Edifício na Rua Augusta, n. 24 / Edifício Sede do Banco Nacional Ultramarino / MUDE - Museu do Design e da Moda

IPA.00007828
Portugal, Lisboa, Lisboa, Santa Maria Maior
 
Edifício residencial multifamiliar e comercial pombalino, adaptado a funções financeiras no século 20 e culturais no século 21. Edifício sede de uma instituição bancária em cuja remodelação são poupadas as fachadas pombalinas, com excepção da porta principal para a qual se adopta, tanto no desenho como nas dimensões e materiais, uma linguagem de rutura.
Número IPA Antigo: PT031106480549
 
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Registo

 
Sítio          

Descrição

Planta retangular organizada em três pisos, volumetria paralelepipédica, cobertura em quatro alas composta por telhados de duas águas, disposição vertical de massas. Fachada principal a O. ,com dois registos, o primeiro com silhar de pedra e o segundo em alvenaria. No piso térreo, porta principal em aço, ladeada pelo lado esquerdo por nau em cantaria de lioz, com a legenda Banco Nacional Ultramarino, e no lado direito pelas armas reais e a legenda " Banco Emissor no Ultramar."No primeiro piso, quatro varandas de sacada, alternam com quatro janelas de peito, sendo que no segundo e terceiro piso são onze. Nove janelas de mansarda no último piso. Fachada lateral a S. com piso térreo com porta e dezoito vãos de janelas com grades, sendo que no primeiro, segundo e terceiro piso existem dezanove janelas de peito. Na fachada lateral N., piso térreo com duas portas e dezassete vãos de janelas com grades. Ao nível do primeiro piso, dezanove janelas de sacada, sendo que no segundo e terceiro piso são janelas de peito. Fachada posterior a E. Piso térreo com uma porta e dez janelas de grades. Primeiro, segundo e terceiro pisos com onze vãos de janelas , no primeiro piso de sacada, no segundo e terceiro de peito. Ao nível das águas furtadas, contam-se dezassete vãos de janela. Terraço recuado no telhado, no nível superior das mansardas.

Acessos

Rua Augusta, n.º 24; Rua de São Julião n.º 79 a 111; Rua da Prata n.º 23 a 47; Rua do Comércio

Protecção

Incluído na classificação da Lisboa Pombalina (v. IPA.00005966) e na Zona de Proteção do Castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa (v. IPA.00003128)

Enquadramento

Urbano, implantado em terreno plano.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: edifício residencial e comercial

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Privada:pessoa colectiva

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 20 / 21

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETOS: Joana Vilhena (2009); Luís Cristino da Silva (1951-1954); Ricardo Carvalho (2009);Tertuliano Lacerda Marques (1935). DECORADOR: Daciano da Costa (1964). ESCULTOR: Leopoldo de Almeida. PINTOR: Jaime Martins Barata (1964).

