Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Viseu

IPA.00007267
Portugal, Viseu, Viseu, União das freguesias de Viseu
 
Igreja da Misericórdia rococó e neoclássica, com nave única, capela-mor mais baixa e estreita, e coro-alto, sendo as coberturas de madeira, em falsa abóbada de berço. Profusão decorativa da fachada em oposição aos restantes alçados, composta por 5 panos simétricos, divididos por pilastras, com torres proeminentes, rematadas por coruchéus cónicos. Pórtico centralizado encimado por varanda de sacada; vãos decorados com frontões; balaustradas e fogaréus. Interior com decoração eminentemente neoclássica, visível nos altares de talha policromada, sem dourados. Portas e tribunas rectangulares com arquitrave e frontões curvos. O acesso à torre do lado da Epístola faz-se exclusivamente pela torre do lado do Evangelho. Semelhança da fachada com a tipologia da arquitectura residencial rococó, com portal em ressalto, sob varanda de sacada, que corresponde a um andar nobre.
Número IPA Antigo: PT021823240042
 
Registo visualizado 2348 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja de Confraria / Irmandade  Misericórdia

Descrição

Planta longitudinal composta por nave, capela-mor, sacristia e anexos adossados ao alçado lateral esquerdo. De volumes articulados, com disposição horizontalista das massas e coberturas de telhados diferenciados a uma, duas e três águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com registos e cunhais em pilastras de cantaria e remates em friso, cornija e platibanda. A fachada principal, voltada a SE., é harmónica e divide-se em cinco panos, com os das extremidades sobrepujados por torres. O central, ligeiramente proeminente, é rasgado por pórtico central de arco polilobado emoldurado por grossas pilastras decoradas, dispostas de forma convexa, sobre as quais assenta a varanda recortada e de balaústres, fenestrada com três janelões emoldurados, de arco abatido e rematados com frontões triangulares curvos, surgindo, sobre o central, o escudo português. Remate em empena recortadas, com cruz no vértice. Cada um dos quatro panos laterais, com porta encimada por aletas e frontão triangular curvo, tem, em nível superior, janelão emoldurado, de avental e frontão semelhante aos já descritos, protegidos por gtuardas balaustradas. Platibanda balaustrada pontuada de fogaréus, com urna sobre os panos laterais. Torres de dois andares, com janelão de arco abatido e rematado por frontão triangular curvo e, superiormente, balaustrada que protege a sineira de quatro ventanas e coberta por coruchéu afilado. Alçado SO. de embasamento proeminente, tendo, na face da torre, óculo quadrilobado e balaustradas delimitadoras dos panos. Dois corpos de dois pisos com janelas rectangulares de guilhotina. Em plano superior e mais recuado duas janelas iluminam a capela-mor. Alçado tardoz cego no corpo da capela-mor, rematado em empena, com cruz no vértice e urnas sobre os cunhais. Os anexos encontram-se em plano mais recuado, evoluindo em dois pisos, com porta para a sacristia e janelas de guilhotina. Alçado. NE., com embasamento marcado, tendo, na face lateral, torre semelhante à oposta. Corpo de três pisos, divididos por entablamento, com três portas rectangulares no térreo. Nos dois superiores, varanda de sacada centralizada, ladeada por três janelas de guilhotina. INTERIOR com entrada protegida por guarda-vento, sobre o qual se situa o coro-alto, a que se tem acesso pelo piso superior ou pelo interior das torres, apoiado em arco em asa de cesto e iluminado por três janelões. Possui lambril de cantaria, paredes rebocadas e pintadas de branco, com cobertura em abóbada de berço assente em friso e cornija, que se encurva para receber o órgão e marcar a zona do púlpito. No lado do Evangelho, porta para corredor que percorre toda a nave e que dá acesso à sacristia e ao piso superior, onde, por sua vez, se acede ao coro-alto, à torre e a outras divisões. A porta é encimada por varanda de sacada. Púlpito quadrangular, assente em mísula de pedra, com guarda de talha pintada e dourada, de decoração fitomórfica vazada. O acesso é efectuado por porta de verga recta emoldurada. O lado da Epístola é semelhante ao anterior, surgindo, oposto ao púlpito, o órgão. Arco triunfal de volta perfeita, em cantaria, encimado por frontão curvo e ladeado por dois retábulos dispostos em ângulo, ambos dedicados à Virgem. Capela-mor tem, do lado do Evangelho, duas portas de acesso à sacristia, uma delas sem função e, em plano superior, duas tribunas. O lado fronteiro, é semelhante à excepção de que, no lugar de uma das portas surge um nicho. Cobertura em abóbada de lunetas. Retábulo-mor de talha pintada de branco e dourada, de planta convexa, com grande tribuna, contendo trono de cinco degraus, de volta perfeita, ladeada por colunas coríntias e pilastras, assentes em altos plintos, sendo as colunas rematadas por urnas. A tribuna, mais elevada, remata em frontão semicircular. Sacristia com tecto de madeira pintado, com acesso ao exterior e a corredor.

