Estação Ferroviária de Pêso da Régua

IPA.00006823
Portugal, Vila Real, Peso da Régua, União das freguesias de Peso da Régua e Godim
 
Estação ferroviária intermédia de 2ª classe, construída no séc. 19, que dá início da linha do Vale do Corgo, caracterizando-se pela sobriedade das linhas. Possui edifício de passageiros de planta rectangular composta por três corpos, com os laterais reentrantes e de um só piso e o central de dois, com pilastras nos cunhais, fachadas percorridas por cornija e superiormente, por entablamento, rasgadas regularmente por portas de verga abatida e exterior recto. Tem vários edifícios de apoio, nomeadamente sanitários, afastados, de planta rectangular e cobertura avançada formando pequeno alpendre a toda a volta, com os cunhais e molduramento dos vãos mais ornamentados, formando alhetas com fiadas alternadas mais ressaltadas, rasgadas superiormente por vãos rectangulares emoldurados protegidos por alpendre apoiado em vigamento de madeira. Armazém de grandes dimensões, dado o grande volume de mercadorias, totalmente construído em madeira com estrutura complexa de suporte do telhado em vigamento de asnas, destacando-se pelas dimensões, elegância da sua planta rectangular em curva, acompanhando o traçado da linha férrea, e do balanceamento do telhado ultrapassando claramente o alinhamento dos alçados.
Número IPA Antigo: PT011708070019
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Transportes  Apeadeiro / Estação  Estação ferroviária  

Descrição

Edifício principal, com bilheteiras, salas de espera, café e gabinete do chefe da estação, de planta rectangular, com eixo E. / O., composto por um corpo central, de 2 pisos com cobertura em telhado de 4 águas e 2 corpos laterais de 1 piso e coberturas em telhado de 4 águas com 2 águas-furtadas. Fachadas em alvenaria rebocada, com embasamento de granito, lambril de azulejo policromo, cunhais apilastrados e pisos separados por cornija, tendo uma outra superiormente apoiando entablamento liso. Apresenta vãos de verga convexa e exterior recto dispostos regular e simetricamente, sendo portas no 1ºpiso e janelas de sacada com bandeira superior no 2º. A fachada virada à linha é percorrida por alpendre. O interior encontra-se muito alterado por intervenções recentes. A O. deste, ergue-se um edifício de 2 pisos, de planta rectangular, destinado a serviços administrativos e alojamento. A E., num plano recuado em relação ao edifício principal, existem as instalações sanitárias, de planta rectangular, com eixo N. / S., cobertura em telhado de 4 águas, fachadas em alvenaria rebocada, lambril de azulejo policromo e cunhais em cantaria de granito em alheta. Armazém de planta rectangular formando um ligeiro arco, acompanhando a curva da rua em que se encontra implantado e das linhas de caminho de ferro, com cerca de 200 m de comprimento por 6 m de largura. Volume único com cobertura em telhado de 4 águas. Ergue-se sobre um soco com cerca de 0,8 m de altura, construída em alvenaria e rematada em cantaria de granito. Fachadas em ripado de madeira, até cerca de 3 m, apresentando na parte superior, um gradeamento de madeira a S. e uma rede metálica a N., com ritmo de vãos idêntico e simétrico. Fachada N. confinando directamente com uma linha do caminho de ferro, com 22 portas de dupla folha e abertura por deslizamento lateral; o acesso faz-se por uma rampa colocada no lado O. do edifício e que permite aceder à primeira porta; o acesso às outras portas é feito directamente a partir das composições ferroviárias, permitindo o carregamento directo das mercadorias. Fachada S. comunicando directamente com a rua, com 22 portas de folha dupla de abertura transversal, algumas janelas abertas recentemente, precedidas por pequenos degraus. O telhado, com uma aba-corrida de cerca de 2 m assenta num forro interior de madeira, suportado por um vigamento de asnas, sobre pilares e escoras de madeira colocados ao longo dos alçados interiores. O INTERIOR apresenta-se dividido transversalmente, por paredes de madeira, em compartimentos de comprimento variável e adaptados à sua funcionalidade. Entre os sanitários e o armazém ergue-se um pequeno edifício incaracterístico, de planta rectangular, apenas 1 piso e cobertura em telhado de 4 águas.