Cronologia

1864, 16 maio - fundação do Banco Nacional Ultramarino por um grupo de capitalistas, entre eles Francisco de Oliveira Chamiço (o fundador), José Seixas, Francisco Izidro Viana e Flamiano Ferreira dos Anjos; 1866 - o BNU muda-se do Largo do Chiado para este edifício; 1875- o B.N.U. é reconhecido oficialmente; 1882 - Robert Duff apresenta um projeto à Câmara Municipal de Lisboa a fim de fazer diversas alterações; na mesma data D. Emília Ribeiro Chaves apresenta um projeto para reedificação no seu prédio n.º 91 a 95 da Rua de São Julião; 1889 - a direcção do B.N.U. pretende fazer alteraçõesa o edifício do referido Banco, situado na Rua de El'Rei n.º 74; 1906 - a Direcção do B.N.U. apresenta projeto de alterações na propriedade situada na Rua de El'Rei n.º 74 a 78, tornejando para a Rua Bella da Rainha; 1910 - a firma Marques e Freitas substitui as portas antigas por portas onduladas; 1911- obras de reconstrução do 4.º andar do prédio n.º 35 da Rua da Prata, nas quais se aproveita o sotão; obras na Rua do Comércio, n.º 80 a 86; 1913 - alterações na Rua do Comércio n.º 74 a 86, tornejando para a Rua da Prata n.º 23 a 37; construção de uma casa forte subterrânea, demolição de paredes, abertura de portas e janelas, e modificação das fachadas; construção da cúpula; 1918 - a Direcção deseja construir um edifício destinado à sede do mesmo Banco no seu prédio antigo e em outros que adquiriu na Rua do Comércio, n.º 74 a 86, Rua da Prata, n.º 23 a 43 e São Julião n.º 79 a 103; construção subterrânea de casas fortes em todo o perímetro do novo edifício; 1920 - demolição total das divisões internas e reconstrução em cimento armado dos pavimentos e pilares, escadas e vigas; as fachadas foram mantidas no seu aspeto pombalino; 1923 - construção de um andar em mansarda pombalina no edifício da sede na Rua do Comércio, com frente também para as Ruas Augusta, da Prata e de São Julião; 1928 - com sede na Rua do Comércio, n.º 66 a 102, pede averbamento dos prédios que foram anexados à sua sede da Rua de São Julião, Rua da Prata, Rua Augusta e Rua do Comércio, formando uma só propriedade; Rua da Prata, n.º 23 a 43, Rua Augusta n.º 18 a 28, Rua do Comércio, n.º 66 a 102 e Rua de São Julião, n.º 79 a 103; 1930 - alterações ao projeto do edificio da sua sede na Rua do Comércio, com a supressão da mansarda, tendo-se feito apenas uma parcela da mesma na parte central do quarteirão da Rua Augusta e internamente a deslocação de portas, construção de marquises no pátio, sendo um de ligação no piso do 2.º andar, uma torre para o monta-cargas, deslocação da cúpula envidraçada do hall do piso do 4.º andar para o 2.º, casa das caldeiras para o aquecimento; 1935 - construção do edifício atual, da autoria obra do arquiteto Tertuliano Marques; 1942 - modificações no 3.º andar na Rua do Comércio, n.º 94; modificações no 3.º andar, na Rua do Comércio n.º 94; 1950 - foi lavrada a escritura de compra (no livro B-97 a fls 1 do Notário de Silva Palhinha, Lisboa), pelo Banco Nacional Ultramarino, dos prédios descritos sob os números 18, 19 e 60, respetivamente, a que correspondiam os números da Rua Augusta 30 e 38 e da Rua de São Julião 105 a 115, à Caixa Geral de Depósitos, Crédito e Previdência; reparação do telhado devido a incêndio; 1951 - conforme consta das Actas do Conselho Geral do BNU, o Administrador Arthur Meneses Correia de Sá, Visconde de Merceana, comunicou à Administração que o arquiteto Luís Cristino da Silva (1896-1976) fora escolhido e tinha aceite realizar o anteprojeto para a remodelação e ampliação do edifício sede do Banco Nacional Ultramarino; a Câmara Municipal de Lisboa aprovou o Processo, ficando desta forma o BNU proprietário da superfície que abrange o atual quarteirão; 1952 - Luís Cristino da Silva apresenta um projeto de remodelação e de ampliação do edifício da sede do Banco localizado na Rua Augusta, Rua da Prata, do Comércio e São Julião, introduzindo uma alteração da cércia; 1954 - apresentação do pórtico monumental para a fachada; 1954 - o arquiteco apresenta um novo estudo da fachada poente (Rua Augusta); 1955 - um novo projeto é apresentado, substituindo o anteriormente aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa, com alterações na cave com a construção de três casas fortes, respetivo acesso independente, e caminho de ronda destinado ao seu isolamento e proteção; no rés-do-chão, do lado da Rua Augusta, é localizada a entrada principal destinada ao público, criação um espaço vestíbulo onde se desenvolvem as escadas privativas da Administração, e de acesso às casas fortes de aluguer; no 1.º, 2.º e 3.º andar os serviços administrativos e, no 4º andar, é prevista a construção de uma mansarda; 1955 - pedido de licença para a construção de mais um andar em mansarda e de uma nova cobertura, com parte da área em terraço, sobre o edifício existente e a reconstrução do edifício adquirido pelo Banco do lado da Rua Augusta e da parte do edifício existente, sendo demolidos e reconstruídos totalmente desde as fundações, aproveitando-se apenas as paredes mestras abaixo do nível do rés-do-chão; 1957- data do projeto final, que viria a ser executado nos anos seguintes; 1963 - revisão do desenho do pórtico; estudo dos detalhes para os balcões do piso térreo; 1964 - Daciano da Costa assina o projecto de arquitectura de interiores e mobiliário para a sala de jantar da administração, bem como assentos para zonas públicas; Jaime Martins Barata pinta " O fomento Ultramarino", mural da sala de reuniões da Administração; 16 Maio - as novas instalações foram inauguradas, no ano do 1º centenário do Banco; na remodelação do edifício teve acção relevante o Dr. Luís Pereira Coutinho, administrador do Pelouro das Obra; em sua homenagem o Conselho de Administração deu o seu nome a uma das salas; 1967 - telas finais de Cristino da Silva relativas à decoração de interiores; 1974 - Nacionalização do BNU através do Dec. Lei n. º451; 1989 - é solicitado à Câmara Municipal de Lisboa um projecto de alterações de arquitectura correspondente ao seu edfício sito na Rua Augusta nº 24, todos os serviços do Banco são transferidos para um novo edifício, projetado pelo Arq. Tomás Taveira na Av. 5 de Outubro, deixando no edifício os seus cofres; 2001 - a Caixa Geral de Depósitos adquire a totalidade do BNU; parecer negativo do IPPAR às obras que são interrompidas quando já haviam demolido os interiores; 2007 - a Câmara Municipal propõe a instalação do Museu do Design no edifício, integrando um plano de requalificação da Baixa Pombalina; 2009 - abertura do Museu do Design e da Moda com pequenas alterações de adaptação por falta de verbas, cujo acervo é constituído pela coleção Francisco Capelo; 2016, maio - encerramento do museu para obras; 2018, maio - insolvência da empresa contratada; 2021, maio - abertura de novo concurso; 2024, julho - reabertura do museu ao público.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante

