Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian

IPA.00006995
Portugal, Lisboa, Lisboa, Avenidas Novas
 
Espaço verde de recreio.Jardim cujo o espaço já foi Quinta, Jardim Zoológico, Feira popular e Parque.Inspirado na "Ilha dos Amores" dos Lusíadas, este jardim obedece a uma linguagem modernista, patente em aspectos como isolamento visual e acústico em relação à envolvente, traçado dos caminhos, tratamento da vegetação com vista à definição dos espaços abertos e fechados, o facto do jardim como que "entrar pelas vastas janelas do edifício"marcando uma presença de enorme força, numa comunhão perfeita entre ambos conseguida com um avançar simultâneo e interrelacionado entre os projetos de arquitetura e arquitetura paisagista. Concepção paisagística. Pela sua localização na cidade e pelo alheamento que proporciona relativamente ao exterior, constitui um espaço convidativo à prática livre das mais variadas actividades de lazer, nomeadamente passeio, leitura, estudo. A variedade de vegetação e de composição de espaços permite e incentiva a presença de uma avifauna bastante variada. É um dos mais importantes espaços verdes da cidade de Lisboa.
Número IPA Antigo: PT031106230438
 
Registo visualizado 3801 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Espaço verde  Jardim  Jardim  Modernista    

Descrição

Espaço murado, delimitado pela Avenida de Berna (N.), Avenida António Augusto de Aguiar (O.), Rua Marquês de Sá da Bandeira (E.) e pelo Centro de arte Moderna (S.), adaptado à modelação natural do terreno em que se inscreve, numa composição orgânica que se opõe às linhas do edificado. Praticamente em todo o seu perímetro o jardim é delimitado por uma cortina arbórea que o protege, isolando-o dos ruídos do exterior e permitindo também o desenvolvimento de condições microclimáticas no interior, e o intimismo do próprio jardim. O Jardim assume duas linguagens distintas, uma na área fronteira ao edifício, uma outra na parte de jardim propriamente dita, contida, de maior intimidade e dimensões. Estas duas áreas estão interligadas pelo sistema de caminhos e pelo conjunto da vegetação que compõe o jardim. A entrada principal, na Avenida de Berna, abre-se num jardim, ligeiramente sobreelevado relativamente ao passeio, que comunica visualmente com o exterior. Apresenta uma forma longilínea, compartimentada pelo acessos ao parque de estacionamento subterrâneo e para entrada e saída de automóveis, cujo estacionamento é permitido frente á fachada principal do edifício. Constitui um enorme espaço de enquandramento à fachada do edifício. A composição naturalista do jardim, assenta em grandes áreas de relvado, envoltas e pontuadas por sebes de árvores e arbustos ou por elementos isolados, recortadas por grandes lajes de betão que oferecem um sistema de percursos ao longo de todo o jardim. Por ambos os lados do edifício (E. ou O.), a ligação à parte de jardim anterior é francamente assumida por um percurso, disposto em posição privilegiada relativamente às plantações. Um lago de grandes dimensões, de margens naturalizadas, desenvolve-se na área de cota inferior, sensivelmente central ao jardim anterior, reforçando a morfologia do terreno. É um espaço com grande potencial recreativo, em que dinamização cultural dos seus espaços é frequente, nomeadamente o anfiteatro, verificando-se a presença constante de grupos amadores que o utilizam como cenário. Vários elementos escultóricos pontuam o jardim. Na cortina arbórea-arbustiva envolvente do parque a N. e a E. foram criadas, em zonas de clareira definidas pelo tempo pequenas áreas de estadia cujo acesso se faz a maior parte das vezes por percursos secundários que partem dos percursos principais , encontrando-se inscritos no terreno por lajetas de betão. Junto ao limite NO. do parque, numa área junto à esquina do edifício do museu, foi ainda criado um lago de pequenas dimensões, propositadamente oculto por vegetação do caminho principal que passa nas suas imediações, que exerce um efeito surpresa no utente do parque. Foi ainda criado um passadiço sobreelevado frente à entrada E. do edifício do museu. Na zona NO. do parque foi criado um bosquete de lódãos e mais a S. , junto ao anfiteatro, frente ao Centro de Arte Moderna foi plantado um pinhral com árvores em três diferentes estados de maturação que vão desde o metro e meio de altura e os cinco metros.

Acessos

Avenida de Berna

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional / ZEP, Decreto n.º 18/2010, DR, 1.ª série, n.º 250, de 28 dezembro 2010

Enquadramento

Urbano, destacado, isolado por muro das artérias de circulação delimitando os espaços verdes nos quais é observável uma avifauna bastante variada com destaque para os anatídeos, em particular o Pato-real (Anas platyrhynchos) que aqui nidifica, vários passeriformes, abundam igualmente o Periquito-rabijunco (Psittacula krameri); ocasionalmente é possível ver-se o Goraz (Nycticorax nycticorax), a Garça-real (Ardea cinerea)e a Garça-vermelha (Ardea purpurea) e o Gaio (Garrulus glandarius) entre outros.

