Capela de São Julião

IPA.00006858
Portugal, Viana do Castelo, Melgaço, União das freguesias de Vila e Roussas
 
Capela provavelmente construída no séc. 13, em estilo românico-gótico, não devendo constituir, no contexto do românico a Norte do Douro, um edifício tardio, não ser entendido como um edifício tardo-românico, nem considerado um edifício gótico. De pequenas dimensões, apresenta planta retangular, com fachadas em cantaria siglada, interiormente com teto de madeira e iluminação axial e unilateral. Fachada principal mais larga e alta que o restante corpo, terminada em empena truncada e rasgada por portal de arco apontado e fresta. As fachadas laterais terminam em cornija sobre cachorrada simples, abrindo-se na lateral esquerda fresta; a posterior termina em empena e é igualmente rasgada por fresta. Constitui interessante sobrevivência de antiga leprosaria à face de um importante caminho que ditou a construção da Capela da Senhora da Orada (v. PT011603180002) cerca de 500 m. adiante.
Número IPA Antigo: PT011603180013
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta retangular apresentando o pano do frontispício de maior dimensão e desenvolvimento em altura. Volume simples com cobertura em telhado de duas águas. Fachadas em cantaria de granito aparente, siglados, com as juntas cimentadas e pintadas a branco. Fachada principal orientada a O., terminada em empena truncada e rasgada por portal de arco quebrado de uma arquivolta com aduelas chanfradas, relativamente curtas e largas, tendo a chave de contorno algo irregular, assentes em impostas levemente salientes. Sobre o portal rasga-se pequeno vão que actualmente alberga sino. As fachadas laterais apresentam cachorrada de decoração geométrica simples e uniforme, sustendo a cornija saliente; na fachada N. abre-se pequena fresta em arco alteado enquanto a virada a S. é cega. A fachada posterior, terminada em empena, capeada, ostenta pequena fresta rectilínea. INTERIOR com pavimento em terra batida, integrando os silhares em granito provenientes do retábulo que foi apeado, e tecto em madeira de perfil curvo. Na parede testeira tem fresta de capialço.

Acessos

Vila, EN 301 Melgaço - São Gregório

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 1/86, DR, 1.ª série, n.º 2 de 03 janeiro 1986

Enquadramento

Urbano, isolado. Ergue-se à saída da Vila em direcção à fronteira, a S. da EN. e no extremo E. de uma plataforma sobranceira à via, apoiada em muro de sustentação. É delimitada a S. por muro elevado de propriedade particular, sobre o qual assomam frondosas árvores, e a O. por murete com pequeno portão férreo. Acede-se-lhe por escadas graníticas, de dois lanços. A SO. ergue-se casa de habitação de pequenas dimensões. No centro da plataforma eleva-se o cruzeiro de São Julião (v. PT011603180008) e do outro lado da estrada, a Casa da Quinta da Calçada (v. PT011603180012). Sobre o muro do adro existe ainda Alminhas em arco de volta perfeita, interiormente desnudo, protegido por porta em gradeamento de ferro, e terminadas em cornija recta.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Religiosa: capela

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 13 (conjetural) / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 13 - provável construção da capela, a qual integraria uma gafaria documentada em meados da centúria; 1240 - referência à existência de uma leprosaria próximo da Orada *1; c. 1531 - por esta época a administração da capela e leprosaria estavam entregues à Misericórdia de Melgaço *2; 1656 - Obrigação à fábrica da ermida de São Julião a favor do Provedor da casa da Misericórdia, o reverendo vigário de Passos, Miguel Aranha Pito e Pedro de Sousa de Castro e mais moradores, que dizem que seus antecessores fizeram petição para dizer missa na ermida e que ela já estava ornada decentemente para que tal aconteça; 1658 - a Santa Casa da Misericórdia, dota a capela de São Julião de propriedades situadas atrás e abaixo da capela *3 (ESTEVES, 1950: 67); séc. 17, meados - referência, em documento emanado da Misericórdia de Melgaço, à capela ter sido "arruinada e de novo reparada (ESTEVES, 1950: 68); feitura do retábulo-mor, em pedra, tapando a fresta rasgada na parede testeira; 1711 - data de escritura de foro perpétuo da ermida de São Julião a João Gomes de Magalhães e a sua mulher Constança Mendes de Araújo feita pela Misericórdia e na posse do proprietário actual *4; séc. 18 - provável construção de um retábulo pétreo com condenação da fresta rasgada na fachada posterior; 1758, 24 Maio - referida nas Memórias Paroquiais pelo padre Bento Lourenço de Nogueira, como tendo sido mandada fazer pela Misericórdia.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de granito aparente; porta de madeira; retábulo de talha; cobertura de telha.

