Bairro da Madragoa

IPA.00007799
Portugal, Lisboa, Lisboa, Estrela
 
Sector urbano. Bairro. Bairro que teve na sua origem e expansão os fluxos migratórios do Centro e Norte do país para a cidade de Lisboa no final do séc. 19. A proximidade com o rio atraiu para o bairro população ligada essencialmente às actividades marítimas sendo, na sua maior parte, oriundos da região de Aveiro, especificamente de Murtosa e Ovar.
Número IPA Antigo: PT031106370498
 
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Registo

 
Conjunto urbano  Setor urbano  Unidade morfológica      

Descrição

Caracteriza-se por uma malha urbana de quadrícula irregular e com descontinuidades no seu traçado. O terreno onde se insere é marcado por declives acentuados e o tecido urbano do bairro foi-se assim desenvolvendo de forma a adaptar-se às condições impostas pelo relevo em declive o que origina algumas descontinuidades no traçado. Nas áreas de terreno mais acidentadas os quarteirões são tendencialmente de menores dimensões e encontram-se alinhados no sentido longitudinal. Os quarteirões adoptam a forma rectangular em que o lado de maiores dimensões acompanha as ruas principais posicionadas paralelamente ao rio Tejo, e o lado de menores dimensões se encontra voltado para as travessas. A malha urbana do bairro apresenta características dos sécs. 17, 18 e 19, sendo o seu tecido urbano edificado de origem pré-pombalina e pombalina.

Acessos

Av. D. Carlos I, Cç. Da Estrela, R. Borges Carneiro, R. de São João da Mata, Cç. Ribeiro Santos, Lg. De Santos

Protecção

Incluído na Zona Especial de Protecção Conjunta do Museu Nacional de Arte Antiga e edifícios classificados na zona envolvente (v. PT031106370084)

Enquadramento

Urbano, encontra-se inserido na freguesia de Santos-o-Velho. Geograficamente, o bairro situa-se numa encosta que se estende para S. em direcção ao Tejo, ligando-se a N. com a freguesia da Lapa, situado entre os vales de Alcântara (a O.) e o vale da Av. D. Carlos I (a E.). Identificam-se, na proximidade do conjunto inventariado, diferentes núcleos urbanos que caracterizam a situação do bairro no contexto da cidade de Lisboa: para N. e O. estende-se a zona da Lapa/Estrela que tem por base igualmente uma malha rectilínea com quarteirões de maiores dimensões que os da Madragoa. Destacam-se da envolvente próxima o Edifício do Convento das Trinas de Mocambo (v. PT031106370498), o Palácio do Machadinho (v. PT031106370318) e a Casa de Mouzinho de Albuquerque (v. PT031106370588). A E., e atravessando o eixo da Av. D. Carlos I, toda a zona de Santa Catarina e Conde Barão com as suas respectivas vias de ligação à baixa da cidade, Av. D. Luís I e Cç. do Combro, ao longo das quais se situam o Palácio do Conde Barão de Alvito (v. PT031106491132), o Edifício da Fábrica de Vidro das Gaivotas (v. PT031106491132). Por fim, para S., estende-se toda a zona ribeirinha em frente ao Lg. de Santos, separada deste pela linha de comboio e caracterizada por construções do tipo industrial.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Pública: Estatal / Municipal, Privada: Pessoa Colectiva / Pessoa Singular

