Igreja Paroquial de Santa Cruz / Igreja de Santa Cruz

IPA.00006626
Portugal, Setúbal, Barreiro, União das freguesias de Barreiro e Lavradio
 
Arquitectura religiosa, vernacular maneirista, barroca, rococó. Igreja maneirista de estilo chão com dois torreões e interior azulejado. Vernacular maneirista nos alçados austeros, com decoração sóbria e frontispício flanqueado por duas torres, com vãos rectangulares, verticais, amplo janelão rasgado sobre a porta; espaço unificado sem transepto. Barroco na transfiguração de uma espacialidade maneirista, chã, com decoração azulejar: ainda em azul e branco joanino, azulejos seriados de repetição, com padrão composto por albarradas com palmitos, envolvidos por ornatos barrocos e pares de golfinhos, separados por anjos sobre peanhas com cesta de flores, sobressaindo ainda as cabeças de anjos, aladas, sendo o conjunto contornado por barra de folhagem enrolada, estilizada; quadros cenográficos, figurativos, historiados, com contenção ao nível da cercadura. Rococó na decoração da talha, com motivos movimentados e frágeis, em concheados, asas de morcego e elementos vegetais, soltos; rococó na azulejaria em centros florais com enquadramento vegetalista, em azul e branco, com o emprego do roxo manganês na cercadura.
Número IPA Antigo: PT031504010004
 
Registo visualizado 254 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal, composta por templo com 2 torreões e pequenos anexos, regular, com coincidência exterior / interior. Volumes articulados na vertical. Cobertura em telhados de 2 águas no templo, de 3 águas nos anexos e coruchéus nos torreões. Fachada principal orientada a O. com embasamento de pequena proeminência, de 3 panos divididos lateralmente por pilastras toscanas, gigantes, e pelos cunhais nos extremos dos torreões; pano central com portal coroado por frontão triangular, sobre cujo lintel se vê uma espada sobre cruz de Santiago, sobrepujado por janelão de cornija recta, encimado por óculo circular; remate em friso de coroamento, continuada; os torreões são de 2 registos marcados pela cornija continuada: nos registos inferiores, o da direita tem pano cego e o da esquerda tem 1 janela, encimada por mostrador de relógio em azulejo; os registos superiores têm 1 ventana sineira de arco pleno, nas respectivas fachadas; o remate é em coruchéu piramidal em revestimento azulejar, azul e branco. Fachada N. de 2 panos delimitados lateralmente por cunhais; no pano da nave, portal entaipado de verga e cornija recta, sobrepujado por janelão com frontão curvo quebrado; o remate é em cornija de coroamento e beirado; o pano posterior tem, no 1º registo, 2 portas com 1 janela a meio e, no registo superior, 2 janelas, é de remate em beirado. Fachada a S. com um pano com portal vazado, sobrepujado por janelão, cujos molduramentos e colocação são idênticos aos da fachada oposta; parte do alçado está em adossamento com os anexos. Fachada posterior de 2 panos delimitados lateralmente por cunhais e pilastras, sendo o pano correspondente à capela-mor de 2 registos, com 2 vãos de janelos, e remate superior em empena angular com cornija e beirado; o pano do anexo tem 1 janelão e remata em platibanda. INTERIOR de espaço diferenciado em capela-mor, sacristia e nave. Capela-mor com altar-mor retabular em talha pintada, com algum douramento, com mesa com ressalto, de alvenaria, onde assentam 2 pares de colunas compósitas de cada lado de uma tela pintada, com frontão aberto, cobertura em abóbada de berço decorada com relevo com medalhão central, em estuque, com uma custódia e, ao centro, uma cruz à qual está abraçada Santa Helena; do lado da Epístola abre-se a porta de acesso à sacristia. Nave única separada da capela-mor por arco cruzeiro, de pleno centro, com capelas laterais e baptistério. Nave com alçados laterais com paredes de 1,80 m de espessura, forrados até meio a azulejo seriados de repetição; do lado do Evangelho uma porta de acesso a anexo, a que se segue o arco toscano de pleno centro de uma capela pouco profunda, com imagem sobre mísula, coberta por abóbada de berço; no pano murário segue-se um púlpito com balcão de caixa decorada e um vão de porta entaipado; junto à porta principal abre-se o baptistério separado da nave por arco toscano de volta plena, com pia baptismal oitavada. Do lado da Epístola abrem-se vãos semelhantes aos rasgados no pano oposto; na espessura murária da capela deste lado, abre-se uma escada de cantaria que conduz ao púlpito, a um varandim rasgado sobre o vão da porta lateral, e ao coro-alto; de cada lado da nave existem 2 pias de água benta em mármore da Arrábida; correspondendo ao Baptistério, na parede fronteira, existe uma pequena dependência, toda coberta com aproveitamentos de azulejos, com 2 pequenos vãos de janela, entaipados. Coro-alto com balcão de balaustrada em madeira com cobertura em falsa abóbada de arco em asa de cesto, em madeira. A nave é coberta por abóbada em asa de cesto, coberta por tela pintada guarnecida com ornatos e desenhos, com efeito de perspectiva e sombras; o pavimento é ladrilhado em tijolo. Na sacristia contígua ao templo, à direita, existe um arcaz a todo o seu comprimento. No cartório destaque para a existência de obras escritas do séc. 17. À esquerda, na Casa das Sessões existem a arrecadação e o arquivo da Irmandade do Santíssimo. AZULEJOS - Mostrador de relógio em azulejo no exterior do torreão esquerdo da igreja, com o dístico POVO e com a indicação à volta do mostrador CAM - ERA. / MUNI - CIPAL, e a data de 1837. Painel de azulejos setecentistas nas paredes laterais da capela-mor, formando dois quadros de 4,06 x 1,95 metros, representando o da direita, O Baptismo de Cristo, e o da esquerda, O Percursor anunciando ao povo a vinda do Messias; ao longo das paredes laterais da nave azulejos ornamentais, da mesma época, constituindo um friso de 1,28 m de altura. No espaço do lado da Epístola, junto à porta principal, azulejos de figura avulsa e aproveitamento de frisos de proveniência desconhecida.

