Edifício, Igreja e Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Leiria / Centro Intercultural de Leiria

IPA.00007215
Portugal, Leiria, Leiria, União das freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes
 
Igreja de Misericórdia maneirista e tardo-barroca, de planta retangular composta por nave única e capela-mor, interiormente cobertas por falsas abóbadas de madeira e iluminada frontal e lateralmente, tendo adossado à fachada lateral esquerda sacristia e à direita o edifício do antigo hospital, de planta poligonal irregular. Igreja com fachada principal da ordem dórica, terminada em frontão triangular, de três panos definidos por pilastras, rasgando-se no central, portal de verga recta moldurada encimado por friso dórico e frontão concheado e duas janelas rectilíneas de moldura almofada e recortada nos ângulos. Fachada lateral e posterior, da mesma ordem, abrindo-se na lateral esquerda portal de verga recta encimada por friso e cornija, e janelas rectangulares jacentes e, superiormente, janelas rectilíneas com molduras semelhantes às da frontaria. Sacristia com portal a O. e janelas a N. e cunhais apilastrados, coroados por pináculos. No interior, a nave é ritmada por pilastras de fuste liso e capitel coríntio e consolas, possuindo coro-alto sobre arcos de volta perfeita e abatido, assentes em pilares, no 2º e 4º panos portas de verga recta, encimadas por friso, cornija recta e nichos concheados encimados por frontão de volutas contendo imagens dos Evangelistas, e, ao centro, púlpito rectangular com bacia de cantaria, guarda plena pintada e baldaquino, acedido por porta através dos corredores laterais, surgindo num segundo registo, demarcado por frisos e cornija, tribunas de verga recta, dando para galerias laterais. Tem o arco triunfal ladeado por duas capelas colaterais com retábulos de talha policroma, tardo-barrocos, de planta recta e um eixo. Capela-mor com paredes laterais decorados com painéis pintados e mármores embutidos, e com retábulo-mor de mármores policromos, tardo-barroco, de planta convexa e um eixo. Sacristia com lavabo e nicho sobre o arcaz em cantaria e mármores embutidos, o primeiro barroco e o segundo maneirista. Hospital com corpos de diferentes épocas construtivas, o mais antigo setecentista, com fachadas rasgadas por janelas de sacada ou de peitoril encimadas por friso e cornija recta; o portal principal, junto à igreja, tem verga recta, moldura recortada encimada por cornija também recortada. estrutura e esquema decorativo interior
Número IPA Antigo: PT021009120044
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Edifício de Confraria / Irmandade  Edifício, igreja e hospital  Misericórdia