Acessos

Largo da Sé. WGS84 (graus decimais) lat.: 40,660232, long.: -7,911896

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público, Portaria n.º 695, DR, 2.ª série, n.º 181 de 16 setembro 2015 / Incluído na Zona de Protecção da Sé de Viseu (v. IPA.00005790)

Enquadramento

Urbano, no cimo de monte, isolado, desenvolve-se a sua fachada em superfície plana, para o Lg. da Sé, enquanto os restantes alçados se implantam em terreno de acentuado declive, separado por adro, muro e vias públicas. Acesso efectuado por dois lanços de escadas, o primeiro com nove degraus e o segundo com três, que acedem a amplo adro murado, protegido por guarda de cantaria, decorada com elementos geométricos vazados, que abre para o terreiro da Sé. Junto, situa-se os Paços dos Bispos, a Sé de Viseu e o Chafariz no Largo da Misericórdia (v. PT021823240054).

Descrição Complementar

Porta de entrada dividida em almofadas, com decoração de concheados e fitomórfica. Os retábulos laterais, em talha pintada de branco e dourada, seguem a mesma tipologia, de planta convexa, com tribuna ladeada por colunas e pilastras, as primeiras rematadas por urnas floridas. Superiormente frontão semicircular e, na base da tribuna, sacrário em forma de templete, tendo, na porta, a representação de uma custódia e cálice. Altar em forma de urna, com decoração fitomórfica, com festões e vasos floridos. Órgão com coreto decorado com marmoreados e apontamentos dourados, assente em mísula. A caixa possui consola em janela, ladeada por portas de acesso ao inteior, tendo, superiormente, castelo de disposição convexa e dois nichos laterais, divididos por pilastras, sobre as quais surgem urnas floridas. Gelosias decoradas com talha dourada fitomórfica.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja de confraria / irmandade

Utilização Actual

Religiosa: igreja de confraria / irmandade

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: António Mendes Coutinho (atr.). CAIADOR: João da Costa (1863-1878) José Caetano (1880). CARPINTEIRO: José Rodrigues de Loureiro (1877-80). ENSAMBLADOR: António Pinto Arouca (1879). ENTALHADORES: Manuel Vieira da Silva (1726); João Pinto (1870-1880). ESCULTORES: José Monteiro Nelas (1875), José Lopes Grilo, Alexandre de Resende Malafaia (1731). FERREIRO: António de Sousa (1864); João Rodrigues de Loureiro (1877). LATOEIROS: Francisco Correia (1878), José Serafim de Almeida. MARCENEIRO: Joaquim Paulo (1863), João Fernandes (1879), Januário Baptista (1879-1181). OLEIRO: Joaquim Augusto Pereira (1881). ORGANEIRO: Padre António Duarte Moura (1869). PARAMENTEIRO: José de Almeida Bomba (1871). PEDREIROS: Domingos Francisco (1702), João Duarte, Francisco João, Bartolomeu João, Manuel Martins e António Martins (1703). Manuel Ribeiro (1748); António de Almeida (1749), António da Costa Faro (1775), António Marques Carolino e Serafim Lourenço Simões (1870 - 1883). PINTORES: Manuel Fernandes (1743), António José Pereira, José de Almeida Furtado (1856-1885), José Coelho Balsa (1870). PINTORES - DOURADORES: Baltasar Pinto da Mota (1699); Manuel de Miranda Pereira (1731-1745); António Ferreira da Silva e Francisco Ferreira da Silva (1856); Miguel Monteiro de Albuquerque (1870), Francisco Bernardo de Loureiro (1880), Francisco Rodrigues de Loureiro, João Monteiro (1882), Ricardo Alberto da Fonseca (1883). SERRALHEIRO: Manuel Ferreira de Figueiredo (séc. 19).