Acessos

Praça de Santa Cruz, n.º 65

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Ergue-se no núcleo urbano da antiga vila do Barreiro, numa praceta, frente à Capela da Misericórdia ( v. 150401005 ).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Setúbal)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 15 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTOR: Pierre Bordes (séc. 19).

Cronologia

Séc. 15, finais - Data provável da construção da igreja *2, baseada na existência do documento que outorga a criação da Freguesia do Barreiro neste século, com referências á igreja de Santa Cruz que já estaria erguida, ainda que, provavelmente, não tivesse ainda sido consagrada (LEAL, 1990); 1523 - Visitação da igreja feita por D. Jorge filho do rei D. João II, com descrição da igreja primitiva: capela-mor com altar de alvenaria sobre três degraus em ladrilho de tijolo, sobre o qual havia um retábulo de portas com uma cruz dentro, de grande vulto, dourada, duas imagens, uma de São João Baptista, outra de Santo António, paredes de pedra e cal, arco cruzeiro de pedra; ilhargas com duas frestas com grades de ferro, chão ladrilhado; sacristia do lado do mar; coberta por telha vã; 1751 - tinha 5 altares, com um sacrário de talha dourada no maior, com um painel pintado da Santa Cruz e com as imagens representativas de São João Baptista, Santa Ana, São José e Santo António; 1755 - fica arruinada com o Terramoto; séc. 18 - época dos painéis de azulejos da capela-mor e do friso de azulejos colocados ao longo das paredes laterais da nave; 1837 - afinação e colocação de um relógio com mostrador em azulejo, vindo do convento da Madre de Deus da Verderena (150405), em 1834, após encerramento o seu; 1835 - data até à qual se fizeram enterramentos dentro da igreja; 1836 - colocação de um relógio no torreão, vindo do extinto Convento da Madre de Deus; séc. 19, meados - destruição do adro em cantaria; 1858 - compra de órgão para o coro-alto, pela Irmandade do Santíssimo Sacramento à congregação dos Inglesinhos de Lisboa, a cuja igreja pertencia; 1860 - a Irmandade do Santíssimo Sacramento, com casa das sessões, arrecadação e arquivo num anexo do lado direito da igreja, recebeu uma imagem do Senhor Morto, no esquife, oferecida por um dos irmãos, que a mandou depositar na Capela da Misericórdia; 1875 / 1877 - reconstrução de grande vulto no templo: restauro total do altar-mor, com douramento da talha, e dos restantes, altares feitos de novo, imagens encarnadas de novo, das paredes laterais, cobertura da capela-mor e da capela do Santíssimo decoradas de novo com ornatos de gesso, em alto relevo, da abóbada do corpo principal do templo, encargo orçado em 1 613$000 réis dos quais o M. O. P. paga 1 500$000 réis, sendo o resto pago por derrama lançada pela Câmara a que se juntou algum dinheiro vindo da Bula da Santa Cruzada; durante estas obras, a capela da Misericórdia fez a vez de Matriz; a pintura da tela que reveste a abóbada da nave é atribuída ao pintor Pierre Bordes; 1877, 20 de Maio - reabertura da igreja; 1916 - encontravam-se depositados nesta igreja imagens e objectos pertencentes às