Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian

IPA.00006995
Portugal, Lisboa, Lisboa, Avenidas Novas
 
Espaço verde de recreio que consubstancia os fundamentos do modernismo na Arquitetura Paisagista. Os edifícios foram concebidos em função dos elementos vegetais notáveis preexistentes ou projetados de forma a tirar o melhor partido daquele espaço salientando o espírito do lugar (Genius locci). Respeitando estas preexistências, uma modelação do terreno acentuando as diferenças de nível, associada a uma distribuição adequada dos maciços vegetais levando à delimitação de clareiras tirando partido do contraste luz/sombra, permitiu a criação de perspetivas profundamente relacionadas com os volumes e espaços dos edifícios em si. A perfeita continuidade entre os espaços interiores e exteriores permite que a vida do edifício se estenda naturalmente para salas de estar ao ar livre e destas para o interior do mesmo, completando-se estética e funcionalmente, sem no entanto cada um destes espaços perder a sua identidade. Concebido num período de implementação de novos hábitos de vida ar livre da população e a sua implicação na fruição do espaço verde público, este projeto, de base naturaliza, foi atual relativamente às técnicas, materiais utilizados e funções específicas de cada zona e respetivos ambientes. Na promoção de um ambiente intimista, confortável, que convidasse à meditação, foi erguida uma espessa cortina arbórea acompanhando os limites da parcela confinantes com a via pública, protegendo o espaço da intrusão visual dos prédios vizinhos, do ruído do tráfego e atenuando a velocidade dos ventos dominantes, que sopram do quadrante N. No elenco florístico do jardim, além da permanência dos elementos arbóreos notáveis já existentes no local, privilegiou-se a plantação espécies autóctones, ponteadas por algumas espécies exóticas bem adaptadas às condições existentes, desde que garantida a sua correta integração na paisagem. A variedade de vegetação e da composição de espaços permite e incentiva a presença de uma avifauna bastante variada. Estes dois fatores a par com a presença de numerosos elementos escultóricos contemporâneos estrategicamente colocados, desenvolvem a implícita vertente cultural deste espaço.
Número IPA Antigo: PT031106230438
 
