantes, tudo com marmoreados fingidos. Sobre supedâneo de dois degraus, surge o retábulo-mor em talha dourada e policroma, de planta recta e três eixos definidos por quatro colunas de fuste liso, pontualmente decorados com concheados e motivos fitomórficos dourados, e capitéis coríntios, e por duas pilastras com os fustes ornados por acantos, assentes em duas ordens de plintos paralelepipédicos, com bordo inferior boleado, decorados com concheados; no centro, tribuna de perfil contracurvado, tendo o fundo pintado com motivos florais, resplendor dourado no topo e cobertura em falsa abóbada de berço em madeira pintada com motivos arquitectónicos intercalados por cartelas, festões, concheados e grinaldas, contendo trono de cinco degraus, de linhas sinuosas, na base do qual surge o sacrário embutido envolvido por grande moldura concheada em talha dourada, sendo a sua portada decorada com uma cruz dourada em baixo-relevo; os eixos laterais possuem mísulas e pequenos baldaquinos decorados por sanefas e drapeados a abrir em boca de cena; ático em forma de tímpano semicircular, formado por fragmentos de cornija, a exterior de perfil contracurvado e rematado por concha, onde surgem quatro anjos a sustentar palmas e dois querubins; altar em forma de urna, com frontal em talha dourada e policroma decorado com concheados e motivos fitomórficos. No lado do Evangelho, porta de verga recta, protegida por folha em madeira de castanho, com almofadas de molduras sobrepostas, de acesso à sacristia, coberta por tecto de madeira pintado com motivos arquitectónicos intercalados por concheados, festões e motivos fitomórficos. Possui arcaz em madeira de castanho, de linhas sóbrias; a janela possui conversadeiras, surgindo, no lado oposto, lavabo de granito embutido na parede, com espaldar delimitado por moldura saliente e recortada, com duas bicas e uma vieira, em plano superior, rodeada por motivos fitomórficos e voluteados em baixo-relevo. Desta parte porta de acesso ao anexo, incaracterístico, tendo a escada de acesso ao púlpito e ao coro-alto e sineira. |
Acessos
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| De Tabuaço, pela EN 323, até Sendim, voltando à direita, no lugar de Paço, passando por Aldeia, pela EM 1114, até ao lugar de Sendim; Gauss: M- 249.937, P- 453.733, CMP, fl. 139 |
Protecção
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| Inexistente |
Enquadramento
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| Peri-urbano, isolado, implantado a meia-encosta, em plataforma artificial elevada relativamente à via pública, onde surge uma necrópole medieval; é rodeado por largo adro murado pontuado com obeliscos piramidais assentes em esferas sobre plintos cúbicos, antecedido por escadório de quatro degraus e enxota-cães com guarda em ferro fundido. Separado da via pública a O. e N., sendo flanqueado por edifícios habitacionais, alguns deles descaracterizados, a O., SO., N. e E., e por terrenos agrícolas e fragosos a S. e E.. Diversos imóveis com valor arquitectónico localizam-se na suas proximidades, para N., nomeadamente o Antigo Tribunal e Câmara de Sendim, a Antiga Residência Paroquial, a Capela de Nossa Senhora da Nazaré, o Cruzeiro de Sendim, o Solar dos Guedes (v. PT011819130115) ou o Pelourinho de Sendim (v. PT011819130005). |
Descrição Complementar
