Jardim da Quinta das Lágrimas / Jardim da Quinta do Pombal

IPA.00007013
Portugal, Coimbra, Coimbra, União das freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas
 
Espaço verde de recreio. Jardim romântico. Destaca-se a raridade e porte de alguns exemplares botânicos. Forte valor histórico e paisagístico testemunho do gosto pelo coleccionismo botânico que ocorre em Portugal a partir do início do século 19. Destacam-se as colecções de Araucárias e de Palmeiras, bem como os raros exemplares de Podocarpus, Figueiras, Plátanos e Sequóias.
Número IPA Antigo: PT020603160091
 
Registo visualizado 1364 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Espaço verde  Jardim  Jardim  Romântico    

Descrição

Espaço murado, cuja acesso é permitido por imponente portão a partir do qual se desenvolve uma alameda de orientação N. / S., sobreelevada e contida por muro de suporte relativamente aos talhões que situam a E. e O.; essa alameda culmina numa escadaria de dois lanços de acesso ao edifício, adossada à fachada principal e encimada por frontão com pedra de armas. No topo da ala da direita, encontra-se uma capela com pequeno adro; entre este e a referida escadaria um pequeno jardim, com sebes de buxo talhadas é centrado num elemento de água, oferecendo-se como cenário para quem deambula pela arcaria que nasce da fachada do edifício. Lateralmente à capela desenvolve-se um caminho, inicialmente encimado por um caramanchão, que permite o acesso ao jardim histórico, onde se encontra a mais rara árvore da quinta - o Podocarpus (Podocarpus spinulosus); junto a este encontram-se outras espécies igualmente importantes - um abeto (Abies Alba Miller) e um Incenso ou Pitósporo (Pittosporum undulatum). Fronteiro à ala esquerda do edifício abre-se um pequeno terreiro que permite aceder ao actual parque de estacionamento, ao pomar e a um terraço onde foi instalada uma estrutura amovível, de grandes dimensões, para apoio às actividades da Quinta. O talhão a O. da alameda, correspondente ao antigo olival, encontra-se em preparação para instalação de um campo de Golfe. O talhão que lhe é simétrico desempenha ainda as funções iniciais de espaço agrícola. O Jardim, apresenta duas partes distintas, uma primeira em que a cobertura arbórea se apresenta bastante densa, e onde ao nível do estrato arbustivo se desenham sebes de buxo talhadas em canteiros geométricos, enquadrados por elementos de água; uma segunda, apresenta, sob um relvado iluminado por uma clareira e pontuado por espécies de porte arbóreo e arbustivo, é delimitado por uma sebe de buxo talhada, a E. do caminho que circunda o talhão relvado surge uma cortina de bambús (Phyllostachys bambusoides), que nos separa de um outro patamar onde foi instalada uma plantação de oliveiras e onde a modelação do terreno permitiu que este espaço se isolasse visualmente do exterior. O caminho de acesso ao jardim, percorre-o lateralmente, alheando-se dele, seguindo em direcção à Mata, caminhamos junto à quelha dos amores, caleira que levava o correio de D. Pedro para D. Inês, até ao Mosteiro de santa Clara. É a copa de uma monumental Figueira da Austrália (Ficus macrophylla) que protege a Fonte dos Amores, atravessando as suas raízes caminha-se em direcção à Fontes das Lágrimas, passando por duas esguias Sequóias (Sequoia sempervirens) *2, várias Olaias, Palmeiras da China e Lódãos. Dominando a fonte e o tanque de rega de grandes dimensões que se desenvolve ligeiramente sobreelevado em relação ao nível do pavimento, encontra-se um Plátano (Platanus x hispanica). As relações visuais com a envolvência encontram-se comprometidas desde o quadrante O . a E., rodando a N. pelo desordenamento que a caracteriza, comprometendo a vivência plena da Quinta, enquanto espaço exterior à cidade mas que a podia contemplar. Para S. as relações visuais com o exterior são praticamente inexistentes pelo desenvolvimento da Mata e pela própria topografia que oferece uma pequena pendente onde a referida mata se instala.

Acessos

Estrada da Várzea, EN 43 - 2ª. WGS84 (graus decimais) lat.: 40.198163°, long.: -8.434485°.

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 129/77, DR, 1ª série, n.º 226 de 29 setembro 1977*1

Enquadramento

Peri-urbano. Isolado. Na margem esquerda do rio Mondego, no terço inferior da encosta, zona plana exposta a N. Confronta a S. com o caminho do Vale do Inferno, a O. com a antiga EN 1, a N. com o Portugal dos Pequenitos (v. IPA.00027217) e a Quelha dos Amores e a E. com a R. António Augusto Gonçalves, Est. 110 - 2. A 300 metros do Convento de Santa Clara-a-Velha (v. IPA.00002807. No seu interior localiza-se o Solar, edifício do séc. 19, transformado em Hotel de Charme (v. IPA.00002789).