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Registo

 
Espaço verde  Jardim  Jardim  Modernista    

Descrição

Jardim de planta trapezoidal, cercado por muro em pedra com cerca de 0.8 m. de altura, comunica com as vias envolventes por cinco portões metálicos de altura semelhante, um deles situado a E., dois a O. e outros dois localizados no topo N. Todos eles possibilitam um acesso pedonal e automóvel há exceção de um dos portões situado a O., que comunica com o jardim e edifício sede através de escadaria. Ambos os portões situados no topo N. do jardim dão acesso a uma garagem subterrânea e comunicam por rampas com a entrada principal do edifício sede da Fundação, destinando-se uma delas à entrada e outra à saída de veículos. Junto ao topo E. deste edifício, em posição perpendicular situa-se o edifício museu, que alberga a coleção permanente e a biblioteca. Ligado ao edifício sede, situa-se ainda para sul um grande auditório, cuja construção avança sobre o jardim. Os caminhos que percorrem este espaço podem ser classificados em três categorias: os caminhos principais ou primários cujo pavimento é revestido por paralelepípedos em granito, que estabelecem a ligação entre o exterior e edifícios da Fundação e que possibilitam circulação automóvel, os caminhos secundários que são estritamente pedonais, definidos por placas quadrangulares em betão construídas in situ com dimensões compreendidas entre os 3 m. e cerca de 1,5m. de lado, justapostas de modo descentrado e os caminhos terciários, também estes unicamente pedonais, cujo pavimento é constituído por lajetas retangulares em granito com 1 metro de comprimento por 0,30 a 0,50 m. de largura, intervaladas por cerca de 2 a 4 cm. de solo revestido com gramíneas, colocadas paralelamente ou ortogonalmente entre si, separando a orla arbustiva das herbáceas. Os caminhos secundários e os terciários, ao contrário dos caminhos primários, não definem percursos retilíneos, possibilitando assim uma descoberta progressiva do jardim, que não se revela num só olhar. Ao longo do seu perímetro, foi plantada uma cortina arbórea que além de amortecer do ruído exterior, promovendo a sua quietude, protege-o dos ventos predominantes, do quadrante N., proporcionando o desenvolvimento de condições microclimáticas no interior, logo novos ecossistemas, e também ainda das vistas dos prédios envolventes que destroem perspetivas ocultando-os, contribuindo com a conjugação de todos estes fatores para fomentar um ambiente de intimidade e interioridade. Na encosta de São Sebastião, o jardim, de caracter naturalista, assume três linguagens distintas. Uma PRIMEIRA ZONA, junto ao seu sopé formalizado pela Avenida de Berna, compreendida entre esta e a fachada principal do edifício Sede, constitui um enorme espaço de enquadramento. Em plano inclinado, este espaço, construído quase na totalidade da sua área sobre o parque de estacionamento da Fundação com as restrições que daí advêm em termos de profundidade do solo, revestido na maioria da sua área verde por prado. Esta zona é cortada por dois caminhos principais em rampa, separados por cerca de 36 metros, que ligam o exterior a um patamar fronteiro às fachadas principais dos edifícios Sede e Museu. Uma das rampas serve a entrada e a outra de saída de carros e ambas os peões. Estas vias dividem esta zona do jardim em três grandes placas. Cada uma destas placas tem inscritos caminhos secundários: na placa O. esse caminho descreve um percurso aproximadamente diagonal junto ao canto interior mais próximo da entrada principal da fundação; na placa central, que se situa em frente a esta entrada, estes caminhos descrevem como que um xis e na placa E a sua trajetória segue no interior, aproximadamente paralela às fachadas N. dos edifícios Sede e do Museu, bifurcando por três vezes; uma para dar acesso a uma zona de estadia com banco no interior da placa, outra para dar acesso à entrada principal do Museu e finalmente uma última em direção da rampa de trânsito ascendente. Em cada uma das três placas a orla de árvores e arbustos envolvente é separada do prado por um caminho terciário de trajeto sinuoso. Esta orla apenas é interrompida a NO por um eixo visual direcionado para o Palácio Palhavã e desta zona para o edifício sede. Sobre este eixo situa-se destacado, ensombrado por uma magnólia (Magnolia grandiflora), um elemento escultórico figurando o Sr. Calouste Sarkis Gulbenkian (1869-1955), o fundador desta instituição, da autoria do escultor Leopoldo de Almeida. Em oposição a S., na meia encosta, temos situada uma SEGUNDA ZONA, de topografia bem mais acidentada, o que promove não só várias perspetivas como também diferentes exposições solares que implicam diversos microclimas e consequentemente ecossistemas adequados. Esta zona desenvolve-se em redor de um grande lago central de contornos irregulares e margens naturalizadas com vegetação ripícola, alimentado por dois riachos com origem um deles a S. e outro a O.. Possui ainda um efluente que segue em direção a E. A montante do riacho O., entre a orla que acompanha o caminho de grande lajes de betão e a orla de proteção periférica da Fundação, situa-se um maciço arbóreo de lódãos (Celtris australis) e dois eucaliptos. Este local que se diferencia dos envolventes por um pavimento de brita de cor ferruginosa, foi alvo de um tratamento especial, já que é delimitado de ambos os lados por espelhos constituídos por uma fina espessura de água, fusiformes e sinuosos. Também outros espelhos de água circulares, com cerca de 1m de diâmetro, refletem as árvores deste bosque diferenciado, revelando a sua imagem invertida e o céu entre o copado, constituindo este