Afectação

Não aplicável

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

sec. 4 - primeira referência ao sítio da Madragoa referindo a construção de um templo paleocristão onde hoje se situa a Igreja de Santos-o-Velho; sec. 14 - existe no local apenas a Igreja e o Convento das Comendadeiras de Santos sendo a envolvente a esta zona somente ocupada por campos de cultivo; sec 16 - polarização definitiva da cidade em direcção ao rio, começando a ser definida a estrutura urbana desta zona anteriormente constituída por arrabaldes ocupados por ordens religiosas; 1501 - D. Manuel estabelece no local o Paço Real de Santos contribuindo para o desenvolvimento urbano da zona; 1530 - fundação do Convento da Esperança; 1566 - Igreja de Santos-o-Velho passa a ser paroquial, constituição da freguesia de Santos, conventos e palácios instalam-se na proximidade da Igreja de Santos e do Palácio dos Marqueses de Abrantes; 1572 - D. Sebastião reconstrói a Igreja de Santos-o-Velho; séc. 17 - vêm periodicamente para Lisboa pescadores de Ílhavo, Murtosa e Ovar e instalam-se na zona, que a partir dessa altura começa a ser conhecida por Madragoa; 1629 - D. Francisco Luís de Lencastre alcança a posse do antigo Paço Real de Santos, por licença régia Filipina, e procede à sua reedificação; 1653 - Convento das Bernardas começa por ser um recolhimento de mulheres penitentes; 1654 - fundação do Convento das Bernardas; c.1657 - fundação do Convento das Trinas do Mocambo; 1690 - Palácio Alvor/Távoras, actual Museu de Arte Antiga, construção por Francisco de Távora, Conde de Alvor; 1718 - a família dos Lencastres passa a auferir o título de Marqueses de Abrantes, o que vai dar origem à designação actual do Palácio; 1752 - é construído o Chafariz da Esperança (v. PT031106370029) projecto de Carlos Mardel; 1755 - o Convento das Bernardas é destruído e totalmente reedificado posteriormente; queda da abóbada do coro da Igreja de Santos-o-Velho; o Palácio dos Marqueses de Abrantes sofre poucos estragos; depois do terramoto a Rua da Esperança é reconstruída; c.1757 - é aberta a Calçada do Marquês de Abrantes (antiga Calçada dos Condes da Vila Nova de Portimão); 1758 - abertura da Rua do Quelhas; 1762-92 - o Palácio Alvor/Távoras é habitado pelo Cônsul da Holanda tendo sido realizadas importantes obras de transformação; finais do séc. 18 - construção do Palácio Machado onde se encontra instalada actualmente a Direcção de Serviços de Abastecimento de Lisboa, construção do Palácio dos Condes de Murça; séc. 19, 1ª metade - regularização dos edifícios pré-existentes de modo a ampliar os quarteirões continuando o traçado ortogonal dos mesmos, é neste século que o bairro do Mocambo se passa a denominar bairro da Madragoa, aumento demográfico da zona da Madragoa juntamente com o aumento da densidade construtiva e verticalização de alguns edifícios acompanhando o crescimento da população da cidade de Lisboa, o actual Palacete Pombal é mandado construir pelo comerciante José António Pereira , remodelando edificações anteriores; séc. 19 2ª metade - o aterro separou o Paço de Santos do rio, trazendo consigo as docas e o caminho de ferro possibilitando a instalação de carris nos carros eléctricos implicando alterações no sistema viário de modo a conectar o aterro com as vias já existentes e isolando o bairro do rio , são criadas a Cç. Ribeiro dos Santos e a Av. 24 de Julho; 1821 - Igreja de Santos-o-Velho sofre modificações; 1852 - abertura do Lavadouro Municipal na esquina da Travessa do Pasteleiro com a Rua das Francesinhas; 1859 - a Rua da Madragoa passa a denominar-se Rua Vicente Borga; 1876-89 - Reconstrução da Igreja de Santos-o-Velho; 1889 - a Av. D. Carlos I é inaugurada a 28 de Dezembro, dia da aclamação do Rei D. Carlos; 1891-92 - demolições no Convento da Esperança, início da construção do quartel dos bombeiros municipais pelo arquitecto José Luís Monteiro que aproveita elementos do Convento da Esperança; séc. 19 final/ séc. 20 - não se verificam alterações significativas no bairro, a S. a principal intervenção deu-se com o desenvolvimento do Porto de Lisboa reforçando a tendência de isolamento do bairro em relação ao exterior; séc. 20 (anos 20 e 30) - surgem algumas novas construções sobretudo nas áreas que se desenvolveram após os planos pombalinos; 1911 - o Palácio dos Marqueses de Abrantes é adquirido pelo governo francês, a actual Rua das Trinas era designada Rua Sara Matos; 1912 - é instalado o Arquivo de Identificação no Convento das Trinas de Mocambo; 1938 - Construção do Cinema Cinearte no Largo de Santos; 1992 - a Madragoa é declarada área crítica de intervenção e é criado o gabinete técnico local.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante e estrutura mista. Paredes em alvenaria de pedra com estrutura de madeira, rebocadas com argamassa de cimento e areia. Coberturas revestidas a telha de canudo, lusa e marselha. Guarnições dos vãos em cantaria e janelas de duas folhas de abrir. Pavimentos urbanos pedonais revestidos com calçada de calcário

Materiais

Pedra: calcário, granito; azulejo, tijolo, telha de canudo, telha lusa, telha Marselha; metal: ferro forjado, ferro fundido, alumínio, zinco. Betão, alvenaria de pedra e tijolo

Bibliografia

ALVES, Maria Paula, INFANTE, Sérgio, Guias Contexto: Lisboa Freguesia de Santos-o-Velho, Câmara Municipal de Lisboa, 1992; CARVALHO, José Silva, Madragoa: história e estrutura urbana, in I Encontro Ibérico de Municípios com Centro Histórico. Santarém, 6-8 de Novembro de 1992. Actas, Santarém, Câmara Municipal de Santarém, 1994; MENEZES, Marluci, Territórios e representações colectivas do espaço: Bairro da Madragoa: estudo de caso, Lisboa, 1996; MENEZES, Marluci, Espaço, cultura e recuperação do património: estudo de caso: Bairro da Madragoa, Lisboa, LNEC, 1999; MENEZES, Marluci, Espaço: manutenção, mudança e representação na Madragoa, Lisboa, LNEC, 2002; ; MENEZES, Marluci, TAVARES, Martha Lins, A imagem da cidade como património vivo, in 3º Encore, LNEC, Lisboa, 2003

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

*1... 2. Igreja de São Francisco de Paula ( PT031106260050 ); 3.Túmulo da Rainha D. Mariana Vitória ( PT031106260020 ); 4. Palácio do Conde de Óbidos ( PT031106260170 ); 5. Chafariz das Janelas Verdes ( PT031106260356 ); 6. Teatro da Casa da Comédia ( PT031106260174 ); 7. Edifício da Rua das Janelas Verdes, nº 76-78 ( PT031106370135) ; 8. Cinema Cinearte ( PT031106370179 ); 9. Chafariz da Esperança ( PT031106370029 ); 10. Convento das Trinas ( PT031106370057 ); 11. Casa de António Sérgio ( PT031106170114 ); 12. Palacete dos Viscondes e Condes dos Olivais e da Penha Longa ou Palacete da Lapa ( PT031106260193 ); 13. Troço do Aqueduto das Águas Livres; 14. Abadia ou Real Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo ( PT031106370176 )

Autor e Data

Cláudia Morgado 2007

Actualização

 
 
 
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