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| Retábulos laterais embutidos em arco de volta perfeita de cantaria, o do Evangelho, dedicado a Nossa Senhora de Fátima, de talha dourada e policroma, de azul, rosa, verde e dourado, de planta recta e um eixo definido por duas colunas de fuste liso, capitéis coríntios e assentes em plintos paralelepipédicos, e por duas pilastras com fuste almofadado e ornado de concheados; ao centro, nicho de perfil contracurvado, tendo o fundo pintado com motivos vegetalistas, onde se insere uma mísula; remate em espaldar curvo, flanqueado por quarteirões, ornado por cartela recortada e acantos, sobrepujado por frontão de lanços encimado por elementos fitomórfico dourado; altar em forma de urna, a imitar marmoreados, e frontal decorado com motivos fitomórficos, cartelas e concheados em baixo relevo. O retábulo do lado oposto é de talha dourada e policroma, de planta côncava e um eixo definido por duas colunas de fuses lisos marmoreados, capitéis coríntios e assentes em plintos galbados, flanqueadas por orelhas recortadas ornadas por concheados e querubins; ao centro, nicho de perfil contracurvado com fecho concheado, fundo pintado de motivos florais e integrando mísula, na base do qual surge sacrário embutido; remate em frontão interrompido e espaldar recortado com resplendor central ostentando coração inflamado, sobrepujado por cornija e concheados; altar em forma de urna, policromado a imitar marmoreados, ladeado por aletas volutadas, tendo o frontal decorado por motivos fitomórficos, cartelas e concheados. Os retábulos colaterais são semelhantes, de talha dourada e policroma, de marmoreados fingidos azul, rosa e verde, de planta côncava e um eixo definido por duas colunas de fuste liso, capitéis coríntios e por duas pilastras com o fuste ornado por acantos, todas assentes em plintos paralelepipédicos com as faces almofadadas e apresentando florão; ao centro, nicho de perfil contracurvado, tendo o fundo pintado com motivos florais e contendo mísula, na base do qual surge um sacrário embutido ornado de concheados e tendo resplendor na porta; remate em friso e cornija, encimado por frontão contracurvado de inspiração borromínica, acompanhando o perfil côncavo da estrutura, sobre o qual se desenvolve pequeno espaldar flanqueado por quarteirões, ornado por concheados, e sobrepujado por enrolamentos vazados; altares em forma de urna, com frontal decorado por motivos fitomórficos, cartelas e concheados, em baixo relevo. A empena do campanário apresenta a inscrição: "M" e "1789". No interior, surge uma lápide com a data de "1676". No remate do nicho do Senhor dos Passos, a inscrição: "FACTUM EM ANNI 1884". |
Utilização Inicial
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| Religiosa: igreja paroquial |
Utilização Actual
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| Religiosa: igreja paroquial |
Propriedade
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| Privada: Igreja Católica (Diocese de Lamego) |
Afectação
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| Sem afectação |
Época Construção
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| Séc. 17 / 18 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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| Desconhecido. |
Cronologia
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| Sécs. 5 / 6 - Segundo Almeida Fernandes, o topónimo Sendim é um genitivo de "Sindini", provavelmente de "villa" de "Sindinus", "nome pessoal de origem germânica (gót. sinths "caminho")", logo desta época, e, de acordo com o princípio "nulla villa sine ecclesia", será crível que já existisse uma igreja de Santa Maria nesta "villa"; séc. 9 a 11 - provável datação das sepulturas antropomórficas que rodeiam o templo, indiciando a data de edificação do templo primitivo; 985 - uma tradição antiga refere que dois mosteiros beneditinos foram arrasados em Sendim, neste ano, por Almançor, Califa de