Igreja de Nossa Senhora do Carmo

IPA.00006601
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (Sé)
 
Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Recolhimento de Padres Carmelitas com igreja maneirista de planta longitudinal e nave única, com frontispício, ao que parece, de remodelação do séc. 19, terminado em empena ondulante e portal interligado a janelão pelos enquadramentos de cantaria. No interior, retábulo-mor maneirista, laterais da nave joaninos e colaterais já neoclássicos.
Número IPA Antigo: PT062203100094
 
Registo visualizado 289 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Recolhimento masculino  

Descrição

Planta longitudinal composta por igreja de nave única e capela-mor, com sineira, sacristia, pequeno claustro e edifício de recolhimento adossados escalonadamente para E., e conjunto da antiga ordem terceira nas traseiras da capela-mor. Grande massa de volumes articulados, onde se destacam a fachada e nave da igreja; coberturas em terraços e telhados de 4, 2 e uma água, com beirais simples, duplos e triplos de telha de canudo portuguesa. Fachada principal a S.; igreja com embasamento de cantaria, terminada em alta empena ondulada, cimalha de cantaria com balanço encimada por cruz e pilastras de cantaria nos cunhais assentes em estilóbatos e rematadas por urnas com pináculos. Portal com arco de volta inteira em cantaria cinzenta da Região, ladeado por pilastras encimadas por urnas, com frontão interrompido pelas armas da Ordem do Carmo em mármore branco, interligando-se a grande janelão de frontão curvo. Corpo da torre sineira recuado e de 3 pisos, com cobertura de 4 águas e beiral simples assente em cornija de cantaria. Corpo do antigo recolhimento ainda mais recuado, de 3 pisos com cobertura por beiral triplo, escondendo andar recuado. Fachada O. com embasamento pintado a cinza forte, nave cega e janelão na capela-mor, que é rematada por cunhais e cimalha de balanço encimada por cruz, tudo em cantaria. No interior, coro-alto com balaustrada de madeira e átrio de entrada delimitado por guarda-vento; nave com soalho de madeira, silhar de azulejos modernos, e duas capelas com retábulos de talha policroma e dois confessionários em cada lado, coberta com tecto de caixotões de madeira pintados sobre cornija. Arco triunfal de volta perfeita, com frontão curvo enquadrando alegoria em cartela de talha muito elaborada, ladeado por retábulos de talha, com nicho central com baldaquino enquadrado por colunas torsas assentes em mísulas entalhadas, ao centro das quais existe predela com outro nicho. Na capela-mor, lambril de azulejos alusivos a Nossa Senhora do Monte do Carmo e 2 arcosólios colaterais, com túmulos dos padroeiros do Recolhimento, de essas em mármore, assentes em leões, e encimadas pelas armas dos Câmara e dos Brandão apoiados em aletas e cruz. Retábulo-mor de talha dourada, com colunas enquadrando dois nichos sobrepostos com imagens, frontão quebrado complexo com tondo entalhado e arcanjos laterais, encimados pelas armas da Ordem do Carmo; fundo camarim central recoberto com tela, com a boca preenchida por imagem de Cristo Crucificado assente em sacrário igualmente de talha dourada. Da antiga sacristia ainda subsiste na sala para E. o lava-mãos de 3 torneiras esculpido em cantaria regional e encimado pelas armas da Ordem. No antigo recolhimento subsistem alguns arcos no claustro, no centro do qual existe cisterna.

Acessos

Largo do Phelps e Rua do Carmo e da Conceição

Protecção

Em vias de classificação

Enquadramento

Urbano, integrado num quarteirão, erguendo-se sobre o Lg. do Phelps e R. do Carmo e da Conceição.

Descrição Complementar

Torre com embasamento pintado a cinza forte, janelão gradeado encimado por larga janela com parapeito cego, pequena grade e tapa-sóis de madeira fasquiada pintados a verde escuro e par de sineiras com arco de volta perfeita, tudo com molduras de cantaria; cunhal de cantaria a morrer abaixo do piso das sineiras; fachada O. da torre com porta de acesso no piso térreo com moldura de cantaria assente em 4 degraus e pequena janela no quarto dos sinos. No edifício do recolhimento, embasamento, porta de garagem no piso térreo ladeada por janelas gradeadas e pares de janelas nos pisos superiores com tapa-sóis. Edifícios encostados à capela-mor com janelas gradeadas com molduras de cantaria rematados por cunhal de cantaria a N.; edifício da antiga ordem terceira recuado, com porta e janela gradeadas no piso térreo com molduras de alvenaria pintadas a cinza forte e bonitas janelas no piso superior com molduras de cantaria colorida de Cabo Girão, com filete intermédio relevado e lintel de balanço, varanda com grade à face e tapa-sóis; cobertura de 4 águas com beiral triplo. A nave apresenta do lado do Evangelho os altares de Santa Teresa e da Nossa Senhora de Fátima, com pares de colunas enquadrando um nicho com decoração rococó, frontão do mesmo estilo, tudo incluído em arco de volta perfeita assente em pilastras relevadas e altos frontões quebrados igualmente rococós; do lado da Epístola, altares do Senhor Jesus e da Imaculada Conceição, com telas emolduradas por colunas torsas entalhadas e douradas. Os altares laterais são dedicados a São Caetano e Santa Teresa. Capela-mor com altar assente em alto degrau de cantaria com acesso central por 3 degraus. Um dos túmulos têm as armas dos Câmara e a inscrição: "S. / DE ANTONIO DE CARVALHAL ESME / RALDO FIDALGO DA CAZA DE S. Mde. / E SUA MULHER D. MARIA BRANDÃO", e o outro o dos Brandão e a inscrição: "S. / DE PEDRO GLZ. BRANDÃO E SEU IR / MÃO MANOEL MIZ. BRANDÃO E SEUS / HERDEIROS".