líquido um elemento unificador desta composição. Contém também bancos em metal oxidado semi-circulares, de cor semelhante à do pavimento, que acompanham as formas deste bosque. A mancha arbórea expande-se para além da orla o outro lado do caminho, até ao edifício Fundação. Visível do interior através dos auditórios, do bar e esplanada que lhes servem de apoio, vamos encontrar além dos lódãos numerosas bétulas (Betula celtiberica) que ensombram um roseiral. A vertente. mantem-se arborizada até ao nível das águas do lago até que, orientado a NE. encaixado no terreno, se localiza um anfiteatro com 5 faces retas, aberto sobre a paisagem, sendo os bancos com costas em betão. No centro da composição situa-se um palco coberto por pala. Na cumeada, referido o caminho em lajes de betão, passando junto ao Museu Calouste Gulbenkian-Coleção Moderna, conduz a um pequeno pinhal manso (Pinus pinea) que juntamente com um alinhamento de ciprestes (Cupressus sempervirens) ao longo da sua fachada N. enquadram este edifício na paisagem, reduzindo o seu impacto visual. Este pinhal é constituído por árvores de diferentes portes, permitindo assim a sua renovação progressiva sem prejuízo do conjunto. Comunica com a margem do S. lago por escada bordejada por arbustos que conduz a caminho com cerca de 1m. que segue acompanhando a sua margem até à vertente SE..A E. do Pinhal situa-se um lago de margens naturalizadas, atravessado pelo caminho das grandes lajes em betão, alimentado por um tanque adossado à fachada N. do Museu Calouste Gulbenkian-Coleção Moderna. Este lago com pouca profundidade e fundo visível coberto por seixo rolado, de contornos irregulares há exceção de três degraus que constituem o ponto de contacto com o referido tanque, está envolto de vegetação ripícola com predominância do papiro (Cyperus papyrus), alimenta o riacho S.. Este tem origem a montante, na proximidade do extremo S., deste jardim. O seu percurso é curvilíneo e tem uma direção aproximada SE.-NO, alimentando o grande lago neste extremo do mesmo. Este riacho é bordejado na maioria do seu curso por canas de bambu dourado (Phyllostachys aurea). Adjacente ao mesmo está a vertente do lago orientada a O., no cimo da qual se situa o Edifício da Centro Interpretativo Gonçalo Ribeiro Telles, em homenagem a um dos arquitetos paisagistas projetistas do jardim. Este é um espaço multimédia com gelataria e cafetaria adjacente com esplanada. Esta encosta suave possui junto à sua cumeada um exemplar notável de uma árvore-da-borracha australiana (Ficus macrophylla) e três eucaliptos-comuns (Eucalyptus globulus), estes ensombram um núcleo de seis bancos e duas mesas, com pequeníssimos desníveis pavimentados em calçada graúda de granito, acompanhando assim o declive, que enquadram, um jogo de xadrez em calçada miúda de basalto e calcário. Abaixo desta zona, na proximidade da margem do lago situa-se um caminho em grandes lajes de betão que conduz ao referido braço efluente do mesmo, que se dirige para E., atravessando-o e conduzindo à cumeada da maior zona de estadia informal deste jardim, preenchida por um grande relvado com declive suave, orientado a S.. No extremo NO deste relvado, junto ao ângulo definido entre os edifícios galeria de exposições temporárias e grande auditório encontra-se outro exemplar notável, de um eucalipto-comum (Eucalyptus globulus). Esta zona encontra-se ponteada por elementos escultóricos de arte contemporânea colocados em pontos estratégicos que valorizam e que são valorizados pelos perspetivas do jardim. Entre a PRIMEIRA ZONA, definida como a área de enquadramento do edifício sede e a SEGUNDA ZONA, aquela em que o jardim assume claramente uma função de lazer, encontram-se DUAS ZONAS DE TRANSIÇÃO que acompanham que as unem a O. e a E. Ambas apresentam planta aproximadamente retangular mas, enquanto que a zona O. é constituída apenas, além da orla e sebe arbórea limítrofes da fundação, pela vegetação que enquadra do caminho que estabelece esta ligação, na zona E. esta transição é muito mais complexa. Junto à fachada E. do edifício do museu encontra-se um relvado ondulado para recreio das crianças, sombreado por choupos brancos (Populus alba) e choupos negros (Populus nigra). Do lado oposto do caminho de grandes lajes em frente à sua entrada desta fachada, tem início um passadiço sobrelevado, para pessoas com acesso condicionado. Entre o extremo NE. deste edifício e o caminho principal, situa-se um pequeno lago com nenúfares, de margens de contorno irregular naturalizadas, junto ao qual se localizam duas zonas de estadia com bancos. Este lago, unicamente com acesso por caminhos secundários, está propositadamente oculto por vegetação do caminho principal, exercendo assim um efeito-surpresa. Do lado oposto do caminho principal situa-se uma zona de estadia que à semelhança com o que se passa no referido maciço arbóreo de lódãos, é também diferenciada da envolvente por um pavimento de brita de cor ferruginosa e também possui bancos em metal oxidado semicirculares, de cor semelhante à do pavimento. Aqui o ambiente é proporcionado por um maciço de três exemplares notáveis de Ficus Rubijinosa que proporcionam uma ampla área de sombra filtrada, criando um microclima que possibilita a existência dos fetos arbóreos que contém. Entre este espaço de estadia e a cortina arbórea e orla arbustiva que limitam a fundação a E. Localiza-se um caminho sinuoso com cerca de 1m. de largura, pavimentado por seixo rolado fixado material ligante, que conduz a uma clareira, no extremo N.E da Fundação, onde se inscrevem no solo cinco espelhos de água circulares laminares, com diâmetros compreendidos aproximadamente entre 1m. e os 2m.

