Núcleo intramuros de Montemor-o-Novo
| IPA.00007878 |
| Portugal, Évora, Montemor-o-Novo, União das freguesias de Nossa Senhora da Vila, Nossa Senhora do Bispo e Silveiras |
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| Vila medieval fortificada cujo perímetro urbano é fixado pelo recinto muralhado, apresentando planta irregular. Cerca interrompida por cinco aberturas, incluindo uma couraça de protecção ao Castelo / Paço dos Alcaides (v. PT040706040108). Portas orientadas para os pontos cardeais, produzindo um sistema viário organizado a partir do cruzamento central dos eixos, isto é, o espaço da Praça. A cada uma da portas e dos eixos corresponde um edifício religioso referencial, também presente na Praça, onde se associa ainda a Casa da Câmara e Cadeia e o Pelourinho, junto dos quais se realizava o mercado, contando igualmente com a proximidade do Açougue (v. PT040706040107). Evidencia um esquema de cruzamento ortogonal de quatro eixos principais, tornado mais complexo pela conjugação com um eixo diagonal, acentuando a centralidade da Praça como elemento polarizador de uma suposta Almedina de raiz muçulmana, contrapondo-se à Alcáçova / Castelo. Localização estratégica da Vila no quadro da rede viária portuguesa. Planta em forma de trevo, isto é, inscrita numa forma triangular cujos vértices concentram as portas e edifícios marcantes que ordenam a malha urbana, quase equivalentes aos três cabeços que ressaltam da colina. Suposta persistência de uma estrutura urbanística muçulmana (FONSECA, 1998). Alcáçova apetrechada com couraça. Presença de silos medievais (as "covas de pam"), recurso de influência mourisca. O Convento da Saudação, a Igreja de João Baptista e a Igreja de Santiago são os únicos imóveis intra-muros que não se encontram em ruínas. As torres da muralha e do Castelo constituem os pontos referenciais da silhueta urbana. Passagem pública coberta sob o Convento da Saudação. Singularidade tipológica do edifício do Açougue-Cisterna (v. PT040706040107). |
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| Número IPA Antigo: PT040706040032 |
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| Registo visualizado 1107 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Conjunto urbano Aglomerado urbano Cidade Vila medieval Vila fortificada Régia (D. Sancho I)
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Descrição
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| O perímetro urbano da antiga Vila coincide exactamente com o recinto muralhado, apresentando planta irregular inscrita na forma de um triângulo, cujos vértices enquadram os três cabeços. A cerca é interrompida por quatro portas, contando aqui com o acesso do lado S. protegido pela couraça do Castelo (v. PT040706040011), implantado no Monte Maior. Estas aberturas encontram-se orientadas em função dos pontos cardeais, determinando a hierarquia viária. Assim, de cada uma das portas partem as principais vias, cujo cruzamento corresponde ao espaço da Praça da Vila. Cada um dos eixos é qualificado pela presença de edifícios de referência, as sedes das quatro paróquias medievais, situadas à ilharga da via e na contiguidade do espaço das portas. No lado O. principiava a Rua do Bispo, junto à Igreja de Santa Maria do Bispo, onde situavam também os Paços do Bispo e mais tarde a casa dos Condes de Santa Cruz ligada à Torre do Anjo. Do lado N. a Porta da Vila ou Porta Nova determinava o eixo da Rua de Nª Sª da Vila, tendo como referência quinhentista a massa edificada do Convento da Saudação. No lado E. observa-se ainda a Igreja de Santiago, perto da porta homónima. A desaparecida Porta de Évora abria-se a SE. (já que o acesso directo ao Castelo se faz pelo lado S.), talvez partindo daí a Rua de São João, tendo como referente a Igreja de S. João Baptista quase contígua ao Paço dos Alcaides (v. PT040706040108). Conferindo conteúdo à centralidade da Praça, localizavam-se aí a Igreja de Santa Maria da Vila, o Pelourinho e a Casa da Câmara e Cadeia, único edifício deste espaço de que subsistem ruínas. Com efeito, os vestígios do traçado urbano correspondem apenas aos eixos principais e ao seu cruzamento mais ou menos centralizado, registando-se somente um atravessamento diagonal na zona E., ligando o local da suposta Porta de Évora à Porta da Vila. Sabe-se ainda