Paço Episcopal de Lamego / Museu de Lamego

IPA.00006669
Portugal, Viseu, Lamego, Lamego (Almacave e Sé)
 
Arquitectura residencial, barroca. Solar com 3 pisos e disposição horizontalista dos volumes, em redor de pátio interior quadrangular. Profusão decorativa no alçado principal não se repetindo nos restantes, de linhas sóbrias. Piso superior nobre e de maior riqueza decorativa que o piso térreo. Este é marcado por portas e janelas rectilíneas. o piso nobre apresenta janelas de guilhotina, com entablamente e aventais decorados com pingentes. Piso superior marcado por óculos ovais. Portais emoldurados por pilastras e rematados por frontão interrompido. O pórtico principal ocupa o pé direito correspondente a dois pisos. Varandas nas áreas laterais da fachada. Pátio interior de grandes dimensões. Ausência de escadaria monumental centralizada. A cruz que remata o portal de acesso aos jardins e Quinta é igual à usada nas armas do Bispo de Lamego D. Frei Feliciano de Nossa Senhora ( 1742 - 1771 ). Integração de peças provenientes de edifícios destruídos na estrutura do edifício, com carácter museológico.
Número IPA Antigo: PT011805210023
 
Registo visualizado 421 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Paço eclesiástico  Paço episcopal  

Descrição

Planta rectangular, composta e irregular, desenvolvendo-se em redor de um pátio central, com disposição horizontal das massas e coberturas diferenciadas de telhados a duas e quatro águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, circunscritas por cunhais apilastrados e remates em friso e cornija. Fachada principal virada a SO., composta por corpo central e dois laterais, o primeiro rasgado por pórtico principal centralizado emoldurado por pilastras e encimado por arquitrave e frontão curvo interrompido, com brasão de armas do bispo fundador e pináculos. Ladeiam-no, no piso térreo, quatro vãos de janela rectangulares e, sobre eles, janelões de arco abatido, emoldurados por frontões contracurvados e aventais. Os dois corpos laterais, com fenestrações rectangulares e portas no piso térreo, apresentam, no segundo piso, varandas corridas graníticas com balaústres, para onde abrem três janelas de sacada, encimadas por frontões interrompidos e triangulares. A NO., portal de acesso aos antigos jardins e quinta episcopais, encimado por ameias, coruchéus e cruz de Cristo *1. Fachada NO. com fenestrações rectangulares e porta de arco abatido. No segundo piso, fenestrações igualmente rectangulares. Junto à cornija, cinco vãos de menores dimensões, ladeados por três óculos polilobados. Na fachada NE., três corpos avançados, fenestrados, ladeiam dois mais recuados, igualmente fenestrados com varanda de balaústres assente em arcarias a pleno centro. Fachada SE. com fenestrações rectangulares, que se dividem por três panos, definidos por pilastras. No ângulo com o Passo da Via Sacra portão de ferro, com decoração fitomórfica *2. O pátio tem, no lado SO., portal central de arco abatido, ladeado por duas janelas rectangulares e, no segundo piso, cinco janelões rectangulares com aventais decorados com pingentes, encimados por platibandas sobrepujadas por molduras de óculos ovais cegos, situação que se repete nos restantes três alçados, à excepção do SE., onde são vazados. A SE., no piso térreo, duas fenestrações rectangulares e duas portas de arco abatido, ladeiam janela dintelada, ornada com colunelos finos, de onde arranca arco trilobado, e remate em arco canopial *3 . O segundo piso é igual ao anterior. A NE., portal central emoldurado por pilastras e arquitrave, com frontão curvado e contracurvado interrompido, ladeado por fenestração e porta rectangulares. No piso superior, janela central rectangular emoldurada e de avental, ladeada por duas janelas de sacada. A NO., no piso térreo, três portas de arco abatido alternam com duas fenestrações rectangulares emolduradas. No INTERIOR, os espaços foram adaptadas à sua função museulógica, com salas sucessivas, dispostas em quatro alas, em redor do pátio interno. Coberturas de madeira, em masseira ou caixotões. A primitiva capela é oitavada, com abóbada em estuque, ornada com pinturas.

Acessos

Avenida Regimento de Infantaria nº 9, Largo do Rossio (junto à Sé)

Protecção

Incluído na Zona Especial de Proteção da Sé de Lamego (v. PT011805210001)

Enquadramento

Urbano, em zona plana, isolado e separado por zona ajardinada e lateralmente, por muros para vias públicas. Adossado a Passo da Via Sacra. Próxima do Antigo Cine-Teatro Ribeiro da Conceição (v. PT011805210020) e Antigo Seminário Diocesano (v. PT011805210024).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: paço eclesiástico

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCNorte, Decreto-Lei n.º 114/2012, DR, 1.ª série, n.º 102 de 25 maio 2012

Época Construção

Séc. 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTORES: André Reinoso (1614-1620); Luís António Ferreira (1743).