Utilização Inicial

Religiosa: recolhimento masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese do Funchal)

Afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Luís Nunes Tinoco (1686); Pedro Nunes Tinoco (atr.). ENTALHADOR: Estêvão Teixeira de Nóbrega (atr.); Manuel Pereira (atr.); Manuel Pereira de Almeida. PINTOR: Bento Coelho da Silveira; oficina de João Nicolau Ferreira (1800). MESTRE DAS OBRAS REAIS: Bartolomeu João de Abreu (atr.). PRATEIRO: Manuel Francisco Gramacho.

Cronologia

1631 - falecimento do Dr. João Pinto da Vitória, primeiro carmelita referido na Madeira; 1652, 11 Dezembro - fundação da confraria da Ordem Terceira do Carmo, então com sede na capela da Encarnação e tendo como provincial o padre Luís do Rosário de Vila Nova; 1657, 25 Novembro - lançamento da primeira pedra da nova igreja do Carmo a custas do capitão Pedro Gonçalves Brandão e em terrenos de Roque Acciauoli de Vasconcelos; 1660 - data provável do retábulo do altar-mor atribuível à oficina de Manuel Pereira; 1662, 6 Maio - falecimento de Pedro Gonçalves Brandão; 1663 - compra em Lisboa das imagens ligadas à Ordem do Carmo para o altar-mor por Manuel Martins Brandão; 1681 - início das obras de recolhimento; 1682, 2 outubro - falecimento de Manuel Martins Brandão, construtor do recolhimento; 1683, 18 Março - falecimento de D. Maria Brandão e enterramento na capela-mor com seu marido, António de Carvalhal Esmeraldo; 1686 - Luís Nunes Tinoco intervem nos túmulos de Pedro Gonçalves Brandão e Manuel Martins Brandão e no de António Carvalhal Esmeraldo e D. Maria Brandão (COUTINHO: 299); 1700 - datação provável da Imaculada de Bento Coelho da Silveira e do altar de talha onde se encontra atribuível à oficina de Manuel Pereira de Almeida; 16 Julho - milagre que obrou a imagem de Nossa Senhora do Monte do Carmo salvando o pedreiro Mateus Pereira, que ficou preso dentro de um poço na R. Direita durante 2 dias; 1740 - data provável dos azulejos da capela-mor; 1800 - data provável do óleo representando Nossa Senhora a oferecer o escapulário da Ordem do Carmo atribuível à oficina de João Nicolau Ferreira.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Cantaria mole e rígida regional aparente, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira ( carvalho e outras ), amarrações mistas de tirantes de madeira e de ferro, talha dourada e pintada, pintura sobre tela, mármores vários, azulejos, vidro, prataria e ourivesaria, e telha de meio canudo.

Bibliografia

CARITA, Rui, História da Madeira, 3º vol., Lisboa, 1993; IDEM, As Dinastias dos Habsburgos e dos Braganças, Funchal, 1992; CARITA, Rui, Os conventos da Madeira no século XVII ( VIII e IX ). O Recolhimento do Carmo, Diário de Notícias, Funchal, 9 e 23 Jun. 1991; COUTINHO, Maria João Fontes Pereira, A produção portuguesa de obras de embutidos de pedraria policroma (1670-1720). Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, 2010, 3 vols.; JARDIM, Duarte, Praça do Carmo, revista Diário, Funchal, 9 Ago. 1992; NORONHA, Henrique Henriques de, Memórias Seculares e Eclesiásticas...1722, Funchal, 1997; SERRÃO, Vitor, O arquitecto maneirista Pedro Nunes Tinoco. Novos documentos e obras ( 1616 - 1636 ), Lisboa, 1977; SILVA, Padre Fernando Augusto da, Elucidário Madeirense, 3 vols., Funchal, 1945; SIMÕES, J. M. dos Santos, Azulejaria nos Açores e na Madeira, Lisboa, 1963; VAZ, cónego, Nossa Senhora do Carmo na Madeira, Das Artes e da História da Madeira, nº 7, Funchal, 1951, p. 27.

Documentação Gráfica

Mapoteca do IGC (planta do Funchal de Reinaldo Oudinot, 1804), Lisboa; GR / Equipamento Social; DRAC (plantas de Jan. 1988), Funchal

Documentação Fotográfica

Museu Vicentes Photographos; antiga Junta Geral; DRAC, Funchal

Documentação Administrativa

ARM; CMF; GC e Juízo dos Resíduos e Capelas; Arquivo Eclesiástico do Paço Episcopal, Funchal

Intervenção Realizada

Diocese do Funchal: 1980 - reparação de todo o sistema de coberturas, com repintura dos tectos da nave e capela-mor, talhas, cantarias e estuques, e reconstrução de todo o corpo do antigo recolhimento para E..

Observações

Em 1988 foi iniciado levantamento sumário de inventário do recheio pela DRAC, tendo, entretanto, algumas peças de prata e de imaginária sido recolhidas no Museu Diocesano de Arte Sacra. Ficaram ainda no Recolhimento importantes alfaias em arrecadação, como o sacrário chapeado a tartaruga com as armas da Ordem de Nossa Senhora do Carmo, 2 crucifixos indo-portugueses, várias imagens e importantes alfaias de prata, algumas com inscrições, como o cálice de D. Guiomar de Vasconcelos. Entre 1992 e 1998 foi demolido parte do quarteirão para N. e E. onde se inscrevia o Recolhimento, tendo sido construído um importante complexo habitacional e comercial e a nova Praça do Carmo, numa dimensão lesiva da antiga intimidade do conjunto.

Autor e Data

Rui Carita 1999

Actualização

 
 
 
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