Jardim do Príncipe Real / Jardim França Borges / Praça do Rio de Janeiro

IPA.00006998
Portugal, Lisboa, Lisboa, Misericórdia
 
Espaço verde de recreio.Jardim romântico de quarteirão ou jardim em praça de caracterização estilística romântica, constituído por vegetação ornamental disposta no sentido de criar ambientes agradáveis e acompanhada de elementos construídos, como bancos, canteiros, estátuas e peças de água. Caracterização romântica patente na composição naturalizada, no contraste claro-escuro produzido pela vegetação, nos caminhos sinuosos, na utilização de espécies exóticas e na criação de lugares pitorescos ou intimistas com tanques, lagos, coretos.
Número IPA Antigo: PT031106220439
 
Registo visualizado 753 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Espaço verde  Jardim  Jardim  Romântico    

Descrição

De planta trapezoidal, a plataforma do jardim desenvolve-se numa composição de canteiros e caminhos pavimentados que o recortam. Apresenta uma estrutura orgânica que se centra num tanque octogonal de grandes dimensões. No subsolo do jardim encontra-se localizada uma cisterna, designada por Reservatório de Água da Patriarcal, cujos arcos da abóbada suportam o grande tanque. O perímetro do tabuleiro é acentuado por um alinhamento de árvores de folha caduca em caldeira. Os canteiros que compõem a estrutura apresentam, também eles, formas orgânicas, constituindo os mais periféricos limite físico do próprio jardim, ao definirem, em conjunto com o alinhamento de árvores, uma passeio periférico. Na composição dos canteiros predomina uma vegetação de porte herbáceo. O estrato arbóreo que se espalha por todo o jardim, provoca ensombramento cerrado em duas manchas distintas, uma junto do vértice N. do jardim, uma outra ao longo da extremidade que se lhe opõe, abraça um cedro-do-buçaco cuja copa notável, suportada por uma estrutura metálica, forma uma área de estadia com cerca de 20 metros de diâmetro. Ao longo do jardim estão colocados outros equipamentos, como mesas de jogo, parque infantil, esplanada, 3 quiosques (venda de produtos alimentares, jornais e revistas), instalações sanitárias para animais, áreas de estadia pontual e bebedouros. A estatuária está presente por todo o jardim. Na extremidade E. encontra-se o monumento a França Borges, um medalhão de bronze com a efíge do jornalista e a figura da República, um busto de homenagem ao Dr. Sousa Viterbo e uma escultura em memória do 1º centenário da morte de Antero de Quental. A relação com o exterior é franca, pontualmente a vegetação impede a comunicação visual com o interior. Existem também três quiosques, um no lado poente, outro no nascente e um de tipologia rara, utilizado para a venda de flores. Para N. do tabuleiro desenvolve-se uma faixa triangular e esguia que, apesar de fisicamente separada deste pelo acesso viário, o amplia, constituindo ainda um miradouro (delimitado por um gradeamento de ferro) sobre a cidade oriental, o Vale de S. Bento, e sobre o Alto da Estrela. Em redor do tabuleiro, á excepção do limite E., está definida uma faixa compacta de estacionamento automóvel.

Acessos

Praça do Príncipe Real; Rua da Escola Politécnica (NO.); Rua D. João V e Rua do Século (E.); Calçada da Patriarcal (NE.); Rua da Palmeira e Rua do Jardim (S.).

Protecção

Inclui Espécies Florestais Classificadas de Interesse Público, DR, 2.ª série, n.º 34 de 12 fevereiro 1940 (Cupressus lusitanica), DR, 2.ª série, n.º 90 de 19 abril 1947 (Araucaria columnaris), DR, 2.ª série de 19 janeiro 2000 (Chorizia speciosa) / Incluído na Zona de Proteção no Aqueduto das Águas Livres (v. IPA.00006811) e na Zona Especial de Proteção Conjunta dos imóveis classificados da Avenida da Liberdade e área envolvente

Enquadramento

Situado na linha de festo de uma das principais colinas de Lisboa, sobre o eixo que liga a zona das Amoreiras à zona ribeirinha do Cais dos Sodré. Enquadrado por diversos palacetes e tendo próximo o Jardim Botânico da Faculdade de Ciências (IPA.00007006).

Descrição Complementar

"No magnífico terraplano sobranceiro à parte ocidental da cidade (...) Sobejam aqui bancos para que, se subirdes até lá, vos senteis agradecidos, e d' ahi gozeis um panorama formoso (...) Edificaram-se e estão em obras soberbas casarias, (...) é um lindíssimo local para residir e talvez o mais sadio de Lisboa (...), dão a entender que este bairro da cidade, com o seu novo e florescente jardim, se tornou o mais elegante e distingué..."

Utilização Inicial

Recreativa: jardim

Utilização Actual

Recreativa: jardim

Propriedade

Pública: municipal (jardim) / Privada: pessoa singular (quiosques)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ESCULTORES: Francisco dos Santos (1950); Lagoa Henriques (1991); Maximiliano Alves (1925). JARDINEIRO: João Francisco da Silva.

