Estação Ferroviária da Rêde

IPA.00007155
Portugal, Vila Real, Mesão Frio, Vila Marim
 
Arquitectura de transportes, do séc. 20. Estação ferroviária intermédia, composta por vias férreas e algumas construções de apoio técnico, como armazém coberto e instalações sanitárias. O edifício de passageiros, disposto paralelamente à linha, apresenta planta rectangular simples, evoluindo em dois pisos. As fachadas apresentam-se rebocadas e pintadas, com silhar de azulejos de padrão enxaquetado, terminadas em friso, cornija e platibanda plena de cantaria; são rasgadas regularmente por vãos abatidos, correspondendo a portas no piso térreo e a janelas de peitoril no superior, possuindo na fachada virada ao cais de embarque pala metálica apoiada em falsas mísulas metálicas fixas à fachada. No piso térreo dispõe-se ao centro zona de expedição de bilhetes e no segundo piso a antiga residência do chefe da estação.
Número IPA Antigo: PT011704070041
 
Registo visualizado 39 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Transportes  Apeadeiro / Estação  Estação ferroviária  

Descrição

A estação inclui o edifício de passageiros, área de vias férreas e algumas construções de apoio técnico, como armazém coberto e instalações sanitárias. EDIFÍCIO DE PASSAGEIROS de planta rectangular simples, disposto paralela e regularmente à linha. Massa simples com cobertura em telhados de quatro águas, com uma chaminé elevada. Fachadas de dois pisos, rebocadas e pintadas de branco, com embasamento de cantaria encimado por azulejos monocromos azuis e brancos, formando silhar enxaquetado, cunhais apilastrados e remates em friso, cornija e platibanda plena de cantaria, encobrindo o início dos telhados. A fachada principal, virada a S. e ao rio, e a posterior são rasgadas regularmente por três vãos de verga levemente abatida, com molduras superiormente recortadas no exterior, correspondendo a portas no piso térreo e a janelas de peitoril no segundo, estas com ângulos inferiores recortados, mas todos tendo caixilharia de duas folhas e bandeira. Fachadas laterais simétricas, cegas, possuindo superiormente registo de azulejos com a inscrição "REDE". Fachada posterior virada à linha férrea, tendo sobre a porta central registo de azulejos com igual inscrição "REDE"; ao longo de todo o piso corre pala metálica avançada, levemente inclinada, assente em quatro amplas mísulas de ferro, decoradas com círculos e flor no ângulo. INTERIOR do primeiro piso com as paredes rebocadas e pintadas de branco, os dos principais espaços percorridos por rodapé de madeira pintado de bege. O vestíbulo de passageiros apresenta pavimento cerâmico, tecto plano e, à direita as bilheteiras, com dois amplos vãos rectangulares, com caixilharia de madeira formando quadrícula e balcão também de madeira; à direita, acede-se à sala de espera. Junto à fachada lateral esquerda, dispõe-se o corpo das INSTALAÇÕES SANITÁRIAS, de planta rectangular, corpo único e cobertura em telhado de duas águas, com abas corridas. Apresenta as fachadas rebocadas e pintadas de branco, igualmente percorridas por embasamento de cantaria e silhar de azulejos, e superiormente terminadas em grelha de madeira de malha larga; os topos são rasgados por duas portas rectilíneas de acesso à zona das senhoras e à zona dos homens, devidamente assinaladas. A O., ergue-se o ARMAZÉM coberto, de planta rectangular, massa simples e coberturas em telhado de duas águas, formando aba corrida muito avançada, assente em traves de madeira apoiadas em mísulas de cantaria. Fachadas em cantaria de granito, com as juntas tomadas e pintadas de branco, possuindo lateralmente, sob as abas corridas, vãos corridos fechados por ripado de madeira; nestes mesmos lados é rasgado por dois amplos vãos, fechados por portões de ferro, acedidos directamente pelas carruagens na linha ou pelas camionetas na estrada. Os topos, terminados em empena, são rasgados por portas largas, a da fachada E. precedida por rampa e rasgada ainda por duas janelas.

Acessos

EN 108

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Rural, no exterior da povoação, na margem direita do Rio Douro, entre o rio e a encosta.

Descrição Complementar

O portal esquerdo da fachada posterior, ladeado por relógio de ferro, tem a inscrição TELÉGRAFO E GABINETE DO CHEFE e o direito tem a inscrição SALA DE 1ª CLASSE.

