Câmara Municipal de Leiria / Paços do Concelho

IPA.00007045
Portugal, Leiria, Leiria, União das freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes
 
Arquitectura político-administrativa, judicial e prisional, eclética. Paços do Concelho.
Número IPA Antigo: PT021009120043
 
Registo visualizado 342 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Político e administrativo regional e local  Câmara municipal  Casa da câmara  

Descrição

Planta longitudinal, irregular, volumes articulados na horizontalidade, formando um quadrilátero composto por duas alas ligadas por um corpo rectangular transversal (planta em H); cobertura diferenciada em telhados de quatro, três e duas águas. Fachada principal com embasamento duplo de almofadado rústico estruturada por um corpo avançado, com escadaria de um lanço, aberto por três vãos dispostos simetricamente em ambos os pisos, sendo as três portas do piso térreo de bandeiras tripartidas separadas por dois nichos coroados por friso e as três janelas do piso superior assentes em mísulas que se unem, ao centro, ao fecho dos arcos abatidos das portas do piso inferior. Arquitrave ressaltada por modilhões que se prolongam em quatro consolas que delimitam as janelas geométricas e pontuam o frontão curvo envolutado de tímpano relevado em motivos florais coroado pelo brasão da cidade. Corpos simétricos e recuados da fachada principal, elevados à altura das janelas do corpo central, marcados pela reentrância da porta de verga recta sobre mísulas e encimada por frontão de lanços aberto por óculo, sobrepujada, ao nível do piso superior por janela tripartida com sobreverga em arco abatido; estes corpos prolongam-se por dois panos rasgados por três janelas dispostas simetricamente em cada um dos dois pisos. Fachada NO., acompanhando o declive do terreno, composta por dois corpos de três pisos fenestrados delimitados por cornijas, articulada por passadiço vazado em arcada sob janelões em edifício anexo. Fachada SE. de idêntico discurso arquitectónico, repetindo-se as janelas do primeiro piso enquadradas por alhetas rusticadas e as dos pisos superiores, de verga tripartida ladeando as janelas geminadas. INTERIOR: átrio com escadaria nobre que se abre no vão central de uma arcada tripla de arcos rebaixados que repousam em colunas de capitéis coríntios idênticos aos do pátio do edifício; guarda corpos da escada trabalhados em motivo de ponta de diamante semelhante ao dos lintéis das janelas do frontispício; tecto de madeira disposto em caixotões de estrutura idêntica à do salão nobre. Pavimentos de articulação desnivelada, solucionada pela altura desigual dos arcos dos pátios e pela relativa independência entre o corpo da fachada principal e o da ala oposta ligados por um corpo assente em arcos formando dois pátios delimitados por arcadas.

Acessos

Largo da República. WGS84 (graus decimais) lat.: 39.740878; long.: -8.810766

Protecção

roposto como Imóvel de Valor Concelhio pela Câmara Municipal de Leiria

Enquadramento

Urbano, isolado, implantação destacada e harmoniosa frente à praça arborizada do Tribunal, situando-se a uma esquina do quarteirão delimitado pelo cruzamento de duas avenidas.

Descrição Complementar

No corpo da fachada principal situava-se o salão nobre dos Paços do Concelho decorado com lambris apainelados enquadrados em mísulas, na ala posterior correspondia a sala de audiências do tribunal e no piso superior a zona destinada a cadeia.

Utilização Inicial

Política e administrativa: câmara municipal

Utilização Actual

Política e administrativa: câmara municipal

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Ernesto Korrodi (1903, 1915). CONSTRUTOR: Firma Korrodi & Teriaga (1903-1906); José Alves (1915); José Maria (1908). ESTUCADOR: Manuel Ramos Ferreira de Carvalho (1910).