Córdova, "assassinando todos os frades e freiras que pôde apanhar" (LEAL, p. 98); 1030 - segundo tradição antiga, Sendim terá sido povoada pelo mouro Zadam-Aben Win (ou Huim), régulo de Lamego, neste ano; séc. 12 - provável reedificação do templo após estabilização da paróquia; 1159 - um dos senhores de Sendim foi Gonçalo Mendes de São Cosmado, que neste ano, pela alma de um seu filho sepultado no mosteiro de Salzedas, doou a este, a oitava dos lugares, ou do que neles tinha, de São Cosmado, Arcos e Sendim, com parte correspondente das suas igrejas; 1250 - segundo diversos autores D. Afonso III terá outorgado foral a Sendim neste ano; 1288 - notícia do abade Gonçalo Pelágio que se encontrava investido no benefício da abadia de Sendim neste ano; 1321, 15 Janeiro - sgundo o arrolamento paroquial, a igreja foi taxada em 300 libras, e os seus três raçoeiros em 30 Libras, apresentando-se já constituída como uma Abadia e Colegiada; a censória episcopal resumia-se a um moio de trigo de 11 alqueires, outro de centeio, 9 almudes de vinho, a quarta das mortulhas, uma cera, a procuração e a lutuosa; 1343, 17 Junho - notícia do abade de Sendim e cónego lamecense, Antoninho Esteves, referido numa assinatura de um escambo, em Lamego; sécs. 15 / 16 - execução das pias de água benta laterais; séc. 16 - execução da pia baptismal; 2.º quartel - Santa Maria de Sendim aparece referida no Censual da Sé de Lamego, como sendo uma paróquia, sede de colegiada, da apresentação do Conde de Marialva, sujeita a confirmação do Bispo, ao qual se pagava 3 marcos, 7$020, pagando-se de visitação $500, enquanto que cada raçoeiro pagava de confirmação 1$170; na igreja havia a censória de um moio de trigo, onze alqueires de centeio, oito almudes de vinho, o quarto das mortulhas, uma cera e a procuração episcopal; mais se refere que a Capela de São Brás, no interior da matriz de Sendim, era confirmada, possuindo a Colegiada três outras paroquiais anexas, designadamente a Capela de São Silvestre em Arcos, a Capela de Santo Adrião, em Baldos, e a Capela de Cabaços, com orago dedicado também a Santo Adrião, e que era apresentada alternativamente pelos reitores de Sendim e de Moimenta da Beira *3; 1527 - Segundo o Cadastro do Reino, na vila e seu termo, surgiam 98 fogos habitacionais, existindo então 25 fogos na vila, 46 fogos no lugar "dalldea", 14 fogos no lugar de "cabr?s", 6 fogos na "qymtã de gabyeyros", 1 fogo habitacional na "qymtã dos louções", 1 fogo na "qymtam da Carvalha", 1 fogo na "quintã da pomte de campos", outro na "qymtã do casall", dois fogos na "quymtam" e um fogo na "qymtã do Jardim"; o seu termo estendia-se por uma légua de comprido e meia de largo, partindo e confrontando com os termos de Paredes, Paradela, Chavães e Barcos, com o termo de Cabaços e Fonte Arcada; 1532 - por falecimento do Conde de Marialva, todas as suas terras e direitos passam para o genro, o Infante D. Fernando, Duque da Guarda e de Trancoso, e sua esposa, D. Guiomar Coutinho, agora 5.ª Condessa de Marialva, incluindo o padroado da igreja de Sendim; 1534 - com a morte destes, sem descendência, a igreja passou ao padroado real; 1537, cerca - de acordo com o Livro das Avaliações, a matriz de Sendim tinha registado como rendimento eclesiástico cerca de 112$000, a favor do Cardeal Infante, para o qual tinha passado o padroado; o Prelado da diocese lamecense tinha direito às censórias em Sendim, incidindo "sobre o pão e o vinho, ocasionalmente sobre o linho, dízimo da lavra, mortulhas, cera, galinhas, raramente porco e carneiro"; no que concerne aos beneficiados, regista-se Afonso Botelho, que recebia 15$000 de ração, Cristóvão de Gouveia, que arrecadava os rendimentos das suas capelas de São Brás e São Salvador levantadas na igreja, cifrados em 5$000 por cada uma, mas obrigadas a 90 missas e a uma pensão de 4$000 a favor de Pero Bugalho, e o benefício do 3.