que a zona compreendida entre esta porta e a Igreja de Santa Maria do Bispo era ocupada pela Judiaria. A totalidade da área urbana é caracterizada pela distinção entre a Alcáçova e a Almedina, distinção apenas compreensível na suposta sobrevivência de uma primeira estrutura de raiz muçulmana: a Alcáçova enquanto recinto militar e sede do poder político e senhorial, por contraponto à Almedina, organizada a partir da praça central, ponto irradiante da rede viária, onde se conjugava uma igreja paroquial, a sede do poder municipal e o mercado. Não muito distante localiza-se o Açougue - Cisterna (v. PT040706040107) (localmente conhecido como Matadouro Mourisco), cujas ruínas revelam um edifício de planta rectangular com duas naves abobadadas. Devido à presença da mata e de abundante vegetação espontânea, as fundações dos diferentes quarteirões tornam-se dificilmente reconhecíveis. Por outro lado, não se conservaram quaisquer habitações, embora se tenha conhecimento documental do predomínio de casas com dois pisos e logradouro, muitas das quais dotadas de silos medievais escavados no solo. |
Acessos
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| Rua Condessa de Valenças |
Protecção
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| Incluído na Zona Especial de Proteção do Castelo de Montemor-o-Novo (v. PT040706040011) |
Enquadramento
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| Peri-urbano. O núcleo muralhado ocupa uma vasta colina, a cerca de 300 metros de altitude, enquadrada no sistema orográfico da Serra de Monfurado. Nesta base topográfica irregular, pontuada por três cabeços, destaca-se o denominado Monte Maior, justificativo do topónimo. A vertente S., sobranceira ao rio Almansor, apresenta-se particularmente escarpada, sendo o declive mais suave a N., para onde cresceu o Arrabalde (v. PT040706030033). Pontuado por moinhos e açudes, o rio descreve numerosas inflexões e, associado a um conjunto de ribeiras, assegura a fertilidade dos solos. Núcleo estruturante do território envolvente, fixa o ponto irradiante de uma consistente rede de caminhos que permite a ligação entre centros urbanos importantes, em especial Lisboa e Évora. No vasto panorama avistável da Vila, e acompanhando a ondulação das colinas, entre olivais, vinhas, pastos e campos de cereais, distinguem-se os outeiros do Convento de Nossa Senhora da Conceição (v. PT040706040037), a Ermida de Santo André (v. PT040706030024) e a Ermida de Nossa Senhora da Visitação 8v. PT040706040053). |
Descrição Complementar
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Utilização Inicial
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| Não aplicável |
Utilização Actual
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| Não aplicável |
Propriedade
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| Pública: estatal / Privada: pessoa singular |
Afectação
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| IPPAR, DL 106F/92, de 01 Junho; Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, auto de cessão de 28 Maio 1996 (Convento da Saudação) |
Época Construção
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| Séc. 13 / 15 / 16 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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| Afonso Mendes de Oliveira (renovação das muralhas, séc. 16) |
Cronologia
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| Época Romana - hipotética ocupação do sítio (talvez denominado Castrum Malianum) indiciada pela identificação de um cipo funerário e da lápide que se encontrava na Igreja de Santa Maria do Bispo (v. 070603006); séc. 7 - vestígios de influência visigótica conservados no portal da Igreja de S. João Baptista; Época Muçulmana - suposta existência de povoação fortificada, que teria estruturado o espaço urbano intra-muros, fixando a distinção entre a área da Alcáçova e da Almedina; 1166 - reconquista do castelo; 1191 - destruição provocada pela invasão almóada; 1203 - concessão de carta de foral por D. Sancho I, sendo explícita a intenção de povoar a Vila; 1257 - confirmação da carta de termo, onde surge pela primeira vez a designação de Montemor-o-Novo; 1234 - provável instituição da paróquia de Santa Maria da Vila (também designada por Santa Maria dos Açougues, da Praça ou do Foro) por Domingos