Descrição

Igreja de planta retangular, composta por nave única e capela-mor, tendo adossado a N., sacristia rectangular e a S. o edifício do antigo hospital, de planta poligonal irregular, integrando pátio central e torre sineira quadrangular. Volumes escalonados, com disposição verticalista, e coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja e sacristia e de quatro na torre e corpos do hospital. IGREJA: Fachada principal orientada a O., rebocada e pintada, com embasamento de cantaria; dividida em três panos por quatro pilastras toscanas, suportando arquitrave, de friso dórico, e frontão triangular atarracado, ladeado por pináculos. No pano central, mais largo, rasga-se portal de verga recta, moldurado, encimado por friso dórico, com triglifos intercalados por pontas de diamante, e frontão contracurvado de tímpano concheado, ladeado por pináculos sobre plintos e sobrepujado por cruz latina; sobre o portal, rasgam-se duas janelas rectangulares com molduras almofadadas, de ângulos recortados e gradeadas. Fachada lateral N., rebocada e pintada, a nave com soco em cantaria, dividida em dois panos por pilastras sobre plintos, e terminada em entablamento, de friso dórico, e cornija bastante avançada, sobreposta, no alinhamento dos triglifos, por gárgulas; é rasgada por portal de verga recta, com moldura de almofada côncava, ladeado por duas pilastras, de almofada côncava no fuste, assentes em plintos igualmente de almofadas côncavas, suportando entablamento, com friso dórico, e cornija; cada um dos panos da nave é rasgado, num plano inferior, por duas janelas rectangulares jacentes, entaipadas, e, superiormente, por duas janelas rectilíneas, todas com molduras em cantaria, de almofada côncava e ângulos recortados. A capela-mor, com pilastras toscanas nos cunhais, coroadas por pináculos, termina em friso e cornija e é rasgada lateralmente por janela termal, com moldura em cantaria. Sacristia com pilastras toscanas nos cunhais, assentes em plintos e coroados por pináculos, percorrida por embasamento de cantaria e terminada em friso e cornija; a O. é rasgada por portal de verga recta e moldura simples e a N. por duas janelas rectilíneas, de moldura almofadada e de ângulos recortados. A torre, integrada na construção e visível só a meia altura, tem sineira em arco de volta perfeita em cada uma das faces. Fachada posterior a E., com nave terminada em empena, com entablamento dórico interrompido ao centro, e a capela-mor rasgada por janela rectangular jacente, de moldura almofadada e gradeada; na sacristia surge painel de azulejos. INTERIOR: com paredes rebocadas e pintadas de branco; a nave, de espaço amplo, organiza-se em dois registos, separados por duplo friso, o superior ritmado por almofadas de mármore policromo, e cornija bastante avançada, e em quatro panos, definidos por pilastras com fuste liso, de almofada côncava, assentes em altos plintos, côncavos, e de capitel coríntio, e, superiormente, por quarteirões. No primeiro pano, surge o coro-alto, assente em três arcos, os laterais de volta perfeita e o central de asa de cesto, sobre pilares de fuste almofadado, fecho volutado, guarda em balaustrada e acrotérios no alinhamento dos pilares, acedido de ambos os lados por porta de verga recta, moldura almofadada e ângulos recortados, a partir de corredores abobadados. No sub-coro, abre-se lateralmente porta de verga de moldura almofadada, encimado por friso, cornija e sobreporta, formado por falso espaldar recortado e decorado com volutas, florão e enrolamentos; estas portas conduzem a corredores, paralelos à nave, cobertos por abóbada de berço, a partir dos quais se acede ao coro, púlpitos e galerias. Tecto do sub-coro em falsas abóbadas de aresta, independentes. No primeiro registo, de cada lado, surgem, no segundo e quarto pano, portais de verga recta, de moldura almofadada, encimados por friso e cornija, sobrepujada por nicho, em arco de volta perfeita, sobre pilastras, de chave volutada, interiormente com abóbada concheada e albergando imagem dos Evangelistas, sobre mísulas (São Marcos e São João, do lado do Evangelho, e São Lucas e São Mateus, no lado da Epístola), enquadrado por duas outras pilastras, ladeadas de aletas, que sustentam friso e frontão de volutas interrompido. No pano intermédio, surgem, confrontantes, púlpito rectangular, de bacia inferiormente decorada com folhas de acanto e outros elementos fitomórficos, guarda plena pintada com elementos vegetalistas, acedido por porta de verga recta de igual modinatura, encimada por friso, cornija e friso de acantos relevados, protegida por baldaquino, com friso fitomórfico e sol pintado. O segundo registo, apresenta, em cada um dos panos, tribunas rectilíneas, com balaustrada e pano de peito de cantaria, abrindo para galerias superiores que circundam a nave, cobertas por abóbadas de berço. Nave com pavimento em tacos de madeira com guias de cantaria e zona do presbitério, sobrelevado, em cantaria, delimitado por teia de madeira vazada, decorada com elementos geométricos; cobertura em falsa abóbada de barrete de clérigo, em madeira, pintada ao centro com o brasão nacional, envolvido por elementos fitomórficos, volutados e com coroa. Arco triunfal de volta perfeita, de chave volutada, assente duplas pilastras de fuste almofadado, assentes em altos plintos, também almofadados, e de capitéis coríntios; é ladeado por duas capelas pouco profundas, em arco de volta perfeita, contendo retábulos, o do