Igreja Paroquial de Aldeia de Veigas / Igreja de São Vicente

IPA.00000781
Portugal, Bragança, Bragança, Quintanilha
 
Arquitectura religiosa, românica, maneirista e barroca. Igreja paroquial de estrutura românica, de planta longitudinal composta por nave, capela-mor mais alta e estreita e sacristia no lado direito. Fachada principal novecentista, em empena truncada por dupla sineira e rasgada por portal em arco abatido. Fachadas com cunhais simples, remate em beiral e rasgadas por portais escavados românicos, de dupla arquivolta, assente em impostas salientes e, na esquerda, janelas rectangulares, em capialço, de feição maneirista. Interior com coberturas de madeira, em vigamento de madeira na nave e em masseira na capela-mor, com vestígios de pinturas murais de feição maneirista. Retábulo-mor de talha dourada e policromada em estilo nacional. Igreja românica, de que mantém a estrutura e as portas travessas, com função paroquial, posteriormente reformulada, nos séc. 17 e 20, altura em que foi reformulada a fachada. Capela-mor mais elevada que a nave no exterior, adaptando-se ao declive do terreno, mas não visível interiormente. Mantém uma pia baptismal bastante antiga, talvez contemporânea das obras seiscentistas, altura em que foram efectuadas as pinturas murais decorativas, ainda visíveis na parede que envolve o arco triunfal. Retábulo-mor em talha de estilo nacional, com o ático visivelmente truncado, revelando que não foi concebido para este espaço arquitectónico, desconhecendo-se a sua proveniência.
Número IPA Antigo: PT010402320027
 
Registo visualizado 415 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal simples, composta por nave, capela-mor mais alta e estreita e sacristia no lado esquerdo, de disposição horizontalista, mas de forte inclinação. Coberturas diferenciadas de uma água na sacristia e duas nos demais volumes. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com cunhais simples e remate em beiral. A fachada principal, virada a O., possui portal em arco abatido com moldura e, na chave, uma placa de cimento com a data "1933". Remate em empena truncada por dupla sineira, em cantaria aparente, assente em cornija e fechado por empena, também com cornija, sob a qual surgem pináculos e cruz latina. Fachada N. rasgada por portal em arco de volta perfeita, reentrante e com duas arquivoltas, assentes em impostas salientes, tudo em cantaria granítica. O pano murário da sacristia é cego. Na fachada S. abrem-se fenestração maios amplas, com janelas rectangulares molduradas e gradeadas, em capialço, uma na capela-mor e outra na nave, onde também se encontra um portal idêntico ao da fachada N.. O cunhal direito é perpianho. Adossada ao muro, a escada de acesso ao campanário. Fachada posterior com estreita janela na sacristia e, no corpo da cabeceira, cruz latina no vértice da empena. INTERIOR rebocado e pintado de branco, com cobertura em vigamento de madeira e pavimento composto por corredor central de lajes graníticas, flanqueado por pedras de xisto colocadas de forma aleatória. Portais laterais estão desencontradas, surgindo, no do lado da Epístola, uma pia de água benta, assente em coluna lisa. No lado do Evangelho, pia baptismal em granito, de pé curto e generosa bacia com superfície exterior decorada em gomos, ostentando vestígios de policromia. Arco triunfal de volta perfeita, com dupla arquivolta e assente em duas colunas de fuste liso e capitéis decorados por palmetas, envolto por pinturas murais figurativas, que também aparecem no lado do Evangelho, junto ao ângulo; neste, surgem dois registos, o primeiro preenchido por dois anjos, um deles segurando uma cartela com instrumentos da Paixão; o superior é imperceptível. A ladear o arco triunfal, tem, no lado do Evangelho, dois registos com friso separador a imitar madeira, no inferior uma figura masculina, provavelmente um trovador, conhecida como Santo da Viola *2, rodeado por anjos e por São Miguel; o registo superior é imperceptível, talvez um São Brás. No lado da Epístola, São Lázaro, com um cão a lamber as chagas, e Santo André, surgindo, superiormente um bispo e um anjo. Acede-se à capela-mor por dois degraus, com paredes rebocadas e pintadas de branco, com cobertura de madeira em masseira e pavimento em lajeado e em mármore preto. Sobre supedâneo de dois degraus, retábulo-mor em talha dourada e policromada, de planta recta e três eixos definidos por colunas torsas com pâmpanos e anjos, assentes em consolas, encimadas por mascarões, formando pequena tribuna em arco de volta perfeita com trono, tendo na base o sacrário, em forma de templete poliglonal, com Cristo ressuscitado em baixo-relevo na porta; lateralmente, nichos rectilíneos, com mísulas. Remate em friso de acantos e, na zona central, uma arquivolta torsa encolve a tribuna, ladeada por motivos fitomórficos de talha. No banco, duas portas de acesso à tribuna. Destacado, altar em forma de urna com marmoreados fingidos. No lado do Evangelho, porta de acesso à sacristia.

