Jardim Miradouro de São Pedro de Alcântara / Jardim António Nobre / Alameda Eduardo Coelho

IPA.00007003
Portugal, Lisboa, Lisboa, Misericórdia
 
Espaço verde de recreio. Miradouro integrado em jardim de linguagem romântica, composto por dois tabuleiros ligados por escadas, o superior mais frondoso, composto por árvores, canteiros de flores e tanque central circular, sendo o inferior de cariz geométrico, com canteiros recortados, pontuados por bustos sobre altos plintos, com tanque central e, adossado ao muro de suporte de terras, um tanque semicircular, para onde verte uma cascata.
Número IPA Antigo: PT031106150433
 
Registo visualizado 3030 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Espaço verde  Jardim  Jardim  Formal    

Descrição

O jardim, de planta aproximadamente rectangular, molda-se à encosta em que assenta, organizando-se em dois tabuleiros, desnivelados entre si, estando o inferior nivelado e suportado por um troço de muralha e o superior por muro de suporte de terras, apresentando uma pendente regular para S.. Os tabuleiros comunicam através de duas escadaria laterais, fechadas por cancela gradeada e ambos desempenham a função de miradouros, pelo que são delimitados a E. e a S., por gradeamentos metálicos. O tabuleiro superior comunica com a Rua de São Pedro de Alcântara por lanços de escadas, intercalados com canteiros delimitados por pequenos gradeamentos. O jardim permite percursos exteriores, paralelo ao passeio ou paralelo ao miradouro, tendo, ao centro uma faica ocupada, pelo jardim é sugerido paralelamente ao passeio, sem se aceder ao miradouro, de S. para N., por dois canteiros, interrompidos por um pedestal com busto de homenagem a Eduardo Coelho, e por uma chafariz de grandes dimensões *2, fronteiro ao acesso N., ficando o topo N. do jardim ocupado por uma área desportiva vedada, encaixada relatvamente ao passeio exterior. O busto de homenagem a Eduardo Coelho é composto por um pedestal, em frente do qual surge uma base com um garoto a apregoar jornais, surgindo, sobre este, o busto do homenageado. Junto ao miradouro surgem, bancos e mesas, um telescópio e um painel de azulejo, interpretativo da panorâmica oferecida, equipamento que convida a desfrutar do miradouro. O tabuleiro é ensombrado por denso maciço arbóreo, composto por um conjunto de lódãos que surgem alinhados relativamente aos canteiros centrais. O tabuleiro inferior é um local de estadia por excelência, apresentando uma composição geométrica, constituída por talhões relvados, pontuados nas extremidades por estatuária, sustentada por altos plintos, representando divindades mitológica, a alguns heróis do período das descobertas e figuras literárias como Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, D. João de Castro, João de Barros, Luís de Camões, Afonso de Albuquerque e Infante D. Henrique, tendo ao centro, um chafariz de repuxo. Ao muro de suporte que sustenta o primeiro tabuleiro, parcialmente revestido por trepadeiras, está adossada um tanque *3, de forma semicircular, que recebe a água brotada por uma cascata. Surgem, ainda, os bustos de Marco Aurélio, da imperatriz Faustina, de Homero, Ulisses e de Mengs. O lado N. do tabuleiro é ocupado, quase na totalidade, por uma edificação em ruínas e, para S., abre-se um acesso a uma parcela triangular, de reduzidas dimensões, em que se instala uma área de estadia ajardinada.

Acessos

Rua de São Pedro de Alcântara.

Protecção

Parcialmente incluído na Zona de Proteção do Ascensor da Glória (IPA.00003986) e na Zona de Proteção do Aqueduto das Águas Livres (v. IPA.00006811) / Incluído na Zona Especial de Proteção Conjunta dos imóveis classificados da Avenida da Liberdade e área envolvente

Enquadramento

Urbano, isolado e destacado, integrado na malha urbana, formando dois tabuleiros, o superior confinando com a Rua de São Pedro de Alcântara, pavimentada a calçada de basalto e separada por pequeno passeio público, com o qual comunica por pequenos lanços de escadas, vencendo o desnível do terreno; o tabuleiro inferior é sobranceiro, a E., à Rua das Taipas. A zona frontal tem uma panorâmica sobre o vale da Baixa Pombalina e as colinas fronteiras *1.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Recreativa: jardim / Recreativa: miradouro

Utilização Actual

Recreativa: jardim / Recreativa: miradouro

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS: Agostinho da Silva (1835-1839); Álvaro Machado (1904); José Luís Monteiro (1886); Reinaldo Manuel dos Santos (1773). CANTEIRO: Fábrica Moreira Rato (1840). ENGENHEIRO: Carlos Mardel (1752). ESCULTOR: Costa Mota (1904). PINTOR de AZULEJOS: Fred Kradolfer (1952).