Acessos

Pêso da Régua, Avenida da Estação

Protecção

Em vias de classificação (Homologado como IIP - Imóvel de Interesse Público, Despacho de 02 setembro 2009 do Ministra da Cultura) (cais)

Enquadramento

Urbano, ribeirinho, isolada. Integrada no centro vinícola do Baixo Corgo. É composta de diversos edifícios inter-relacionados e construídos na proximidade do rio Douro, na margem direita, na confluência do Corgo, e junto à estrada. O edifício dos armazéns situa-se a E. do edifício principal e constitui-se como um dos elementos delimitadores do espaço da estação em relação à rua que lhe fica a S. e para a qual abrem as portas.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Transportes: estação ferroviária

Utilização Actual

Transportes: estação ferroviária

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19 (conjectural) / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1872, 14 Junho - Decreto mandando proceder à construção do Caminho de ferro do Porto à Galiza por Braga e Viana do Castelo, Linha do Minho, e os estudos do Vale de Sousa por Penafiel até ao Pinhão, Linha do Douro; 1873, 31 Maio - Decreto aprovando a emissão de obrigações para construção do Caminho de Ferro do Minho e Douro na importância de 2.034.000$000 rs; 1873, 8 Julho - inauguração dos trabalhos da Linha do Douro; séc. 19, 4º quartel - construção da estação e do armazém; 1879, 14 Julho - chegada à Régua do primeiro comboio; era considerada uma estação de primeira classe; 1906, 12 Maio - abertura à exploração pública do troço entre a Régua e Vila Real na Linha do Corgo; 1926 - expedia anualmente em média 2.000 toneladas em g. v. e 39.000 em p. v., sobretudo frutas e vinho, especialmente consignadas a Porto e Gaia e recebia 1.800 toneladas em g. v. 52.500 em p. v., sobretudo aguardente provinda do Bombarral, Leiria, Santarém e Gaia, peixe fresco e salgado de Aveiro, Ovar, Espinho e Matosinhos e materiais de construção e mercadorias de praça do Porto; regulava cerca de 102.000 de passageiros anualmente, especialmente para o Porto, C. P. e linha do Douro; 1928 - Relatório sobre as Linhas do Minho & Douro e Sul & Sueste, refere que é sobretudo na do Douro onde se localizavam as estações mais "defeituosas", devido à insuficiência de espaço disponível, visto se encaixarem entre as encostas das serras ao N. do Douro e o leito do rio, má implantação dos edifícios, cais e armazéns, pequena extensão das linhas de resguardo e falta de apetrechamento adequado, sobretudo em algumas estações, onde o tráfego predominante era constituído por objectos de grande peso; era o caso da estação da Régua, que tinha um importante movimento de passageiros e mercadorias, principalmente de vinhos; o carregamento dos vinhos e das taras exigia um grande número de vagões, muito superior ao correspondente à tonelagem acusada pelas estatísticas; o espaço disponível era acanhado, mas não se podiam fazer ampliações sem se recorrer às expropriações de terrenos edificados, e além disso, existia uma passagem de nível atravessando as linhas, que era urgente substituir por uma passagem inferior ou superior, Como solução temporária, o Relatório propõe ampliar o apeadeiro de Quatro Caminhos, a 1,5 km da Régua, transformando-o numa espécie de gare auxiliar da estação da Régua; para os melhoramentos desta estação propunha-se: reconstrução e ampliação do cais dos vinhos, incluindo aparelhos para transporte das pipas (1.550 contos); ampliação das plataformas (108 contos); construção de um cais de enxofre (38 contos); construção de uma passagem superior (300 contos); melhoramento no edifício de passageiros (80 contos); sinalização (100 contos); diversos trabalhos imprevistos (124 contos); na estação de Quatro Caminhos propunha-se proceder: expropriações (25 contos); terraplanagens (10 contos); linhas (144 contos); cais e armazéns (80 contos); plataformas (108 contos); edifício de passageiros e anexos (320 contos); iluminação (20 contos); sinalização (30 contos); diversos trabalhos imprevistos (63 contos); todos estes trabalhos poderiam então ser realizados em 3 anos; propunha-se ainda proceder à instalação na Régua de uma estação de tratamento de águas, bem como de um reservatório de água, de 100 m3, (orçado em 45 contos), com a respectiva canalização e acessórios; devido ao intenso serviço de passageiros e efectivo do pessoal das estações e oficinas, propunha-se construir um pavilhão destinado ao serviço de inspecções, consultas e pequenos tratamentos médicos; 1937 - Cottinelli Telmo apresenta projeto de construção para a torre de sinalização e manobra para a estação, o qual não é executado; 1942, 31 Dezembro - a Companhia Nacional de Caminho de Ferro solicita à CP a cedência de carvão de pedra estrangeiro, necessário para assegurar o serviço nas suas linhas de Trás-os-Montes; 1945, 10 Março - o MOPC autoriza a redução do horário dos comboios durante dois meses nas Linhas do º, Minho, Douro e Sul a partir de 17 de Março, devido à escassez de combustível; 2004, 16 março - despacho de abertura do processo de classificação; 27 Setembro - inauguração da sede da Associação de Aderentes da Rota do Vinho do Porto, com a presença do Ministro José Luís Arnaut, num dos armazéns da estação, alugado durante o período de 15 anos; 2007, 09 maio - proposta da DRPorto para a classificação como Imóvel de Interesse Público e definição de Zona Especial de Proteção; 11 julho - parecer favorável para a classificação como Imóvel de Interesse Público e definição de Zona Especial de Proteção do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.; 2008 - adaptação de parte do armazém (cerca de 205 m2 do mesmo) a restaurante, o "Castas e Pratos"; 2009, 02 setembro - despacho de homologação da definição de Zona Especial de Proteção do Ministro da Cultura; 2016 - desmantelamento da via algaliada, ou seja, do troço de 3 km da via estreita da linha do Corgo (que ligava a Régua a Chaves) coexistente com a via larga da linha do Douro, bem como de linhas de estacionamento e equipamento das antigas máquinas a vapor; as Infraestruturas de Portugal justificam o levantamento da via estreita "por se tratar de uma infra-estrutura sem utilização e que se encontrava em avançado estado de degradação", exigindo a sua recuperação um investimento de 850 mil euros, enquanto a opção pelo desmantelamento "permitirá poupanças com custos de manutenção em material não utilizado na ordem dos 20 mil euros por ano".