extintas igrejas de S. Francisco e do Rosário e à Ermida de Santa Bárbara; 1918, 17 de Junho - venda do edifício da igreja de Santa Cruz pelo Ministério das Finanças a um particular, Franklin Marques Firmino, pela quantia de 3 801$00; 1920 - venda do edifício da igreja, reduzido às paredes e telhado arruinados, à Agência Colonial, Ldª, com sede em Lisboa, pela quantia de 10 000$00, ficando a igreja a servir de armazém de cortiça, de depósito de bidões de alcatrão e de palha; 1927, 20 de Março - venda do edifício da igreja por 19 050$00 a um particular, Daciano dos Santos; 1927 - compra do edifício pelo padre Jacinto dos Reis; 1930 - ressurgimento do edifício de novo como templo, modestamente restaurado; 1934 - aquisição de altares móveis de talha dourada, estilo D. João V, provavelmente saídos da extinta igreja de São Julião, de Lisboa; 1939 - demolição da sacristia da igreja, para alargamento do acesso ao Largo de Luís de Camões, pela Praça de Santa Cruz; 1964 - construção do campanário e coruchéu do lado esquerdo.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Alvenaria, cantaria de mármore branco e mármore vermelho da Arrábida, madeira (de carvalho a talha do altar-mor, teca no portal principal), azulejos, tijoleira, telhas.

Bibliografia

COSTA, Américo, Dicionario Chorographico de Portugal Continente e Insular, vol. III, Lisboa, 1932; LEAL, Ana de Sousa, Documentos para a História do Município do Barreiro (séc. XV), II - A criação da freguesia e a fundação da Igreja Paroquial de Santa Cruz - 1487, in Um Olhar sobre o Barreiro, n.º 3, II Série, 1990; O Barreiro nas Visitações da Ordem de Santiago, in Um Olhar sobre o Barreiro, Barreiro, n.º 1, III Série, Novembro, 1992; PEREIRA, Esteves, Diccionário Histórico, Biográphico, Bibliográphico, Chorográphico, Numismático e Artístico, Lisboa, 1906.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

ANTT, Ordem de Santiago, B. 50 - 171, fls. i-bj.; IDEM, Livros da Chancelaria do Cartório da Ordem de Santiago, Livro 3 Suplementos, fls. 131 v a 132 r..

Intervenção Realizada

1963 - Colocação de telhado novo, estruturado num conjunto pré-esforçado; substituição dos dois soalhos sobrepostos existentes, por tijoleira prensada; limpeza da espessa camada de tinta a óleo que cobriam o arco do cruzeiro do altar-mor e os umbrais das portas; remoção dos altares laterais de talha estilo joanino; 1964 - construção da torre N., em pedra de cantaria, à semelhança da do lado S.; demolição do antigo coro-alto e assentamento de um novo em laje, com nova balaustrada e com guarda vento e subcéu almofadados de madeira exótica; montagem de maquinismo eléctrico no relógio da igreja, e novos ponteiros sobre o mostrador azulejado da frontaria do templo; PIDADAC, DGOTDV: 1998 / 1999 - obras de limpeza e reparações no exterior, parte do pavimento interior.

Observações

*1: Chave da igreja com o Sr. Jorge Cruz Figueira de Sousa, Travessa Padre Abílio Mendes, n.º 17, C. P. 2830 Barreiro, telefone 2060290. *2 Capela mandada fazer por André e Simão Alvares.

Autor e Data

Albertina Belo 1999

Actualização

 
 
 
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