Cronologia

1614-1620 - pintura de um painel com a "Fuga para o Egipto" e respectiva predela para um espaço do edifício, por André Reinos, por encomenda do bispo D. Martim Afonso Mexia; séc.18 - reconstrução da fachada e das salas do actual corpo principal, pelo Bispo Manuel de Vasconcelos Pereira (1773-1786); 1743, 2 Março - contrato com Luís António Ferreira, pintor de Lamego, residente na R. Direita, para a pintura das janelas e portas, por 31$000; 1901 / 1910 - remodelação e modificação do interior, por ordem do bispo Francisco José Ribeiro de Vieira e Brito (1901-1922); 1910 - interrupção das obras e o edifício é confiscado; a Câmara Municipal pede o edifício para o transformar em museu; 1911 - é transformado em Museu público; 1911 - 1913 - entrada de peças da primitiva igreja da Misericórdia *4; 1918, 21 Maio - inauguração do Museu, sendo o seu primeiro director João do Amaral, com peças da antiga colecção episcopal; 1926, 28 Agosto - edifício e cerca doados à autarquia por decreto governamental; 1928, 22 Janeiro - cedência de várias peças do Mosteiro das Chagas para a colecção permanente *5; 1936, 19 Junho / 1939, 1 Agosto - encerrado para obras de beneficiação; 1957, Agosto e Setembro - primeira exposição temporária, dedicada aos Mestres de Ferreirim; 1957, 1 Dezembro / 1958, Julho - encerrado para obras; 1964 - desalojada a Biblioteca Municipal; 1965, 12 Dezembro - mudança de designação de Museu Regional de Lamego para Museu de Lamego; 1968 - a G.N.R. muda para novas instalações e o museu passa a ocupar todo o edifício; 1991, 09 agosto - o museu é afeto ao Instituto Português de Museus, Decreto-Lei n.º 278/91, DR, 1.ª série-A; 2003 - lançamento de concurso público para projecto de remodelação e ampliação do espaço museológico, ganho por Maria Armanda Ferreira de Abreu; 2007, 29 março - o imóvel é afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. pelo Decreto-Lei n.º 97/2007, DR, 1.ª série, n.º 63.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Granito, rebocos, madeiras.

Bibliografia

AZEVEDO, D. Joaquim de, História Eclesiástica da Cidade e Bispado de Lamego, Porto, 1877; RODRIGUES, José Júlio, O Paço Episcopal de Lamego, in Separata do Boletim da Associação do Magistério Secundário Oficial, Porto, 1908; CORREIA, Vergílio, Artistas de Lamego, Coimbra, 1923; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952, Lisboa, 1953; AMARAL, João, Roteiro Ilustrado da Cidade de Lamego, Lamego, 1961; COSTA, M. Gonçalves da, História do Bispado e Cidade de Lamego, vol. V, Lamego, 1986; Guia de Portugal, vol. V - II, Lisboa, 1988; Laranjo, F. J. Cordeiro, Lamego Antiga, Lamego, 1989; LARANJO, F, J, Cordeiro, Cidade de Lamego, nº 5 - Museu de Lamego, Lamego, 1991; ALVES, Alexandre, Artistas e Artífices nas Dioceses de Lamego e Viseu, vol. II, Viseu, 2001; SERRÃO, Vítor, A Arte da Pintura na Diocese de Lamego (séculos XVI-XVIII), in O Compassao da Terra - a arte enquanto caminho para Deus, vol. I, Lamego, Diocese de Lamego, 2006.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID; IMC: Instituto José de Figueiredo; Arq. Museu de Lamego; Arquivo Câmara Municipal de Lamego: Livro de Actas ( Lv. 34 e 35 )

Intervenção Realizada

1901 / 1922 - recuperação das salas arruinadas, alterando o plano original; 1936 / 1937 / 1398 / 1939 - obras de beneficiação, com a conclusão da escadaria para o antigo salão nobre; encerramento da parte central da fachada posterior; Instituto José de Figueiredo: década de 50 - restauro das tapeçarias flamengas; 1956 / 1957 / 1958 - obras de ampliação; 1982 / 1983 - colocação de sistema de segurança.

Observações

*1 - utilizada nas armas do bispo de Lamego, D. Frei Feliciano de Nossa Senhora (1742-1771). *2 - proveniente da Capela do Santíssimo Sacramento da Sé de Lamego. *3 - janela quinhentista que se encontrava na R. Nova, freguesia de Almacave, a funcionar como peça de museu. *4 - duas pinturas, representando o Senhor atado à coluna e um Ecce Homo, bem como uma "Visitação" de Pedro Alexandrino de Carvalho, assinada e datada de 1790. *5 - de entre as peças, destacam-se as capelas do claustro, dedicadas a Nossa Senhora da Penha de França, a São João Evangelista, a São João Baptista e a Capela do Desterro; a pintura do Cristo no Horto, uma representação do Calvário, duas lâmpadas, um cálice de prata e paramentaria vária; vieram, ainda, peças de monumentos como: São João de Tarouca (Nossa Senhora do Ó), Quinta da Salada, em Cambres (altar), Palácio Valmor em Lisboa (azulejos), Sé de Coimbra (azulejos hispano-mouriscos); parte do espólio de ourivesaria foi ofertado, conhecendo-se alguns nomes, como João Almeida, Maria Emília Pinto de Lemos, Maria Virgínia Montenegro Flórido, Humberto Leitão, Maria Adelaide Calder, Joaquim de Assunção Ferraz, Humberto Macedo Chaves Ferraz e Cláudio Ferraz Lacerda.

Autor e Data

João Carvalho 1999

Actualização

Paula Figueiredo 2002
 
 
 
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