° Raçoeiro, Gonçalo Vaz Pinto, que valia 10$000; 1538, 14 Março - por bula papal desta data é autorizada a passagem do padroado real da igreja de Santa Maria de Sendim para o padroado da Universidade de Coimbra, a pedido de D. João III, que se reservou ao direito de apresentar o pároco, desde aquela data reduzido a reitor e com direito a uma pensão anual de 70$000, além do pé de altar; continuou, contudo, a apresentar os raçoeiros da igreja, os curas de Cabaços, alternadamente com o pároco de Moimenta da Beira, e Arcos e, mais tarde, também o de Paradela *4; 1584 - início dos registos em livro próprio dos Baptismos ocorridos na paróquia de Sendim; séc. 16 / 17 - provável reconstrução e ampliação do templo *5; séc. 17, 1.º quartel - a pensão do pároco cifrava-se em 80$000 e as dos beneficiados em 25$000, 40$000 e 60$000;1610 - além do pé-de-altar e das benesses de que auferia, estavam taxados à reitoria 100 alqueires de centeio, 30 de trigo, 50 arráteis de cera, 40 almudes de vinho, 2 de azeite, e 10$000 em dinheiro, compreendendo ainda o rendimento do pequeno passal, então avaliado em $835; os párocos eram também obrigados em parte dos "guizamentos da egreja"; 1630 - início dos registos em livro próprio dos Óbitos ocorridos na paróquia de Sendim; 1631 - António Pais é colado como vigário à abadia de Sendim, até Abril de 1642; início dos registos em livro próprio dos Casamentos ocorridos na paróquia de Sendim; 1638 - o Coadjutor Padre Francisco do Rego Pinto, passa certidão onde consta acharem-se instituídos na igreja de Sendim 10 óbitos com 109 missas anuais perpétuas *6; 1639, Junho - no sínodo convocado pelo Bispo de Lamego, D. Miguel de Portugal, e em que estiveram presentes todos os párocos das matrizes da diocese, aparece referido o Reitor de Sendim, "Doutor" António Pais; 1642, Abril - início do exercício do benefício pelo encomendado Domingos Tomás, até fins de 1642, substituído pelo vigário Gonçalo Ferreira, que apenas começaria a assinar-se "reitor" em Março de 1681; 1676 - prováveis obras de beneficiação, de acordo com data inscrita em lápide no templo, nomeadamente execução do tecto de caixotões da capela-mor; 1684, Junho a Outubro - preside o encomendado Bernardo de Campos, altura em que toma posse o Licenciado Manuel Jordão; séc. 18, inícios - a Universidade de Coimbra apresentava o reitor, que tinha 70$000 réis de rendimento e o pé-de-altar; 1703, Novembro - início do exercício por novo encomendado, o Padre Manuel de Campos, até ao ano de 1711 *7; feitura de novo retábulo-mor; 1708 - Sendim aparece referida, na obra do Padre Carvalho da Costa, como vila que foi "fundada por Zadan Aben Huim, o maior Regulo de todos quantos teve a cidade de Lamego, o qual povoou muitos lugares desde o rio Douro até os rios Távora e Vouga"; a vila teria 80 vizinhos (fogos habitacionais), sendo a sua Igreja uma Colegiada com a invocação de Nossa Senhora do Pranto, cuja reitoria era apresentada pela Universidade de Coimbra, existindo ainda três beneficiados da aprefentação do Reitor; no seu termo, existiam os lugares de Aldeia com 100 vizinhos, Guidieiros, com 30 fogos e uma Ermida de São Marcos e Cabris com 40 fogos e uma Ermida de Santa Maria Madalena; 1711, Março - toma posse da reitoria o Dr. D. Manuel da Anunciação, até Julho de 1723, que foi cónego doutoral *8 (COSTA, vol. VI, págs. 274-276, 1992 ); Séc. 18, 2.