Cronologia

Séc. 16 - instituição da Santa Casa da Misericórdia de Viseu, sendo o seu primeiro provedor D. Diogo Ortiz de Vilhegas; 1516, 20 Dezembro - autorização do compromisso da Irmandade; 1520 - construção de uma pequena capela, no Soar; 1522, 13 Janeiro - conclusão da capela e autorização para celebração de ofícios; 1569-1578 - construção de nova capela, junto à Sé, a mando do bispo D. Jorge de Ataíde, tendo, nos lados, a casa do despacho e a botica; a igreja era de uma só nave, com duas janelas a iluminar o coro e, num nicho sobre o portal principal, a imagem de Nossa Senhora; 1596 - os frades da Ordem Terceira instalam-se na Capela, situada junto às muralhas da cidade; 1624, 16 Novembro - data de uma proposta de compromisso, pelo provedor Teobaldo Rebelo do Amaral e Alvelos; 1625, 2 Julho - queda de parte da tarja do nicho da fachada principal; 1626, 14 Maio - aprovação do compromisso pelo rei Filipe III; 1645 - provedor António de Figueiredo Morais Tenreiro manda fazer o coro, com pssadiço e janelas, protegidos por grade de ferro; 1659 - Miguel Coelho de Almeida e Sousa mandou consertar a casa do despacho; 1687 - João de Almeida Castelo Branco manda executar a sacristia; 1686 - execução do retábulo-mor primitivo por ordem do bispo Ricardo Russel; 1692 - o mesmo manda dourá-lo; 1694 - o provedor Duarte Pacheco Albuquerque do Amaral Cardoso doa um ornamento de damasco de ouro; 1696 - provedor Manuel do Loureiro Mesquita doa um de damasco branco; 1699, Maio - Manuel da Costa, Manuel Marques de Resende, Manuel Lopes Vilela e Francisco de Almeida Tavares foram concorrentes ao douramento do retábulo colateral; douramento do mesmo por Baltasar Pinto da Mota; 1702 - 1705 - obras na capela, efectuadas por Domingos Francisco, com feitura das varandas, escadas do adro e reedificação da casa do despacho e da sacristia, por 150$000; 1703, 9 Dezembro - contrato com João Duarte, Francisco João, Bartolomeu João, Manuel Martins e António Martins, para a feitura da casa do capelão e tulhas, pela quantia de 135$000; 1713 - o provedor João de Nápoles do Amaral doa dois vasos de prata dourada; 1717 - provedor João de Melo e Abreu doa à Virgem um manto e umas cortinas; 1719 - provedor Simeão Machado de Sousa doou um oratório com a imagem de Nossa Senhora com respectivas cortinas para a casa do despacho; 1721 - provedor Nicolua Pereira do Amaral doa um manto para a imagem anterior; 1726 - execução da planta para o novo retábulo; 15 Abril - contrato para a execução do retábulo com o entalhador Manuel Vieira da Silva, associado a Constantino Vieira *1; a obra importou em 700$000; 1729 - compra da imagem da Senhora da Misericórdia por António de Figueiredo Morais; 1731, 20 Maio - execução de um Cristo articulado para figurar nos festejos da Semana Santa, pelo escultor Alexandre Marques de Resende Malafaia, bem como uma Nossa Senhora, Madalena e São João Evangelista, por 72$000; 1731 - 1745 - douragem do retábulo-mor e colaterais por Manuel de Miranda Pereira; 1736 - forro de parte da igreja; 1743, 4 Julho - contrato para pintura da primitiva cobertura da igreja, tendo ao centro uma "Visitação" paredes, arcos, escadas, grades, portais e janelas com Manuel Fernandes, por 250$000; 1748 - execução da sala de espera e escada; feitura do pavimento da nave, com sepulturas de caixilho, à semelhança das da Sé, por Manuel Ribeiro; 1749 - execução do actual adro, pelo pedreiro António de Almeida, por 163$000; 1750 - execução do pátio do adro e respectivas escadas; 1758 - feitura de um sino com 22 arrobas e 7 arratéis; a igreja é descrita como sendo de uma nave, com coro-alto, tendo, no retábulo-mor, a imagem da Senhora da Misericórdia; nos retábulos colaterais, as imagens de Jesus, Maria e José e de Cristo Crucificado; no lado do Evangelho, acesso à sacristia, com retábulo dedicado a Nossa Senhora da Conceição; no lado da Epístola, um vão com a imagem do Crucificado, de acesso à casa do despacho, que, por baixo, possui uma sala destinada a funções diversas; 1758, 2 Fevereiro - sagração do sino pelo bispo Júlio Francisco de Oliveira; 1764 - projecto para remodelar a fachada da primitiva capela; 1775 - início da construção da actual fachada, por iniciativa do provedor Bernardo de Nápoles Telo de Menezes, com o custo de 7 mil cruzados e 205 mil reis, obra de António da Costa Faro, morador no lugar de Carregueiro, em Vilar de Besteiros *2; séc. 19 - o órgão foi trazido do convento franciscano de Santo António de Mançorim, o qual fora executado por António Xavier Machado e Cerveira, o seu n.