lado do Evangelho, dedicado à Rainha Santa Isabel, e o do lado da Epístola, a São Sebastião; sobre os arcos surgem elementos de mármore policromo que criam aparelhos almofadados a central quadrilobada, e, no segundo registo, seguintes, igualmente de almofadados policromos. Capela-mor com pilastras laterais semelhantes às da nave e com três registos, o inferior definido por friso com embutidos de mármore, com elementos vegetalistas e geométricos estilizados, e cornija, e o superior igual ao da nave. De cada lado, abre-se porta de verga recta, de moldura almofadada, encimada por sobreporta com painel de mármores embutidos, a do lado do Evangelho de acesso à sacristia e a oposta para o hospital; no segundo registo surge ao centro painel pintado, com moldura quadrilobada, sobreposta por botões, enquadrada lateralmente por almofadas com embutidos de mármore, figurando a "Fuga para o Egipto" (Epístola); no terceiro registo abrem-se as janelas termais, a do lado da Epístola entaipada. Pavimento em cantaria e cobertura em falsa abóbada de aresta, de madeira, pintada com temática vegetalista, volutas, concheados e cartelas ovais com símbolos marianos (duas torres, poço e fonte). Retábulo-mor em mármores policromos, de planta convexa e um eixo, definido por quatro colunas coríntias, assentes em dupla ordem de plintos, de faces almofadadas; ao centro, abre-se tribuna em arco de volta perfeita, sobreposto por silhar com querubins, interiormente formando apainelados, com abóbada de berço com caixotões e florão central, albergando trono expositivo, de cinco degraus, facetados, no topo do qual existe nicho rectilíneo; ático em fragmentos de frontão, encimados por anjos de vulto, que enquadram tabela, decorada com resplendor centrado por Delta Luminoso, terminada em cornija contracurvada; sotobanco com apainelado decorado com grinalda. Altar tipo urna com volutas nos costados, encimado por sacrário tipo globo, decorado com elementos fitomórficos. Sacristia com paredes rebocadas e pintadas, rematadas em friso e cornija sobre a qual assenta a cobertura em falsa abóbada de barrete de clérigo, em madeira, formando caixotões; a porta que lhe dá acesso tem moldura encimada por friso e cornija, é ladeada por vão semelhante correspondente a um armário embutido; frontalmente, dispõe-se arcaz de madeira encimado por nicho de mármores policromos, em arco de volta perfeita sobre pilastras, decorado com escamas e chave saliente, interiormente formando almofadas côncavas e abóbada de aresta, albergando elemento alusivo ao Monte Gólgata, enquadrado por duas colunas torsas, assentes em consolas, ladeadas de orelhas e aletas, e de capitéis coríntios, suportando arquitrave sobreposta por tabela rectangular horizontal encimado por frontão concheado e ladeado por pináculos; sotobanco com apainelados de mármores policromos, o central formando cartela recortada. Possui ainda lavabo em mármore, inserido num grande vão em arco de volta perfeita, sobre pilastras de fuste almofadado, ladeado por duas outras pilastras semelhantes, que sustentam friso decorado com elementos geométricos e cornija; no interior do nicho, surge espaldar circunscrito por quarteirões que sustentam fragmento de frontão; ao centro apresenta apainelado recortado com molduras múltiplas e recortadas, na base das quais surgem três bicas em forma de carranca, duas delas desactivadas, que vertem para taça rectangular, assente em cornija e consola. ANTIGO HOSPITAL: com fachadas rebocadas e pintadas de branco ou rosa, de três pisos, cunhais predominantemente apilastrados, e terminadas em cornija de massa e platibanda plena, decorada com almofadas geométricas. À fachada lateral direita da igreja e no seu alinhamento, possui corpo formando ângulo; no pano frontal, rasga-se o portal do hospital, de verga recta, com moldura almofadada e levemente recortada, encimada por cornija e pequena sacada, sobre mísulas, da janela de peitoril, do 2º piso, também com moldura e encimada por cornija; no terceiro piso, rasga-se janela de peitoril, de verga abatida, de moldura recortada, chave saliente, formando brincos rectos; no pano lateral, rasga-se no 1º piso janela rectangular jacente e nos dois superiores janelas iguais às anteriores. No pano seguinte mais a S., abrem-se, no primeiro piso, quatro portas de verga recta e moldura simples, três adaptadas a vitrine, no segundo, separado do anterior por cornija, três janelas de sacada, assente em três mísulas, com guarda em ferro, encimadas por friso e cornija recta, e, no terceiro, três janelas de peitoril, molduradas e com caixilharia de guilhotina. No topo S., o pano estreito de gaveto, possui os dois pisos superiores revestidos a cantaria e com o mesmo ritmo de fenestração, surgindo sob a janela do terceiro piso nicho em arco de volta perfeita, assente em pilastras almofadadas, interior conheado e albergando imagem, terminando em cornija recta. A fachada posterior possui um corpo de fenestração mais irregular, abrindo-se ao nível do 2º piso duas janelas de peitoril e uma de sacada encimadas por cornija, e no terceiro piso janelas de peitoril de verga abatida, molduradas. O corpo que se adossa à igreja, possui os pisos separados por friso, e janelas de peitoril, de verga abatida (no 2º piso) ou recta (no 3º), integrando bandeira, de moldura levemente recortada superiormente, cornija inferior e peitoril de ferro; no 1º piso, abre-se portal e janela de peitoril mais larga, com a mesma modinatura.