Cronologia

Séc. 18 - início da formação da praça de São Pedro de Alcântara, fronteira ao Convento com o mesmo nome, para a construção de um chafariz, com a compra de terrenos a D. José de Portugal, por 4:000$000; compra de umas casas à testamenteira de Manuel Teixeira de Carvlho, por 6:000$000; 1750, Abril - 1751, Março - execução do cabouco de Vila Chã junto ao poço que aí se abriu para descobrir mais água; no sítio de São Pedro de Alcântara, na praça em frente ao paredão; 1751, Outubro -1752, Março - continuação das obras na Praça que se fez para a construção do chafariz de São Pedro de Alcântara; 1752, Abril - Setembro - início da obra do chafariz de São Pedro de Alcântara; 15 Novembro . aprovação do projecto do Chafariz, executado por Carlos Mardel *4; 1752, Outubro - 1753, Março - trabalhos na obra do sítio de São Pedro de Alcântara com os seus corredores e vãos subterrâneos forrados e abóbada de pedraria; continuação do trabalho do chafariz, do mesmo local, pavimentação da Rua Direita e obra sobre o cano de despejos do Convento de São Pedro de Alcântara; 1753, Abril - Setembro - continuação da obra do chafariz e aqueduto de São Pedro de Alcântara, da muralha até próximo da Porta do carro dos Padres de São Roque; 1753, Outubro - 1754, Março - continuação da obra do paredão, em São Pedro de Alcântara, completa até à altura da faixa de pedra bastarda e moldurada que corre por cima; 1754, Abril - Setembro - medição completa do chafariz de São Pedro de Alcântara; 8 Setembro - correu água pela primeira vez no local; 1755, Abril / Setembro - o aqueduto desde a Porta do Carro dos Padres de São Roque até defronte das portas principais das igrejas do Loreto e da Encarnação estava concluído; continuação dos trabalhos no chafariz de São Pedro de Alcântara; 1755, Outubro - 1756, Março - medição de pedraria, incluindo a que estava feita para o chafariz interino de São Pedro de Alcântara e que foi reaproveitada, e os trabalhos na escadaria; execução de um lanço do cano do aqueduto do Largo de São Roque; 1755, 1 Novembro - estava concluída a obra até à cimalha real; 1756, Abril - Setembro -compra de pedraria vária que se destinava à obra do chafariz de São Pedro de Alcântara; 1763, 1 Abril - última medição da obra do Chafariz por Carlos Mardel; 1770, Outubro - 1771, Setembro - obras em São Pedro de Alcântara; 1773 - o desenho de Reinaldo Manuel dos Santos para a conclusão da muralha e Praça de São Pedro de Alcântara, aprovado pelo Marquês de Pombal, apresentava um chafariz circular com, obelisco central e quatro bicas, que não se terá concretizado no local; 1784, 4 Janeiro - pela resolução deste data foi concedida metade dos sobejos do chafariz à Misericórdia; 1790 - o chafariz de São Pedro de Alcântara encontrava-se em mau estado de conservação; 1821 - o espaço do jardim foi ocasionalmente ocupado com uma feira; um desenho de Luís Gonzaga Pereira mostra o chafariz interino, o que restou de todo o conjunto *5; 1830 - com o aquartelamento do comando da Guarda Real da Polícia e a construção das suas cavalariças ali perto, iniciam-se os primeiros trabalhos de arborização do tabuleiro superior, conhecido como a Horta do Corpo da Polícia; revestimento do pavimento com calçada portuguesa; 1834 - feitura do gradeamento do tabuleiro superior e das cancelas para a escada; 1835 - 1839 - com a passagem para a Câmara da manutenção dos Passeios Públicos, inicia-ae a obra de ajardinamento do tabuleiro inferior, contando-se com os conhecimentos do conselheiro Agostinho da Silva; 1840 - feitura do chafariz pelos canteiros das oficinas Moreira Rato; 1851 - a Misericórdia recebia todos os sobejos do chafariz, que tinha 6 bicas; 1862 - perante os acidentes que ocorriam no tabuleiro inferior, com quedas várias e suicídios para a Rua das Taipas, a Câmara estuda a possibilidade de colocar uma grade; 1863 - construção de uma estufa no jardim; 1864 - assentamento de uma grade no tabuleiro inferior; abertura definitiva do Jardim; 1866 - a Câmara manda colocar no jardim uma meridiana, inventada por Veríssimo Alves Pereira, que ao meio dia fazia tocar uma campaínha; 1876 - data inscrita no pavimento no tabuleiro superior, próximo do gradeamento na entrada a S.; 1882 - com as obras da Avenida da Liberdade a música é, provisoriamente, transferida para este passeio; 1886 - José Luís Monteiro, arquitecto camarário e responsável pela manutenção dos panos da muralha e desenha o coreto para o jardim; 1896 - surge o café "Éden concerto" no tabuleiro inferior; 1904 - é erigido um monumento ao jornalista Eduardo Coelho, fundador do jornal Diário de Notícias; 1933 - construção do edifício da escola infantil, no tabuleiro inferior; 1952 - colocação de um telescópio e de um painel de azulejos, leitor da panorâmica oferecida aos turistas; 1900, década 70 - construção do campo de jogos no tabuleiro superior; 1904 - colocação de um monumento na forma de busto, em memória do jornalista Eduardo Coelho, fundador do Diário de Notícias, e de um pequeno ardina, obra do arquitecto Álvaro Machado e escultor Costa Mota; 1933 - a escola construíu um Parque Infantil, o primeiro de um programa delineado pela poetisa Fernanda de Castro; 1952 - colocação, junto ao miradouro, de um painel de azulejos, com o panorama legendado, da autoria do pintor Fred Kradolfer; séc. 20, década de 70 - construção de um pavilhão de jogos no tabuleiro superior; 2005, final - requalificação do miradouro pela Câmara Municipal de Lisboa.