º 53; pintura da bandeira da Irmandade, por José de Almeida Furtado, o Gata; final - restauro da bandeira, por António José Pereira; 1842 - início da reconstrução do interior; execução do ferro forjado do coro; 1846, 24 Março - benção da igreja pelo cónego Joaquim José de Andrade e Silva; 1856 - encarnação e douramento da imagem de Nossa Senhora da Misericórdia pelo pintor António José Pereira; 1856, 9 Março - contrato para o douramento dos retábulos com António Ferreira da Silva e filhos; oferta de 50$000 réis para o douramento, pelo capitão António da Silva Mourão; séc. 19, década de 60 - obras nas grades pelo serralheiro Manuel Ferreira de Figueiredo; 1863 - o marceneiro Joaquim Paulo executou um mocho para o coreto do órgão, por 1$200; 1864, 3 Abril - o ferreiro António de Sousa recebeu 1$700 por obras de ferragem na sacristia; 1869, 27 Junho - pagamento do arranjo do órgão, pelo Padre António Duarte Moura, por 100$000; pagamento de 162$000 a António José Pereira pela feitura de 8 quadros de beneméritos; 1870, 12 Abril - o entalhador João Pinto recebeu 17$000 pela feitura de 6 castiçais para a capela-mor; 24 Abril - pagamento de 13$500 ao pintor dourador Miguel Monteiro de Albuquerque pela pintura de 9 varas dos mesários; 1871 - execução dos retábulos laterais pelo entalhador João Pinto, de Gomeei; 26 Novembro - obra de paramentaria por José de Almeida Bomba, pela quantia de 2$600; 1875 - execução do grupo escultórico da Visitação por José Monteiro Nelas *3; 1875 / 1876 - feitura dos retábulos laterais; restauro da ala N. do edifício; 1876 - construção do altar do Senhor do Calvário, na capela-mor; 1877 - Serafim Lourenço Simões fez a parede de perpianho na casa e escadas contíguas à Igreja, por 43$677; 6 Junho - obra de carpintaria e ferragens na casa contígua, pelo carpinteiro José Rodrigues de Loureiro; 3 Setembro - feitura de ferragens para a casa contígua à Misericórdia, por João Rodrigues de Loureiro, por 11$210; 8 Outubro - pagamento de 34$660 ao mestre latoeiro José Serafim de Almeida para "dois canos de lata e condutores que fez para os beirados da casa contíngua à igreja da Misericórdia" (ALVES, p. 55); 1878, Março - João Pinto ajustou o douramento de 6 castiçais para a tribuna da capela-mor por 2$900 cada; Julho - doação de uma lâmpada de metal para a Capela do Calvário, pelo latoeiro Francisco Correia; 1878 - 1880 - João Pinto recebe 200$000 réis para 72 castiçais para o altar-mor; 1879, 30 Junho - pagamento de 37$600 a António Pinto Arouca, do Porto, por fazer uma mesa de mogno para a Sala das Sessões; 30 Julho - feitura de duas escrivanunhas, duas estantes e seis cadeiras em nogueira para a secretaria, pelo marcenerio Januário Baptista, por 45$000; 23 Julho - pagamento de 2$150 ao caiador José Caetano pela pintura das escadas, que dão acesso às dependências; 2 Agosto - pintura do arcaz da sacristia por Francisco Bernardo de Loureiro, por 9$000; 13 Agosto - Januário Baptista recebeu 27$740 pelo envernizamento de mesa, cadeira e estantes, compradas no Porto, para a Sala das Sessões; 1880, 7 Julho - o pintor António José Pereira foi louvado pelo restauro de 3 quadros da sacristia, atribuídos à Escola de Grão Vasco; 2 Outubro - o carpinteiro José Rodrigues de Loureiro tapou as ventanas da torre por 4$900; 1881 - conserto das imagens de Nossa Senhora das Dores e do Cristo Crucificado por José Lopes Grilo; 5 Janeiro - pagamento de 22$000 a Januário Baptista pela execução de uma escrivaminha e uma estante para a secretaria; 20 Abril - pagamento de 10$720 ao oleiro de Coimbra Joaquim Augusto Pereira pela feitura de 36 jarras e floreiras; 1882 - conserto e douramento dos castiçais do retábulo-mor e feitura de um novo castiçal, por Cristóvão Rodrigues de Loureiro; 5 Abril - pintura de seis varas do pálio pelo pintor João Monteiro, por 2$400; 1883, 16 Março - contrato com o pintor e dourador Ricardo Alberto da Fonseca, do lugar de Folques, em Arganil, para dourar os retábulos laterais, por 599$500 réis; Maio - início das obras de pedraria do átrio e do muro que revestia a parte inferior da torre por António Marques Carolino e Serafim Lourenço Simões, pela quantia de 1:195$285; 17 Outubro - Francisco Ferreira da Silva recebeu 45$000 réis para dourar as banquetas; 1884, Março - publicado no "Album Viziense", n.º 2, uma crítica à nova obra, descrevendo-se a igreja anterior, como tendo cobertura pintada "de arabesco", com a data de 1744, e paredes cobertas de azulejo com cenas da vida da Virgem; 1885, 17 Junho - conclusão das pinturas das telas da "Visitação" e "Senhora das Dores", por António José Pereira, destinadas, primitivamente, aos altares laterais; 1992 - incêndio no interior da igreja destruíu o órgão; 1998, 23 outubro - proposta de abertura da DRCoimbra; 27 outubro - despacho de abertura do processo de classificação do Vice-Presidente do IPPAR; 2010, 30 dezembro - procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252; 2011, 5 dezembro - procedimento prorrogado até 31 de Dezembro de 2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232; 2012, 17 dezembro - despacho de arquivamento da diretora-geral da DGPC, com fundamento na existência de deficiências de instrução consideradas insanáveis em tempo útil; 28 dezembro - publicação do anúncio n.º 13820/2012, DR, 2.ª série, n.º 251 referente ao arquivamento do procedimento de classificação da Igreja da Misericórdia de Viseu, adro e escadório; 2013, 9 setembro - publicação do anúncio nº 302/2013, DR, 2ª série, nº 173 referente à abertura de novo procedimento de classificação da Igreja da Misericórdia de Viseu, adro e escadório; 2015, 09 junho - publicação do projeto de decisão relativo à classificação do edifício como Monumento de Interesse Público do edifício, em Anúncio n.º 154, DR, 2.ª série, n.º 111.