Acessos

Avenida de Berna

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 18, DR, 1.ª série, n.º 250, de 28 dezembro 2010 / ZEP, Portaria n.º 260, DR, 2.ª série, n.º 20, de 28 de janeiro de 2011

Enquadramento

Urbano, localizado no terço inferior de encosta orientada a N., junto a bacia de confluência de águas de escorrimento superficial ocupada pela Praça de Espanha. Envolvido pelo reticulado da malha urbana consolidada, apresenta-se destacado, isolado por muro das artérias de circulação envolventes; a Avenida de Berna (N.), a Avenida António Augusto de Aguiar (O.) e a Rua Marquês de Sá da Bandeira (E.).A S. confina com os jardins da Fundação Eugénio de Almeida.

Descrição Complementar

Nestes espaços verdes é observável uma avifauna bastante variada com destaque para os anatídeos, em particular o Pato-real (Anas platyrhynchos) que aqui nidifica, vários passeriformes, abundam igualmente o Periquito-rabijunco (Psittacula krameri); ocasionalmente é possível ver-se o Goraz (Nycticorax nycticorax), a Garça-real (Ardea cinerea)e a Garça-vermelha (Ardea purpurea) e o Gaio (Garrulus glandarius) entre outros.

Utilização Inicial

Recreativa: jardim

Utilização Actual

Recreativa: jardim

Propriedade

Privada: fundação

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Fernando Larre (1730). ARQUITETOS PAISAGISTAS: António Viana Barreto (1959); Gonçalo Ribeiro Telles (1959, 2003); Edgar Sampaio Fontes (estudo de integração paisagística do edifício do Centro de Arte Moderna). BOTÂNICO: Jacob Weiss (1852). ESCULTOR: Leopoldo de Almeida (1965).