º quartel - época provável de levantamento da fachada principal e de execução dos finos lavores que a adornam, bem como do lavabo da sacristia e da torre primitiva *9; 1723, Julho - notícia do encomendado Pe. António Fernandes que se encontra a presidir a paróquia, até tomar posse o novo reitor, Dr. Bernardo de Magalhães Coutinho; 1728, Janeiro - sucede no benefício o Dr. Manuel de Gouveia Couraça, servido por diversos curas, ocupando, no entanto, a paróquia já desde 1724; 1742, 3 Novembro - notícia do Reitor Manuel de Gouveia Couraça, na qualidade de arcipreste do distrito da Serra, quando transmitiu aos párocos do seu distrito uma provisão; séc. 18, meados - Pintura do tecto de madeira corrida da sacristia, do armário da sacristia e do tecto da nave com motivos arquitectónicos, florais, concheados e hagiográficos e feitura do novo retábulo do altar-mor; 1758 - nas Memórias Paroquiais, redigidas pelo Reitor de Santa Maria de Sendim, licenciado Manuel de Gouveia Couraça, também arcipreste do distrito da Serra, a freguesia e vila, em todo o seu termo, contava 312 fogos e 847 pessoas maiores de idade e 59 menores, além de 13 clérigos, contando do seu termo a vila, onde está a Igreja Matriz, a Casa da Câmara e o Pelourinho, com 58 fogos, e as aldeias ou lugares de Aldeia com 87 fogos, do Paço, com 28 fogos, o lugar de Guedieiros com a quinta da Corte nova, e a dos Boações e Carvalha, e outras quintas que distam da vila meia légua, com 83 fogos, e o lugar de Cabris com 37 fogos; a igreja tinha quatro altares, o mor, dois colaterais, de São Brás e São Sebastião, e outro altar das Almas, este último com numerosa Irmandade que também tem por padroeiro São Brás; o templo possuía uma sumptuosa torre; o pároco é Reitor, provido por oposição da Universidade de Coimbra, Donatária da Coroa, a quem pertence a Igreja, que antigamente era Abadia; a côngrua era composta por 30$000 em dinheiro, 100 alqueires de centeio, 30 de trigo, 40 almudes de vinho, 2 almudes de azeite, aos quais acrescia o rendimento do pé-de-altar, de carácter incerto, mais o Passal, que poderia valer de renda 2$000; tinha 3 beneficiados, apresentados pelo Reitor, recebendo um os dízimos da igreja anexa de Paradela, rendendo 120$000 anuais, o segundo recebia os dízimos do lugar de Cabris, (70$000) e o terceiro era pago pela Universidade; os benefícios eram repartidos por cada beneficiado, ou por seus Ecónomos ou Raçoeiros por si apresentados e se residissem em Sendim, constando a repartição do benefício a cada um em 47 alqueires de centeio e 42 almudes de vinho, mas apenas para os que dissessem missa quotidiana; refere a grande veneração que existia pelas relíquias de São Brás, e que se guardavam em relicário no seu altar *10; 1768 - A vila e concelho de Sendim tinha neste ano 312 fogos; 1770, 12 Junho - falecimento do Reitor Manuel de Gouveia Couraça, deixando testamento e sendo sepultado na capela-mor; 1770, Junho - notícia do encomendado António do Amaral Rego; 1771, Julho - toma posse do benefício o Reitor, Dr. Manuel Nunes Aleixo; 1771, Novembro - notícia de um dos beneficiados na Igreja, Manuel de Gouveia de Albuquerque, filho de José António de Gouveia, do lugar do Paço; 1774 - execução do púlpito conforme data nele inscrita; 1777 - provável data de obras de remodelação do templo, conforme data inscrita sobre o arco cruzeiro e que indiciam a época em que se procedeu à reforma de todos os altares em talha da nave; 1789 - a torre sineira é demolida devido à ruína em que ficou, por causa de a um raio, edificando-se o campanário actual, com duas ventanas, conforme inscrição no ático do seu frontão, sobre nova estrutura que passou a estar paralela à fachada principal *11; séc. 