Capela do Senhor da Rua Nova / Capela de Santo Cristo

IPA.00000707
Portugal, Bragança, Freixo de Espada à Cinta, União das freguesias de Lagoaça e Fornos
 
Arquitectura religiosa, maneirista e tardo-barroca. Capela de tradição maneirista, de planta quadrada de nave única, interiormente coberta por abóbada de berço, de caixotões e mal iluminada. Fachadas com pilastras toscanas nos cunhais e terminadas em friso e cornija; a fachada principal termina em empena truncada por sineira e é rasgada por portal de verga recta encimado por friso e frontão de volutas interrompido. Retábulo-mor tardo-barroco, de planta recta e três eixos, tendo a tribuna côncava. Estrutural e decorativamente, esta capela assemelha-se à capela de Santa Bárbara, em Felgar, no concelho de Torre de Moncorvo, (v. PT010409070029), ambas com fachada principal terminada em empena truncada por sineira, rasgada por portal encimado por frontão de volutas interrompido, com interior coberto por abóbada de berço formando caixotões, tendo florões nos encontros e pinturas murais alusivas ao orago. Na capela de Santo Cristo a decoração do retábulo-mor é também alusiva ao orago, possuindo na tribuna a representação do Calvário, nos eixos laterais painéis formando nichos com anjos sob baldaquinos, solução pouco comum, os quais seguram filacteras com a inscrição INRI fragmentada, e no remate do ático atributos do martírio de Cristo; o retábulo-mor deve ter sido reformado e apresenta elementos de talha reaproveitados. O frontal de altar, a imitar brocado, deverá datar da primeira metade do séc. 19.
Número IPA Antigo: PT010404010009
 
Registo visualizado 586 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta quadrangular, de volume simples e massa de predominante horizontal, com cobertura em telhado de duas águas em telha de canudo. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com faixa a cinzento, pilastras toscanas nos cunhais, encimadas por pináculos piramidais terminados em pinha, assentes em plintos paralelepipédicos, e terminadas em friso e cornija de cantaria de granito com as juntas pintadas de branco, sobreposta por beirada simples. Fachada principal terminada em empena, de friso e cornija, de cunhais horizontalizantes e truncada por sineira, em arco de volta perfeita, sobre pilares, terminada em empena contracurvada com volutas, inscrita com a data de 1743, coroada por cruz latina de cantaria, albergando sino. É rasgada por portal de verga recta terminada em pequena cornija, assente em pilastras toscanas, encimado por friso e frontão de volutas interrompido por elemento volutado coroado por cruz. Fachadas laterais e posterior cegas, a última terminada em empena coroada por cruz latina de cantaria. INTERIOR de paredes rebocadas e pintadas de branco, terminadas em dupla cornija de cantaria, intercalada por friso, ritmado por mísulas volutadas, onde se apoia cobertura em abóbada de berço formando vinte caixotões, definidos por molduras com encontros decorados por florões dourados, tendo pinturas murais representando cenas da Paixão de Cristo. Na parede do lado da Epístola surge pia de água benta. Pavimento em cantaria, com supedâneo acedido por vários degraus centrais, sobre o qual assenta o retábulo-mor, em talha policroma a bege, azul, e dourado, de planta recta e três eixos, definidos por pilastras decoradas com motivos fitomórficos e fénices nas interiores, ladeado por apainelados com elementos vegetalistas; no eixo central, abre-se tribuna de corpo côncavo, de perfil curvo, ladeada por apainelados sobrepostos por mísulas com imaginária e encimada por lambrequim e motivos fitmórficos, tendo o fundo pintado com panorâmica da cidade de Jerusalém, tendo fronteiro imagem do crucificado; nos eixos laterais surgem nichos com anjos segurando filactera com "IN" e "RI" inscrito, encimados por baldaquinos com lambrequim, assentes em florão e mísulas com atlantes; ático adaptado ao perfil da cobertura, composto por arquivolta e apainelados decorados com fragmentos de cornija e motivos fitomórficos, tendo ao centro dois anjos a segurar atributos do martírio de Cristo (coroa de espinhos sobreposta por pregos); banco de apainelados decorados com elementos fitomórficos, anjos e cartela central. Altar paralelepipédico, com frontal pintado a imitar brocado, marcando sanefa e sebastos, ladeado, no sotobanco, por armários de madeira com gaveta entalhada.