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes autónomas.

Materiais

Estrutura em alvenaria de xisto e cantaria de granito no soco, madeira, azulejo, telha marselhesa na cobertura.

Bibliografia

AAVV, O Caminho de Ferro Resivitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996, s.l., 1996; CIPRIANO, Carlos - «Património ferroviário foi destruído n estação da Régua». In Público. Porto: 26 julho 2016, p. 13; MARTINS, João Paulo - Cottinelli Telmo. A Obra do Arquitecto (1897-1948). Dissertação de mestrado em História da Arte, Lisboa: FCSH, UNL, 1995, 2 vols; Monografia das Estações e Esboço Corográfico da zona atravessada pelos caminhos de ferro do Minho e Douro, Lisboa, 1926; NUNES, Júlio Cesar D'Abreu, Guia do viajante nos Caminhos de Ferro ao Norte do Douro, Porto, 1879; Relatório e Programa dos Trabalhos a Executar nas linhas do Minho & Douro e Sul & Sueste para as colocar em boas condições de exploração, Lisboa, 1930; Rota do Vinho do Porto inaugura novo espaço, in Correio de Tabuaço, Tabuaço, 1 Setembro 2004, p. 4; Rota do Vinho do Porto inaugurou novo espaço, in Correio de Tabuaço, Tabuaço, 1 Outubro 2004, p. 4; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/6407431 [consultado em 11 janeiro 2017].

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DSID

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

AARVP: 2004 - obras de adaptação no interior de um dos armazéns, visando a instalação da sede desta associação, orçando em 300 mil euros, parcialmente financiados por fundos comunitários.

Observações

Constituía um importante centro de comunicações entre as províncias de Trás-os-Montes e da Beira Alta. Na sede da Associação de Aderentes da Rota do Vinho do Porto, é possível adquirir vinhos produzidos nas quintas associadas e marcar visistas turísticas às mesmas.

Autor e Data

Paulo Amaral e Miguel Rodrigues 1999 / Paula Noé 2004

Actualização

 
 
 
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