Descrição Complementar

«A 28 de Maio de 1884 o Jardim Zoológico era aberto ao público. Foi, de facto, um acontecimento. Não eram muitos os animais. Mas era grande a variedade, e instalados com «gosto pitoresco, com graça artística», no dizer de Ramalho, que repetidamente enaltece a importância civilizadora do Instituto. E havia passeios de carruagem, de poney ou de camelo, jogos infantis e outras actividades... Ambiente aprazível, com lagos e estátuas, rotundas e avenidas embelezadas por eucaliptos e pinheiros marinhos; «parque magnífico», escrevia Malheiro Dias, «uma das atracções e um dos orgulhos de Lisboa» (Parque Calouste Gulbenkian - Guia Botânico, p. 7)

Utilização Inicial

Recreativa: jardim

Utilização Actual

Recreativa: jardim

Propriedade

Privada: fundação

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Fernando Larre (1730). ARQUITETOS PAISAGISTAS: António Viana Barreto (1959); Gonçalo Ribeiro Telles (1959, 2003); Edgar Sampaio Fontes (estudo de integração paisagística do edifício do Centro de Arte Moderna). BOTÂNICO: Jacob Weiss (1852). ESCULTOR: Leopoldo de Almeida (1965).

Cronologia

1730 - construção do palácio e jardim por Fernando Larre, arquiteto francês, servidor de D. João V; 1760 - segundo uma notícia desta data depreende-se que as obras de Larre estão dadas por terminadas; 1860 - a propriedade com o palácio foi comprada aos Larres, por José Maria Eugénio de Almeida, alterando a casa para uma luxuosa moradia burguesa; 1852 - a estrada de circunvalação separava a área arborizada existente a N. do palacete; nessa área, o proprietário decide fazer um parque, que designou de Santa Gertrudes, para essa tarefa contratou Jacob Weiss, botânico artista que trabalhava em Paris e dirigira também o Parque de Monteiro Mor no Lumiar; 1872 - falecimento de José Maria Eugénio, sucedido por seu filho Carlos; 1882 - são dados os primeiros passos para a fundação do Jardim Zoológico de Lisboa; 1883, 19 fevereiro - reunião com a presença da elite da cidade de Lisboa, em que foi eleita a comissão fundadora do Jardim; 26 Junho - aprovação dos estatutos da Sociedade do Jardim Zoológico e de Aclimação em Portugal, com o capital nominal fixado em 300 contos e realizado em 81.940$00; 5 Setembro - constituição da sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada; 1 Outubro - eleição da primeira direção presidida pelo Visconde de São Januário; nomeação do rei D. Fernando II como Presidente de Honra; 1884, 28 maio - abertura ao público do Jardim Zoológico, instalado na área do parque; 1889 - prorrogação de cedência do Parque de São Sebastião da Pedreira por mais cinco anos; 1892 - depois do falecimento da sua mãe, Carlos Maria Eugénio, reclama a posse do parque, no entanto, a cedência só acabaria em 1894; 1957, abril - data de aquisição a Vasco Maria Eugénio de Almeida, de parte do Parque de Santa Gertrudes, para construção dos edifícios necessários à instalação da Fundação Calouste Gulbenkian e reconstrução na parte sobrante de um parque para uso próprio e público; 1959 - abertura do concurso para o projeto da Sede e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, que viria a ser ganho pela equipa Alberto Pessoa, Pedro Cid e Ruy Jervis d'Athouguia, participando como consultores da equipa os arquitetos paisagistas António Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Telles, para a conceção de um parque que envolvesse o edifício; 1961, dezembro - anteprojeto do parque; 1962 - início das obras com a adjudicação das terraplanagens e muros de suporte; 1965, 20 julho - inauguração da escultura comemorativa de Calouste Gulbenkian, da autoria de Leopoldo de Almeida; 1967 - começaram a ser adjudicadas as empreitadas de acabamento de interiores; 1969, 2 outubro - inauguração dos edifícios e jardins; 1970 - últimas plantações no parque durante o período da Primavera; 1970, setembro - 12º Congresso da Federação Internacional dos Arquitetos Paisagistas nas instalações da Fundação Gulbenkian; 1980, 12 agosto - parecer da Comissão ad hoc do IPPC, a propor a classificação do mural "Começando", da autoria de Almada Negreiros; 1998, 17 dezembro - proposta de abertura do processo de classificação do edifício e jardins; 2002, 22 maio - Despacho do Vice-Presidente do IPPAR determinando a abertura do procedimento administrativo relativo à eventual classificação do conjunto do Parque, edifício-sede, Museu, Centro de Arte Moderna e jardins da Fundação; 2003 - início das obras de remodelação do Parque por Gonçalo Ribeiro Telles; 2005, 11 março proposta da DRLisboa de classificação do conjunto como Monumento Nacional; 2006, 01 março - parecer favorável à classificação pelo Conselho Consultivo do IPPAR; 2006, 07 junho - Despacho de homologação do Secretário de Estado da Cultura.

Dados Técnicos

Materiais

INERTES:lajes de betão. VEGETAL: àrvores - loureiro (Laurus nobilis). , vidoeiro(Betula celtiberica) ; arbustos - azevinho (Ilex aquifolium).

Bibliografia

ANDERSEN, Teresa, "Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian - Francisco Caldeira Cabral e a primeira geração de Arquitectos Paisagistas (1940-1970)", Lisboa, 2003, p.110,FERREIRA, Rafael Laborde, VIEIRA, Victor Manuel Lopes, Estatuária de Lisboa, Lisboa, Amigos do Livro, Lda., 1985; Parque Calouste Gulbenkian, Guia Botânico, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1989.

Documentação Gráfica

IHRU: Arquivo pessoal do Arquitecto Paisagista António Viana Barreto, Arquivo pessoal do Arquitecto Paisagista Gonçalo Ribeiro Telles

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU:,Arquivo pessoal do Arquitecto Paisagista António Viana Barreto

Intervenção Realizada

Colocação de mapas interpretativos do jardim; 1962 - início das obras com a adjudicação das terraplanagens e muros de suporte.

Observações

Autor e Data

Paula Simões 1999

Actualização

Teresa Camara 2006 / Luísa Estadão 2007
 
 
 
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