18, finais - o rendimento do benefício de Sendim excedia os 200$000 réis; a Colegiada compunha-se de 3 beneficiados simples, auferindo um 120$000, outro 60$000 e o terceiro 40$000, pagos pelos dízimos das igrejas de Paradela e Arcos; 1833, até - a Universidade de Coimbra auferiu dos dízimos de Sendim; 1836, 6 de Novembro - extinção do concelho de Sendim, que era constituído nessa época por 316 fogos habitacionais, passando para o concelho de Tabuaço; 1862 - segundo a Estatística Paroquial deste ano, Sendim contava 401 fogos e 1500 habitantes; 1864 - Sendim contava neste ano 1524 habitantes; 1868 - Sendim contaria 403 fogos habitacionais; 1875 - edificação do cemitério paroquial; 1881 - a freguesia de Sendim contava neste ano 410 fogos, e o pároco tinha de rendimento cerca de 350$000; Pinho Leal refere, ainda, que as famílias Soeiro e Rego foram padroeiros da igreja, sendo que os primeiros ainda tinham banco para se sentarem na capela-mor, e sepultura; destes seria herdeira a então a "viscondessa da Anadia, por seu avô" (LEAL, p. 98); 1884 - edificação do nicho e altar do Senhor dos Passos segundo data insculpida no seu remate, e provável época de feitura das imagens de roca; 1890 - de acordo com o Censo deste ano Sendim contava 440 fogos e 1616 habitantes; 1900 - de acordo com o Censo deste ano, Sendim contava 437 fogos e 1627 habitantes; 1911 - de acordo com o Censo deste ano, Sendim contava 447 fogos e 1590 habitantes; 1920 - de acordo com o Censo deste ano Sendim contava 391 fogos e 1391 habitantes; 1930 - de acordo com o Censo deste ano Sendim contava 400 fogos e 1458 habitantes; 1940 - de acordo com o Censo deste ano Sendim contava 440 fogos e 1784 habitantes. |
Dados Técnicos
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| Paredes autoportantes. |
Materiais
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| Estrutura, pilastras, cornijas, pináculos, modinaturas, pavimento, púlpito, pias de água benta e baptismal, lavabo da sacristia em cantaria de granito; telha cerâmica; vidro fosco; vidro; ferro forjado; ferro fundido; bronze; madeira de castanho; madeira de carvalho, madeira pintada. |
Bibliografia
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| COSTA, Padre António Carvalho da, Corografia portugueza e descripçam topografica, Tomo II, Lisboa, 1708; AZEVEDO, D. Joaquim de, História Eclesiástica da Cidade e Bispado de Lamego, Porto, 1877; LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho, Sendim, in Portugal Antigo e Moderno - Diccionario, vol. IX, Lisboa, 1881; FREITAS, Luiz de, Taboaço - Notas & Lendas, Tabuaço, 1916; COLLAÇO, João Maria Tello de Magalhães, Cadastro da População do Reino (1527) - Actas das Comarcas Damtre Tejo e Odiana e da Beira, Lisboa, 1929; Vasconcelos, J. Leite de, Frei Baltazar dos Reis, Livro da Fundação do Mosteiro de Salzedas, in Memórias de Mondim da Beira, 1934; COSTA, Américo, Sendim, in Diccionario Chorographico de Portugal Continental e Insular, vol. XI, Vila do Conde, s.d.; Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vols. XXVII, XXVIII e XXX, Lisboa / Rio de Janeiro, s.d.; ALMEIDA, Fortunato de, História da Igreja em Portugal, vol. IV, Lisboa, s.d.; COSTA, História do Bispado e Cidade de Lamego, vols. II a VI, Lamego, 1979 a 1992; MONTEIRO, J. Gonçalves, Tabuaço - Esboços para uma monografia, Tabuaço, 1991; MARIZ, José (Coord. Técnica), Inventário Colectivo dos Registos Paroquiais - Centro e Sul, vol. 1, Lisboa, Dezembro de 1993; CORREIA, Alberto, Tabuaço - Roteiro turístico, Tabuaço, 1997; FERNANDES, A. de Almeida, Censual da Sé de Lamego (Século XVI) - Leitura, transcrição e notas de, Arouca, 