Acessos

Rua Miguel Bombarda; Travessa da Misericórdia (antiga Rua Nova); Travessa Tipografia

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público, Portaria n.º 208, DR, 2.ª série, n.º 71 de 13 abril 2015 (Igreja)

Enquadramento

Urbano, em pleno centro histórico, no fundo da encosta do castelo de Leiria (v. PT021009120002), formando quarteirão de planta irregular, envolvido por arruamentos estreitos; a fachada principal é antecedida por um pequeno adro, vedado por grade, com portal frontal ao portal da igreja e do hospital. Nas imediações fica o prédio onde viveu Eça de Queirós, descrito n'O Crime do Padre Amaro como sendo a casa da S. Joaneira.

Descrição Complementar

INSCRIÇÕES: localizadas junto ao arco triunfal "HIC HABITABO QVONIAM ELLEGIT EAM AQVI JAS O CONIGO LVIS DE AZEVEDO PEREIRA IRMAO Q FOI DESTA S CAZA PEDE HVM PADRE NOSSO FALECEO EM 17 DE IANR.O DE 1738 DISPERSIT DE DIT PAV PERIBVS". O painel de azulejos, com representação figurativa de uma tipografia, sobre a qual surge cartela com PRELVMAS CESIANVM, tem inferiormente a inscrição: ... ATESTA DE FAMA E VOZ CONSTANTE NO SEU TEMPO, QUE JÁ VINHA AUTORIZADA DO NOSSO INSÍGNE MATEMÁTICO PEDRO NUNES, E DOUTROS VARÕES MUI SABEDORES DAS NOSSAS COUSAS, QUE LEIRIA FÔRA A PRIMEIRA CIDADE EM TODA A HESPANHA QUE TIVERA IMPRESSÃO DE FÔRMA OU DE CARACTERES METALICOS, QUAIS JOÃO DE GUTTENBERG HAVIA INVENTADO NA CIDADE DE NOGUNCIA. PEDRO AFONSO DE VASCONCELOS (DA FAMOSA ARTE DA IMPRIMISSÃO - DE AMÉRICO CORTEZ PINTO). ALELUIA. No coro-alto existe grande tela, representando a Visitação, de remate semicircular, pertencente ao vão da tribuna do retábulo-mor. Retábulos colaterais de estrutura semelhante, em talha policroma a bege, de planta recta e um eixo definido por duas colunas coríntias, assentes em plintos paralelepipédicos, e que suportam o ático em fragmentos de cornija enquadrando espaldar decorado com painel e terminado em cornija contracurvada; ao centro, abre-se nicho de perfil cruvo, moldurado, interiormente pintado de branco e albergando imaginária; sotobanco com apainelado. Altar tipo urna, pintado a marmoreados fingidos, com frontal decorado por cartela central de elementos fitomórficos.

Utilização Inicial

Religiosa: edifício de confraria / irmandade

Utilização Actual

Cultural e recreativo: edifício multiusos

Propriedade

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: José da Silva, do Juncal (atr.) (ZÚQUETE, 1943). FUNDIDOR: António Dias de Campos Corrilha (1882). PINTOR DE AZULEJOS: Fábrica Aleluia.