Acessos

EN 221, 14 km a N. de Freixo de Espada-à-Cinta

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 29/84, DR, 1.ª série, n.º 145 de 25 junho 1984

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado num terreno de declive suave, no interior da aldeia, num largo delimitado por outras construções vernaculares e pavimentado a calçada portuguesa, com guias de cantaria, e integrando focos de iluminação à volta da capela. É neste largo que se realiza a principal festa da aldeia.

Descrição Complementar

PINTURAS MURAIS: Na abóbada de cantaria, os vinte caixotões ostentam cenas da Paixão de Cristo, em muito mau estado de conservação, percebendo-se apenas a representação do "Beijo de Judas", "Ecce Homo" e "Colocação do manto no Cristo".

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Religiosa: capela

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Bragança - Miranda)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1743 - data inscrita na sineira provavelmente assinalando a conclusão da construção da capela; séc. 18, 2ª metade - provável feitura do retábulo-mor; 1758 - segundo as Memórias Paroquiais, a capela que era pobre e administrada pelos moradores do povoado, tinha uma Irmandade chamada da Misericórdia e servia para enterrar os defuntos; 1911 - referência ao altar ser simples ou rudimentar, com a imagem de Santo Cristo num retábulo envidraçado e ainda as imagens de São João Evangelista e a Senhora de Pé da Cruz; 1976, 16 Setembro - o Presidente da Junta de Freguesia de Fornos, Armando António Felgueiras, solicitou à DGEMN um parecer técnico para se proceder à classificação do imóvel e ao restauro da cobertura exterior e interior, visto apresentar formações calcárias e fungos que estavam a destruir a pintura; 1977, 31 Janeiro - visita ao imóvel do arquitecto José da Silva Marques, da Direcção dos Monumentos do Norte, considerando que o mesmo se encontrava num estado de conservação satisfatório, à excepção da pintura da abóbada, sugerindo a avaliação e intervenção do Instituto José de Figueiredo para se proceder à recuperação e classificação da capela; 12 Maio - o Instituto José de Figueiredo confirmou a importância da elaboração de uma estratégia de conservação; 1981, 27 Outubro - para se proceder à classificação do imóvel, o Instituto Português do Património Cultural solicitou nova documentação fotográfica e uma memória descritiva completa; 1982, 29 Junho - memória descritiva referindo que o imóvel estava circundado por construções vernáculas do séc. 19; 1990, 6 Dezembro - o arquitecto Augusto Pereira Brandão, presidente do Instituto José de Figueiredo, considerou que fosse mantido o bom estado de conservação da cobertura e não fossem usadas velas para abrandar o processo de deterioração das pinturas da abóbada.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; portal, frontão, pilastras, pináculos, cruzes, abóbada e pavimento em cantaria de granito; retábulo de talha policroma e dourada; molduras dos caixotões da abóbada em estuque; pinturas murais nos caixotões; pintura sobre tela no retábulo-mor; cobertura exterior em telha de canudo.

Bibliografia

PINTADO, Francisco António, De Freixo, A Freixo de Espada à Cinta. Notas de Monografia, vol. 2, Bragança, 1996.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Intervenção Realizada

DGEMN: 1958, cerca - obras de reparação geral; 1977, cerca - reparação das pinturas da abóbada, da cobertura e revestimento a telha dupla não patinada; restauro e douramento do retábulo.

Observações

As pinturas da abóbada estão fortemente deterioradas devido à humidade e à queima de velas no interior da capela.

Autor e Data

Ernesto Jana 1994 / Marta Ferreira 2006

Actualização

 
 
 
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