1999; PERPÉTUO, João Miguel A., SANTOS, Filipe João C., CARVALHO, Pedro Sobral, GOMES, Luís Filipe C e SERRA, Artur Alpande, Tabuaço - um passado presente, Tabuaço, 1999; TEIXEIRA, Fernando Carlos, Sendim - Caminhos históricos, Castro Daire, 1999; CD Portugal Século XXI - Distrito de Viseu, CD II, 2001; FERNANDES, A. de Almeida, Sendim, in Tabuaço - Toponímia, Tabuaço, 2002; ALMEIDA, Gustavo de, Igreja Matriz de Sendim, in Correio de Tabuaço, Tabuaço, 15 Maio 2005, p. 12; COSTA, Mino, Deterioração já pedia intervenção, in Correio de Tabuaço, Tabuaço, 10 Novembro 2006, p. 4. |
Documentação Gráfica
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| IHRU: DGEMN/DSID; CMT |
Documentação Fotográfica
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| IHRU: DGEMN/DSID; CMT |
Documentação Administrativa
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| DGA/TT: Diccionario Geographico (vol. 35, n.º 175, fls. 1301-1308); CMT: Divisão de obras; Paço Episcopal de Lamego : Instituisoens de Capelas - do Distrito da Serra |
Intervenção Realizada
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| PROPRIETÁRIO: séc. 20, 2.ª metade - arranjo e pintura dos retábulos; remoção dos rebocos; 2002 / 2003 - substituição das coberturas exteriores; 2005 / 2006 - restauro dos caixotões da capela-mor e da talha dos altares. |
Observações
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| *1 - no centro, tinha peça formada por pelicano carregado de um coração, que caiu há poucos anos, partindo-se em vários bocados, e encontra-se guardada na sacristia com vista ao seu futuro restauro e colocação no local original. *2 - a sineira era maior, tendo sido destruída e feita uma mais pequena, aproveitando-se, posteriormente, as pedras para a edificação do Nicho da Senhora das Preces. *3 - curiosamente a paróquia do Divino Espírito Santo de Paradela ainda não aparece referida, embora já existisse o respectivo concelho, onde se encontrava sediado o Mosteiro dos frades bernardos de São Pedro das Águias. *4 - os párocos de Sendim, apresentados pela Universidade, só se apelidavam de reitores depois de obterem um grau universitário, intitulando-se antes simplesmente vigários. *5 - tradicionalmente refere-se que a reconstrução foi feita sobre os alicerces de "arruinada mesquita". *6 - alguns desses óbitos incluíam legados de azeite a favor da confraria do Santíssimo; deles consta que as missas, suportadas pelo rendimento de terras "encapeladas", eram entregues aos beneficiados, por distribuição, e aplicadas da seguinte forma: 5 pelo Padre Gonçalo de Morais, 2 pelo vigário Belchior da Cunha, 5 por Maria Barradas, falecida em Abril de 1682 com testamento aprovado pelo tabelião Gaspar Álvares, 3 pelos mistérios da vida de Cristo, 20 instituídas por Álvaro Anes Soeiro e às quais estava obrigado, em 1680, Agostinho de Matos Leitão, 30 pelo Padre António da Fonseca e irmão, de Leomil, onde ambos faleceram, em 1670, mas com propriedades hipotecadas todas em Sendim, outras missas por Branca Pires, da quinta de "Bouçóis"; mais se refere que D. Antónia de Sampaio, falecida a 25 de Março de 1664, além de deixar legados de terras para 9 missas, e de oliveiras para o azeite da Senhora do Rosário, ordenou aos administradores, Manuel Monteiro de Carvalho e sua mulher Maria de Oliveira, que distribuíssem pelos pobres 4 alqueires de pão cozido e 1 de vinho e ainda que, na quarta-feira da Semana Santa, fosse distribuído a todos os moços que viessem à porta uma ração de pão e caldo, para todo o sempre; noticiam-se, também, outros óbitos, como por exemplo o de Antónia da Fonseca, falecida em Janeiro de 1671 e sepultada junto dos