Dados Técnicos

Estrutura mista.

Materiais

Granito, rebocos, madeiras e cimento.

Bibliografia

LEAL, Augusto Soares D'Azevedo Barbosa de Pinho, Portugal Antigo e Moderno, vol. XII, Lisboa, 1890; PEREIRA, Esteves; RODRIGUES, G., Diccionário Histórico, Chorográfico, Biográfico, Bibliográfico, Heráldico, Numismático e Artístico, vol. VII, Lisboa, 1915, pp. 679-680; MAXIMIANO, A., Viseu - Instituições Sociais, Lisboa, 1936; CORREIA, F. da Silva, Origem e Formação das Misericórdias Portuguesas, Lisboa, 1944; VALE, A. de Lucena e, Viseu Monumental e Artístico, Viseu, 1949; COELHO, J., Origem dos Rossios de Viseu, in Beira Alta, vol. XIX, Viseu, 1962; DIAS, J. Sebastião da Silva, Correntes do Sentimento Religioso em Portugal ( séculos XVI a XVIII ), Coimbra, 1963; AZEVEDO, Carlos de, Solares Portugueses - introdução ao estudo da casa nobre, Lisboa, 1969; ALVES, Alexandre, Igreja da Misericórdia de Viseu, Viseu, 1988; CORREIA, Alberto, Cidades e Vilas de Portugal - Viseu, Lisboa, 1989; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990; CRUZ, Júlio ( coord. ), A Santa Casa da Misericórdia de Viseu nos 500 Anos das Misericórdias Portuguesas, Viseu, 1998; FREITAS, Maria Luísa Amaral Varela de, A Misericórdia de Viseu, in Monumentos, n.º 13, Lisboa, Setembro de 2000; ALVES, Alexandre, Artistas e Artífices nas Dioceses de Lamego e Viseu, 3 vols., Viseu, 2001; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/155970 [consultado em 2 janeiro 2017].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID; Arquivo SCMV: Livros de Documentos Vários (nº 15); Arquivo Distrital de Viseu: Cartório Notarial (Livro 618/105, fl. 23-26); IPPAR; DRCC