Bibliografia

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de - Alto Minho. Lisboa: Bertrand, 1987; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de - Vias Medievais. Entre Douro e Minho. Porto: FLUP, 1986; CAPELA, José Viriato - As freguesias do distrito de Viana do Castelo nas Memórias Paroquiais de 1758. Braga: Casa Museu de Monção; Universidade do Minho, 2005; ESTEVES, Augusto César - Melgaço e as Invasões Francesas. Melgaço: 1950; PINTOR, Bernardo - Melgaço Medieval. Melgaço: 1975; ESTEVES, Augusto César - O Meu Livro das Gerações Melgacenses. Melgaço: 1991, vol. 2.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, SIPA

Documentação Administrativa

IAN/TT: Dicionário Geográfico de Portugal, vol. 23, nº 121, pp. 765-770

Intervenção Realizada

Proprietário: 1990, década - limpeza das fachadas com remoção de líquenes e desmonte do retábulo pétreo interior, tendo sido também removida a pedra que condenava a fresta da fachada posterior.

Observações

*1 - "Una orta nostra que iacet in ripa de regario qui currit inter heerada et leprosos de Malgazo" ( leitura de documento do Livro das Datas do Mosteiro de Fiães, em ESTEVES, 1950: 64 ). *2 - "Na dita Villa avya hum Espitall que se chama de São Gião que fora instytuido para nele se curaren Lazaros, os quaes avya muytos anos que hi não avya" (leitura de documento do Arquivo da Misericórdia em ESTEVES, 1950: 65). Em 1533 e 1537 há referência à existência de um leproso em São Gião (ESTEVES, 1950: 66). *3 - "dotar...à dita ermida as propriedades seguintes (...) o campo e vinha sita abaixo da Ermida de São Julião que levará de semeadura campo e vinha seis alqueires de pam" (ESTEVES, 1950: 67). *4 - Augusto César Esteves refere que Jerónimo José Gomes de Abreu Magalhães foi terceiro administrador da capela deixada por seu tio João Gomes de Magalhães que instituiu a "capela de missas em São Julião" (ESTEVES, 1991: 71). *5 - Antecedendo o frontispício do templo, para SO., foi recentemente colocada placa de sinalização. O proprietário, que procedeu à remoção do retábulo intentando repor a traça original, pavimentou o imóvel com terra batida integrando os silhares do retábulo para que se mantivessem no templo, tendo introduzido no pavimento duas pequenas placas de vidro procurando assim deixar testemunho da reforma a que procedeu. *6 - O retábulo da capela era de cantaria de granito e tinha planta recta e um eixo definido por duas colunas de fuste seccionado em três, o inferior decorado com pontas de diamante e os dois superiores por caneluras de largura diferente, apoiados em plintos paralelepipédicos ornados de florões e de capitéis de inspiração coríntia; ao ceentro possuía painel rectangular com moldura em toro, sobreposta por três mísulas com acantos sustentando imaginária; sobre o entablamento, com friso fitomórfico e querubim central, desenvolvia-se o ático formando frontão pouco desenvolvido com caneluras e moldura de acantos; banco com almofadas relvadas circulares ou ovais. *7 - O proprietário informa que aguarda confirmação da posse da capela.

Autor e Data

Alexandra Cerveira 1999

Actualização

 
 
 
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