degraus da capela-mor, tendo deixado 3 missas perpétuas anexas a um vínculo do qual encarregava os visitadores de tomarem conta pela propina de 50 réis (Instituisoens, fl. 360 v-367, 644-647v.). *7 - a administração dos sacramentos e o serviço de cartório corriam quase exclusivamente por mão dos curas-coadjutores. *8 - D. Manuel da Anunciação, era natural do lugar de Ordens, na freguesia de Penude, em Lamego, e filho de Domingos Duarte Ribeiro e de Ana Gonçalves, assistentes na sua Quinta do Casal; tendo seguido a carreira eclesiástica graduou-se em Teologia pela Universidade de Coimbra e obteve uma conezia na Sé de Lamego, por volta de 1720, juntamente com a prebenda da reitoria de Sendim; D. João V, enquanto protector da Universidade de Coimbra, acabaria por agraciá-lo com os cargos de cónego magistral, de comissário do Santo Ofício, ao qual se juntou o da bula da Cruzada e examinador sinodal, tendo tomado posse em 11 de Setembro de 1723, e requerido para o efeito um processo de inquirição de genere, dirigido pelo cónego António Gonçalves de Carvalho, secretariado pelo Padre Manuel Pereira da Silva. *9 - já Pinho Leal tinha chamado a atenção, em 1881, para o facto de a cruz que encima a empena da Igreja de Sendim ser de idêntico lavor ao da cruz que remata a empena da capela da Casa de Azevedo, que denomina de "sanctuario dos Santos Martyres" (LEAL, p. 98); na freguesia de Sendim é ainda possível vislumbrar um outro trabalho, ao que parece dos mesmos autores, denunciado pelos lavores com que a pedra d'armas do Solar da família Gouveia Couraça se encontra adornada, sendo necessário não esquecer que um elemento daquela distinta família esteve à frente dos destinos da Reitoria de Sendim entre 1728 e 1770. *10 - em aditamento às próprias Memórias Paroquiais, o reitor vem, ainda, expor que o templo é igreja "sagrada, como se mostra das cruzes S.S. que nas paredes della da parte de dentro estaõ gravadas, e consta de tradição antiga"; relata que, por volta de 1708, sendo reitor o Reverendo Doutor Manuel de Campos, com vista a "mudar o altar mor se demoliu o dito altar, e no corpo delle, se achou hum cofre cheyo de Reliquias com huma authentica escripta em purgaminho", em que dizia que "Estas reliquias sam de Santa Vitoria, e de outros muntos Mártires, que aqui padecerão martyres no tempo do Emperador Deoclecianno, e aqui se depozetarão sendo Abade desta Igreja Dom Fernando Infante de Portugal, e raçoeyros desta collegiada TT e T a quoal authentica estava asignada com ttestemunhas", e prossegue referindo ter sido informado "que as Reliquias se repartirão por varias pessoas depois do que por ordem do Ordinario se tornarão (...) a entregar e forão remetidas ao mesmo Ordinario , e não se sabe se foi com ellas a authentica ou se ja estava (...) rasgada porque della não houve mais noticia , nem há outra desta tam grande antiguidade" (Diccionario Geographico, vol. 35, n.º 175, fls. 1301-1308). *11 - Pinho Leal referiu, por lapso, a data de 1778; atendendo ao seu embasamento que corresponde a todo o corpo onde se insere o baptistério, é crível que a torre fosse de razoáveis dimensões; na própria nave da igreja é ainda possível observar as pilastras que delimitavam interiormente o corpo da torre sineira, que se encontrava em posição recuada à da fachada principal do templo e que teria secção quadrangular como as torres sineiras das Igrejas Matrizes de Longa (v. PT011819080031), e de São Cosmado (v. PT011801140083), no concelho de Armamar. |
Autor e Data
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| Gustavo Almeida 2003 |
Actualização
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