Dados Técnicos

Armação em socalcos, sendo o inferior um pano da muralha Joanina.

Materiais

INERTES: calçada portuguesa. VEGETAL: árvores - lódão(Celtis australis)

Bibliografia

ANDRADE, José Sérgio Velloso d', Memoria sobre Chafarizes, Bicas, Fontes e Poços Públicos de Lisboa, Belém, e muitos logares do termo, Lisboa, Imprensa Silviana, 1851; CAETANO, Joaquim de Oliveira, SILVA, Jorge Cruz, Chafarizes de Lisboa, Sacavém, Distri-Editora, 1991; FERREIRA, Rafael Laborde, VIEIRA, Victor Manuel Lopes, Estatuária de Lisboa, Lisboa, Amigos do Livro, Lda., 1985; FLORES, Alexandre M. e CANHÃO, Carlos, Chafarizes de Lisboa, Lisboa, Edições INAPA, 1999; FRANÇA, José Augusto, A Sétima Colina - Roteiro histórico-artístico, Livros Horizonte, Lisboa, 1994; GOMES, Rita Seabra, Miradouros de Lisboa em obras, in Metro, 9 Maio 2006, p. 2; Lisboa Desaparecida, volume VI, 7ª edição, Quimera, Lisboa, 1994; Lisboa em Movimento 1850 - 1920, Livros Horizonte, Lisboa, 1994; PROENÇA, Raul, Guia de Portugal, 1º volume, Biblioteca Nacional de Lisboa, 1924; TOSTÕES, Ana, Monsanto, Parque Eduardo VII, Keil do Amaral, Arquitecto dos Espaços Verdes de Lisboa, Editorial Salamandra, Lisboa, 1992.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; UE

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

JAL: 1758, Abril / 1759, Março - pequenos consertos no chafariz de São Pedro de Alcântara; 1761, Outubro / 1762, Setembro - obra no chafariz interino que se fez defronte de São Pedro de Alcântara; 1780 - reforma do aqueduto que parte daquela casa até à Casa de Registo de São Pedro de Alcântara; 1785 - limpeza do tanque do chafariz de São Pedro de Alcântara; 1793 - desentupimento dos chafarizes de São Pedro de Alcântara; 1790, 21 Junho - são ordenadas obras no chafariz e canos de São Pedro de Alcântara; 1805, 12 de Junho - deverão consertar-se os repuxos por onde passam as águas para os chafarizes de São Pedro de Alcântara.