Materiais

Alvenaria, ferro, aço, vidro

Bibliografia

AA.VV. - Guia da Arquitetura de Lisboa, 1948-2013. Lisboa: A+A Books, 2013, p. 51; ARAÚJO, Norberto de Da Rua dos Fanqueiros à Rua da Prata, in Peregrinações em Lisboa, Lisboa, Parceria António Maria Pereira, vol. 12, 1938; BAIRRADA, Ed. M., Prémio Valmor, 1902 - 1952, Lisboa, CML. 1988; MURTA, Guerreiro,Banco Nacional Ultramarino-Comemorações do 1º centenário, Lisboa, Banco Nacional Ultramarino, 1965; PDM - Plano Director Municipal, Lisboa, CML, 1995; FCG/CAM, Luis Cristino da Silva, Arquitecto (Catálogo da Exposição), Lisboa, 1998.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/Arquivo Pessoal de Daciano da Costa / Fundação Calouste Gulbenkian: Espólio de Cristino da Silva

Documentação Fotográfica

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1938 - obras de conservação; 1946 - obras de beneficiação e limpeza; 1949- obras de beneficiação e limpeza; 1964 - obras de conservação; CMLisboa: 2009 - 2009 - intervenção no edifício para instalação provisória do MUDE - Museu do Design e da Moda, da arquitetos Joana Vilhena e Ricardo Carvalho, essencialmente centrada no piso térreo.

Observações

Os trabalhos de cantaria da fachada principal remetem para a simbologia dos serviços da natureza do Banco prestados no Além-Mar português. A Nau aparecia em títulos e cédulas, caracterizando a Instituição e individualizando-a. Actualmente ocupado pela Caixa Geral de Depósitos, encontra-se interdito ao público e em obras de remodelação

Autor e Data

Filomena Bandeira 1998 / Rosa Fernandes 2004

Actualização

Anouk Costa 2013
 
 
 
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