Descrição Complementar

À Quinta das Lágrimas é associada a lenda que conta a história de Pedro e Inês. Pedro, herdeiro presuntivo do trono ocupado pelo seu pai, Dom Afonso IV, e Inês, dama galega, filha bastarda de Pedro Fernandes de Castro e neta bastarda de Sancho IV, Rei de Castela. Luís de Camões, na estrofe 135 do canto 3 dos Lusíadas, canta: As filhas do Mondego, a morte escura / Longo tempo chorando memoraram / E por memória eterna em fonte pura / As Lágrimas choradas transformaram / O nome lhe puseram que ainda dura / Dos amores de Inês que ali passaram / Vede que fresca fonte rega as flores / Que as Lágrimas são água e o nome amores. Pela visita de Dom Miguel I, Rei de Portugal, o proprietário ofereceu o seguinte poema, feito de improviso: «Nas meigas Nymfas lagrimas formaram / Na fonte que contemplas, rei amado, / Da miseranda Ignez o acerbo Fado / Tão saudosas, com tanta dor choraram: / Hoje de nossos corações brotaram / Lágrimas do prazer mais sublimado, / Por vermos o monarcha idolatrado, / Por quem tão anciosos suspiraram. / Mas vae, senhor, ganhar-vos a victoria, / Corta da hydra feroz crueis enganos / Novo espendor darás à lusa história. / E sabe que entre peitos lusitanos / N'estes sítios será tua memória / Brazão perenne até o fim dos annos.»

Utilização Inicial

Recreativa: jardim

Utilização Actual

Recreativa: jardim

Propriedade

Privada: Pessoa Singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 14 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Miguel Osório Cabral de Castro (concepção da maior parte dos jardins); Caldeira Cabral (Projecto de recuperação paisagística da Quinta)

Cronologia

Séc. 14 - as matas da Quinta teriam sido coutadas de caça da família real, então residente em Coimbra; séc. 18 - a Quinta passa a propriedade da família dos Osório Cabral. Construção do palácio; séc. 19, primeiro quartel - Miguel Osório Cabral e Castro idealiza grande parte dos jardins da Quinta; plantação de espécies raras e valiosas provenientes de várias partes do mundo. O proprietário beneficiava da amizade com o proprietário do Jardim Botânico, com quem trocava exemplares.; 1808 - Lor Wellington, general inglês, a quando da primeira invasão francesa, fica hospedado na Quinta das Lágrimas. Junto da Fonte das lágrimas manda erguer uma lápide com a estrofe 135 do canto III dos lusíadas, acerca dos amores de Pedro e Inês de Castro. Manda plantar junto da fonte duas sequóias; 1879 - um incêndio obrigou a importantes obras de reconstrução; 1984, Novembro - execução pelo atelier do Prof. Francisco Caldeira Cabral do Plano de Ordenamento Paisagistico e Urbanístico da Encosta de Stª Clara, estando a quinta das lágrimas incerida neste perímetro. Segundo o autor, neste estudo, "A sistematização já apresentada quanto às compatibilidades de uso urbano, nos seus aspectos fundamentais, com as características analisadas no território, definindo diferentes aptidões das superfícies a tratar, constitui a base genérica dos elementos da proposta". Este estudo, apresenta ainda recomendações para futuros Planos de Pormenor; 1984, Dezembro - aprovação do Plano de Ordenamento Paisagistico e Urbanístico da Encosta de Stª Clara, pela Câmara Munucipal de Coimbra, estando ainda presentemente a ser concretizado; 1995 / 1996 - com a abertura do Hotel foram plantadas centenas de árvores e arbustos.

Dados Técnicos

Materiais

Vivos: colecção de Araucárias e Palmeiras, exemplares de Podocarpus, Figueira da Austrália (Ficus macrophylla), Plátanos (Platanus x hispanica) e Sequóias (Sequoia sempervirens), Canforeira; cedros do Bussaco (Cedrus lusitanica) cedros dos Himalaias (Cedrus deodora) Lódãos, Ulmeiros, Loureiros, Pinheiros e Aveleiras. Inertes: alvenaria, saibro

Bibliografia

ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal, Tomo 2, Lisboa, 1947, p. 170; PROENÇA, Raul, Guia de Portugal, vol. 3, Lisboa, 1984, 2ª edição, Fundação Calouste Gulbenkian, pp. 319 - 329; PAIVA, Jorge A. R., A Crise Ambiental - Apocalipse ou Advento de uma Nova Idade, Lisboa, 200; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/73803 [consultado em 12 agosto 2016].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN / Arquivo Pessoal Francisco Caldeira Cabral; Proprietários

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; UE

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN / Arquivo Pessoal Francisco Caldeira Cabral; Proprietários

Intervenção Realizada

Proprietários: 1995 / 1996 - plantação de centenas de árvores, quando das obras de adaptação a Hotel de Charme.

Observações

*1 - A classificação é referente aos elementos mais representativos existentes na Quinta. Cenário da vida amorosa de D. Pedro com D. Inês de Castro e da morte desta. O seu interesse poético e económico está relacionado com o grupo de nascentes do sopé da colina, que emergem de um mesmo lençol freático. Inicialmente era conhecida por Quinta do Pombal, mudando de nome no início do séc. 18. *2: Estas Sequóias terão sido plantadas pelo Duque de Wellington o que lhe deu a denominação de wellingtonias. O Professor Jorge Paiva, fez o levantamento do arvoredo da Quinta das Lágrimas.

Autor e Data

Paula Simões 1999

Actualização

Cecília Matias 2003 / Andrea Cardoso 2012
 
 
 
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