Observações

*1 - "Do tabuleiro superior de S. Pedro de Alcântara goza-se um dos mais admiráveis panoramas de Lisboa, que vais dos terrenos tostados de Campolide até à Sé, em vagas ondulações, em tropéis de casaria esburacada, abrangendo toda a linha recortada dos outeiros orientais que o vale profundo da avenida separa da parte ocidental da cidade. Começa ao N. pelo casario novo das avenidas que irradiam até ao Campo Pequeno, de grandes cubos brancos aglomerados. A linha superior ondula depois pela cumeeira do monte de Santana, com a mancha amarela do convento das comendadeiras da Encarnação e as casas do pátio do Torel em estilo da Renascensa italiana, donde um tufo de verdura irrompe enfim entre as pedras e os muros. Para além deste vasto pano de fundo, espreita a torre da Penha de França, noutra ondulação distante. E as casas continuam umas após outras sobre o rasgão da Avenida, até ao montículo de S. Gens, comum ar campestre e uma ermidinha lá no alto, para descerem quase logo até à pesada Igreja da Graça e ás torres brancas de S. Vicente, recortando-se no azul do céu como se fossem de marfim. A cidade velha destaca-se agora perfeitamente: vem do velho castelo como uma pinha, mais amontoada numa confusão de paredes com buracos de janelas, e lá em cima, dos velhos muros sem carácter, desce até à baixa, e recorta-se até à velha Sé, de pedra doirada pela luz, que parece debruçar-se sobre a nesga azul do Tejo, debruada ao longe pelas colinas da Outra Banda, onde o castelo de Palmela ergue o severo perfil. Mas é ao entardecer que este panorama, cerceado na sua beleza, que poderia se empolgante, pelo aspecto vulgar e mesquinho da casaria, atinge o deslumbramento." (Guia de Portugal, p. 327). *2 - o tanque é proveniente da Quinta Real da Bemposta (v. PT). *3 - segundo alguns autores poderá ter vindo do Jardim do Regedor. *4 - a praça aberta para o chafariz era hexagonal, surgindo, ao centro, o chafariz, o de maiores dimensões e mais imponente construído em Lisboa, assinalando a zona final das obras das Águas Livres; era do tipo caixa de água, de planta rectangular, com dois níveis de tanques, o inferior com espaldar almofadado, formando cinco panos, os laterais reentrantes, rematados por platibanda, também almofadada, alteada e curva na zona central, onde se inscrevia uma bica, que, conjuntamente com outras duas, corria para um tanque amplo e lobulado; lateralmente, duas escadas levavam ao segundo piso, com espaldar tripartido, dividido por pilastras toscanas de silharia fendida, que sustentavam um entablamento dórico; o pano central apresentava painel recortado, assente em lacrimais e rematado em cornija interrompida, na base do qual surgiam quatro bicas em forma de florão; os panos laterais formavam apainelado rectangular, rasgado por óculo ovalado com moldura simples e fecho saliente; o remate era encimado por platibanda, urnas e, ao centro, a coroa real; sobre a estrutura, um templete, tripartido, dividido por paraestática de pilastras rusticadas e colunas de fuste liso e capitéis coríntios, assentes em plintos paralelepipédicos de faces almofadadas, que centravam apainelado rectangular, rematado por cornija; ao centro, vão de volta perfeita com moldura recortada e remate em frontão triangular, protegido por guarda balaustrada; nos panos laterais, apainelado rectangulares e óculos ovalados com motivo fitomórfico no topo; a estrutura rematava em entablamento, urnas com repuxos e era coberta por cúpula bolbosa, vazada por olhos-de-boi e coroada por esfera com repuxo fingido; esta zona superior funcionava como reservatório de água. *5 - o Chafariz interino era de espaldar simples, em cantaria de calcário lioz, onde surgiam cinco bicas, que jorravam para tanque rectangular, de bordos simples, a que se chegava por umas escadas de dois a cinco degraus, adaptando-se ao desnível do terreno.

Autor e Data

Ana Aguiar 1999 / Paula Figueiredo 2007

Actualização

 
 
 
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