Cronologia

1730 - construção do palácio e jardim por Fernando Larre, arquiteto francês, servidor de D. João V; 1760 - segundo uma notícia desta data depreende-se que as obras de Larre estão dadas por terminadas; 1860 - a propriedade com o palácio foi comprada aos Larres, por José Maria Eugénio de Almeida, alterando a casa para uma luxuosa moradia burguesa; 1852 - a estrada de circunvalação separava a área arborizada existente a N. do palacete; nessa área, o proprietário decide fazer um parque, que designou de Santa Gertrudes, para essa tarefa contratou Jacob Weiss, botânico artista que trabalhava em Paris e dirigira também o Parque de Monteiro Mor no Lumiar; 1872 - falecimento de José Maria Eugénio, sucedido por seu filho Carlos; 1882 - são dados os primeiros passos para a fundação do Jardim Zoológico de Lisboa; 1883, 19 fevereiro - reunião com a presença da elite da cidade de Lisboa, em que foi eleita a comissão fundadora do Jardim; 26 Junho - aprovação dos estatutos da Sociedade do Jardim Zoológico e de Aclimação em Portugal, com o capital nominal fixado em 300 contos e realizado em 81.940$00; 5 Setembro - constituição da sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada; 1 Outubro - eleição da primeira direção presidida pelo Visconde de São Januário; nomeação do rei D. Fernando II como Presidente de Honra; 1884, 28 maio - abertura ao público do Jardim Zoológico, instalado na área do parque; 1889 - prorrogação de cedência do Parque de São Sebastião da Pedreira por mais cinco anos; 1892 - depois do falecimento da sua mãe, Carlos Maria Eugénio, reclama a posse do parque, no entanto, a cedência só acabaria em 1894; 1953, 18 junho - data do testamento do Sr. Calouste Sarkis Gulbenkian no qual previu criação de uma fundação com sede em Lisboa, com fins caritativos, artísticos, educacionais e científicos e instituiu-a herdeira da sua fortuna; 1955, 20 julho - falecimento do Sr. C. S. Gulbenkian; 1956, novembro a 1957 setembro - " (…) tratou-se exclusivamente da localização das instalações da Fundação e da programação geral dos edifícios a construir." 1957, 30 de abril - data de aquisição a Vasco Maria Eugénio de Almeida, de parte do Parque de Santa Gertrudes, num total de 69 283 m2 para construção dos edifícios necessários à instalação da Fundação Calouste Gulbenkian e reconstrução na parte sobrante de um parque para uso próprio e público; 1957 - " (…) Em Abril deste ano houve oportunidade de em Paris visitar o novo edifício da UNESCO e de examinar os novos projectos dos museus do Havre e de Paris (Artes e Tradições Populares). Também no ICOM, serviço que na UNESCO se ocupa de museus, foi possível obter informações pormenorizadas sobre o sentido da evolução actual da museologia, em face da experiencia colhida na construção dos novos museus da América e da Europa, principalmente em Itália. Todos estes elementos informativos foram de grande utilidade para o prosseguimento dos trabalhos de programação do museu que estão agora a prosseguir ativamente de colaboração com os Serviços de Belas Artes."; 1958, fevereiro- Ribeiro Telles, cujo desempenho Guimarães Lobato conhecia, na CML, projetou um jardim a sul das instalações provisórias que alterou e expandiu em maio mediante a transferência dos Serviços da Administração para o local; 1958, março - Azevedo Coutinho apresentou a o "Esquema de Execução dos Trabalhos Iniciais de Jardinagem no Parque de Palhavã."; Azeredo Perdigão deu a esta proposta, o seu parecer favorável. A maioria das medidas propostas por Azevedo Coutinho foram concluídas no tempo previsto e o espaço evidenciou então todas as suas potencialidades; 1959, início - ficou definido o programa das Instalações da Sede e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian; 1959 - abertura do concurso para o projeto da Sede e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, que viria a ser ganho pela equipa Alberto Pessoa, Pedro Cid e Ruy Jervis d'Athouguia, participando na equipa o arquiteto paisagista António Viana Barreto, para a conceção de um parque que envolvesse o edifício. Viana Barreto sugere então a Guimarães Lobato o nome de Ribeiro Telles como membro a adicionar à equipa.; 1960, 5 junho - Num relatório de atividades de Guimarães Lobato este afirma: "Retiraram-se do parque cerca de 8000 m cúbicos de entulhos (…) procedeu-se à replantação do parque e ao seu arranjo paisagístico com grandes espaços relvados.; 1961, dezembro - anteprojeto do parque da autoria dos arquitetos paisagistas António Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Telles. A adesão a esta proposta por parte do Conselho de Administração e pelo resto da equipa foi imediata o mesmo não acontecendo com os edifícios cuja proposta final estava atrasada; 1962, janeiro - procedeu-se à encomenda de árvores destinadas às zonas não implicadas nas obras e à cortina arbórea envolvente, protetora do parque a nível sonoro e das vistas; 1962 - início das obras com a adjudicação das terraplanagens e muros de suporte; 1963, 31 março - foi entregue o projeto de execução, denominado como "Projecto definitivo do Arranjo do Parque" após o que se iniciou um primeiro ciclo de obras que decorreu até 1965, modelando-se o terreno entre o edifício do museu e a Galeria das Exposições temporárias e o lago e ainda o roseiral, nivelou-se a zona do atual palco do anfiteatro ao ar livre, desmontou-se o lago antigo e construiu-se um outro de maiores