Utilização Inicial

Transportes: estação ferroviária

Utilização Actual

Transportes: estação ferroviária

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1867, 2 Julho - Carta de Lei de D. Luís informando que as Cortes Gerais decretaram que o Governo estava autorizado a construir e explorar por conta do Estado duas linhas férreas, a partir da cidade do Porto, uma para Braga e Viana do Castelo até à fronteira da Galiza e outra pelo Vale do Sousa e proximidades de Penafiel até ao Pinhão; entre as várias condições técnicas estipuladas para a construção das linhas, a do Douro deveria ser de uma só via e com a largura de 1,67 m. e com o peso de carris de 25 Kg; estipulou-se que as estações deveriam ser de grande simplicidade, construindo-se apenas o que era indispensável para resguardar as pessoas e mercadorias; o Governo foi autorizado a despender até 30.000$000 / km na construção das duas linhas, onde ficava incluído as expropriações, material fixo e circulante, oficinas, estações, obras acessórias e dependências; 1871 - tendo conhecimento da apresentação de uma proposta para a construção de uma linha para o Minho, vários municípios da Região do Douro dirigiram ao rei sucessivas representações inquirindo sobre a linha do Douro; nos anos seguintes, foram apresentadas ao Ministro das Obras Públicas várias propostas e projectos para a Linha do Douro; 1872, Abril - apresentação de proposta para a linha entre o Porto e a Régua, pelo empresário inglês Mrº Charles E. Austed, em que solicitava ao Governo a concessão de determinada subvenção por Km. e a exploração pelo prazo de 99 anos; 1872, 14 Junho - Decreto mandando proceder à construção do Caminho de ferro do Porto à Galiza por Braga e Viana do Castelo, Linha do Minho, e os estudos do Vale de Sousa por Penafiel até ao Pinhão, Linha do Douro, por conta do Estado, as quais decorreram demoradamente; 1873, 31 Maio - Decreto aprovando a emissão de obrigações para construção do Caminho de Ferro do Minho e Douro na importância de 2.034.000$000; 8 Julho - inauguração dos trabalhos da Linha do Douro; 1875, 30 Julho - cerimónia de inauguração da Linha do Douro, até então compreendida entre as estações do Pinheiro e de Novelas (Penafiel); 7 Outubro - num artigo publicado no jornal O Comércio do Porto, previa-se a conclusão da linha, com chegada ao Pinhão no prazo de 3 anos; 1878, 14 Fevereiro - Portaria do Ministro Lourenço de Carvalho, que, por não se ter seguido os regulamentos existentes para as estradas ordinárias, encarrega João Crisóstomo de Abreu e Sousa, de inspeccionar os caminhos de ferro do Minho e Douro e Sul e Sueste; 1879 - o caminho de Ferro chega a Pêso da Régua, estando bastante adiantado o troço entre a Régua e o Pinhão; 30 Novembro - relatório informando que as despesas até à data feitas com a linha do Douro eram de 6.689:049$033 e as ainda por despender seriam de 495:662$105; séc. 20, início - provável construção do edifício de passageiros da estação de caminho de ferro; 1927 - arrendamento da concessão da linha do Douro à CP; 1928 - Relatório sobre as Linhas do Minho & Douro e Sul & Sueste, refere que é sobretudo na do Douro onde se localizavam as estações mais "defeituosas", devido à insuficiência de espaço disponível, visto se encaixarem entre as encostas das serras ao N. do Douro e o leito do rio, má implantação dos edifícios, cais e armazéns, pequena extensão das linhas de resguardo e falta de apetrechamento adequado; 1930, década - época provável da colocação dos silhares de azulejos.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes autónomas.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; silhares de azulejos; molduras dos vãos, pilastras, frisos, cornijas e platibanda em cantaria de granito; portas, caixilharias e outras estruturas de madeira; pala metálica; janelas e portas com vidros simples; armazém em alvenaria de granito aparente; cobertura de telha.

Bibliografia

AAVV, O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996, s.l., 1996; FERREIRA, Tiago A. M., O Caminho de Ferro na Região do Douro e o Turismo, s.l., 1999; FONSECA, A. Corregedor, No 1º Centenário das Linhas do Caminho de Ferro a N. do Rio Douro, s.l., 1975; MÓNICA, Maria Filomena, PINHEIRO, Magda de Avelar, ALEGRIA, Maria Fernanda, BARRETO, José, Para a História do Caminho de Ferro em Portugal, s.l., 1999; NUNES, Júlio Cesar D'Abreu, Guia do Viajante nos Caminhos de Ferro ao Norte do Douro, Porto, 1879; Relatório e Programa dos Trabalhos a Executar nas linhas do Minho & Douro e Sul & Sueste para as colocar em boas condições de exploração, Lisboa, 1930; VIEIRA, Boaventura José, A Questão do Caminho de Ferro do Douro, Porto, 1880.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

EM ESTUDO. *1 - A linha do Douro, com a extensão de 191,7 km., possuindo 33 estações e 21 apeadeiros, foi construída com bitola (distância entre as faces internas dos carris) de via larga, ou seja, 1.668 m., e a sua cota ou altura de implantação ao longo do rio foi condicionada pelo nível das cheias. Aliás, a escolha do traçado ferroviário junto ao rio, mais fácil e menos dispendioso, impediu a passagem do caminho de ferro pelas principais cidades e vilas da região, as quais, normalmente, se implantam em pontos altos. No início do séc. 20, o trajecto na linha durava 4H15.

Autor e Data

Paula Noé 2011

Actualização

 
 
 
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