Cronologia

Séc. 15, início - o local era conhecido por Alto da Cotovia; Séc. 17, final - João Gomes da Silva Teles, filho do primeiro Marquês de Alegrete, recebe pelo casamento o Condado de Tarouca que incluía os terrenos do Alto da Cotovia. Neste local projecta um luxuoso palácio cuja obra não chega a ser concluída; 1740 - o espaço do jardim era ocupado pelas ruínas do palácio do Conde de Tarouca, considerado lixeira do Bairro Alto. O herdeiro do terreno, o Marquês de Penalva, vende-o ao Colégio das Missões dos padres da Companhia de Jesus que procedem à limpeza do terreno e iniciam a construção do edifício destinado ao Colégio das Missões; 1755 - o terramoto inviabiliza a obra e destruindo os alicerces do palácio do Conde de Tarouca. Depois do terramoto, o terreno passa a local de acampamento dos regimentos militares da província; 1756 - Monsenhor Perry de Linde celebra a primeira missa na nova Basílica Patriarcal, aí instalada; 1761 - terminam as obras na basílica Patriarcal; 1769 - arde parte da Basílica Patriarcal num pequeno incêndio; 1771 - um grande incêndio devasta por completo a Patriarcal. O lugar passa a ser conhecido por "Patriarcal Queimada"; 1789 - o Visconde de Vila Nova de Cerveira, Ministro da Fazenda e Presidente do Erário, sugere a D. Maria I a construção do Real Erário neste local, obra iniciada pelo Arquitecto José da Costa e Silva; 1797 - a obra é abandonada apenas com duas fiadas de cantaria acima do terreno, assim permanecendo vários anos; 1833 - o governo manda limpar o local e entrega-o à Câmara incumbida de concretizar a nova praça; 1851-1856 - define-se a regularização e desenho da praça. Terraplanagem do local; 1856 - o Reservatório de Água da Patriarcal é projectado; 1859 - construção do grande tanque. A praça adquire a designação de Príncipe Real; 1863 - conclusão das obras do jardim e do reservatório de água; 1864 - colocação de 30 bancos no jardim; 1911 a 1919 - a praça recebe a designação de Praça do Rio de Janeiro; 1925. 4 Novembro - ergue-se o monumento a António França Borges, esculpido por Maximiano Alves, erigido por uma comissão presidida por Domingos Leite Pereira; 1950, 15 Junho - feitura do busto do Dr. Sousa Viterbo, realizado por Francisco dos Santos; 1950 a 1960 - funciona no jardim uma biblioteca municipal móvel; 1963 a 1970 - funciona no jardim um feira durante grande parte do verão; 1991 - colocação do monumento comemorativo do 1º centenário da morte de Antero de Quental, executado por Lagoa Henriques.

Dados Técnicos

O reservatório de água que se situa por baixo do tanque permite o seu abastecimento e tem ligação aos chafarizes do Século, Loreto e S. Pedro de Alcântara. Tem uma cota de 67 m e capacidade de 880 m3; de forma octogonal, suporta o tanque nos seus 31 pilares com 9,25 m de altura.

Materiais

INERTES: pavimento em calçada portuguesa. VEGETAL: araucária (Araucaria bidwilli), árvore-da-borracha (Ficus macrophylla), árvore-de-fogo (Metrosideros tomentosa), Asvattha (Ficus religiosa), cedro-do-buçaco (Cupressus lusitanica), corisia (Chorizia speciosa), ginkgo (Ginkgo biloba), nogueira negra (Juglans nigra), sequóia (Sequoia sempervirens).

Bibliografia

BONY, Claudie, Uma História de Quiosques, Lisboa, Artemágica, 2004; CAEIRO, Baltazar Matos, Os Quiosques de Lisboa, Sacavém, Distri Editora, 1986; DIAS, Marina Tavares, Lisboa Desaparecida, Vol. 2, 4ª edição, Quimera, Lisboa, 1989; FRANÇA, José Augusto, A Sétima Colina: Roteiro, Histórico-Artístico, The Seventh Hill, trad. SENA, Maria José, Livros horizonte, Lisboa, 1994; FERREIRA, Rafael Laborde, VIEIRA, Victor Manuel Lopes, Estatuária de Lisboa, Lisboa, Amigos do Livro, Lda., 1985; JACKSON, Catherine Charllote, pref. anot. BRANCO, Camilo Castelo, Livraria portuense, Porto, 1877; A Formosa Lusitânia, PROENÇA, Raul, Guia de Portugal, 1º volume, Biblioteca Nacional de Lisboa, 1924.

Documentação Gráfica

UE; CML: Gabinete de estudos Olissiponeneses; BNP

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; CML: Arquivo Fotográfico de Lisboa

Documentação Administrativa

CML

Intervenção Realizada

Observações

Existe projecto (ESLI - empresa do grupo Em parques) para a construção de parque de estacionamento; eventuais impactes negativos sobre a praça, o jardim e o reservatório subterrâneo da Patriarcal; a forma octogonal do tanque deriva da forma de uma parte do edifício do Real Erário cuja construção se iniciou.

Autor e Data

Paula Simões 1999

Actualização

Pereira de Lima 2007
 
 
 
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