dimensões, dando-se início à plantação das suas margens bem como à sementeira dos relvados na áreas adjacentes, com vista a que a zona do parque a sul do edifício estivesse pronta a 20 de Julho de 1965, data do décimo ano da morte de Calouste Gulbenkian; 1965, 20 julho - homenagem e inauguração da escultura de Calouste Gulbenkian, da autoria de Leopoldo de Almeida e batismo do espaço como Parque Calouste Gulbenkian; 1965, janeiro a 1969, dezembro - Viana Barreto e Ribeiro Telles tinham uma avença com a Fundação para a elaboração do projeto de arranjo do Parque de Santa Gertrudes - Sede e Museu; 1966 - apresentação de um projeto de revisão com base na ampliação do piso inferior do auditório e na criação de um Centro de Ballet no extremo sul da propriedade, que implicava a compra de uma faixa de terreno de 26 m de largura a Conde Vilalva, o que obrigou à reformulação de uma área do parque já considerada como concluída. Esta revisão teve como alterações ao projeto de 1961: a integração do eixo visual, continuador de um eixo que Weiss tinha criado e se mantinha no Parque de Santa Gertrudes, através da proposta da separação das duas propriedades por uma grade; a ampliação do lago e finalmente a conversão do anfiteatro ao ar livre de linhas irregulares num anfiteatro formal, de construção mais económica; 1967 - começaram a ser adjudicadas as empreitadas de acabamento de interiores; 1967, 26 novembro - ocorreram grandes cheias em Lisboa que levaram a que os arquitetos paisagistas tenham partido em busca de novas soluções já que na proposta do jardim não constava qualquer muro limítrofe. Ultrapassou-se associando um muro de suporte a um talude, funcionando o seu conjunto como que um dique, valorizando até a orla definida no anteprojeto; 1968 - fez-se o estudo dos percursos a estabelecer no jardim que se veio a materializar através de largas lajes de betão quadrangulares, justapostas de um modo irregular; 1969, abril -os muros limítrofes da Fundação começaram a ser construídos; 1969 - executaram as coberturas ajardinadas da Galeria das Exposições Temporárias, da Galeria dos Congressos e do Parque de Estacionamento, os pátios do Museu e dos Congressos e as floreiras; 1969, 10 setembro -conclusão da obra do jardim; 1969, 2 outubro - inauguração dos edifícios e jardins; 1970 - últimas plantações no parque durante o período da Primavera; 1970, setembro - 12º Congresso da Federação Internacional dos Arquitetos Paisagistas nas instalações da Fundação Gulbenkian; 1975 - a Câmara Municipal de Lisboa atribui o Prémio Valmor à Sede, Jardins e Museus da Fundação; 1976 - Viana Barreto foi convidado a colaborar novamente com a Fundação, desta vez para assumir a tarefa de revitalização do parque que começou a evidenciar sinais evidentes de franca degradação; 1979, julho - Viana Barreto realizou trabalhos referentes ao acompanhamento das tarefas de conservação e estudo de pormenor de caminhos, zonas de estar e floreiras (1ª fase), e em outubro desse ano alertava a Fundação para a necessidade de tomar medidas relativamente à grafitose que assolava os ulmeiros; 1980, 14 janeiro - o Engº Luís Guimarães Lobato, então administrador da Fundação endereça uma carta a António Viana Barreto e a Gonçalo Ribeiro Telles convidando-os a elaboração de um "Projeto de revisão paisagística do Parque Calouste Gulbenkian e enquadramento do Centro de Arte Moderna que a Fundação aí pretende construir."; 1980, 12 agosto - parecer da Comissão ad hoc do IPPC, a propor a classificação do mural "Começando", da autoria de Almada Negreiros; 1976 - Viana Barreto foi convidado a colaborar novamente com a Fundação, para assumir a tarefa de revitalização do parque que começava a evidenciar sinais de degradação; 1980, 29 fevereiro - Recusa por parte dos autores do parque na elaboração, por considerarem que "…a nossa intervenção , na concretização da actual proposta não faz sentido, pois não há qualquer hipótese, julgamos de integração do edifício sem que tal implique a destruição do Parque existente. Apenas, existe a possibilidade de repensar os espaços resultantes desta nova implantação, e definir uma nova concepção para os mesmos. Para tal não estamos interessados, uma vez que consideramos o Parque existente uma obra coerente e válida, que não deveria ser destruída ou mutilada significativamente, como aparentemente se pretende."; 1998, 17 dezembro - proposta de abertura do processo de classificação do edifício e jardins; 2002, 22 maio - Despacho do Vice-Presidente do IPPAR determinando a abertura do procedimento administrativo relativo à eventual classificação do conjunto do Parque, edifício-sede, Museu, Centro de Arte Moderna e jardins da Fundação; 2003 - início das obras de remodelação do Parque por Gonçalo Ribeiro Telles; 2005, 11 março - proposta da DRLisboa de classificação do conjunto como Monumento Nacional; 2006, 01 março - parecer favorável à classificação pelo Conselho Consultivo do IPPAR; 2006, 07 junho - Despacho de homologação do Secretário de Estado da Cultura; 2006 - A fundação compra mais uma parte da propriedade à viúva de Vasco Maria Eugénio de Almeida, Conde de Vilalva (1913 - 1975) que vai possibilitar uma nova entrada para o parque e para o edifício do Museu Calouste Gulbenkian-Coleção Moderna; 2010, 28 de dezembro - Publicação no DR. do decreto nº 18, da sua classificação como Monumento Nacional; 2011, 28 de janeiro - Publicação no DR. da Portaria nº 260, da sua ZEP.