Cronologia

1835 - devido à insuficiência de espaço e estado de degradação do edifício onde funcionavam os Paços do Concelho, foi deliberada a construção de novas instalações para as reuniões da câmara; 1862, 15 novembro - a câmara, visando a necessidade de um edifício de maior porte, delibera contrair um empréstimo; 1862, 17 dezembro - projecta-se construir os novos paços municipais em frente ao actual jardim Luís de Camões; 1863, 30 maio - desenhos do projecto entregues pelo Engenheiro Director de Obras Públicas; 1874, 5 março - novo projecto, sendo deliberada a construção a N. do Rossio; 1875, 9 outubro - o projecto denominado "Kamberg" é aprovado; 1876, 12 julho - considerado demasiado luxuoso, o projecto é mandado simplificar; 1902, 7 janeiro - o presidente da câmara Revº Dr. João António Correia Mateus, delibera que a construção dos paços concelho se fizesse no sítio da Portela, em terreno da propriedade do General Luís António Benevides de Sousa; 1903, 12 janeiro - projeto elaborado e posto a concurso; 16 abril - adjudicação das empreitadas 1ª, 2ª e 4ª por 23:910$885 à Firma Korrodi & Teriaga, única a concorrer; 21 abril - as empreitadas 5ª e 6ª correspondendo ao fornecimento de madeiras e de telhas são adjudicadas a Joaquim Modesto por 3:423$240, e a António José de Matos por 602$000; 2 junho - é deliberada a aquisição de mais 844,40 m2 de terreno, ao preço de $500 o metro, visto ter-se concluído que a área adquirida era insuficiente; 15 dezembro - é adjudicada a Ernesto Korrodi a 7ª empreitada correspondente a alvenarias, rebocos e telhas, por 5:929$000; 1906, 20 junho - obras das empreitadas adjudicadas a Korrodi (1ª, 2ª, 4ª e 7ª) dadas por concluídas; 1908, 3 dezembro - é necessário contrair um novo empréstimo de 8:500$000; 1909, 6 junho - adjudicação da empreitada de soalhos, tetos de madeira, vigamentos, barrotados e fasquiados, caixilhos de madeira e ferro, grades, almofadados, portas e alizares, roda-pés, guarda-vassouras, cordões, lambris, vidraça e pintura, por 12:775$000, a José Maria; 1910, 7 julho - adjudicação a Manuel Ramos Ferreira de Carvalho, pela quantia de 1:290$000 o trabalho de guarnecimentos, estuques, escaiolas e caiação; 1915, 1 setembro - concluída a edificação da casa mãe começam as deligências para a construção da cadeia, na retaguarda do edifício, deliberando-se a sua construção e ligação com o Tribunal Judicial, situado nas traseiras dos Paços do Concelho; o projeto é enviado a Korrodi para adaptar a capela a oficina, obra adjudicada a José Alves, por 58$50 cada metro cúbico; 1941, 8 maio - aprovado pelo MOPC o 1.º "Plano das Construções Prisionais" e respectivo "Plano da Distribuição de Verbas pelas Obras", e autorizada a celebração de empréstimo, para financiamento do plano, até ao montante de 45.000 contos; este plano prevê, numa primeira fase, o investimento de 3.200 contos nas obras de conclusão de cadeias comarcãs, entre as quais a de Leiria (PT DGEMN.DSARH-004-0015/1); 1995, 04 setembro - o edifício surge proposto como Valor Concelhio pelo PDM de Leiria, DR n.º 204; 1998 - ocorrência de um pequeno sismo provocando fissuras em algumas paredes internas.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes e estrutura mista.

Materiais

Cantaria, alvenaria rebocada, madeira, telha, vidro.

Bibliografia

CABRAL, João, Os Paços do Concelho de Leiria, Leiria, 1991; COSTA, Lucília Verdelho, Leiria, Cidades e Vilas de Portugal, vol. 4, Lisboa, 1989; COSTA, Lucília Verdelho da, Ernesto Korrodi: 1889 - 1944, Arquitectura, Ensino e Restauro do Património, Lisboa 1997; "Edifício para os Paços do Concelho, Tribunal Judicial, Cadeia e Aula Districtal, em Leiria. Projecto dos srs. Korrodi & Theriaga, construtores" in A Construção Moderna, ano IV, n.º 114, 20 novembro 1903, pp. 235-236; http://arqpapel.fa.utl.pt/jumpbox/node/74?proj=Pa%C3%A7os+do+Concelho%2C+Tribunal+Judicial%2C+Cadeia+e+Aula+Distrital+de+Leiria, 9 Setembro 2011.

Documentação Gráfica

CMLeiria: Gabinete de Rabilitação Urbana

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

CMLeiria

Intervenção Realizada

Observações

Autor e Data

Lurdes Perdigão 1999

Actualização

 
 
 
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