Pelagio, filho do povoador Pelagio Peres; 1280 / 1310 - provável intervenção no castelo e muralhas por iniciativa de D. Dinis (ESPANCA, 1975); 1302 - primeira alusão à Igreja de Santiago, encontrando-se documentada a necrópole anexa, bem como a existência da Igreja de S. João Baptista; 1304 - criação do concelho de Lavre, subtraído ao termo de Montemor; 1366 - tentativa régia de contrariar o despovoamento intra-muros, restringindo privilégios aos moradores do Arrabalde, como por exemplo, a proibição de mercadejar no exterior da Praça da Vila; 1394 - existência dos Paços do Bispo de Évora junto à Igreja de Nª Sª do Bispo, ainda mencionados em 1528; 1451 / 1499 - renovação das muralhas e do castelo, da responsabilidade do alcaide D. João de Bragança, generalizando-se a designação Paço dos Alcaides (v. PT040706040108); 1478 - referência à Praça Nova, e respectivo alpendre, situada no exterior da Porta de Santarém / Porta Nova; 1485 - obras de renovação da Praça da Vila e Açougue (v. PT0407060401079); 1485 / 1524 / 1540 - reforma da Igreja Santa Maria do Bispo (ESPANCA, 1975); séc. 15, fins - existência de judiaria de assinalável dimensão; 1499 - D. Manuel ordena ao concelho a urgente reparação dos muros e cubelos; 1502 - conclusão dos muros contratada com o mestre de obras Afonso Mendes de Oliveira; 1503 - foral novo; séc. 15 / 16 - cenário de frequentes estadas régias; 1504 / 1511/ 1520 - construção da Casa da Câmara e Cadeia; 1501 / 1513 - fundação do Convento de Nª Sª da Saudação por iniciativa de D. Mécia de Moura e com o apoio directo de D. Manuel; 1517 - calcetamento das quatro portas; 1519 - ordem régia determinando a edificação de novo pelourinho, já que o existente era de madeira; construção do "paço dos tabeliães das notas" na Praça Nova; 1527 - a Vila contava 889 vizinhos; 1563 - nomeação como Vila Notável; 1642 - ordem régia para reedificação das muralhas, quase inconsequente; 1658 / 1662 - instituição da Capela do Santíssimo Sacramento na Igreja de Nª Sª da Vila; 1688 - perfil da Vila desenhado por Pier Maria Baldi; 1696 / 1700 - renovação da Igreja de Nª Sª do Bispo promovida por D. Luís Teles da Silva; 1701 - campanha de obras na Igreja de Nª Sª da Vila; 1757 - o espaço intra-muros encontrava-se já abandonado e apenas duas pessoas habitavam o Paço dos Alcaides; a matriz de Nª Sª da Vila encontrava-se arruinada, embora se mantivessem as quatro paróquias (Santa Maria da Vila, Santa Maria do Bispo, S. João Baptista e Santiago); 1796 - reforma da frontaria das Igrejas de Nª Sª da Vila e do Bispo; 1808 - incursão das tropas de Loisson; 1873 - a Igreja de Nª Sª da Vila encontrava-se em ruínas; 1876 - adaptação do Convento da Saudação em Asilo da Infância Desvalida, aí instalado até 1978; 1928 - adaptação de duas cisternas a depósitos de abastecimento de água; 2013, 28 janeiro - criação da União das freguesias de Nossa Senhora da Vila, Nossa Senhora do Bispo e Silveiras por agregação das mesmas, pela Lei n.º 11-A/2013, DR, 1.ª série, n.º 19. |
Dados Técnicos
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| Estrutura autoportante / estrutura mista; cantaria; alvenaria de pedra argamassada e rebocada a cal e areia; travamento dos pisos com vigamento em madeira; abobadas em alvenaria de tijolo rebocada; revestimento das coberturas com telha cerâmica. |
Materiais
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| Granito, xisto, tijolo, telha de canudo |
Bibliografia
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| BALDI, Pier Maria / MAGALOTTI, Lorenzo, Viagem de Cosme de Médicis a Espanha e Portugal, (1668 - 1669), Madrid, Estampa XLIX; COSTA, Vitorino José da, Descripção Topographica da Patria de S. João de Deos, 1740; VALE, Pedro Botelho do, Descrição da Vila de Montemor-o-Novo, "Memórias Paroquiais", 1758, in Almansor, 1985, nº3; VARELA, José Joaquim, Memoria Estatistica Acerca da Notavel Vila de Monte Mor o Novo, in Memórias da Academia, Lisboa, 1817, tomo V, parte I, pp 3-97; CORREIA, José Hilário Brito e ÁLVARES, Manuel, Estudos Históricos, Jurídicos e Economicos sobre o Município de Montemor-o-Novo, Évora, 1864; ALMEIDA, João de, Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, Lisboa, 1948; ESPANCA, Túlio, Fortificações de Montemor-o-Novo, in A Cidade de Évora, 1967, nº 48 /50; ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Évora, Concelho de Montemor-o-Novo, Lisboa, 1975; ANDRADE, António Alberto Banha de, Breve História das Ruínas do Antigo Burgo e Concelho de Montemor-o-Novo, Évora, 1977; Ibidem, Conspecto Socio-Económico de uma Vila do Renascimento. Montemor-o-Novo no Séc. XVI, Sep.