Dados Técnicos

Materiais

INERTES: lajes de betão. VEGETAL: árvores - árvore-da-borracha australiana (Ficus macrophylla), choupos branco (Populus alba), choupo negro (Populus nigra), cipreste (Cupressus sempervirens), eucalipto-comum (Eucalyptus globulus), lódão (Celtris australis), loureiro (Laurus nobilis), magnólia (Magnolia grandiflora), pinheiro manso (Pinus pinea), Ficus Rubijinosa, vidoeiro(Betula celtiberica); arbustos - azevinho (Ilex aquifolium), bambu dourado (Phyllostachys aurea), papiro (Cyperus papyrus); arbustos - azevinho (Ilex aquifolium).

Bibliografia

ANDRESEN, Teresa - Três Décadas de Arquitetura Paisagista em Portugal.1940-1970. in ANDERSEN, Teresa. Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian - Francisco Caldeira Cabral e a primeira geração de Arquitetos Paisagistas (1940-1970), Lisboa, 2003, pág. 91-95; ANDERSEN, Teresa. CAMARA, Teresa Bettencourt. CARVALHO, Luís Guedes - "Lugares da Arquitetura Paisagista: 1940-1970" in ANDERSEN, Teresa. Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian - Francisco Caldeira Cabral e a primeira geração de Arquitetos Paisagistas (1940-1970), Lisboa, 2003, pág. 246-251; CAMARA, Teresa Bettencourt - "Contributos da Arquitetura Paisagista para o Espaço Público de Lisboa", Porto, 2015, p.209 -227. Dissertação de Doutoramento. Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, texto policopiado; CASTEL-BRANCO, Cristina - Jardins de Portugal. Lisboa: Edições Clube de Colecionadores dos Correios, 2014; CARAPINHA, Aurora - Fundação Calouste Gulbenkian. O Jardim. Lisboa. FCG., 2006; FERREIRA, Rafael Laborde, VIEIRA, Victor Manuel Lopes, Estatuária de Lisboa, Lisboa, Amigos do Livro, Lda., 1985; Parque Calouste Gulbenkian, Guia Botânico, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1989.

Documentação Gráfica

DGPC: Arquivo pessoal do Arquitecto Paisagista António Viana Barreto, Arquivo pessoal do Arquitecto Paisagista Gonçalo Ribeiro Telles

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

DGPC:,Arquivo pessoal do Arquitecto Paisagista António Viana Barreto, Arquivo pessoal do Arquitecto Paisagista Gonçalo Ribeiro Telles

Intervenção Realizada

Colocação de mapas interpretativos do jardim; 1962 - início das obras com a adjudicação das terraplanagens e muros de suporte.

Observações

Autor e Data

Teresa Camara 2018

Actualização

 
 
 
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