Acessos

Sai-se do IP4, apanha-se a EN 218, no sentido Bragança - Espanha, virando-se depois para a EN 218-3, em direcção de Quintanilha, e chega-se a um cruzamento com sinalização; virar à esquerda para Veigas e seguir pela estrada que, descendo sempre, vai dar à rua principal da aldeia, ao fundo da qual se encontra o imóvel

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 45/93, DR, 1.ª série-B, n.º 280 de 30 novembro 1993 *1

Enquadramento

Urbano, situado a meia encosta e isolado do aglomerado, em zona de pendor inclinado, possuindo muro a contorná-lo a O. e SO.. A rua principal da aldeia desemboca paralelamente à fachada S., enquanto a N. surge o cemitério, cujo muro se apoia no ângulo da caixa murária da fachada principal. Algumas casas incaracterísticas nas imediações.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Bragança - Miranda)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 13 (conjectural) / 16 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1258 - nas Inquirições de D. Afonso III refere-se a villa de Veigas como "domus in agro" e foreira do rei pelo que não tinha qualquer honra e aí podiam entrar livremente os oficiais régios; não se menciona a existência da igreja; séc. 13, 2.ª metade - construção do templo, em propriedade da Coroa *3; 1290 - nas Inquirições e ndicada uma paróquia, instituída na povoação; séc. 16 - execução de uma escultura do Menino; 1514 - no foral de D. Manuel I a Outeiro declara-se as contribuições que os moradores de Veigas e de Quintanilha deviam entregar anualmente ao alcaide daquela fortaleza; séc. 16, finais / 17 - plausível decoração do arco cruzeiro e dos alçados da nave com pinturas murais figurativas; séc. 17 - feitura do retábulo-mor; 1706 - segundo o Padre Carvalho da Costa é curato da apresentação do Cabido da Sé de Miranda; a povoação tem 20 vizinhos; 1933 - reconstrução do portal e da fachada principal; séc. 20, meados - descoberta das pinturas murais, por ocasião da remoção dos retábulos colaterais, por iniciativa do pároco; 1975, 21 Fevereiro - por despacho da Secretaria de Estado da Cultura e Educação Permanente, é determinada a classificação como IIP; 1976 - descrito como estando em ruína (Tesouros Artísticos, p. 475); 1977 / 1978 - elaboração de um projecto de restauro das pinsturas murais, por técnicos do Instituto José de Figueiredo; 1978, 30 Maio - descoberta de um painel de pintura mural por detrás do retábulo-mor, representando a Virgem com o Menino; 1978, 28 Setembro - proposta de conservação e impermiabilização das paredes; 1979, 14 Março - na sequência de um temporal, verifica-se a necessidade de obras urgentes; 1988, 22 Novembro - a talha do retábulo-mor e esculturas nele integradas tinham sido recentemente douradas e repintadas; os laterais estavam arrecadados num palheiro e as esculturas na sacristia; existência de uma cadeira gótica pendurada numa parede da capela; no arcaz da sacritia existiam várias peças litúrgicas em prata, estanho e latão.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Cantaria granítica na estrutura, rebocada e pintada, na sineira, cunhais, molduras, cruzes, corredor central do pavimento da nave e parte do da capela-mor, pias baptismal e de água-benta; xisto no pavimento da nave; mármore no pavimento junto ao retábulo-mor; madeira nas portas, coberturas, caixilhos, confessionário, retábulo-mor e imaginária; telha de aba e canudo; vidro simples nas janelas; grades de ferro nas janelas, material que surge na guarda das escadas de acesso à sineira; sinos em bronze.

Bibliografia

ALMEIDA, José António Ferreira de [coord.], Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1988; COSTA, António Carvalho da (Padre), Corografia Portugueza..., Lisboa, Valentim da Costa Deslandes, 1706, tomo I; CUNHA, Arlindo de Magalhães Ribeiro da [coord.], Caminhos portugueses de peregrinação a Santiago. Itinerários portugueses, s.l., 1999; FERNANDES, Armando, RODRIGUES, Luís Alexandre, Monografia das Freguesias do Concelho de Bragança, Bragança, Câmara Municipal de Bragança, 2004; RODRIGUES, Dalila, A pintura mural portuguesa na região Norte. Exemplares dos séculos XV e XVI, in A colecção de pintura do Museu de Alberto Sampaio. Séculos XVI-XVIII, Lisboa, 1996, pp. 41-60; Veigas, in Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. 34, Lisboa / Rio de Janeiro, s.d., pp. 440-441.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; Arquivo "Mural da História"

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1975, antes - colocação de fios eléctricos e lâmpadas, o que afectou parcialmente as pinturas murais; Instituto José de Figueiredo: 1978 - conservação das pinturas murais; DGEMN: 1979 - reparação e limpeza da cobertura, arranjo das vedações em zinco, reposição de telha destruída, reconstrução dos beirados, assentamento dos cumes, tratamento do coroamento das empenas sobre o arco triunfal e da cabeceira; 1980 - reparação das portas e arranjos exteriores, com a colocação de ferragens metalizadas e pintura; 1985 - tratamento das paredes, no exterior e interior, e consolidações; arranjo e nivelamento dos pavimentos interiores; instalação eléctrica; 1988 / 1989 - arranjo dos pavimentos; reforço da fundação da parede N. da nave; desafogo da soleira e dos pés-direitos da porta travessa N. e recuperação desta porta; execução de caixilharias; aplicação de uma guarda no acesso à sineira; melhoramento da instalação eléctrica; reconstrução da parede lateral S. da nave; pintura dos paramentos de paredes; consolidação da parte inferior do fresco do lado direito da nave; 1989 - reparação da rede eléctrica; 1990 - consolidação da parede do arco triunfal, no lado da Epístola.

Observações

*1- DOF:...incluindo todo o seu recheio, nomeadamente as pinturas murais e os retábulos. *2 - existe uma representação escultórica semelhante na Igreja Matriz de Quintanilha. *3 - a invocação a São Vicente pode indiciar a existência de um culto anterior ao séc. 13, porquanto se trata de um devoção bastante comum nas primeiras centúrias da Nacionalidade.

Autor e Data

Ernesto Jana 1994 / Marisa Costa 2001

Actualização

 
 
 
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