Cronologia

1544 - instituição da Santa Casa da Misericórdia de Leiria; segundo o autor conhecido como Couseiro, a Confraria instalou-se na antiga judiaria da cidade e, segundo a tradição, no local onde fora a sinagoga; a Irmandade foi erecta com 120 irmãos; de início não tinha hospital, instalando-se os pobres enfermos numa dependência da igreja; 1557, dezembro - carta de padrão de juro no valor de 20 mil reais dada à Misericórdia, que fora deixado em testamento por Pedro Gomes, escrivão da chancelaria; 1558, 23 maio - Apostilha a uma carta do padrão de juro deixado por Pedro Gomes, onde se especifica que a Misericórdia devia utilizar 12 mil reais em obras pias e dar os restantes 8 mil ao mosteiro de São Francisco da cidade, para aí se celebrarem missas em almas do testador; 1566, 21 outubro - carta de redução do padrão de juro legado por Pedro Gomes, que passou a valer 15625; 1582 - fundação do hospital da Misericórdia (JANEIRO, 2004), por ordem do Bispo D. Dinis de Melo e Castro; 1605 - 1615 - durante o tempo que o bispo D. Martim Afonso Mexia foi provedor a igreja sofreu remodelação, com a colocação de colunas do coro, púlpito, assentos (CARREIRA, 1989); 1614, 3 dezembro - carta régia de Filipe II, para que todas as albergarias e pequenos hospitais existentes em Leiria fossem anexados, com as suas rendas e obrigações, ao hospital da Misericórdia, tendo a iniciativa partido do bispo D. Martim Afonso Mexia (Hospital de Santo Estêvão, de Nossa Senhora da Graça e São Brás, hospital de Nossa Senhora de Todos os Santos, dos Tecelões, do Espírito Santo, dos Ferreiros, de Porto Covo e do Arrabalde e a gafaria de Santo André) (CABRAL, 1993); 1627 - 1636 - o bispo D. Dinis de Melo e Castro manda construir o hospital adossado à Igreja, mobilou-o e deu-lhe um regimento; 1721 - a nova igreja da Misericórdia mandada erguer pelo bispo D. Álvaro de Abranches e Noronha, estava ainda por terminar (SEQUEIRA, 1955); 1738, 17 janeiro - data da lápide da sepultura do cónego Luís de Azevedo Pereira, Irmão da Misericórdia; 1800 - inauguração de um novo hospital da Misericórdia, na margem direita do rio, no bairro dos Anjos, junto à ermida de Nossa Senhora dos Anjos, construído por determinação do bispo D. Manuel de Aguiar; devido ao antigo hospital estar em condições deploráveis, foi abandonado; 1882 - data no sino da torre feito por António Dias de Campos Corrilha (segundo inscrição); 2013, 24 maio - publicação da abertura do processo de classificação da igreja, em Anúncio n.º 189/2013, DR, 2.ª série, n.º 100; 2016, 12 agosto - abertura de concurso de adjudicação da Conceção do projeto museológico e museográfico da Igreja da Misericórdia e Casa dos Pintores; 2017, 26 julho - reabertura da igreja ao público.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de alvenaria rebocada e pintada; molduras dos vãos, cunhais, embasamentos, pilastras, frisos e cornijas, pináculos, mísulas e pavimento da capela-mor em cantaria calcária; mármores embutidos na nave e nicho e lavabo da sacristia; caixilharia e portas de madeira; pavimento da nave em tacos de madeira e da capela-mor em cantaria; vidros simples; algerozes metálicos; cobertura telha.