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1856 - o pintor António José Pereira restaurou a imagem de Nossa Senhora, reformando a encarnação e o dourado, por 57$600; 1863 / 1864 - o caiador João da Costa efectua vários consertos na igreja, por 3$420; o mesmo pintou a porta da sacristia por $745; 1869 - António José Pereira consertou a cruz da bandeira da Irmandade, por 1$500; 1870, 22 Maio - pagamento de 2$250 por um restauro na bandeira da Irmandade, por José Coelho Balsa; 1877 / 1878 - pagamentos a João da Costa por obra de caiação nas casas anexas à igreja; 1878 - pagamento de 46$600 a António José Pereira pelo retoque das 8 bandeiras; 1879, 3 Maio - arranjos no mobiliário da igreja pelo marceneiro João Fernandes, por 7$450; 6 Maio - restauro do quadro da capela-mor por António José Pereira, por 27$000; 5 Agosto - pagamento de 55$200 ao marceneiro Januário Baptista por vários restauros em mobiliário; 1880, 8 Maio - conserto do arcaz pelo carpinteiro José Rodrigues de Loureiro, por 5$000; 25 Setembro - conserto do aparelho dos sinos pelo carpinteiro José Rodrigues de Loureiro, por 3$040; 1881, 20 Abril - o mesmo recebeu 4$700 pelo conserto de serpentinas e um vaso de madeira da igreja; CM de Viseu: 1960 / 1961 - iluminação do exterior da Igreja da Misericórdia, com colocação de posto de transfromação no embasamento da mesma; 1990 - restauro do órgão por António Simões; 1997 / 1998 - recuperação da torre do lado do Evangelho; 1999 ( em curso ) - remodelação do interior do corpo lateral NO..

Observações

*1 - o retábulo, entretanto substituído, teria "(...) o camarim da tribuna todo o desvão que puder ser para que fique com largueza, e será feito de meia laranja, todo entalhado, e rematará a meia laranja em uma tarja que levará dois Anjos pegando em uma coroa, e será de meter um sacrário no primeiro banco da obra, passando acima do banco o que for necessário, feito de talha moderna (...) com declaração que será de encher de obra as ilhargas da Capela-mor; rematando em cima em volta que ajuste com o pilar e remate que está da parte do Evangelho, e o mesmo se fará nos colaterais, fazendo-lhes os nichos de meia laranja, e tudo o que fica por cima dos colaterais no frontispício será cheio de boa talha, com seus rapazes ou Anjos, e no meio do arco que cobre o pilar da Capela-mor e frontispício dela levará uma tarja com a Visitação a Santa Isabel, com o mesmo remate que está riscado, e em lugar do pilar entalhado que mostra no frontispício levará um Anjo do mesmo tamanho; e quanto ao pé do retábulo se poderá acomodar outro Anjo e se lhe fará, contando que estes Anjos receberão em cada mão sua tocha: A peanha há-de ser a que está riscada da parte da Epístola; a tribuna, enquanto ao camarim, levará em primeiro lugar um pilar com largura que acomode para receber a peanha, para dar lugar a fazer-se a meia laranja; enquanto ao que mostra a traça, liso, se entalhará em uma tarja, donde nascerão ramos que encubram todo o liso, e no meio desta tarja se fará um Passo da Estação que parecer à Mesa; enquanto ao remate dos colaterais, levará no cimo de cada um, um Anjo, com acção e insígnia que parecer à Mesa; masi levarão os remates três Anjos com as insígnias que parecer; os pedestais que a planta mostra lisos serão entalhados; mais se farão os três frontais entalhados que serão de marco, encaixilhados, para se poderem tirar as peças do meio e ficarem os caixilhos servindo aos frontais de seda, e serão muito bem entalhados (ALVES, vol. III, pp. 182-183). *2 - este mestre viveu várias vezes em Mangualde, onde durante a década de 30 se realizaram obras importantes, nomeadamente a sede da Santa Casa da Misericórdia e o Palácio dos Condes de Anadia, onde trabalhou em parceria com António Mendes Coutinho e com o artista de Coimbra, Gaspar Ferreira; realizou as obras da Igreja de São Miguel de Papízios (1769) e a Igreja de Ribafeita (1778). *3 - discípulo de José Lopes Gilo, o Catavejo, escultor de Travassós de Baixo.

Autor e Data

João Carvalho 1999

Actualização

 
 
 
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