ª Anais da Academia Portuguesa de História, Lisboa, 1979; SALGADO, Anastácia Mestrinho e SALGADO, Abílio José, O Alcaide de Montemor-o-Novo Fernão Martins de Mascarenhas no Contexto Político da sua Época, in Almansor, nº1, 1983, pp. 29-38; RESENDE, Tatiana, Escavações Arqueológicas no Castelo de Montemor-o-Novo, in Almansor, 1985, nº3; FONSECA, Jorge, Uma Vila Alentejana no Antigo Regime, in Almansor, 1986, nº4; CARVALHO, Isaura, Cerâmica Medieval do Castelo de Montemor-o-Novo, in Almansor, nº5, 1987, pp. 7 - 36; FONSECA, Jorge, A Vila intra-muros de Montemor-o-Novo, in Almansor, 1993, nº 11; GONÇALVES, Ana, Novos Dados sobre a Antiga Vila de Montemor-o-Novo, in Almansor, 1993, nº11; FONSECA, Jorge, O Mosteiro de Nossa Senhora da Saudação de Montemor-o-Novo, Fundação e Patrocínio Régio, in Cidade de Évora, 2ª série, nº 1, 1994 / 95, pp. 397 - 417; RUAS, João, O Foral Manuelino de Montemor-o-Novo, in Almansor, nº13, 1995 - 1996, pp. 73 -85; BARBOSA, Ana Lúcia, Convento de Nª Sª da Saudação em Montemor-o-Novo, Caracterização do Sistema Construtivo do Claustro, (trabalho para o Mestrado em Recuperação do Património Arquitectónico e Paisagístico da Universidade de Évora), Évora, 1995; FONSECA, Jorge, Montemor-o-Novo no Século XV, Montemor-o-Novo, 1998; Plano de Salvaguarda e Reabilitação do Centro Histórico de Montemor-o-Novo, Estudo Prévio, 1999. |
Documentação Gráfica
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| IHRU: DGEMN/DSID, IHRU: DGEMN/DREMS, DGEMN/Arquivo Geral; CMMN: GTL |
Documentação Fotográfica
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| IHRU: DGEMN/DSID, IHRU: DGEMN/DREMS, DGEMN/Arquivo Geral; CMMN: GTL |
Documentação Administrativa
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| IHRU: DGEMN/DSID, IHRU: DGEMN/DREMS, DGEMN/Arquivo Geral; CMMN: GTL; Arquivo do Cabido de Évora, Arquivo Distrital de Évora, Arquivo Histórico Municipal de Montemor-o-Novo, Biblioteca Pública de Évora. |
Intervenção Realizada
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| DGEMN: 1937 / 1945 - obras de restauro no Castelo e muralhas; CMMN: 1952 - construção de instalações sanitárias junto à Igreja de Santiago com parecer negativo da DGEMN e DGESBA, que solicitaram a sua demolição; DGEMN: 1957 - 1958 / 1961 - 1964 - obras de conservação no Convento da Saudação; 1962- consolidação das muralhas; 1965 / 1966 - reparação da Torre do Relógio; 1965 - obras de restauro da Igreja de S. João Baptista; escavações arqueológicas na Igreja de Santiago dirigidas por Farinha ds Santos; 1968 - obras de consolidação das muralhas; 1970 - obras de consolidação da Torre do Relógio e muralhas; 1974 - consolidação da passagem sob o Convento da Saudação; 1978 - diversos trabalhos de beneficiação do Convento da Saudação e consolidação de panos de muralha; 1979 / 1980 - 1984 - obras de recuperação e valorização do Convento da Saudação e Igreja de S. João Baptista; 1982 - obras de beneficiação das muralhas; 1983 - obras de conservação na Torre do Anjo, consolidação da abóbada e paredes do Paço dos Alcaides, sondagem arqueológica no adro da Igreja de Santa Maria do Bispo e na Cadeia; 1983 / 1987 - escavações arqueológicas dirigidas por Tatiana Resende, tendo sido recolhido vasto espólio cerâmico do séc. 15 num silo medieval junto à Igreja de Santiago; 1986 - obras de recuperação na Torre do Anjo; CMMN: 1992 / 1993 - intervenção arqueológica dirigida por Ana Gonçalves: identificação de três silos, estruturas murárias, vestígios de calçada e necrópole junto à Igreja de Santiago; DGEMN: 1996 - obras de conservação no Convento da Saudação; CMMN: 1997 / 1998 - constituição do Gabinete Técnico Local. |
Observações
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| As ruínas actualmente identificadas como Casa da Câmara e Cadeia foram tradicionalmente atribuídas à Igreja de Santa Maria da Vila. |
Autor e Data
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| Anouk Costa, Margarida Tavares 1999 |
Actualização
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