Bibliografia

As Misericórdias de Portugal, Lisboa, União das Misericórdias Portuguesas, 2000; CABRAL, João, Anais do Município de Leiria, 3 vols., Leiria, 1993; CARREIRA, Adélia Maria Caldas, Leiria, Cidade episcopal - o urbanismo leiriense do séc. XVI ao séc. XVIII (dissertação de Mestrado em História da Arte, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas), Lisboa, 1989; GOODOLPHIM, Costa, Misericórdias, Lisboa, 1897; CORREIA, Fernando da Silva, Origens e Formação das Misericórdias Portuguesas, Lisboa, 1999; COSTA, Américo, Diccionario Chorographico de Portugal Continental e Insular, vol. V, Lisboa, 1935; COSTA, Lucília Verdelho da, Leiria, Lisboa, 1988; JANEIRO, Arlindo, "Igreja da Santa Casa da Misericórdia Leiria", Caminhos do Espírito: Percursos de Arte, Leiria, 2004; LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno, vol. IV, Lisboa, 1874; MACHADO, Carlos Sousa, BELLO, Mark, Leiria e o seu distrito, s.l., [1958]; MARGARIDO, Ana Paula, Leiria, história e morfologia urbana, Leiria, 1988; MORA, Amadeu, Esboço Histórico da Santa Casa da Misericórdia de Pombal, s.l., 1953; MOREIRA, Rafael, "As Misericórdias: um Património Artístico da Humanidade", 500 Anos das Misericórdias Portuguesas, Solidariedade de Geração em Geração, Catálogo da Exposição no Mosteiro de Santa Mónica para as Comemorações dos 500 anos das Misericórdia, 2000, pp. 135-164; PAIVA, José Pedro, XAVIER, Ângela Barreto (coord.), Portugaliae Monumenta Misericordiarum, Crescimento e Consolidação: de D. João III a 1580, vol. 4, Lisboa, 2005; PEREIRA, Esteves, RODRIGUES, Guilherme, Portugal, Diccionario Historico, Chorografhico, Biographico, Bibliographico, Heraldico, Numismatico e Artistico, vol. V, Lisboa, 1904; PERES, Damião (dir. Literária), CERDEIRA, Eleutério (dir. Artística), História de Portugal, vol. IV, Barcelos, 1932; Portugaliae Monumenta Misericordiarum, Fazer a História das Misericórdias (coord. José Pedro Paiva), vol. 1, Lisboa, 2002; SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Leiria, vol. V, Lisboa, 1955; ZÚQUETE, Afonso, Leiria, Subsídios para a História da sua Diocese, Leiria, 1943; ZÚQUETE, Afonso, A Santa Casa da Misericórdia de Leiria - História e Necessidades, Sep. Jornal do Médico, nº 74, Porto, 1943, pp. 3-20; ZÚQUETE, Afonso, Monografia de Leiria. A Cidade e o Concelho, Leiria, 2003.

Documentação Gráfica

CMLeiria

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

"Os bodos - distribuição de pão e carne, ou pão e queijo, aos indigentes, feita por ocasião das grandes festas, especialmente pelo Espírito Santo (Pentecostes) (...) parece que no séc. XVI era um costume quase geral, mas na segunda metade do século seguinte circunscrevia-se já a um limitado número de localidades, na vila de Alenquer e em Leiria. O dia principal da festa era o domingo de Pentecostes. Na sexta-feira anterior, havia tourada no adro de São Martinho (actual Praça de Rodrigues Lobo). Corriam-se os sete ou oito toiros que a Confraria do Espírito Santo comprava para a festa e cuja carne deveria ser distribuída pelos pobres. No sábado à tarde, o juiz da Confraria e os mordomos da festa iam em procissão buscar a coroa à Sé. Daí dirigiam-se ao Rossio e depois ao Terreiro do pão e queijo (...). Na igreja do Espírito Santo se fazia a benção do pão com assistência do cabido (...). No domingo de manhã uma procissão de confrades ia buscar o juiz da confraria e acompanhava-o à Sé, a Misericórdia ou a Nossa Senhora da Graça onde ele tomava a coroa. Daí a procissão seguia para a igreja do Espírito Santo, onde o juiz, sempre coroado, e sentado em cadeira especial como imperador, assistia à missa e pregação (...). No séc. XVI, um visitador proibiu a tourada (...) mas tão apegado estava o povo ao costume, que poucos anos depois, a tourada era restabelecida (...). Em Leiria dava-se ainda o bodo do pão e queijo no dia 1 de Maio em virtude de legado especial, feito a favor da mesma confraria do Espírito Santo. No 1º quartel do séc. XVII caíra o costume em desuso. Restaurou-o em 1632, o bispo D. Denis de Melo, ordenando a divisão do bodo em 3 partes: uma para os presos, outra para os indigentes, outra para os pobres envergonhados. A distribuição fazia-se numa rua que ainda recentemente conservava o nome de Trav. do Pão e Queijo (PERES, 1933).

Autor e Data

Lurdes Perdigão 2000 / Joana Pinho 2006

Actualização

 
 
 
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